LOGINAssim que Leandro terminou de falar, uma rajada violenta invadiu o apartamento e escancarou a janela com um estrondo seco.Assustados, os dois gatinhos correram para debaixo do sofá.A chuva entrou pela abertura, levada pelo vento. Embora a noite de agosto estivesse abafada, uma corrente gelada atravessou o apartamento.Tatiane estava prestes a abrir a porta quando ouviu o barulho da janela. Estremeceu e permaneceu imóvel no corredor.Não soube dizer quanto tempo ficou ali. Quando recuperou a noção de onde estava, os pés já doíam de tanto permanecer parada.Respirou fundo, apertou a sacola entre os dedos e entrou.Os dois homens ainda estavam sentados frente a frente à mesa, imóveis. Assim que Tatiane apareceu, Henrique voltou para ela um olhar frio e cortante.Leandro virou o rosto para Tatiane assim que ela entrou. Em seguida, levantou-se e foi ao seu encontro.— Comprei alguns sabores diferentes, mas não trouxe muita coisa. Primeiro vamos ver de qual eles gostam mais.Tatiane assent
Tatiane manteve os olhos baixos e assentiu de leve.Leandro desviou a atenção para a mesa, puxou dois guardanapos e limpou as mãos. Depois de jogar o papel amassado no lixo, pegou um prato limpo, serviu-se de arroz e começou a comer com a maior naturalidade.— Da próxima vez, peça para a Neide preparar menos comida.Os pratos quase intocados deixavam claro que havia comida demais.Tatiane continuou sentada, rígida, sem coragem de erguer o rosto.— Uhum.Ela sentia o olhar de Henrique cravado em si, carregado de uma fúria tão intensa que parecia capaz de atravessá-la.O silêncio foi interrompido pelo arrastar brusco de uma cadeira.Tatiane levantou os olhos.Henrique puxou o assento e se largou diante dela. A tensão em seu corpo tornava o ambiente ainda mais opressivo do que a tempestade que castigava a noite lá fora.A mão entre suas pernas se fechava e se soltava repetidamente.— Onde estão os pequenos?A pergunta de Leandro pegou Tatiane de surpresa. Ela demorou um instante para reag
Depois de mais de um mês sem vê-lo, Tatiane percebeu o quanto Henrique havia emagrecido. O rosto parecia mais anguloso, a barba por fazer escurecia o contorno dos lábios e olheiras profundas marcavam seus olhos.Ele sempre fora extremamente cuidadoso com a própria aparência. Tatiane jamais o vira tão abatido, muito menos tão descuidado.Depois de servi-lo, colocou comida no próprio prato, sentou-se do outro lado da mesa e começou a comer em silêncio, sem levantar os olhos.Henrique permanecia recostado na cadeira, com as pernas longas afastadas numa postura que aparentava desleixo. O olhar, porém, não se afastava dela por um segundo.Tatiane acabou erguendo a cabeça.Ele ainda não havia tocado na comida. Apenas a encarava, como se ela tivesse cometido algo imperdoável.Ela soltou o ar devagar, contendo a irritação.— Você já comeu?Henrique curvou os lábios num sorriso sarcástico.— Isso não foi feito para mim.Tatiane se obrigou a manter a paciência.— Então me diga o que quer. Peço p
Henrique permanecia imóvel à porta, vestido de preto da cabeça aos pés. A rigidez de sua postura e o olhar fixo em Tatiane tornavam sua presença ainda mais intimidante.Ela usava um vestido longo e confortável, em tom creme. Os cabelos compridos estavam presos de qualquer jeito, e havia algo de sereno e doméstico em sua aparência, como se estivesse esperando alguém querido voltar para casa.Mas o sorriso em seus lábios desapareceu assim que o reconheceu.— Quem você estava esperando?A voz baixa de Henrique atravessou o silêncio com uma frieza que fez Tatiane prender a respiração.Os dedos dela se fecharam sobre o tecido do vestido.Por alguns segundos, nenhum dos dois disse nada.Tatiane conteve as emoções e se esforçou para manter a calma. Quando falou, sua voz soou tão natural quanto de costume:— O que você está fazendo aqui?Henrique não respondeu. Apenas avançou um passo.Tatiane recuou por reflexo.— Você...Ele percebeu a resistência dela, e a tensão em seu rosto se acentuou.—
Felipe já ia seguir em frente, mas interrompeu o passo por um instante.— Hum. Estão bonitas.Patrícia observou a expressão impassível dele e apertou os lábios.— Eu mesma montei o arranjo. Não precisava responder com tanto descaso.Felipe tornou a olhar para o buquê em suas mãos. Depois, encarou o ar decepcionado dela, sem entender o que havia dito de errado.— Mas eu não disse que estavam bonitas?Patrícia conteve a vontade de revirar os olhos.— Deixa para lá. Se achou bonito, já está bom.Dito isso, virou-se e seguiu em direção ao Rolls-Royce estacionado junto à calçada. É claro que reconhecera o carro enviado para buscar Felipe.Depois de alguns passos, parou e olhou para trás.Ele continuava imóvel no mesmo lugar.— Você não vem?Felipe desviou os olhos e finalmente caminhou até o carro.Patrícia, naturalmente, entrou com ele sem a menor cerimônia.— Achei que você fosse direto para Santa Vitória ver a Tati.— Vou daqui a alguns dias.— E como o Henrique reagiu quando soube do di
— Pense bem em tudo isso.Felipe não disse mais nada. Virou-se e deixou o escritório.Henrique se recostou na cadeira, com a mandíbula rígida e o rosto carregado. Permaneceu imóvel por um longo tempo, mergulhado em silêncio.Por fim, pegou o celular e ligou para Bianca.Ela havia voltado sozinha ao país dois dias antes. Depois do acidente de Henrique, a família Barbosa ainda tinha muitas pendências para resolver, e Bianca estava naquele momento na antiga residência da família.Assim que viu o nome do filho na tela, atendeu.— Rick.— Mãe, quero perguntar uma coisa.O tom sério dele a deixou em alerta, mas Bianca procurou responder com naturalidade.— O que foi?Henrique foi direto ao assunto.— Durante todo esse tempo, você realmente não procurou a Tatiane?Bianca soltou um suspiro cansado.— Depois de tudo o que aconteceu com você, acha mesmo que eu teria cabeça para me preocupar com o que ela estava fazendo? Rick, você nunca foi assim. Ela é só uma mulher. Por que está se desgastando







