Mag-log inSuas respirações eram pesadas, os peitos largos subindo e descendo rapidamente.
— Espere um pouco... — o irmão de olhos verdes pediu, a voz mais rouca do que antes. Ele deu um passo atrás, os punhos cerrados na tentativa desesperada de manter o protocolo de proteção. — Você está no cio, garota. Não sabe o que está fazendo. Só precisamos que você se deite e... — Não dá! — Elara o interrompeu com um soluço sôfrego. Lágrimas de pura frustração e dor física brotaram em seus olhos. — Dói... está doendo muito. A proximidade do homem de olhos verdes era magnética. O aroma de almíscar terroso que emanava dele parecia ser o único remédio capaz de cessar a queimação em seu sangue. Cedendo completamente ao instinto selvagem de sua loba, Elara deu dois passos rápidos à frente. Suas mãos pequenas e trêmulas espalmaram-se contra o peito largo e quente do rapaz. Ele congelou, os olhos verdes dilatando-se no escuro. Elara não pensou. Ela ficou na ponta dos pés, puxou o corpo dele para baixo e colou seus lábios nos dele. O beijo começou como um choque elétrico. Os lábios dela estavam famintos, desesperados por alívio. No primeiro milésimo de segundo, o gêmeo de olhos verdes tentou resistir, os músculos de seus braços tensionando-se para afastá-la. Mas a doçura do cio dela misturada à audácia do toque quebrou sua sanidade. Com um rosnado baixo que vibrou direto na boca de Elara, ele cedeu. Suas mãos grandes e firmes subiram pela cintura dela, puxando o corpo pequeno contra o seu com uma força possessiva, aprofundando o beijo com uma intensidade que fez as pernas dela vacilarem. Ela soltou um gemido abafado contra a boca dele, sentindo a dor no abdômen ser substituída por uma onda de puro êxtase. Ele a dominava, o hálito quente e o sabor selvagem preenchendo cada espaço de sua mente. De repente, uma mão pesada e implacável fechou-se em torno do ombro do gêmeo de olhos verdes, puxando-o para trás com violência. — Chega — a voz do irmão de olhos mel cortou o ar como um chicote. Elara cambaleou para trás, o beijo partido abruptamente, os lábios vermelhos e entreabertos enquanto buscava o ar. O gêmeo negro estava parado ao lado deles, o corpo massivo tenso, as veias dos braços saltadas de pura raiva contida. Seus olhos cor de mel brilhavam no escuro com uma fixação perigosa, focados inteiramente em Elara. A mandíbula dele trabalhava, os dentes cravados uns nos outros. — Eu não vou ficar aqui parado apenas olhando — ele rosnou para o irmão, a voz vibrando em uma frequência perigosamente Alfa. — O cheiro dela está me enlouquecendo. Se você vai tocá-la, eu também vou. Ela é nossa. O irmão de olhos verdes limpou o canto da boca com o polegar, a respiração fustigante, olhando para o gêmeo. Não havia briga ou disputa territorial entre os dois; a conexão mental deles era clara. Ambos sabiam que o limite de controle deles havia chegado ao fim. Eles eram uma unidade, e aquela fêmea, naquele momento, pertencia aos dois. O gêmeo negro deu um passo à frente, cercando Elara contra o peito do irmão. A mão dele subiu, os dedos quentes tocando a bochecha corada dela, forçando-a a olhar diretamente em seus olhos cor de mel. — Você pediu por isso, pequena — ele sussurrou, a voz carregada de uma promessa sombria e inevitável. — Agora não há como voltar atrás. Os primeiros raios de sol cortaram as frestas da vegetação na entrada da caverna, iluminando o rastro de destruição de uma noite de puro instinto. No enorme colchão rústico, o gêmeo de olhos verdes despertou primeiro. Seus sentidos de Alfa, geralmente afiados, demoraram um segundo para se situar. O calor na cama havia sumido. Ele sentou-se abruptamente, o peito nu subindo e descendo com força. Ao seu lado, o irmão de olhos mel resmungou, abrindo os olhos e percebendo o mesmo vazio. — Ela sumiu — o lobo marrom rosnou baixo, os dentes cravados de frustração. Eles se levantaram, os corpos imponentes nus, os olhos correndo pelo santuário estilizado que dividiam. As roupas íntimas molhadas da garota não estavam mais lá. Ela havia recolhido tudo e partido no meio da madrugada. O cheiro adocicado do cio dela ainda flutuava densamente no ar, mas estava sumindo. — Que inferno... — o lobo negro esmurrou a parede de pedra da caverna, fazendo pequenos fragmentos de rocha caírem no chão. Seus olhos mel brilhavam com uma mistura de fúria e culpa. — Nós somos Alfas. Nós já terminamos nossos estudos, fomos treinados para liderar e manter o controle. Nós deveríamos tê-la protegido, não nos aproveitado do estado dela! — Ela pediu, mas ela não sabia o que estava fazendo... era o primeiro cio dela— o irmão de olhos verdes passou a mão pelo rosto, o peito apertado pelo arrependimento. — Nós a quebramos antes mesmo de ela completar dezoito anos. E o pior: nem sabemos o nome dela. Só sabemos que estuda no internato. Como vamos olhar na cara da matilha sabendo o que fizemos com uma menina isolada e vulnerável?O ar parecia prestes a estalar com a pressão Alfa que emanava de Kaelen e Draven. Seus olhares, pesados e confusos, continuavam cravados na figura do menino que ousara erguer os braços contra eles. Antes que Draven pudesse dar um passo na direção de Aren, ou que Kaelen pudesse decifrar o formigamento que subia por seus ossos, uma silhueta robusta moveu-se com a velocidade que só a experiência concede. Marta colocou-se à frente do garoto, envolvendo-o com seus braços fortes de loba ômega e puxando-o para trás de suas saias com um gesto puramente maternal e protetor. Ela manteve a cabeça baixa, ocultando o choque de sua própria loba perante a presença dos herdeiros Woodstone, e forçou uma voz submissa que camuflava o segredo que guardava no peito há dez anos. — Perdoem-no, Alfas — Marta pronunciou, o tom baixo ecoando firme no silêncio tenso do quarto. — É só uma criança que agiu por puro impulso. Ele não entende as leis da nossa matilha e o r
