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Capítulo 8 - O Toque que Não Veio

Author: Nayrad Darian
last update publish date: 2026-08-20 02:42:54

Leonardo

Desde o momento em que enviou o e-mail, Leonardo sabia exatamente o que estava fazendo. Ele se preparou como sempre fazia: controle absoluto, planejamento meticuloso, cada palavra escolhida com precisão. Mas o que não esperava era o que aconteceria quando a visse entrar no restaurante. Porque, naquele instante, o controle — esse velho aliado — quase se desfez.

Isabela atravessou o salão como quem sabia que cada olhar seria dela. O vestido preto, simples e elegante, delineava suas curvas com precisão cirúrgica. Os cabelos soltos caíam sobre os ombros como um convite. E os olhos… os olhos diziam que ela sabia. Que sentia. Que jogava.

Ele se levantou e a cumprimentou com a compostura habitual. Chamá-la de “doutora” era uma forma de se proteger. Um lembrete de que aquela mulher era uma profissional. Uma funcionária. Mas mesmo o formalismo não era suficiente para conter a onda de desejo que crescia a cada passo dela em sua direção.

Durante o jantar, Leonardo manteve o foco nos contratos. Falou de cláusulas, riscos, fusões. Mas sua atenção real estava nos gestos dela. No modo como segurava a taça. Na forma como sua língua tocava o lábio inferior depois de cada gole de vinho. Na maneira quase imperceptível com que ela cruzou e descruzou as pernas, e no modo como seus olhos buscavam os dele sempre que o silêncio se tornava profundo demais.

Ele queria tocá-la. Com uma urgência que o assustava. Queria deslizar os dedos por sua pele e descobrir se ela tremia sob seu toque. Queria ouvi-la suspirar quando ele a pressionasse contra a parede do quarto mais próximo. Mas não o fez. E não por falta de oportunidade.

Foi por escolha. Por necessidade.

Leonardo sabia que se encostasse nela, mesmo que fosse apenas com a ponta dos dedos, não conseguiria parar. Não naquela noite. Não com ela olhando para ele daquele jeito. Não quando a fantasia havia deixado de ser simples desejo e começava a se tornar algo mais profundo. Algo que ele não sabia nomear.

— Você confia em mim, Isabela? — perguntou, sabendo que a pergunta era tudo, menos profissional.

Ela hesitou. E a resposta veio como uma provocação afiada:

— Ainda não decidi.

A voz dela tinha um veneno doce. E ele sorriu. Porque amava esse jogo. E odiava o fato de estar perdendo nele.

— Vai precisar decidir. Logo. Porque eu não costumo convidar duas vezes.

Na verdade, ele nunca convidava. As coisas simplesmente aconteciam, do jeito dele. Mas com Isabela, queria mais. Queria ver se ela o escolhia por vontade. Se cedia não por medo ou manipulação — mas por desejo real. Queria que ela tomasse o passo. Que se entregasse porque queria, não porque ele a puxava.

E por isso, naquela noite, ele a deixou ir.

Pagou a conta, caminhou com ela até o carro. Seus dedos roçaram os dela quando lhe abriu a porta. Foi o mais perto que chegou de tocá-la. Um instante. Um gesto quase inocente. Mas que fez seu corpo inteiro se acender.

Ela entrou. Disse boa noite com um olhar que dizia tudo que a boca ainda não podia. E ele ficou ali, assistindo o carro sumir pela avenida iluminada.

O toque não veio.

Mas o desejo ficou.

E amanhã… seria ainda mais difícil conter.

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