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Capítulo 2

Autor: Clara Burguer
— Mesmo que você me despreze, como pode ignorar a segurança do bebê?! Se acontecer alguma coisa com a criança que estou carregando, como vai explicar isso para a Sra. Moreira? Não se esqueça de que você foi contratada para cuidar de mim!

Ao ouvir minha ameaça, Dona Marta finalmente parou.

Depois de alguns segundos, sua voz impaciente veio do outro lado da porta:

— Vou ligar para o Sr. Leonardo agora. Se ele não deixar você sair, a culpa não é minha quando a Sra. Moreira vier cobrar explicações.

Assenti apressadamente e fiquei caída junto à porta, esperando Dona Marta fazer a ligação.

— Sr. Leonardo, a Sra. Bianca disse que está sangrando e que o bebê está para nascer. Devemos levá-la ao hospital?

Leonardo acabara de fazer o pedido quando recebeu a ligação de Dona Marta. Com o rosto carregado de irritação, respondeu friamente:

— Dona Marta, você não quer mais trabalhar?

— Eu mandei você vigiar a Sra. Bianca, não ficar ligando para implorar por ela!

Dona Marta ficou com o rosto fechado depois da bronca e lançou um olhar furioso para a porta do porão.

De repente, ela viu o sangue escorrendo pela fresta da porta. Seu rosto perdeu a cor na mesma hora, e ela gritou, trêmula:

— Sangue... sangue! Sr. Leonardo! Acho que a Sra. Bianca estava falando a verdade! Ela está sangrando!

— Tem muito sangue saindo por baixo da porta!

Ao ouvir aquilo, Leonardo ficou em silêncio por um instante, com o celular parado na mão.

Depois de alguns segundos de hesitação, disse:

— Espere que eu...

Atordoada, ouvi a voz infantil do Lucas interromper o que ele ainda não tinha terminado de dizer e destruir a última esperança que me restava.

— Papai, eu quero sorvete.

Leonardo virou a cabeça.

Vanessa segurava Lucas nos braços e olhava para ele com ternura.

— Leonardo, é a Bianca?

— Hoje é o aniversário do Lucas. Será que ela não está chateada porque você está comemorando com ele e inventou essa desculpa para fazer você voltar? Como naquela vez em que não quis deixar você participar da reunião escolar dele.

— A culpa é minha. Se eu não tivesse insistido em ter esse filho, Lucas não teria passado tantos anos sem pai e não teria sido chamado de bastardo na escola.

Ao ver Vanessa prestes a chorar, Leonardo sentiu o coração apertar.

Lucas correu até ele, se jogou em seus braços e ergueu a cabeça enquanto dizia com voz manhosa:

— Papai, fica comigo até o fim da minha festa, por favor? É a primeira vez que comemoro meu aniversário com você. Nos outros anos era só a mamãe comigo. Todo mundo ria de mim porque eu não tinha pai.

Leonardo se abaixou, abraçou Lucas com força e olhou para Vanessa com pesar.

— Eu prometi que passaria o aniversário com vocês e vou cumprir minha palavra. Hoje, aconteça o que acontecer, nada é mais importante do que o aniversário do Lucas.

Vanessa sorriu entre lágrimas.

— Leonardo, obrigada.

Do lado de fora, Dona Marta permaneceu parada, sem coragem de dizer mais uma palavra.

Ao ouvir a voz de Leonardo vindo do telefone, a última força que me sustentava finalmente desapareceu. Apoiada na porta, fui escorregando lentamente até cair no chão.

Antes de perder a consciência, ainda o ouvi dizer a Dona Marta:

— Dona Marta, não tenho tempo para voltar agora.

— Daqui a pouco vou ligar para o Dr. Rafael e pedir que ele vá até a casa verificar a situação.

— A Sra. Bianca vive mentindo. Quando o Dr. Rafael chegar, faça exatamente o que ele mandar. Não permito que você deixe a Sra. Bianca sair por conta própria. Vigie ela direito.

Eu vivo mentindo?

No instante antes de perder a consciência, uma lágrima escorreu pelos cantos dos meus olhos fechados.

Então era assim que Leonardo me enxergava.

Ele não confiava nem um pouco em mim.

Naquele dia da reunião escolar do Lucas, eu realmente liguei para ele quando ele estava a caminho da escola.

Mas foi porque eu tinha sentido o primeiro chute do bebê, e a primeira pessoa com quem eu quis compartilhar aquela felicidade foi ele.

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Último capítulo

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