Socorro! A Babá Dormiu por Engano com o Magnata

Socorro! A Babá Dormiu por Engano com o Magnata

By:  Pequena LetraUpdated just now
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Júlia Nogueira jamais imaginou que um dia acabaria se envolvendo daquele jeito com um desconhecido dentro de um avião. Assim que encontrou uma brecha, fugiu sem olhar para trás. Mas mal havia desembarcado quando foi pressionada pelo próprio pai a seduzir o temido Dr. Montenegro. Antes mesmo de colocar qualquer plano em prática, Júlia descobriu que o tal Dr. Montenegro era justamente o namorado de sua melhor amiga. No avião, Leonardo Montenegro transou com uma desconhecida e, desde então, não conseguiu tirá-la da cabeça. Depois de muito esforço, finalmente encontrou a mulher que procurava. Mas, ao vê-la, teve a estranha sensação de que algo não batia. Curiosamente, a "babá" que sua avó havia enfiado dentro de sua casa parecia muito mais interessante. Ela morria de medo dele, mas ainda assim não se esquecia do motivo pelo qual estava ali: aproximar-se dele e seduzi-lo. Leonardo detestava mulheres que não sabiam o próprio lugar. Estava prestes a expulsá-la de sua vida... Mas, quando ele teve uma crise, foi ela quem passou a noite inteira ao seu lado, cuidando dele. E, quando ele caiu em uma armadilha, foi ela quem se colocou à sua frente. Depois de tantas voltas, a mulher que ele tanto procurava estivera ao seu lado o tempo todo. Quando Leonardo finalmente decidiu revelar a verdade, sua babá já era disputada demais, e ele ainda teria que esperar sua vez. Tudo bem. A mulher que ele queria, ele conquistaria.

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Chapter 1

Capítulo 1

Júlia Nogueira jamais imaginou que um dia acabaria fazendo aquilo com um desconhecido dentro de um avião.

O avião balançou algumas vezes.

Mesmo assim, ela continuou encarando a tela do celular, ainda meio atordoada.

[Se você não quer que aconteça alguma coisa com a sua mãe, volte agora.]

A mensagem vinha de seu pai, o mesmo homem que, no dia em que se divorciou, já havia registrado o casamento com a amante.

Sua mãe estivera ao lado dele desde o início, quando os dois ainda não tinham nada. Sofrera, trabalhara, engolira todo tipo de dificuldade até vê-lo finalmente prosperar.

No fim, recebeu apenas um acordo de divórcio que a obrigava a sair sem levar absolutamente nada.

Para conseguir ficar com a guarda de Júlia, sua mãe acabou cedendo.

Depois daquela mensagem, Júlia não conseguiu mais falar com ela.

Por isso, só lhe restou embarcar no voo que o pai havia providenciado.

— Júlia, o que foi? Você está pálida.

Sentada ao seu lado, Clara Azevedo, uma veterana da mesma faculdade, tocou de leve em seu braço.

Júlia estava acostumada a não incomodar ninguém. Por reflexo, apenas balançou a cabeça.

— Não é nada. Vou ao banheiro.

Clara lhe entregou uma nécessaire.

— Aproveita que todo mundo está dormindo e passa uma maquiagem. Não deixa aquele canalha do seu pai te olhar de cima para baixo.

Júlia hesitou por um instante, mas pegou a nécessaire e se levantou.

— Obrigada, Clara.

— Ah, e não fica andando pelo avião. Ouvi uma comissária dizer que a classe executiva inteira foi reservada por um único passageiro. Pelo jeito, é alguém difícil de lidar.

— Tá.

Júlia seguiu pelo corredor em direção ao banheiro. No caminho, cruzou com uma comissária que se preparava para servir bebidas.

Ao ver uma taça de bebida alcoólica no carrinho, nem soube explicar o que lhe passou pela cabeça. Agiu por impulso, pegou a taça discretamente e entrou no banheiro.

Bebeu tudo de uma vez.

As bochechas logo ganharam cor, mas nem aquilo conseguiu disfarçar o cansaço acumulado em seu rosto.

Ela respirou fundo e abriu a nécessaire.

Algo caiu com um pequeno estalo.

Era o crachá de estágio de Clara em uma empresa no exterior.

Clara já havia contado que, graças ao excelente desempenho, fora transferida para a matriz da empresa, no Brasil, uma companhia de grande porte, daquelas em que qualquer pessoa sonharia trabalhar.

"Quem dera eu também fosse incrível assim..."

Júlia se abaixou para pegar o crachá, mas a bebida lhe subiu de repente à cabeça. A visão ficou turva.

No instante em que estendeu a mão, a luz acima dela se apagou.

A porta do banheiro, que estava claramente trancada, foi aberta por alguém.

No escuro, um corpo quente a empurrou para trás, fazendo-a recuar até bater de leve na pia.

