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Capítulo 4

Author: Clara Burguer
Sr. Augusto percorreu meu corpo coberto de sangue com os olhos arregalados e perguntou, hesitante:

— Tem certeza de que isso é tinta vermelha?

Leonardo respondeu sem a menor dúvida:

— Tenho.

— Por favor, passe o telefone para a minha esposa. Quero falar algumas palavras com ela.

Sr. Augusto se agachou, levou o celular até meu ouvido e me lançou um olhar cheio de pena.

A voz de Leonardo logo soou ao meu lado:

— Bianca, já estou cansado de todas essas encenações.

— Não importa se você realmente vai dar à luz hoje. Mesmo que o bebê esteja prestes a nascer, segure ele aí!

— Já que você foi capaz de colocar a vida do próprio filho em risco tomando remédios para provocar um parto prematuro, então essa criança nunca será digna de dividir o aniversário com Lucas. E jamais terá a mesma posição que ele na família.

— Agora me diga, você finalmente desistiu?

— Volte para casa imediatamente e pare de sair por aí fazendo papel de ridícula!

Cada palavra dele cortava meu coração como uma lâmina afiada.

Então não era só eu que nunca poderia me comparar a Vanessa.

Nem mesmo meu filho podia se comparar ao filho dela.

Lágrimas misturadas ao sangue escorreram pelo meu rosto e pingaram no chão.

— Tomando remédios por conta própria?

Abri a boca com dificuldade, minha voz rouca quase não saía:

— Leonardo, então é assim que você me vê...

— Você guarda tantos preconceitos contra mim que os nossos anos juntos parecem uma grande piada.

Leonardo começou a andar de um lado para o outro, irritado. Os dedos se fecharam lentamente ao redor do celular.

Ele estava prestes a me repreender quando ouviu minha voz distante:

— Leonardo, não quero mais te ver.

Sr. Augusto era uma boa pessoa. Em vez de cancelar a ambulância como Leonardo havia pedido, ele me acompanhou até o hospital.

Uma substância gelada foi injetada em minhas veias. A dor diminuiu um pouco, mas uma tristeza avassaladora tomou conta do meu coração.

Eu conseguia sentir a vida do meu bebê se apagando pouco a pouco dentro de mim.

Eu estava perdendo meu bebê.

Meu bebê...

Quando descobri que estava grávida, fiquei assustada e feliz ao mesmo tempo.

Durante oito meses, ele esteve ao meu lado, me ensinando aos poucos a ser mãe.

Ele carregava o mesmo sangue que eu e, sempre que eu ficava triste, respondia com pequenos chutes na minha barriga.

Ele ainda nem tinha visto o mundo.

Ele estava tão perto de sobreviver.

Faltou tão pouco.

Uma mão quente enxugava minhas lágrimas com uma gaze enquanto o médico perguntava, aflito:

— Conseguiram falar com o marido da paciente?

— O estado dela é grave. Precisamos operar imediatamente!

Uma enfermeira respondeu ao lado:

— Dr. Henrique, conseguimos falar com ele antes, mas ele desligou a ligação. Depois o celular foi desligado completamente. Não conseguimos mais contato.

— E a autorização para a cirurgia? Quem vai assinar?

— Sem assinatura, não podemos realizar o procedimento!

Enquanto todos estavam em pânico, o médico suspirou e disse:

— Lembro que o Prof. Vasconcelos está no meio de uma cirurgia.

— Srta. Júlia, vá verificar se ela já terminou.

— Se ele estiver disponível, peça que venha imediatamente.

Em meio à confusão, senti o bisturi frio abrindo caminho pelo meu corpo.

Então, em meio à névoa da consciência, ouvi o choro de um bebê.

Abri os olhos de repente.

— Meu bebê!

Uma mão quente segurou meu pulso e me pressionou de volta contra a cama.

A voz rouca de alguém soou ao meu lado:

— Não se mexa. A agulha pode sair.

Virei a cabeça. No instante em que vi a pessoa à minha frente, meus olhos ficaram vermelhos.

Olhei para ele sem conseguir acreditar e murmurei:

— Felipe...

Meu segundo irmão estava exausto. Seus olhos estavam vermelhos e cheios de vasos rompidos.

Ao ver meu rosto pálido, ele não conseguiu conter as lágrimas. Virou o rosto e disse com a voz embargada:

— Gabriel está vindo para cá.

Comecei a chorar como uma criança.

— Felipe... eu errei.

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