FAZER LOGINAo ouvir minhas palavras, uma expressão de profunda dor surgiu no rosto de Leonardo. Ele me puxou para seus braços e me abraçou com força.— Bianca, como eu poderia machucar você? Eu amo você tanto que nunca suportaria vê-la sofrer.Empurrei-o com toda a força que tinha e gritei:— Então por que veio me procurar?! Você sabe que é um fugitivo procurado pela polícia, não sabe?!Leonardo assentiu. Então voltou a me olhar com aquele brilho obsessivo nos olhos.— Bianca, você não odiava a Vanessa? Ela está morta. E o Lucas já foi retirado do registro da família e enviado para um orfanato. Agora não existe mais ninguém para atrapalhar o nosso relacionamento.— Eu vim até aqui por você.— Fiz tudo isso por você. Fiz isso para vingar nossa criança! Se não fosse pela Vanessa, eu nunca teria desconfiado de você. Nossa criança não teria morrido. Agora finalmente podemos voltar a ser uma família feliz.Cada palavra dele me fez sentir um frio cortante percorrer meu corpo. Recuei passo a passo.Leon
A tinta já tinha acabado havia muito tempo. Dentro do balde restava apenas uma fina camada seca, e o único cheiro que existia naquele porão era o de sangue.Era impossível imaginar tudo o que Bianca tinha passado naquela noite. E, mesmo assim, ele havia ignorado seus pedidos de socorro repetidas vezes. Pior ainda, tinha sido ele quem empurrara o próprio bebê para a morte.Ao se lembrar do frasco de remédios encontrado no quarto, Leonardo pareceu agarrar-se à última esperança. Como se quisesse provar alguma coisa, chamou o Dr. Rafael e perguntou:— O que era esse remédio? Era um medicamento para provocar parto prematuro?Dr. Rafael hesitou por alguns segundos antes de responder:— Sr. Leonardo, aquilo era ácido fólico. Um suplemento que gestantes tomam durante a gravidez.As costas de Leonardo, que permaneciam rígidas havia tanto tempo, finalmente cederam.Ele desabou. Agarrou os próprios cabelos enquanto era consumido pelo arrependimento.O que ele tinha feito? Ele havia matado o própr
— Bianca... o que você acabou de dizer... é mentira, não é? — Você está mentindo para mim de novo? — Não está? Responde!Ao ver Leonardo completamente fora de si, ergui a mão e lhe dei um tapa no rosto.Então gritei:— Leonardo! Olhe direito para frente e veja quem está ali! — É o nosso bebê que você abandonou naquela noite! É o bebê que você proibiu de nascer!— Ele lutou com todas as forças para vir ao mundo! Lutou desesperadamente para sobreviver dentro da minha barriga! Mas você não só se recusou a me levar ao hospital como ainda me trancou no porão!Leonardo virou a cabeça. Dentro do pequeno caixão jazia o corpo de um bebê, marcado pelas consequências daquele sofrimento.Suas pernas perderam completamente a força. Ele caiu de joelhos no chão. O golpe foi tão devastador que acabou com a última barreira que ainda o sustentava. A dor o atingiu em cheio, e ele desabou.— Você está mentindo... Isso não pode ser verdade... Você está mentindo...Leonardo tentou se levantar, mas suas p
— Amanhã, às nove da manhã, no Cemitério Colina Verde. Será sua última chance de ver nosso bebê.Depois de dizer isso, virei as costas e fui embora.Leonardo tentou me impedir para exigir uma explicação, mas sete ou oito seguranças surgiram de todos os lados e o mantiveram longe de mim.Depois de vê-lo ser empurrado sob a chuva e entrar no carro de forma humilhante, Gabriel ainda não parecia satisfeito.— Bianca, é só isso? Você vai deixá-lo escapar tão facilmente? E ainda vai permitir que ele veja o bebê uma última vez?Olhei para a noite escura do lado de fora da janela.Meus punhos se fecharam com força.— Ele é o pai do bebê. Tem o direito de saber a verdade.Gabriel franziu a testa.— Então você vai simplesmente deixá-lo em paz?Soltei uma risada fria.— Em paz? Ele deveria se arrepender pelo resto da vida. Deveria se lembrar da morte da própria criança toda vez que acordasse no meio da noite.— Deveria passar noites inteiras sem conseguir dormir. Deveria viver o resto da vida con
— Então você está me dizendo que a Bianca entrou no carro de outro homem levando meu bebê e foi embora sem deixar sequer uma mensagem?Leonardo perguntou, incrédulo.Ricardo manteve a cabeça baixa. O suor escorria por seu rosto e entrava em seus olhos, mas ele nem se atrevia a enxugá-lo.— Sim, senhor. Um homem ficou na minha frente e me impediu de me aproximar. A Sra. Bianca não disse uma única palavra. Ela estava segurando uma caixa e entrou no carro.Com o rosto sombrio, Leonardo arremessou o buquê de tulipas no chão. Sua voz ficou grave:— Quero as imagens das câmeras de segurança e a placa daquele carro. Encontrem a Sra. Bianca para mim em menos de um dia!Depois de voltar para casa, fiquei sentada diante da urna funerária sobre o sofá, incapaz de dizer qualquer coisa por um longo tempo.Quanto mais eu pensava, mais a dor tomava conta de mim. Então perguntei ao Gabriel:— Gabriel, você acha que o bebê vai sentir medo caminhando sozinho para o outro mundo? Será que ele me culpa por
Finalmente, ele se virou, me puxou para seus braços e afagou minha cabeça.— Está tudo bem, Bianca. Está tudo bem. Estou aqui.No meio da noite, Leonardo foi despertado de repente pelo choro de um bebê em seu sonho. Ele abriu os olhos imediatamente e virou a cabeça por instinto. Lucas dormia ao seu lado, quieto e comportado. Não era ele quem estava chorando.Depois de cobri-lo com o cobertor, a inquietação inexplicável que havia surgido em seu coração o impediu de voltar a dormir.Acendeu um cigarro, pegou o celular e verificou as mensagens.Não havia nenhuma.Ao se lembrar das ligações de números desconhecidos que havia recusado durante o dia, a inquietação dentro dele cresceu como um incêndio fora de controle.O rosto de Bianca passou por sua mente. Sem pensar muito, ele ligou para o Dr. Rafael.— Dr. Rafael, como está minha esposa?— Sua esposa? Sr. Leonardo, a Sra. Bianca não foi levada ao hospital por uma ambulância porque estava entrando em trabalho de parto?— Quando cheguei à m