— Você é... Hm.

Antes que conseguisse terminar, o homem à sua frente cobriu sua boca com a mão.

Ele a encarou de cima. Mesmo sem luz, a pressão daquele olhar parecia atravessar a escuridão.

— Depois eu compenso você.

Júlia nem teve tempo de reagir.

No instante seguinte, ele a beijou.

Por instinto, ela tentou se afastar.

Antes que sua cabeça batesse no espelho, uma mão firme segurou sua nuca e impediu o impacto. O beijo ficou mais intenso, sem lhe deixar espaço para respirar.

O calor da palma dele era tão nítido que, mesmo atordoada, Júlia percebeu o formato longo e firme de seus dedos.

Ela se debateu algumas vezes e, sem querer, esbarrou no celular deixado sobre a pia.

A tela se acendeu. A luz fraca desenhou, por alguns segundos, o rosto quase perfeito do homem.

Ele, porém, parecia alheio a tudo ao redor.

A respiração pesada caía sobre ela, quente e irregular.

Quanto mais Júlia tentava escapar, mais perigosa se tornava a pressão daquele corpo contra o dela.

Ela ergueu as mãos e as apoiou no peito dele, tentando empurrá-lo. Mas o álcool lhe tomava a cabeça. A mente ficava cada vez mais confusa, e o corpo já não obedecia direito.

Um som abafado escapou de sua garganta.

Aquilo pareceu romper o último fio de controle que ainda restava nele.

A luz se apagou outra vez. Na escuridão, a presença do homem se tornou ainda mais sufocante, intensa demais, próxima demais.

Júlia quase não conseguia respirar. Sem forças, murmurou:

— Não... Não.

O homem a ergueu até a bancada da pia. Sua voz saiu rouca:

— Se segura em mim.

— Dói...

Júlia murmurou, completamente perdida, e mordeu os lábios dele em uma reação confusa.

Ele soltou um som baixo. Não parecia apenas dor. A mordida pareceu quebrar algo dentro dele, tornando sua tensão ainda mais difícil de conter.

— Você nem sabe beijar?

A cabeça de Júlia estava enevoada pelo álcool. Em meio à confusão, ela teve a impressão de ouvi-lo rir baixo.

No segundo seguinte, seus lábios foram tomados outra vez, e seu corpo foi erguido com cuidado.

Júlia sentia que havia caído em um sonho exaustivo, daqueles dos quais não se conseguia acordar. O homem diante dela, porém, parecia não conhecer cansaço.

O suor escorria pelos músculos tensos dele. A respiração dos dois se misturava no espaço estreito, pesada, confusa, quase insuportável, enquanto a escuridão parecia fechar-se ao redor dela.

Até que a voz do alto-falante ecoou pela cabine.

— Senhoras e senhores, iniciaremos o procedimento de pouso. Por favor, retornem aos seus assentos e afivelem os cintos de segurança...

Júlia despertou de uma vez.

Seu corpo inteiro endureceu.

A respiração do homem também pareceu falhar por um instante.

— Relaxa.

Aquela voz rouca, tão perto de seu ouvido, fez o sangue de Júlia gelar.

Ao perceber que ele parecia prestes a puxá-la de volta, ela reuniu a pouca força que ainda tinha e o empurrou.

Quase tropeçando, pegou a nécessaire às pressas e saiu correndo do banheiro.

Na classe econômica, os passageiros estavam ocupados recolhendo pertences e se preparando para o pouso. Ninguém reparou no estado em que ela se encontrava.

Júlia ajeitou o vestido como pôde e voltou para o assento.

Clara estava se levantando para pegar a bolsa quando levou um susto ao vê-la com o rosto tão vermelho.

— Júlia, você está bem? Por que seu pescoço está vermelho desse jeito?

Júlia levou a mão ao pescoço imediatamente.

— Não... Não foi nada. Eu mesma me arranhei. Vamos arrumar as coisas logo.

Ela simplesmente não conseguia dizer que, poucos minutos antes, estivera com um homem dentro do banheiro.

Clara não deu muita importância e pegou a nécessaire de volta.

— Ué, cadê o meu crachá?

Júlia ficou imóvel.

Só então se lembrou do crachá que havia caído no banheiro.

Sem saber onde enfiar o rosto, murmurou:

— Eu... Eu vou procurar.

Clara segurou seu braço.

— Deixa pra lá. Quando eu me apresentar na matriz, vão me dar outro mesmo. O antigo nem serve mais pra nada. Vamos logo.

— Tá.

Júlia assentiu, tomada pela culpa.

Mas, ao pegar a própria bolsa, percebeu que a pulseira de proteção que sua mãe mandara benzer para ela havia desaparecido.

Aflita, abriu caminho entre os passageiros.

— Clara, desce primeiro. Eu perdi uma coisa e vou procurar. Aproveito e vejo se encontro seu crachá também.

