Me Apaixonei pelo Cirurgião Frio

Me Apaixonei pelo Cirurgião Frio

last updateLast Updated : 2025-12-03
By:  Val LimaCompleted
Language: Portuguese
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Enfermeira dedicada e conhecida pela competência impecável, Mariana tenta seguir em frente após um término que virou assunto nos corredores do hospital. Traída por quem menos esperava, ela agora precisa lidar não só com a dor, mas com os olhares e sussurros que insistem em lembrar o que ela tenta esquecer. O encontro entre eles não deveria significar nada. Apenas uma forma de aliviar a tensão de plantões intermináveis e decisões que custam vidas. Mas não fica nisso. O que começa como um acordo silencioso rapidamente se transforma em algo perigoso — intenso demais para ser ignorado, proibido demais para ser assumido. Gabriel não perde o controle. Mariana não se permite sentir. Mas, entre salas de cirurgia, segredos e escolhas que não podem ser desfeitas, os dois descobrem que há sentimentos que não obedecem regras — e muito menos limites. Agora, eles terão que decidir até onde estão dispostos a ir… antes que tudo saia do controle.

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Chapter 1

1 - O Corredor Da Fofoca

Fazia três dias que Mariana descobrira a traição do Lucas.

Três noites dormindo mal, três manhãs acordando com o mesmo aperto no peito, como se alguém tivesse sentado em cima dela durante o sono. Ela tomava o café em pé, trocava de uniforme sem olhar o espelho e repetia para si mesma que ia passar.

Não tinha contado a ninguém.

Mesmo assim, naquela manhã, percebeu que estavam falando dela antes mesmo de ouvir o próprio nome. O corredor seguia no ritmo de sempre, mas o silêncio surgia tarde demais quando ela se aproximava. Foi então que ouviu.

— Mas é verdade mesmo que o Lucas traiu a Mariana? — perguntou Bruna, perto da porta da farmácia.

— Com a Cibele. Todo mundo está falando. — Débora baixou a voz, sem baixar o suficiente. — E ela nem desconfiava, coitada. Dizem que a Mariana ficou sabendo por...

Bruna cutucou a amiga com o cotovelo.

As duas se calaram de uma vez. Débora virou o rosto devagar e inclinou a cabeça, num gesto pequeno, quase gentil. Bruna fingiu ler a prancheta que tinha na mão.

Era o olhar que dizia "coitada" e "me conta tudo" ao mesmo tempo.

Mariana não diminuiu o passo nem acelerou. O aperto na prancheta aumentou mais do que o necessário.

E agora todo mundo sabia.

Entrou na sala de materiais e começou a alinhar as bandejas de instrumentos, peça por peça, com uma precisão maior do que o normal. Como se aquilo bastasse para manter o resto no lugar.

Clara, que chefiava o bloco, entrou logo atrás e fechou a porta.

— Ignora, amiga.

— Eu tô ignorando.

— Não parece.

Mariana não respondeu. Clara suspirou e tirou uma ficha do bolso do jaleco.

— Leva isso pro Alencar. Eu tô presa aqui.

Mariana hesitou meio segundo.

O doutor Gabriel Alencar era o neurocirurgião mais jovem do hospital e o mais comentado. Operava casos que outros recusavam e ninguém sabia muito sobre ele. As enfermeiras suspiravam por ele nos corredores. Ele nunca pareceu perceber.

— Tá — disse, pegando a ficha.

Bateu uma vez antes de entrar.

— Dr. Alencar?

Gabriel estava de pé junto à janela, com a manga da camisa dobrada até o cotovelo, lendo um exame contra a luz. Não se virou de imediato. Terminou de ler, devolveu o exame à pasta e só então ergueu o olhar, no tempo exato de reconhecer quem era.

Tinha o tipo de rosto que não pedia atenção e a recebia mesmo assim. Os olhos escuros, o maxilar contido, as mãos longas e firmes que, diziam, nunca tremiam, nem em sala de cirurgia.

— Pediram pra entregar isso.

Ele pegou a ficha. Os dedos roçaram nos dela, rápido demais para ser qualquer coisa, e ainda assim perceptível.

— Obrigado.

A voz saiu baixa, direta.

Mariana assentiu e se virou para sair.

Só no corredor percebeu que tinha prendido o ar. Esperava o olhar que todo mundo lhe lançava desde a manhã, aquele misto de pena e curiosidade. Ele não tinha olhado assim. Tinha olhado para ela como olhava para qualquer pessoa que entrava na sala.

Era quase um alívio. Era também estranho.

O restante da manhã passou no automático. Conferiu, preparou, organizou. Contou as compressas duas vezes só para ter o que fazer com as mãos.

Quando voltou à sala de materiais, a porta se abriu antes que ela alcançasse a mesa.

— Posso?

Mariana reconheceu a voz antes de levantar o olhar.

Cibele entrou como se tivesse todo o direito de estar ali.

— Eu não ia deixar passar sem falar com você — disse, ajustando a manga com um gesto mínimo.

Mariana não respondeu.

— Algumas coisas… já não estavam bem antes.

Silêncio.

— Às vezes a gente só demora pra perceber.

Mariana apoiou a bandeja na mesa, alinhando as bordas com cuidado demais.

— Se você veio aqui pra isso, perdeu tempo.

Cibele inclinou levemente a cabeça, tranquila.

