LOGINMônica e Marcos também ficaram alguns minutos com o bebê no colo.Tatiane, porém, estava completamente exausta. Depois do parto, caiu num sono profundo.Quando começou a despertar, ainda envolta pela sonolência, fragmentos de lembranças surgiram de repente em sua mente, um após o outro, embaralhados, repetindo-se sem ordem.Até que, ao longe, ouviu o choro de um bebê.Tatiane despertou de vez e abriu os olhos.A enfermeira havia acabado de ajudá-la com os cuidados do pós-parto.Bia estava ao lado da cama, observando a mãe. Assim que percebeu que ela tinha acordado, abriu um sorriso.— Mamãe, você acordou!Tatiane virou o rosto para a filha.Bia imediatamente gritou na direção do quarto ao lado:— Papai! A mamãe acordou!Henrique apareceu pouco depois com o bebê nos braços, seguido por Bianca.Tatiane tentou se sentar, mas a enfermeira ajustou a inclinação da cama para que ela ficasse apoiada de forma mais confortável.— Deixa eu ver o bebê.Henrique se aproximou e colocou Lívio em seus
— É muito lindo. — Henrique a observou com ternura. — Vai ficar ainda mais bonito quando você vestir.Tatiane devolveu o tablet a ele.— Você está ficando cada vez melhor em dizer exatamente o que eu quero ouvir.Henrique sorriu.— E você não gosta?Ela arqueou uma sobrancelha.— Não.Uma risada baixa escapou dele.— Então vou continuar dizendo todos os dias, até você começar a gostar.Dois dias depois, às nove da noite, Tatiane entrou em trabalho de parto antes do previsto.Quando chegou aos três centímetros de dilatação, as contrações já estavam tão fortes que ela havia perdido a cor. Até suas pernas tremiam.Tatiane agarrou o braço de Henrique com força.— Henrique!Ele segurou sua mão imediatamente.Depois de examiná-la, o médico autorizou a analgesia para aliviar a dor do parto.Tatiane permaneceu deitada, a testa coberta por uma fina camada de suor frio.Henrique não saiu do seu lado.— Já vai melhorar. Aguenta só mais um pouco.Sem forças nem para reclamar, ela murmurou:— Henri
Depois de dar entrada no hospital, Tatiane foi instalada em um andar praticamente exclusivo. Era a única gestante internada ali e contava com uma equipe médica à disposição vinte e quatro horas por dia.Nos últimos dias, vinha passando noites inteiras em claro. Henrique não dormia muito mais do que ela e atravessava as madrugadas ao seu lado, fazendo-lhe companhia.Naquela noite, porém, Tatiane finalmente conseguiu adormecer.E teve um pesadelo.No sonho, a gravidez havia transformado seu corpo por completo. Ela estava acima do peso, com o rosto abatido, e Henrique a olhava com uma repulsa impossível de esconder.Tatiane despertou num sobressalto.Quando abriu os olhos, Henrique estava bem perto, observando-a com ternura. Uma das mãos repousava sobre sua cabeça.— O que foi? Teve um pesadelo?A voz baixa e firme dele soou tão real que quase bastou para afastar as imagens do sonho.Quase.Porque tudo o que acabara de ver também tinha parecido real demais.Percebendo que Tatiane continua
Tatiane usava um vestido longo de seda, com decote ombro a ombro, que deixava à mostra os ombros claros e delicados. O cabelo estava preso em um coque baixo e despojado, e ela não usava maquiagem.Sentada de lado no sofá, com a barra do vestido ondulando suavemente ao sabor da brisa, deixava a luz do sol banhar seu corpo. Havia nela uma serenidade delicada, uma ternura maternal que se tornava mais evidente a cada dia.Ela acabara de receber as fotos da viagem que Patrícia havia enviado.Pelo rumo que as coisas estavam tomando entre Patrícia e Felipe, provavelmente não demoraria muito para os dois finalmente ficarem juntos de vez.Tatiane ainda trocava mensagens com Patrícia quando sentiu uma coceguinha junto à orelha.Logo depois, reconheceu o aroma amadeirado tão característico de Henrique.— O que você está fazendo?Tatiane tentou afastá-lo, mas Henrique já havia se sentado ao lado dela e passado os braços ao redor de sua cintura.— Com quem você está falando para ficar tão concentra
A essa altura, tudo o que havia acontecido no passado já parecia distante, quase como fumaça levada pelo vento.Felipe não queria mais alimentar ressentimentos. Já não fazia sentido.Talvez aquele tivesse sido apenas o destino de cada um.Patrícia assentiu e deixou o assunto morrer ali.— E esse café da manhã que não chega? Estou morrendo de fome.— Vou ligar para perguntar.Felipe mal pegou o celular quando a campainha tocou.O café da manhã finalmente havia chegado.Ele recebeu o pedido e começou a arrumar tudo sobre a mesa. Patrícia saiu do quarto logo depois.— Vem comer.Felipe abriu as embalagens.Havia uma tigela de mingau de aveia, uma porção de pão de queijo, uma tapioca, algumas fatias de bolo de milho e dois ovos.Tudo ainda estava quente.Patrícia se sentou à mesa e olhou para a quantidade de comida.— Você pediu isso tudo achando que eu ia comer sozinha?Felipe sorriu de leve.— Eu também vou comer.Naquele dia, os dois não saíram.Felipe trabalhou no hotel enquanto Patríc
Depois do banho, já pronto para dormir, Felipe saiu do banheiro e ouviu o celular vibrar.Foi até o sofá, pegou o aparelho e, ao ver quem estava ligando, atendeu.— Alô. O que foi?A voz divertida de Henrique veio do outro lado da linha, carregada de provocação:— Bonita a rosa.Felipe se sentou no sofá.— Pelo visto, você está com bastante tempo livre. Ligou só para falar da flor?— Só estou demonstrando um pouco de preocupação com você.— Guarda essa preocupação para a Tati e para de cuidar da vida dos outros.Henrique soltou uma risada baixa. Depois das provocações, mudou de assunto e perguntou sobre o trabalho.Os dois conversaram por mais algum tempo antes de encerrar a ligação.Felipe deixou o celular de lado, mas não demorou a pegá-lo outra vez e abrir o WhatsApp. Havia algumas mensagens privadas, entre elas uma de Marcos.Felipe sempre fora reservado e distante. Mesmo dentro de seu círculo social, eram poucas as pessoas que considerava realmente próximas. Com a maioria, mantinh







