FAZER LOGIN—Aconteceu algo? Demir perguntou do primo.
—Nada, só Zeynep que me avisou que Cansu está em casa.
Demir continuou dirigindo e percebeu o olhar de preocupação do primo.
—Se quiser posso ir para a mansão também e levo Cansu para casa.
Demir se ofereceu e Volkan apenas riu para o primo, que estacionava o carro na vaga destinada aos donos.
Saíram do carro e minutos depois cada um seguia para o seu escritório.
Volkan tirou o paletó e jogou em cima da poltrona que ficava no escritório, se deitou no sofá maior e foi ler os e—mails daquela tarde. Não tinha mais nenhum compromisso naquele dia e se ele quisesse, poderia ir embora para casa. Por mais que ele desejasse ficar logo com o filho, a noiva estaria lá e o pai iria começar a insistir sobre o casamento.
Decidiu então enviar uma mensagem para a irmã. Verificou o horário no relógio, era cedo ainda, ele poderia descansar um pouco.
Se levantou, foi até o telefone e avisou a secretária que não queria ser incomodado por ninguém e que ela informasse Demir que ele estaria no escritório descansando e que depois do trabalho, Demir fosse para a casa de Volkan, que mãe de Volkan o esperava para o jantar.
Volkan voltou para o sofá e decidiu dormir um pouco. Se possível ficaria até tarde da noite no escritório, mas não voltaria para casa antes de Cansu ir embora.
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Elif e Aslı colocavam as caixas com os doces dentro do carro.
—Cunhada você tem certeza que dá conta de ficar sozinha no caixa? Mesmo com Ayşe te ajudando, o dia de hoje foi muito movimentado.
—Minha querida, pode fazer sua entrega tranquilamente, e depois vá para casa e fique com seu marido. Eu pedi para Ayla, cuidar de Şymal enquanto eu não chegar em casa.
—Aslı, você tem trabalhado demais, precisa descansar um pouco e se divertir também. Não sei porque você não aceita namorar Ali, sei bem que vocês dois já saíram juntos algumas vezes e ele gosta de você, ama sua filha e se dá bem com seu irmão.
Aslı gostava de Ali apenas como amigo, e nas vezes em que os dois ficaram juntos, por carência e não porque ela queria algo sério com ele. O amigo de Omer era uma boa pessoa, e um bom homem, mas depois de saírem juntos por alguns meses, ela viu que não era forte para continuar um relacionamento com ele.
—Cunhada, eu sei que vocês dois se preocupam comigo, sei que Ali seria um bom companheiro e pai para Şymal, mas não quero me casar novamente. Você sabe como sofri com a morte do Osman e o quanto foi difícil me reerguer e ter forças para criar minha filha.
— Agora vamos esquecer esse assunto, você vai fazer sua entrega e ir para casa e descansar.
— Tudo está sob controle por aqui, e se algo errado acontecer eu aviso.
Elif conhecia a cunhada tempo suficiente para entender quando o assunto a incomodava e ela não iria insistir. Um dia Aslı aceitaria amar novamente, e seria feliz com um novo amor, sendo ele, Ali ou qualquer outro.
—Tudo bem, eu vou agora. Você e Ayse tomem cuidado aqui sozinhas. Qualquer problema você liga para Omer.
Elif entrou no carro e seguiu viagem, enquanto Aslı continuou parada alguns segundos em frente ao trabalho.
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Volkan acordou assustado com o sonho que teve e olhou no relógio e passava das 19 horas. Tinha dormido demais e ainda por cima sonhando com a jovem de olhar apaixonante.
Levantou do sofá e seguiu para o banheiro que ficava dentro do escritório dele. Lavou o rosto e se olhou no espelho, via sua testa suada e seu corpo despertou. Seu coração estava acelerado, parecia querer saltar pela boca e a imagem que sua mente formou não conseguia ser esquecida. Ele não sonhava há muito tempo, nem mesmo com Layla dessa forma, mas naquela tarde sonhou com uma jovem desconhecida que conversou por menos de 20 minutos.
Depois de se recompor, ele voltou para o escritório e olhou novamente para o pote de biscoito. Ele decidiu experimentar um único, quem sabe assim o pensamento sobre aquela desconhecida iria embora. Volkan provou um e depois outro e quando viu tinha comido tudo que estava no pote.
O estômago do advogado roncou, e ele enviou uma mensagem para a irmã que respondeu minutos depois que a visita ainda se encontrava em casa.
—O que vou fazer até mais tarde? Pensou consigo mesmo, e olhou novamente para o pequeno pote que estava vazio em cima da mesa.