— Não. Eu só acho que certas situações… não acontecem do nada.

Uma pausa.

— Ninguém trai sem motivo.

O olhar de Mariana subiu devagar.

— E você sabe muito bem qual foi o dele — continuou Cibele, sem pressa. — Anos de namoro e...

Deixou a frase morrer, com um sorriso discreto.

Mariana ficou em silêncio por um instante. Esperar tinha sido decisão dos dois. Ela quis que fosse depois do casamento, e ele disse que tudo bem, que não tinha pressa. Disse isso mais de uma vez, olhando nos olhos dela.

O pior não era a insinuação. Era perceber que ele tinha contado aquilo à Cibele, e que provavelmente tinha contado rindo.

Então ela levantou o queixo.

— Comigo ele esperou — disse, em voz baixa. — Com você, não precisou.

O sorriso de Cibele vacilou por um segundo.

— Ele respeitou quem queria que ficasse — completou Mariana.

Cibele ajeitou a manga outra vez, mais devagar do que antes.

— Enfim… Eu nunca escondi que gostava dele. Achei justo você ouvir de mim.

Virou-se e saiu, sem a pose de quando entrou.

O silêncio que ficou não era o mesmo de antes.

Quando finalmente conseguiu um intervalo, Mariana seguiu até a copa. O ambiente estava vazio, o som do hospital abafado pelas paredes. Ela apoiou a xícara na bancada e começou a mexer o café sem perceber.

— Turno pesado?

A voz veio atrás dela. Mariana se virou e encontrou Gabriel encostado na entrada, observando com calma. Por um segundo, não respondeu.

— Dá pra dizer isso.

Ele se aproximou sem pressa e pegou outra xícara.

— Não parece só isso.

Mariana levou a xícara aos lábios, sentiu o calor, mas não bebeu.

— Hoje todo mundo teve um assunto em comum — disse, sem encará-lo. — Eu.

— Não é da conta deles.

— Mas falam.

— Falam. — Ele serviu o café. — Eu prefiro o que dá para ver.

Mariana desviou o olhar, a unha batendo de leve na borda da xícara.

— E o que você vê?

Ele tomou um gole e apoiou a xícara com cuidado.

— Que você foi a única que não parou de trabalhar.

Ela o encarou, sem saber se aquilo era elogio ou só um fato.

— Você devia voltar.

— Eu sei.

Mas não saiu. E ele, que não tinha motivo nenhum para ficar, também não.

Quando o turno terminou, o hospital já estava mais silencioso.

Ao atravessar as portas, o ar da noite bateu no rosto, frio o bastante para fazê-la respirar de verdade. Mariana parou por alguns segundos.

Ir embora era o esperado. Em casa, só havia o peito apertado, o quarto e a mesma cama. Por isso mesmo, não foi o que fez.

Caminhou pelo estacionamento sem direção clara, o olhar passando pelos carros até parar no dele, mais ao fundo, discreto como sempre. O motor estava desligado, mas o painel ainda brilhava, como se ele também não tivesse decidido ir embora.

Ela desviou o olhar e deu alguns passos, pronta para ir. O corpo queria sair dali. A cabeça também.

Ela voltou.

Parou ao lado do carro, hesitou por um instante e bateu de leve no vidro.

Gabriel ergueu o olhar, franziu a testa e destravou a porta. Mariana mal tinha entrado quando ele perguntou:

— Algum paciente?

O silêncio dentro do carro era mais fechado, o cheiro leve de couro e algo amadeirado ficando mais evidente quando a porta se fechou.

— Não. Está tudo bem com todos.

— Então o que foi?

Ela manteve os olhos no para-brisa, acompanhando a própria respiração desacelerar aos poucos.

— Nada do hospital. Eu só não queria voltar agora.

A frase saiu baixa, mas firme.

Gabriel a olhou por um instante, como se medisse o que ela não disse.

— Isso não parece o seu tipo.

Mariana soltou um riso curto, quase inaudível.

— Acho que eu também não estou mais sendo o meu tipo. — Virou o rosto e sustentou o olhar. — Hoje eu só não quero pensar.

Ele assentiu de leve.

— Pensar evita problema.

— Não evitou.

Gabriel manteve o olhar nela por um segundo a mais, então desviou.

— Amanhã isso vai pesar.

— Talvez. — Mariana o encarou. — Mas hoje eu quero esquecer. E acho que você sabe como.

Ele ficou em silêncio.

Os olhos desceram até a boca dela e voltaram.

Mariana não desviou. O coração batia alto demais para a calma que mostrava.

— Não faço promessa — disse ele, por fim, a voz baixa. — Amanhã, se você se arrepender, não venha falar comigo.

— Não vou.

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Raimunda Gomes
Raimunda Gomes
Gostei muito do final.
2026-04-07 21:16:17
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1
mari
mari
Feliz pela finalização da história! Parabéns autora e obrigada.
2025-12-17 00:14:35
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Ana Rosa Porto Carvalho
Ana Rosa Porto Carvalho
parabéns. ótimo final
2025-12-03 04:12:11
3
1
Alessandra Ribeiro
Alessandra Ribeiro
cadê a continuação?
2025-09-10 06:53:18
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Ana Rosa Porto Carvalho
Ana Rosa Porto Carvalho
uma otima história, pena que parou, pode enfim terminar a história.
2025-08-25 02:01:36
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1
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