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Capítulo 2: A Caverna

Autor: Ester
last update Fecha de publicación: 2026-08-27 11:39:10

— Seu cheiro está forte demais — o homem de olhos verdes (o lobo marrom) falou primeiro. Sua voz era um trovão rouco que vibrou no peito de Cora. — É capaz de atrair todos os machos da área. Você precisa vir com a gente. Agora.

Elara encolheu-se na água, os braços cruzados sobre o peito para esconder a calcinha e o sutiã encharcados. Uma pontada violenta no abdômen a fez curvar-se levemente.

— N-não... eu... eu preciso voltar pro alojamento — ela gaguejou, a voz falhando enquanto o ar ao redor parecia sufocá-la com o cheiro masculino deles.

— Você nem deveria ter saído do quarto hoje — o irmão de olhos mel (o lobo negro) deu um passo à frente, a mandíbula travada enquanto tentava manter o autocontrole perante a doçura do cio dela.

— Is-isso nunca aconteceu antes... — Elara gemeu baixinho, incapaz de conter o som de dor e desejo que escapou por seus lábios. — Não era para ser assim... Só percebi o que era quando já estava na água... e vocês apareceram...

O gêmeo de olhos verdes soltou um suspiro pesado, os punhos cerrados ao lado do corpo.— Se você continuar gemendo desse jeito, garota, não vai ajudar muito o nosso controle.

— Temos que sair daqui agora — o irmão de olhos mel cortou, as orelhas movendo-se levemente para trás. — Já sinto a aproximação de outros lobos da escola. Eu conheço um lugar seguro.

Sem esperar uma resposta, os dois homens saltaram para a frente e, no ar, suas formas humanas desapareceram, dando lugar novamente aos lobos colossais. O lobo marrom chocolate aproximou-se da margem e abaixou o corpo imenso, oferecendo o dorso.

Elara sabia que não tinha escolha. O instinto de sua loba implorava pela proteção daqueles dois machos dominantes contra o resto do mundo. Trêmula, ela saiu da água, recolheu suas roupas secas em um bolo contra o peito e subiu no dorso macio e quente do lobo marrom, segurando-se firmemente na pelagem espessa de seu pescoço.

O lobo negro disparou na frente como uma sombra veloz, abrindo caminho pela mata fechada. O lobo marrom saltou logo em seguida.

A corrida foi um borrão de adrenalina e vento frio fustigando a pele exposta de Elara. A velocidade deles era inacreditável. As árvores passavam como fantasmas verdes e marrons enquanto os dois Alfas rasgavam o território da matilha, desviando das trilhas comuns e subindo em direção às áreas rochosas e isoladas, além dos limites da alcateia. Elara apertava os olhos, o rosto enterrado na pelagem com cheiro de almíscar, sentindo o calor do corpo do lobo queimar contra suas coxas nuas. Cada salto do animal fazia seu ventre pulsar com uma urgência quase insuportável.

Após alguns minutos de uma corrida frenética, o lobo negro reduziu o passo diante de uma parede de rocha maciça, densamente coberta por trepadeiras espessas.

O lobo marrom parou logo atrás. Elara escorregou de suas costas, as pernas vacilantes quase não aguentando o próprio peso. Ela assistiu, entorpecida pela febre do cio, o lobo negro empurrar a folhagem pesada com o focinho, revelando a entrada oculta de uma caverna.

Mas não era uma caverna selvagem.

Ao darem os primeiros passos para o interior, a iluminação suave de arandelas rústicas presas às paredes de pedra revelou um refúgio surpreendente. O chão de rocha era coberto por tapetes grossos e escuros de pele sintética. Ao fundo, um enorme colchão de casal ficava diretamente sobre uma estrutura de madeira tratada, cercado por almofadas pesadas. Havia um balcão de madeira com suprimentos, garrafas de água e mudas de roupas organizadas. Era o esconderijo particular deles, uma espécie de santuário estilizado, moderno e rústico ao mesmo tempo.

O calor ali dentro parecia confinado, denso. Para Elara, o ar natural da caverna não foi suficiente para aplacar a queimação em seu sangue. Seus dedos foram direto para o fecho do sutiã encharcado. Ela precisava se livrar de qualquer coisa que a sufocasse.

As peças de roupa íntima molhadas caíram no chão de pedra com um som abafado. Elara estava nua, a pele alva contrastando com a penumbra da caverna, arrepiada não pelo frio, mas pela febre avassaladora que consumia seu bom senso. Ela abraçou o próprio corpo, os dedos cravando-se nos braços enquanto uma onda de dor e prazer espasmódico subia por seu ventre. Estar naquele espaço fechado, impregnado com o cheiro concentrado dos dois machos, estava destruindo suas defesas.

Os dois lobos gigantes fecharam o espaço atrás dela. Em segundos, os estalos de ossos cessaram e os gêmeos retomaram suas formas humanas.

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