A atmosfera dentro do quarto de hóspedes tornou-se elétrica, pesada com a emanação pura de poder que escapava dos Co-Alfas. Draven deu dois passos largos à frente, fazendo as tábuas do chão rangerem sob suas botas de combate. Suas mãos grandes, marcadas por cicatrizes de garras, abriram-se e fecharam-se em um compasso de puro desespero instintivo. Ele queria tocá-la, cravar os dentes na curvatura de seu pescoço para reivindicar a fêmea que o fizera sangrar em silêncio por quase dez anos. Ao seu lado, Kaelen mantinha os olhos fixos na silhueta de Elara, a mente trabalhando em uma velocidade assustadora, tentando ligar os pontos entre a jovem forasteira que o tio Darius trouxera para a fortaleza e a loba enigmática do lago. — Onde você estava? — Draven exigiu, a voz grossa e áspera vibrando com uma agressividade possessiva que fez a tia Mirela encolher os ombros. Vane, seu lobo, arranhava sua sanidade para assumir o controle físico de suas cordas vocais. — Nós caçamos o seu rastro por
O silêncio que desabou sobre o quarto de hóspedes da fortaleza dos Varkos foi tão denso que o som da respiração fraca de Tarek na cama pareceu desaparecer. O ar, antes impregnado com o odor metálico de sangue e o antisséptico trazido por Elara, foi instantaneamente esmagado pela emanação violenta de poder que escapou dos corpos de Kaelen e Draven. Cael Blackroot, que vinha logo atrás dos líderes, congelou no limiar da porta, sua mão descendo instintivamente para o cabo de sua adaga de combate enquanto seus sentidos de Gama captavam a mudança drástica na atmosfera. O tio Darius e a tia Mirela recuaram um passo, os corpos Delta rígidos em uma reverência instintiva perante a pressão Alfa que começou a estalar pelas paredes de madeira rústica. Kaelen deu o primeiro passo à frente, sua habitual postura calculista e mansa desmoronando por completo. Seus olhos verdes brilharam com um fogo esmeralda tão vivo que parecia rasgar as sombras do canto do quarto onde Elara estava encolhida. Em sua
O cheiro de fumaça e terra revirada ainda pairava pesadamente sobre a ala sul de Silvaterra quando os primeiros raios de sol romperam a copa das árvores milenares. O ataque dos renegados havia sido repelido com uma fúria esmagadora pelos Co-Alfas, mas o preço da vitória havia sido depositado no sangue de muitos guerreiros. Durante o combate na linha de frente, Tarek Varkos havia se lançado diante das garras de um lobo exilado para proteger a retaguarda dos civis, sofrendo lacerações profundas no abdômen e no peito. Ele havia sido transferido às pressas para o pavilhão médico central, deixando a fortaleza dos Varkos em um estado de angustia. Nos três dias que se seguiram, a Casa da Matilha transformou-se em um quartel-general de alta tensão. As guirlandas e fitas de seda branca da cerimônia de Lunas continuavam penduradas no salão principal, mas o clima festivo fora substituído pelo tilintar de armaduras e mapas táticos estendidos sobre a mesa de carvalho. Faltavam apenas três dias p
O carro antigo de Elara avançou em marcha lenta pela trilha de terra batida que serpenteava a mata fechada, com os faróis baixos rasgando a escuridão da floresta amazônica. No banco de trás, Aren piscou os olhos devagar, despertando do torpor profundo que o acompanhara por toda a viagem. Suas mãos pequenas tocaram o vidro da janela e, no milésimo de segundo em que o veículo cruzou a barreira invisível que demarcava o território da Matilha Silvaterra, o menino sentiu um arrepio elétrico percorrer sua espinha. O excesso de energia mística de Sincronia que estava acumulado em sua mente, sufocado pelas paredes de concreto da cidade, encontrou o solo da floresta e descarregou silenciosamente pela estrutura do carro. O garoto sentou-se abruptamente, respirando o ar puro que entrava pela fresta. — Mãe... onde nós estamos indo? — Aren perguntou, a voz miúda, mas firme, enquanto ajustava as novas lentes de contato castanhas que protegiam seus olhos heterocromáticos. — O cheiro daqui é diferen
A decisão foi tomada no calor abafado da cozinha, enquanto o eco do colapso de Aren ainda parecia vibrar nas paredes de concreto do apartamento. Elara e Marta não perderam tempo discutindo os prós e contras; o medo pela vida do garoto engoliu qualquer hesitação sobre o julgamento que enfrentariam em Silvaterra. Com as mãos ágeis e trêmulas, elas arrumaram duas malas com o essencial, esvaziando as gavetas sob o olhar atento da loba ômega de Marta, que guardava a suspeita do sangue Woodstone no mais absoluto silêncio. Antes de fecharem os zíperes, Elara aproximou-se da cama do filho desacordado, aplicando com precisão cirúrgica a dose dupla do inibidor hormonal e encaixando um par novo de lentes castanhas sobre as pupilas heterocromáticas. O aroma denso de Alfa que antes impregnava o quarto foi sufocado em minutos, reduzido a um rastro fraco e indetectável. Carregando o menino nos braços com a ajuda de Marta, Elara desceu até o estacionamento subterrâneo, ligou o motor do carro ant







