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capítulo 4

last update publish date: 2025-04-01 07:00:56

O príncipe encantado, lindo, gentil que Cristina amava com toda a sua alma, somente existia em sua cabeça, durante anos ele a enganava, e o pior, todos juntos escondiam isso dela. Todo seu lado mulher ferida pela traição recém descoberta, o amor que achou que viveu foi uma completo mentira, seu marido era um traidor.

Cristina, olhava para todos enquanto a mulher falava, e todos abaixaram a cabeça de vergonha, somente os seus familiares pareciam tão chocados quanto ela. Deu um passo próximo do caixão para olhar mais um vez, agora no rosto pálido de Thomas. Os pais dele, somente repetiam olhando para ela:

— Nós realmente sentimos muito Cristina, queríamos lhe contar mas nosso filho não nos permitiu, fique calma.

Cristina, lembrou de como Thomas havia mudado de um tempo para cá, de como estava frio e até gritando com ela estava fazendo. Sua ficha começou a cair naquele momento, tudo fez sentido, e num ato de fúria, sem aviso prévio gritou com a voz carregada de raiva e mágoa:

— Pois bem, obrigada por me contar que era amante do meu marido e me revelar o que todos me parecem agora que já sabiam. Vou lhe mostrar a porta da saída agora,querida. — Com força, do mesmo jeito que grudava no braço de Gabriela, a conduziu até a porta,  jogando-a para fora da sala:

— Seu lugar é aqui, na rua. — A mulher ainda tentou retornar para dentro, mas o olhar que Cristina lançou, fez com que recuasse. — Nem pense em colocar mais um pé aqui dentro, estou me controlando pelos meus filhos que carrego para não dar na sua cara de pau em vim aqui me confrontar.

E num movimento brusco e violento, fechou a porta de vidro na cara da Gabriela, quando virou-se para quem estava na sala, todos ali  estavam chocados com tudo que ela fez. Ninguém ali esperava o tanto de personalidade que Cristina tinha. Com os olhos em brasa, era raiva misturada com suas lágrimas, apontou para todos ali:

— E convido a todos que se retirem agora, aqui só ficará a família.— Todos se olhavam tentando decidir se iam ou não, mas o grito de Cristina os fizeram estremecer. 

— Saiam daqui agora!

Ao saírem todos, ficando a sua família e a do seu marido, ela fechou a porta, suas pernas ficaram fracas, e seus pais a socorreram, a colocando sentada. Os pais de Thomas ao tentarem falar algo, ela já se antecipou, colocando a mão em sinal para eles ficarem longe dela:

— A partir de hoje, minha relação com os senhores terminou aqui. Descobrir no meu pior momento da minha vida, onde perdi o meu amor, que eu era traída, não só pelo  filho de vocês, mas por todos, me doeu mais do que machucaria se soubesse antes do dia de hoje. 

Eles se calaram, e até o fim do velório, ninguém falou mais nenhuma palavra naquela sala. Cristina chorava com dor e uma mágoa que  crescia em seu peito, todo o sonho de amor verdadeiro era uma ilusão! 

Estava humilhada, ferida e agora, sozinha com dois filhos para criar. E  naquele instante, lhe fez uma promessa para si mesma que se dependesse dela, eles não sofreriam pela falta de um pai, pois ela daria somente para eles  todo o amor, não abriria seu coração para mais ninguém. 

Anteriormente, quando escutava outras mulheres lhe contando de traições e sobre amantes, nunca imaginou viver isso um dia. Ao amanhecer, na hora do enterro, Cristina também enterrou o último pedaço do seu coração junto com o corpo de Thomas, sua vida seria para seus filhos e o seu projeto de vida.

Suas lembranças foram interrompidas por batidas na porta, e vozes infantis que a chamavam:

— Mamãe, mamãe. — Cristina simulou um sorriso, limpando as lágrimas em seu rosto.

— A mamãe está saindo dos meus amores. 

Abrindo a porta, seus filhos amados, que a ajudaram a passar pela dor, estavam sentados em sua cama. Ângelo e Sofia, cada um parecia com um dos pais. Ângelo lembrava ela, mas a personalidade era do pai, e a Sofia era Thomas na aparência,  porém o seu gênio era o dela todo.

— Mamãe hoje você trabalha?— Perguntou Ângelo enquanto limpava o seu nariz, que estava curando de uma gripe recente. Seus pequenos eram a cópia dela e de Thomas, seu menino lembrava ela e sua filha, era o rosto do pai.

— Sim, hoje mamãe trabalha, vocês ficaram com a vovó Silvia. Mas antes, os dois vem aqui me dar um grande beijo de bom dia.

— A senhora vai demorar mamãe?- A pequena Sofia lhe deu um beijo, depois de lhe perguntar isso.

— Não sei filhinha, mas prometo que ao terminar, vou voltar correndo para os meus amores maiores. E trarei guloseimas para vocês.

— Eba! — Em coro os dois comemoraram, era fácil os agradarem. Eram os motivos da Cristina lutar, levou os pequenos ao banheiro e lhes deu um banho e depois  desceram para tomar café da manhã. 

E foram rumo logo a seguir, à casa da sua mãe, sua grande parceira em tudo que viveu, a sua melhor amiga, afinal, nunca virou as costas. Seus filhos amavam a vovó Silvia e o vovô Omar. 

Era de lei, chegar em frente a casa deles e os dois pequenos entrarem correndo gritando o nome dos avós. Cristina tinha sua rede de apoio,  que  era sua família amada.

Somente esses dois pequenos eram capazes de ainda obter algum sentimento e demonstração de amor de Cristina. Eles se tornaram o centro do mundo dela, seria capaz de tudo para protegê-los. Todos à questionavam o porque não ia em busca de um novo amor, mas só dela ouvir sobre o tema, ela recordava tudo que viveu e o medo a preenchia em imaginar passar por tudo de ruim que aconteceu novamente.

Cristina havia criado uma casca em volta do seu coração para seguir em frente, hoje dona da sua empresa e independente, decidiu que o tópico amor em sua vida estava descartado para sempre. Entretanto, a vida nos surpreende, ela não é algo controlado por Cristina e mais adiante, algo novo a encontraria pelas estradas do destino que já estava traçado em seu caminho.

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