Pegou a carteira e tirou o cartão de dentro dela, pegou o celular e digitou um endereço. O local ficava a 30 minutos de carro e o trânsito não tinha engarrafamento naquela hora da noite.
Vestiu o paletó, pegou suas coisas em cima da mesa, verificou se estava tudo certo e saiu em direção ao elevador.
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—Ayse, pode ir que eu vou terminar de fechar tudo por aqui. É tarde e a sua mãe deve estar preocupada.
—Tem certeza, Aslı? Eu posso ficar aqui esperando até você ir pra casa.
—Tenho sim e você pode ir que amanhã acorda cedo para estudar.
Não tem muita coisa pra terminar, vou só fechar o caixa e também vou para casa.
Ayse era estudante do último ano do ensino médio e ajudava as cunhadas com o atendimento na parte da tarde.
—Então vou embora, boa noite Aslı e até amanhã.
A menina foi para casa, Aslı continuou com o fechamento do caixa, passava das 19:30 e Şymal tinha ligado pra saber da mãe.
Aslı estava perdida em pensamentos, quando ouviu alguém batendo no vidro e se assustou, já que estava fechada a padaria. Ficou com medo de ser algum ladrão e pegou debaixo do caixa um pequeno pedaço de madeira, que ela mantinha guardado para se defender. Elif sempre que olhava aquilo ria porque se alguém tentasse roubar o lugar não seria um pedaço de madeira que impediria.
Com cuidado e sem tentar fazer barulho, ela se aproximou da porta e quando viu a pessoa que estava do lado de fora, se assustou.
—O que ele está fazendo aqui? — O estranho que a ajudou naquela manhã, se encontrava na porta do trabalho dela, quase 8 horas da noite.
Depois de alguns segundos, então Aslı se lembrou que ela própria o convidou para um café e pelo jeito o homem tinha realmente aceitado o convite.
Ela apareceu pelo lado de dentro e fez sinal para que ele esperasse, que ela iria buscar a chave.
Volkan estava enlouquecendo com certeza, ele não estava na porta de uma padaria em um bairro totalmente diferente do lugar que ele costumava frequentar, apenas para tomar uma xícara de café com aquela garota.
Quando Aslı apareceu, com o seu sorriso mesmo pelo lado de dentro da padaria, o coração de Volkan acelerou e ele sentiu suas mãos suarem.
— Um homem como você, ficando nervoso em frente de uma garota com metade da sua idade? Estou enlouquecendo é isso, os problemas com esse noivado não estão me deixando pensar com sensatez.
Quando Volkan se virou para voltar para o carro, a porta de vidro se abriu e Aslı apareceu na sua frente.
—Boa noite! A jovem com seu sorriso cumprimentou o homem, que sem saber o que falar disse a primeira coisa que veio em sua mente.
—Eu sei que está tarde, mas espero que o convite para o café ainda esteja de pé.
O fim da tarde tingia o céu de tons dourados quando Volkan estacionou o carro diante da pequena casa de campo que havia alugado para o fim de semana. Asli observou o lugar pela janela, emocionada com a tranquilidade que o cercava. Depois de tantos meses difíceis, finalmente pareciam respirar em paz.— Você está muito quieta — comentou Volkan, segurando a mão dela enquanto caminhavam pelo jardim.Asli sorriu de leve.— Só estou tentando acreditar que finalmente podemos pensar no futuro sem medo.Volkan parou diante dela e acariciou seu rosto.— Nosso futuro começou no dia em que você decidiu ficar ao meu lado.Ela sentiu os olhos marejarem. Durante muito tempo, acreditou que a felicidade sempre seria interrompida por dores, segredos e perdas. Mas ali, diante daquele homem, compreendia que amar também era permanecer.Os dois sentaram-se na varanda enquanto o vento fresco balançava as árvores ao redor.— Zeynep me ligou mais cedo — disse Asli, sorrindo. — Ela e Ali finalmente começaram os
Asli aguardava na sala a chegada do sogro. Symal e Ygit conversavam sentados no sofá alheios as mudanças que iriam acontecer naquela mansão a partir de hoje. Durante os dias em que o sogro esteve internado, a jovem decidiu ficar cuidando da casa da sogra, enquanto Hulya e Zeynep se revezavam para cuidar de Aslan.– Mamãe, o vozinho vai ficar bem — Symal disse ao se aproximar da mãe, que olhava pela porta de vidro o jardim lá fora.Asli forçou um sorriso ao sentir os braços pequenos envolverem sua cintura. Passou os dedos pelos cabelos da filha e respirou fundo antes de responder.— Vai, meu amor… o vovô é forte.Mas a própria voz saiu fraca, insegura.Do lado de fora, o céu começava a ganhar tons dourados do fim da tarde. O jardim da mansão parecia silencioso demais, como se até o vento esperasse alguma coisa. Asli ergueu os olhos quando ouviu o som distante de pneus sobre a brita da entrada.O carro havia chegado.Seu coração disparou.Ygit foi o primeiro a correr até a porta.— Eles
