登入— Pense bem em tudo isso.Felipe não disse mais nada. Virou-se e deixou o escritório.Henrique se recostou na cadeira, com a mandíbula rígida e o rosto carregado. Permaneceu imóvel por um longo tempo, mergulhado em silêncio.Por fim, pegou o celular e ligou para Bianca.Ela havia voltado sozinha ao país dois dias antes. Depois do acidente de Henrique, a família Barbosa ainda tinha muitas pendências para resolver, e Bianca estava naquele momento na antiga residência da família.Assim que viu o nome do filho na tela, atendeu.— Rick.— Mãe, quero perguntar uma coisa.O tom sério dele a deixou em alerta, mas Bianca procurou responder com naturalidade.— O que foi?Henrique foi direto ao assunto.— Durante todo esse tempo, você realmente não procurou a Tatiane?Bianca soltou um suspiro cansado.— Depois de tudo o que aconteceu com você, acha mesmo que eu teria cabeça para me preocupar com o que ela estava fazendo? Rick, você nunca foi assim. Ela é só uma mulher. Por que está se desgastando
Tatiane sentiu o nariz arder.Desviou o rosto e piscou algumas vezes, contendo as lágrimas. Depois, respirou fundo, voltou a contemplar a paisagem ao longe e sorriu.— Professor, ouvindo você falar assim, até eu começo a acreditar que sou mesmo incrível.Leandro respondeu sem hesitar:— Você não precisa acreditar. É um fato. Você não é inferior a ninguém. O problema é que nem todo mundo merece estar ao seu lado.Tatiane riu e apressou o passo.— Acho que os lírios mais à frente já floresceram.Leandro a alcançou com facilidade.Depois de caminharem por algum tempo, Tatiane começou a se sentir cansada e se sentou em um banco.Ficou em silêncio por alguns segundos antes de dizer:— Estou grávida.Leandro não respondeu de imediato. Apenas a ouviu, embora os dedos tivessem se fechado discretamente.— O médico recomendou que eu interrompesse a gestação, mas quero tentar ficar com o bebê. Não é por causa de ninguém. É só que, quando penso no quanto a Bia é adorável... Ele ainda é só um ponti
Leandro conversou com Tatiane sobre alguns assuntos do trabalho.Embora já tivesse procurado saber, por meio da empresa, como ela vinha se saindo profissionalmente, ele sabia que os relatórios não mostravam tudo. Para os outros, Tatiane parecia a mesma de sempre. Leandro, porém, conhecia bem demais a situação que ela enfrentava.Ao meio-dia, a empregada serviu o almoço.Havia arroz soltinho, filé de frango grelhado, purê de abóbora, legumes salteados, camarões com brócolis e uma salada leve. Tudo fora preparado com pouco tempero, pensando no apetite de Tatiane.Assim que Leandro se sentou, a empregada trouxe os pratos e os talheres. Ele percorreu a mesa com os olhos.— Está tudo com uma ótima aparência. Como anda seu apetite?Sentada diante dele, Tatiane respondeu:— Até que está bom. A comida da Dona Neide combina bastante com o meu gosto. Experimente.Leandro voltou a observar os pratos.— Mas você está comendo pouca carne? Não está conseguindo?Sob o olhar atento dele, Tatiane senti
Diante do silêncio do outro lado da linha, Tatiane apertou ainda mais o celular.A tensão entre os dois parecia ter chegado ao limite. Ela já se preparava para afastar o aparelho e encerrar a ligação quando a voz grave de Henrique finalmente surgiu, gelada e distante.— Não tem nada para me dizer?Depois de mais de um mês, Tatiane tornava a ouvir a voz dele. Só que já não havia nenhum vestígio da ternura de antes. Aquela lembrança parecia pertencer a uma vida muito distante.Ela ficou em silêncio por alguns segundos e respirou fundo.— O que importa é que você está bem agora.A calma indiferente na voz dela arrancou de Henrique uma risada curta, sem o menor traço de humor.— Pelo jeito, você ficou bastante decepcionada.Tatiane apertou o celular até os dedos perderem a cor. Mordeu os lábios, contendo qualquer som que pudesse revelar o que sentia.O silêncio se prolongou outra vez.Sem ouvir qualquer resposta da mulher, Henrique fechou ainda mais a expressão.— Não vai dizer nada?Tatia
Tatiane se mudou para o Condomínio Vista Imperial.No nono andar, havia apenas dois apartamentos, ambos atendidos pelo mesmo elevador. Por coincidência, os dois estavam disponíveis para locação, e Tomás ficou com o imóvel ao lado do dela.Depois de levar a bagagem de Tatiane para dentro, ele disse:— Evelynn, amanhã vou contratar uma empregada para morar aqui.— Eu mesma vou entrar em contato com uma profissional. Depois, você só precisa acertar os detalhes e trazê-la para cá.— Está bem. Então descanse cedo hoje.— Está bem.Tomás se virou e deixou o apartamento.Tatiane levou a mala até o quarto. Tudo havia sido cuidadosamente limpo. Ela abriu a bagagem, pendurou as roupas uma a uma no guarda-roupa e organizou os produtos de cuidados pessoais no banheiro.Quando terminou, sentia-se exausta.Deitou-se na cama e ficou encarando o teto desconhecido. A luz se refletia em seus olhos, mas seu olhar permanecia perdido, sem se fixar em lugar algum.Naquela noite, Tatiane quase não dormiu.O
Naquele dia, assim que saiu do trabalho, Tatiane voltou ao apartamento para concluir a mudança.Por coincidência, encontrou as duas empregadas que haviam cuidado dela anteriormente.— Dona Tatiane, quando a senhora voltou? Por que não avisou a gente antes?As duas só tinham ido ao apartamento para fazer a limpeza de rotina e deixar tudo em ordem. Não imaginavam que Tatiane já tivesse voltado e estivesse morando ali.— Vim passar apenas dois dias. Hoje mesmo vou embora.As duas trocaram olhares, surpresas.— Por que a senhora vai se mudar tão de repente? Aconteceu alguma coisa?Tatiane apenas sorriu, sem dar maiores explicações, e subiu para arrumar a bagagem. Tomás a acompanhou e carregou sua mala.As empregadas permaneceram na sala, sem poder fazer nada além de assistir à partida de Tatiane.Somente depois que os dois foram embora, uma delas perguntou:— Será que devemos avisar o senhor Henrique?A outra refletiu por um instante.— Pelo jeito, houve algum problema entre os dois. Mas o







