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5 - Entre Plantões

Autor: Val Lima
last update Data de publicação: 2024-09-20 04:18:53

Mariana mal teve tempo de processar a presença de Gabriel quando ele a puxou para si com uma força controlada, mas irresistível. O toque urgente de Gabriel a fez esquecer qualquer pensamento racional. O desejo tomou conta de ambos.

Ele a empurrou contra a parede, os olhos fixos nos dela, a respiração pesada. Sem uma palavra, Gabriel avançou. Suas mãos exploraram cada parte de seu corpo com uma fome que Mariana nunca havia sentido antes.

Os lábios dele encontraram os dela de forma feroz. Não havia suavidade, apenas a explosão de um desejo contido. Mariana retribuiu o beijo com a mesma intensidade, suas mãos agarrando a camisa de Gabriel, puxando-o para mais perto.

Ele a pressionou ainda mais contra a parede, seu corpo forte moldando-se ao dela. As mãos de Gabriel eram firmes, e ele sabia exatamente o que fazia. O controle que ele tinha sobre a situação era absoluto, e Mariana gostava disso.

O quarto, que antes parecia frio e funcional, agora se tornava um cenário de caos e calor. Gabriel a conduziu até a cama, os movimentos precisos e cheios de intensidade. Cada toque parecia rasgar o silêncio do ambiente.

Quando chegaram à cama, Gabriel a deitou com uma suavidade que contrastava com a urgência de antes, mas a intensidade ainda pulsava. Ele se inclinou sobre ela, os olhos escuros, e Mariana sentiu o coração acelerar. Ela estava completamente entregue.

Os corpos deles se moviam juntos em uma dança ritmada. O desejo parecia crescer a cada segundo. Mariana estava completamente envolvida naquele momento, sem espaço para dúvidas ou arrependimentos.

Quando tudo finalmente chegou ao clímax, o quarto ficou em silêncio, exceto pelas respirações ofegantes dos dois. Gabriel se afastou, sem dizer nada.

— Vou tomar banho — disse ele, direto, enquanto se levantava e pegava uma toalha.

Antes de entrar no banheiro, Gabriel pegou o celular.

— Vou pedir alguma coisa para comer.

Mariana apenas assentiu.

— Pode escolher o que quiser.

Ele fez o pedido rapidamente e entrou no banheiro. Pouco depois, o som do chuveiro começou a preencher o apartamento.

Mariana permaneceu deitada, os olhos fixos no teto, tentando processar o que havia acontecido. O quarto estava silencioso, exceto pelo som da água. O vazio que Gabriel deixava quando se distanciava começava a se espalhar pelo ambiente.

Gabriel saiu do banheiro já vestido, passando uma das mãos pelos cabelos ainda úmidos. Mariana estava sentada na cama, terminando de se vestir.

Ele lançou um olhar rápido para ela.

— Você vai comer?

— Acho que sim.

— Então espera.

Mariana ergueu os olhos.

— Você vai comer também?

— Pedi para os dois.

Ela ficou alguns segundos em silêncio, observando-o pegar o celular.

— Achei que você fosse simplesmente embora.

Gabriel ergueu o olhar.

— Eu não costumo deixar alguém sair daqui sem comer depois de uma noite dessas.

A frase fez Mariana hesitar.

— “Uma noite dessas”?

— Você sabe o que eu quis dizer.

Ele voltou a atenção para o celular, encerrando o assunto antes que ela pudesse insistir.

Quando a campainha tocou, Gabriel foi atender a porta.

A comida havia chegado. Ele se aproximou da mesa e começou a abrir as embalagens.

— Comida italiana. Espero que goste — disse Mariana.

— Ótimo.

Gabriel se sentou e começou a comer enquanto conferia algumas mensagens no celular.

Mariana terminou de se vestir e foi para a mesa, ainda sentindo o ambiente frio e funcional, tão diferente de como se sentia momentos antes.

Gabriel mal levantava os olhos do prato ou do celular. Comia enquanto respondia mensagens, aparentemente mais concentrado em outra coisa.

Quando terminou, deixou o celular sobre a mesa por alguns segundos. Observou Mariana em silêncio antes de falar.

— Você está diferente.

Mariana ergueu os olhos.

— Diferente como?

— Mais distante.

Ela soltou um sorriso breve, sem humor.

— Talvez eu só esteja cansada.

Gabriel sustentou o olhar por alguns segundos.

— O Lucas ainda está incomodando você?

A pergunta a pegou de surpresa.

— Por que quer saber?

Gabriel deu de ombros, recostando-se na cadeira.

— Só perguntei.

Mariana desviou o olhar.

— Ele tentou falar comigo hoje.

Gabriel ficou em silêncio.

— E?

— E nada. Eu deixei claro que acabou.

Ele assentiu uma única vez.

— Então resolveu.

Mariana soltou uma pequena risada.

— Queria que fosse tão simples assim.

Gabriel pegou novamente o celular.

— Normalmente é.

Ela olhou para ele, quase incrédula.

— Você realmente acha que tudo é simples?

— Não. — Ele desbloqueou a tela. — Só não vejo sentido em insistir no que já terminou.

Mariana ficou quieta.

Talvez aquela fosse a coisa mais próxima de um conselho que conseguiria dele.

Gabriel verificou o relógio.

— Tenho que voltar. — Pegou as chaves. — Fica à vontade se quiser, mas eu preciso ir.

Mariana assentiu, já se levantando também.

— Não, tudo bem.

Ele deu de ombros e caminhou até a porta. Não houve despedida, apenas a praticidade de quem já estava com a cabeça em outro lugar.

— Você sempre vai embora assim?

Gabriel parou com a mão na maçaneta.

— Assim como?

— Como se nada tivesse acontecido.

Ele ficou alguns segundos olhando para ela.

— E aconteceu alguma coisa?

Mariana não respondeu.

Gabriel abriu a porta.

— Boa noite, Mariana. Nos vemos por aí.

E saiu do apartamento sem olhar para trás.

O silêncio tomou conta novamente.

Mariana ficou parada por alguns segundos, absorvendo o vazio que restava. A noite tinha sido intensa, mas agora que Gabriel se fora, tudo parecia distante e sem importância.

Ela suspirou, ajeitou o cabelo e pegou sua bolsa.

O que havia acontecido ali era o que sempre acontecia. Para Gabriel, aquilo parecia simplesmente funcional.

E Mariana, mesmo que algo a incomodasse, sabia que não adiantava nutrir expectativas diferentes.

Já na rua, o som de uma notificação no celular interrompeu seus pensamentos.

Ela pegou o aparelho e viu uma mensagem inesperada.

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