Zeynep observava o pai dormir com a respiração pesada e irregular, como se até mesmo descansar fosse uma batalha difícil demais para Aslan. A luz fria do hospital recortava o rosto marcado dele, destacando a barba por fazer. O homem que antes parecia grande o suficiente para esmagar o mundo inteiro agora permanecia imóvel naquela cama, ligado a fios e máquinas que apitavam baixo, lembrando o quanto a vida podia destruir alguém em silêncio.Ela segurava a mão dele com delicadeza, os dedos apertando os do pai como se tivesse medo de soltá-lo e perdê-lo outra vez.Ali havia voltado para a delegacia horas antes, mas deixara claro que qualquer mudança no estado de Aslan seria avisada imediatamente. Mesmo assim, Zeynep não arredou o pé dali. Não conseguia. Não depois de tudo.O que mais a atormentava não era apenas o ataque.Era Volkan.Era o motivo.Porque, pela primeira vez na vida, ela tinha visto medo nos olhos do irmão… e culpa nos olhos do pai.Aslan se moveu devagar na cama, soltando
Asli despertou num sobressalto, o peito subindo e descendo rápido demais enquanto os dedos procuravam o calor familiar ao seu lado da cama. Encontrou apenas lençóis frios.Por um instante, o silêncio da casa dos pais de Volkan pareceu sufocante.Ela se sentou devagar, tentando controlar a respiração. O quarto estava mergulhado na penumbra azulada da madrugada, e do corredor vinha apenas o distante tique-taque do relógio antigo da família.Aslan.O nome do sogro atravessou sua mente como uma lâmina. Mesmo com a notícia de que ele poderia receber alta em breve, o medo ainda morava dentro dela. Entranhado. Vivo.Asli passou a mão pelos cabelos e saiu da cama.A porta do escritório do pai de Volkan estava entreaberta. Uma luz fraca escapava pela fresta.Ela o encontrou ali.Volkan estava sentado na poltrona de couro escuro, os cotovelos apoiados nos joelhos, os dedos pressionando a testa como se tentasse impedir a própria mente de desmoronar. A camisa do pijama estava aberta no pescoço, a
O escritório de Aslan permanecia exatamente igual.Intocável.Como se ninguém tivesse coragem de mover um único objeto desde a discussão.A iluminação baixa deixava o ambiente ainda mais pesado naquela madrugada silenciosa. O cheiro amadeirado dos móveis antigos misturava-se ao leve aroma de uísque que ainda parecia impregnado nas paredes.Volkan entrou devagar.Fechou a porta atrás de si.E por alguns segundos apenas ficou parado.Observando.A poltrona de couro.Os livros perfeitamente alinhados.O relógio antigo sobre a estante.A mesa enorme onde o pai costumava comandar o mundo como se nada fosse impossível.Seu peito apertou.Porque, quando criança, aquele lugar parecia gigantesco.Quase sagrado.Volkan caminhou lentamente até a mesa.Os dedos deslizaram pela madeira escura.E então ele viu.A pequena marca perto da gaveta inferior.O risco torto.Seu risco.Um sorriso doloroso surgiu em seus lábios.Ele tinha sete anos quando entrou escondido naquele escritório pela primeira ve
A chuva escorria lentamente pelo vidro, desenhando caminhos tortos que desapareciam antes de alcançar a moldura da janela. O céu estava cinzento, pesado, como se carregasse o mesmo silêncio sufocante que dominava o quarto do hospital.Aslan permanecia imóvel na cama.Os dedos apertavam o braço da cama com força, enquanto os olhos continuavam presos na tempestade do lado de fora. Desde que acordara da cirurgia, ninguém havia tido coragem de dizer a verdade completa. Médicos entravam e saíam com frases cautelosas demais. Enfermeiros evitavam encará-lo por muito tempo. E Hulya… Hulya apenas segurava sua mão sempre que podia, como se tentasse impedir que ele desmoronasse.Mas ele já sentia.Sentia no vazio.Sentia na ausência.Sentia no desespero crescente de tentar mexer as pernas que simplesmente não respondia.Atrás dele, Hulya ajeitou a manta sobre a cama e respirou fundo antes de falar:— O médico disse que amanhã vai começar os exames de reabilitação…Aslan não respondeu imediatamen







