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CAPÍTULO 5

Autor: Peachy
A alta sociedade me colocou na lista negra mais rápido do que eu imaginava.

Em apenas um dia, perdi todos os meus contratos de restauração e fui obrigada a vender minha galeria por uma quantia irrisória.

Enquanto caminhava pela rua, antigos clientes que antes me recebiam com sorrisos calorosos agora me evitavam como se eu fosse uma praga, cochichando pelas minhas costas.

— É ela. A mulher maluca que foi expulsa da família Costello.

— Que vergonha. Espalhou boatos dizendo que outra mulher era amante, quando foi ela quem acabou sendo colocada para fora de casa.

Apertei ainda mais meu trench coat leve contra o corpo e acelerei os passos, mantendo o rosto inexpressivo.

Assim que cheguei à esquina próxima da minha antiga galeria, um grupo de criminosos de uma família rival saiu de um beco e me cercou. Incentivados pela recompensa publicada na dark web e pelos boatos, descontaram toda a raiva em mim, a "ex-esposa" descartada.

— Matem essa desgraçada que quase começou uma guerra entre as famílias!

No instante seguinte, um tijolo atravessou o ar e atingiu meu ombro.

Cambaleei para trás.

Antes que recuperasse o equilíbrio, um pesado taco de beisebol de metal acertou minhas costas com violência.

Tum!

A dor foi tão intensa que minha visão escureceu.

Caí com força sobre o asfalto.

Cacos de vidro perfuraram minhas palmas.

Meus joelhos ficaram completamente ralados e ensanguentados.

Cercada pelos gritos e chutes daqueles homens, tudo o que consegui fazer foi me encolher, protegendo desesperadamente minha barriga.

De repente...

Uma cólica familiar rasgou profundamente meu baixo-ventre.

Um líquido quente escorreu entre minhas pernas, encharcando rapidamente meu casaco claro de vermelho.

— O bebê... meu bebê...

O medo apertou meu coração como uma cobra venenosa.

O suor frio cobria meu corpo.

Minha respiração saía falha.

— Parem!

Pneus cantaram no asfalto.

Uma dúzia de Maybachs pretos blindados parou bruscamente junto à calçada.

Homens fortemente armados desceram dos carros e rapidamente dispersaram os agressores.

As portas dos veículos se abriram.

Victor e Dominic, um de cada lado, ajudavam Chloe a descer cuidadosamente do carro, protegendo sua pequena barriga de grávida.

Eles estavam naquela região porque Chloe faria um exame em uma clínica particular de alto padrão que ficava nas proximidades.

Ao me ver caída no chão, coberta de sangue, Victor parou imediatamente.

Atrás dos óculos de aro dourado, suas pupilas se contraíram.

Por instinto, deu um passo na minha direção.

— Victor...

Com o pouco de força que ainda me restava, estendi minha mão coberta de sangue em direção a ele.

Minha voz saiu como um sussurro rouco.

— Por favor... salve o bebê... o nosso bebê...

A ponta dos meus dedos tremia.

Era o último pedido que eu fazia pelo filho que arrisquei minha vida para conceber.

Victor estava prestes a dar mais um passo...

Quando Chloe segurou seu braço com força.

Sua voz tremia.

— Victor... eu estou com medo... Será que ela não está fingindo de novo? Ela sempre fingia estar doente para prender Dominic ao lado dela...

Dominic imediatamente concordou.

— Vivienne, você não tem vergonha? Fingir um aborto? Isso é baixo até para você.

Victor parou.

— Vivienne, pare com esse teatro ridículo. Eu já disse que, quando Chloe tiver o bebê, nós vamos nos casar de novo. Até lá, pare de fazer escândalos.

Ele virou as costas para mim.

Protegeu Chloe com o próprio corpo.

E caminhou em direção ao Maybach blindado sem olhar para trás uma única vez.

Dominic lançou um sorriso frio e foi logo atrás.

Observei os dois se afastarem completamente tomada pelo desespero.

A dor consumia meus sentidos.

Eu conseguia sentir a pequena vida pela qual sacrifiquei metade da minha própria existência escapando do meu corpo...

Gota após gota.

Quando despertei...

Três dias haviam se passado.

O cheiro forte de desinfetante preenchia todo o quarto.

O médico segurava meu prontuário enquanto me olhava com pena.

— Senhora Costello... sinto muito. Como seu corpo já estava fragilizado por causa das várias tentativas de fertilização in vitro, somadas aos ferimentos e ao atraso no atendimento... não conseguimos salvar o bebê. E será quase impossível que a senhora consiga engravidar novamente.

Permaneci deitada na cama branca do hospital.

Escutei tudo em silêncio.

Não chorei.

Não gritei.

Não tive nenhum ataque de desespero.

Quando o coração se despedaça completamente...

Ele não faz barulho.

Foi naquele momento que eu compreendi isso.

Retirei o chip do celular, que já acumulava milhares de ameaças de morte, e o joguei na lixeira.

No dia em que recebi alta, voltei para a propriedade.

Arrumei tudo o que me pertencia e despachei meus pertences.

Sentada na sala completamente vazia, peguei dois envelopes impermeáveis para envio.

No primeiro, coloquei os documentos médicos sobre o aborto espontâneo.

Destinatário: Victor Costello.

No segundo, coloquei uma pilha de recibos amarelados dos antibióticos comprados no mercado clandestino, uma fotografia da camisa ensanguentada do dia em que levei uma facada por Dominic e os comprovantes bancários.

Por cima de tudo, coloquei um bilhete que acabara de escrever.

Era exatamente a mesma mensagem que eu havia deixado para ele quinze anos atrás.

Destinatário: Dominic Russo.

A salvadora que ele idolatrara por metade da vida...

Não passava de uma simples ladra.

Depois de enviar os dois pacotes, peguei minha mala e fui embora da cidade que me manteve presa durante seis anos.

Eu nunca mais voltaria.

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