INICIAR SESIÓNVou incluir uma nota adicional ao livro só para vocês terem uma noção da Cronologia de Gabriel Vasconcelos, aqui nas notas não consigo fazer isso. Será um capítulo gratuito!!!
Pelo que foi estabelecido no capítulo 53, a linha do tempo é esta:Há cerca de 23 anos: Gabriel Vasconcelos era um agente federal e fazia parte do grupo original que deu início ao Projeto Orfeu.Na mesma época: Antônio também estava envolvido no projeto. Os outros dois integrantes eram Gabriel e mais duas pessoas, sendo que a identidade do chamado "quarto homem" permaneceu escondida.Helena entrou em contato com essa investigação posteriormente, quando começou a descobrir que Orfeu era muito maior e mais perigoso do que parecia.Em 17 de agosto, há 23 anos: Gabriel aparentemente morreu. Essa é a data escrita no verso da fotografia.Porém, a fotografia mostra Gabriel vivo nesse mesmo dia, ao lado de Helena e Antônio. Isso significa que a fotografia foi tirada antes do acontecimento que levou à morte dele, provavelmente horas antes.Helena descobriu que o quarto homem havia traído o grupo e, aparentemente, estava envolvido na morte de Gabriel.Depois da morte de Gabriel, Helena continuou
Isabela não dormiu naquela noite.Mesmo depois que Leonardo verificou todas as portas, todas as janelas e cada canto da propriedade, mesmo depois de conferir o sistema de segurança duas vezes e garantir que o carro que havia passado pela estrada não tinha retornado, alguma coisa dentro dela continuava desperta. Não era exatamente medo. Medo era uma sensação que ela conhecia bem demais e aprendera a reconhecer. Aquilo era diferente. Era a inquietação de quem acabara de descobrir que uma história que julgava encerrada ainda possuía páginas escondidas.Ela permaneceu sentada na varanda, enrolada em uma manta, observando o mar sob a luz fraca da lua. O vento trazia o cheiro salgado da água e fazia algumas mechas de seus cabelos baterem contra o rosto. Normalmente, aquele lugar era seu refúgio. Era onde ela sentava quando precisava pensar, quando queria acompanhar o pôr do sol ou simplesmente observar Noemi brincando na areia. Naquela noite, porém, a varanda parecia uma fronteira. De um lad
O silêncio daquela noite era diferente.Isabela percebeu isso antes mesmo de conseguir explicar o motivo. A casa estava exatamente como sempre estivera, mas havia uma tensão invisível ocupando cada cômodo, como se as paredes tivessem absorvido o peso daquela carta e agora aguardassem, junto com ela, a próxima revelação. Do lado de fora, o mar continuava quebrando contra a areia em intervalos regulares, mas o som que antes costumava acalmá-la agora parecia distante. As ondas vinham e voltavam, insistentes, como se estivessem tentando dizer alguma coisa que ela ainda não conseguia compreender.Noemi já estava dormindo.Isabela havia passado quase uma hora ao lado da cama da filha, observando o pequeno rosto tranquilo, o movimento delicado do peito subindo e descendo enquanto dormia. Algumas vezes, Noemi se mexera e murmurara palavras que Isabela não conseguiu entender. Em uma delas, a menina estendeu a mão para o lado, procurando alguma coisa durante o sono. Isabela segurou seus pequeno
Dois anos haviam passado desde a noite em que Isabela acreditara, pela primeira vez em toda a sua vida, que a guerra finalmente tinha terminado. Dois anos desde o último disparo, desde os gritos, desde o sangue, desde o momento em que Eduardo caiu diante dela e levou consigo uma parte da escuridão que havia perseguido sua família por tanto tempo. Durante meses, Isabela acordara no meio da noite esperando ouvir passos no corredor, o som de um carro freando diante da casa ou aquela batida insistente na porta que, no passado, sempre significava perigo. Mas o tempo tinha feito aquilo que ela nunca acreditara ser possível. Aos poucos, os pesadelos ficaram menos frequentes. As lembranças perderam um pouco da força. O medo deixou de comandar cada decisão. Ela aprendeu novamente a andar pela própria casa sem verificar as janelas, a dormir sem esconder uma chave ou algum objeto que pudesse usar como arma ao lado da cama. Aprendeu, principalmente, que sobreviver não precisava ser a única coisa
Dois anos depois O mar batia suave nas pedras, e o sol dourava a pele de Isabela enquanto ela caminhava descalça pela varanda da casa de pedra que agora chamava de lar. A brisa trazia o cheiro de sal e lavanda — e memórias que, embora cicatrizadas, ainda vibravam em sua pele de vez em quando. Ela usava um vestido leve, branco, quase transparente sob a luz do entardecer. Os cabelos soltos dançavam ao vento, e os olhos fixos no horizonte denunciavam que algo dentro dela ainda pulsava com uma intensidade silenciosa. Leonardo surgiu na porta, encostando no batente, observando-a. O tempo o fizera ainda mais bonito. As marcas da guerra haviam se transformado em traços de maturidade e força. Mas os olhos… aqueles olhos continuavam sendo lar. — Está pensando em fugir de novo, minha selvagem? — ele perguntou com um sorriso torto. Ela riu. — Nunca mais. Aqui é o lugar onde o mundo parou de me caçar. Ele caminhou até ela e passou os braços ao redor da sua cintura, colando seus corpos
Isabela O silêncio era estranho. Depois de tantos tiros, gritos e explosões, o som da brisa leve entrando pelas janelas do bunker parecia um sussurro irreal. Ela estava sentada no chão de concreto frio, as pernas ainda trêmulas. O sangue seco nos dedos era a lembrança de que havia sobrevivido. De novo. Mas agora… ela não sabia o que fazer com o silêncio. Leonardo surgiu do corredor, as roupas sujas, o olhar cansado — mas vivo. — O último carro bateu em retirada — ele disse, sentando-se ao lado dela. — Eles desistiram. — Tarde demais — ela respondeu, apoiando a cabeça no ombro dele. — Já não tinham nada para levar. Ele passou o braço ao redor dela, puxando-a para perto. — Nós ainda temos um ao outro. Ela fechou os olhos e respirou fundo. Era verdade. Depois de tudo, ainda estavam ali. Inteiros. Ou pelo menos… juntos. Leonardo Ele a olhava como se ela fosse o milagre que ele nunca ousou pedir. Depois de tudo que fizeram — que precisaram fazer — o fato de ela ainda estar







