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35 - Entre a Razão e o Desejo

Autor: Val Lima
last update Data de publicação: 2024-10-02 04:22:09

O jantar com Gabriel terminou em silêncio, e eles começaram a limpar a cozinha juntos. Apesar do ambiente tranquilo, os pensamentos de Mariana estavam distantes, ainda ressoando com a visita inesperada de Alicia e as dúvidas que isso trouxe.

Foi então que o celular de Mariana vibrou em cima da bancada. Ela olhou a tela e, ao ver o nome de Matheus, um sorriso involuntário apareceu em seu rosto.

— Alô? — disse ela, atendendo a ligação com uma suavidade que Gabriel notou imediatamente.

— Mariana,
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    A manhã entrou pela casa nova como um hóspede querido, com luz suave, cheiro de café fresco e o vento despertando o quintal. A jabuticabeira estava carregada outra vez, como sempre. Era quase um relógio natural daquela família: quando os galhos pendiam com frutos escuros e doces, significava que mais um ciclo havia se completado e que, apesar do que viveram, eles continuavam ali — juntos, fortes, vivos. Mariana estava na cozinha com os cabelos presos em um coque apressado, pijama confortável e um sorriso ainda meio sonolento enquanto mexia o café. Não era mais a mulher que fugia, nem a que tremia diante do próprio passado. Era outra. Inteira. Reconstruída. Livre. Do corredor, uma voz familiar cortou a manhã: — Mãããe! O meu lanche não cabe na lancheira! Guilherme — agora com quase sete anos — surgiu com a lancheira aberta, três brinquedos dentro e nenhum alimento. Mariana riu baixo. — Gui, a lancheira é pra comida, amor. — Mas o dinossauro fica com fome na escola! Ela ergu

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    Uma semana havia passado desde o confronto com Gisele. Uma semana em que o mundo, enfim, parecia respirar do jeito certo. Mariana acordava com Gabriel ao lado; Guilherme corria pela casa com uma leveza nova, como se o peso que nunca deveria ter existido tivesse finalmente caído de seus ombros. E pela primeira vez desde o acidente, eles falavam do futuro sem medo — apenas com cuidado, amor e cautela verdadeira. Foi Gabriel quem sugeriu: — Vamos procurar uma casa. Uma que seja nossa… dos três. Mariana disse sim sem hesitar — talvez pela primeira vez em anos. Começaram as visitas no fim de semana. A primeira casa era moderna, envidraçada, tão perfeita que parecia cenário. Mas o jardim simétrico parecia pedir silêncio, não risadas. Guilherme tentou abraçar uma árvore fina que quase entortou. Mariana achou a cozinha impessoal. Gabriel resumiu: — Aqui não tem cheiro de casa. Eles foram embora. A segunda era charmosa, antiga, com janelas enormes e piso de madeira. Guilherme correu pelo

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