— Que coisa...

Antes que Clara terminasse a pergunta, Júlia já havia desaparecido pelo corredor. Sem alternativa, ela desceu primeiro do avião.

Júlia procurou por todo o banheiro, mas não encontrou nada.

Estava limpo demais.

Limpo a ponto de parecer que tudo não havia passado de um sonho.

"Esquece. Vou fingir que foi só um sonho."

Atordoada, ela saiu do aeroporto e encontrou Clara parada, olhando fixamente para um ponto à distância.

Júlia acompanhou seu olhar.

Mais adiante, viu um homem alto, de presença sombria, sendo escoltado por várias pessoas. A frieza que emanava dele destoava completamente do vai e vem apressado do aeroporto.

— Clara, você conhece ele?

Ao notar o olhar de Júlia, Clara a puxou pelo braço na mesma hora.

— Para de olhar. Não conheço. O carro chegou, vamos.

Uma hora depois.

Júlia estava diante da mansão da família Nogueira, observando o jardim cuidadosamente planejado atrás do portão. Algumas lembranças antigas surgiram sem pedir licença.

Quando era pequena, sentava-se nos ombros do pai para colher as frutas das árvores que sua mãe havia plantado.

Depois, tudo mudou.

A traição do pai veio à tona. A partir dali, ele passou a desprezar sua mãe e, junto com ela, Júlia também.

Nos dias menos ruins, vinham os insultos. Nos piores, as agressões.

Júlia nunca conseguiu entender como duas pessoas que um dia haviam enfrentado a vida lado a lado tinham chegado àquele ponto.

Enquanto ainda se perdia nesses pensamentos, uma empregada abriu o portão.

— Você chegou. O senhor Nogueira está esperando.

— Sim.

Júlia entrou acompanhando a empregada.

No jardim, as árvores frutíferas haviam sido substituídas por flores delicadas e caras, do tipo que a amante de seu pai gostava.

Tudo continuava ali.

Mas nada era como antes.

Ao entrar na sala, Carlos Nogueira apenas a mediu de cima a baixo, com um desprezo que nem tentou esconder.

— Depois de todos esses anos, você só herdou essa pobreza de espírito da sua mãe. Não é à toa que passou três anos fora e voltou sem melhorar em nada.

Pai e filha não se viam havia vários anos.

Ainda assim, no reencontro, não houve uma palavra de saudade, muito menos de preocupação. A primeira coisa que saiu da boca dele foi desprezo.

Carlos parecia ter esquecido uma coisa.

Quando ele começou do zero, quem havia economizado centavo por centavo para ajudá-lo?

Júlia fechou os punhos e respondeu com firmeza:

— Já que o senhor é tão generoso, que tal aproveitar e pagar agora os dez anos de pensão que ficou me devendo?

— Você... Você tem coragem de falar comigo desse jeito? Vai se rebelar contra mim agora?

Carlos se levantou de repente e apontou o dedo para ela, quase encostando no rosto de Júlia.

Mas logo soltou uma risada fria.

Do lado de fora, veio o som de um sininho. Um cachorro branco como neve entrou correndo na sala.

Era o cachorro daquela mulher.

Júlia ficou olhando para ele.

Com apenas um olhar, reconheceu o pingente de jade pendurado no pescoço do animal.

Era o amuleto de família de sua mãe.

Não se tratava de uma jade de grande valor, mas era uma peça antiga. Uma lembrança que seus avós maternos haviam colocado, com as próprias mãos, no pescoço da filha.

Mesmo nos momentos mais difíceis, Júlia e a mãe jamais pensaram em vender aquele amuleto.

E agora ele havia virado enfeite no pescoço de um cachorro.

Ao ouvir o sininho, Carlos estalou a língua duas vezes diante de Júlia.

O cachorro abanou o rabo, correu para perto de suas pernas e começou a girar ao redor dele. O pingente de jade balançava de um lado para o outro.

A humilhação atravessou Júlia inteira.

Tomada pela raiva, ela avançou na direção do cachorro. Antes que conseguisse se aproximar, os seguranças atrás dela a agarraram e a forçaram a se ajoelhar no chão gelado.

Ela se debateu com desespero.

— Me soltem! Cadê a minha mãe? O que você fez com ela?

Carlos a encarou de cima.

— Sua mãe desmaiou de exaustão. Os exames apontaram problemas no fígado e nos rins. Já mandei interná-la para tratamento. Se você quer que ela saia do hospital em segurança, isso vai depender da sua escolha.

— O que você quer dizer com isso?

Um pressentimento ruim apertou o peito de Júlia.

— Você tem duas opções. Ou se casa e vira nora da família Oliveira, ou vai para a família Montenegro cuidar do Dr. Montenegro.

Carlos colocou as duas escolhas diante dela.

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