LOGINVitório Leoni é o homem que todos temem. À frente da poderosa Leoni Global Energy como CEO e herdeiro absoluto, ele construiu um império bilionário com mãos firmes, decisões implacáveis e a certeza de que sentimentos são luxos reservados aos fracos. Para proteger o legado da família, seu futuro já está traçado: um casamento estratégico, uma aliança perfeita e uma vida sem espaço para o amor. Laura Montanari nunca sonhou em fazer parte daquele mundo. Criada por uma família simples e amorosa, ela aprendeu que tudo o que conquistasse viria do próprio esforço. Determinada, discreta e dona de uma beleza impossível de ignorar, consegue uma vaga como secretária executiva na empresa mais poderosa do país. O primeiro encontro entre eles acontece da pior ou da melhor forma possível. Um choque na entrada do prédio. Um olhar intenso. Uma atração imediata e perigosa. Vitório sabe que deveria se afastar. Seus pais jamais aceitariam uma mulher humilde ao lado do herdeiro dos Leoni. Os sócios também não permitiriam que uma simples funcionária se tornasse parte da família mais poderosa do país. Mas há algo em Laura que o desarma. Algo que o faz perder o controle que levou anos para construir. Enquanto a paixão cresce em silêncio, segredos enterrados há duas décadas começam a despertar. E quando a verdade finalmente vier à tona, Vitório descobrirá que a mulher que jurou manter distante pode ser justamente aquela capaz de destruir ou reivindicar tudo o que leva o nome Leoni. Porque alguns impérios são construídos sobre poder. Outros, sobre sangue. E todo segredo enterrado um dia volta para cobrar seu preço.
View MoreO relógio do celular marcava 7h48 quando parei em frente ao edifício.
A fachada de vidro e aço da Leoni Global Energy subia em direção ao céu nublado como se quisesse furar as nuvens. O prédio era excessivamente alto e intimidador. Parecia olhar para baixo e me julgar antes mesmo de eu atravessar a porta. Ajustei a alça da bolsa no ombro com força demais e passei a mão suada na saia social cinza. Tinha comprado o conjunto inteiro em uma liquidação duas semanas antes, depois de três noites sem dormir calculando se cabia no orçamento apertado. Cabia. Por pouco. Inspirei fundo, sentindo o cheiro de asfalto molhado e café que vinha da rua. O peito subiu e desceu num ritmo acelerado demais. Primeiro dia. Não podia tremer, tinha que mostrar para quê vim. Não podia parecer fora do lugar, mesmo que cada célula do meu corpo gritasse que eu estava. Aos vinte e três anos, eu sabia exatamente quem eu era: filha adotiva de um casal simples da Zona Leste, criada com amor e pouco dinheiro, formada em Administração depois de anos estudando de madrugada e trabalhando de dia. A vaga de secretária executiva na Leoni Petróleo era a melhor chance que eu já tivera na vida. Eu não podia estragar isso. Não agora. Não aqui. O segurança da entrada mal levantou os olhos do celular quando mostrei o crachá provisório. Tinha passado por uma seleção bem sigilosa, daquelas que cada etapa é uma superação, e respirando rápido por seguir adiante. E após todo o processo que foi sigiloso, no final ficou eu e outra mulher, mais eu estava alí com um propósito e faria o meu melhor, mesmo que os outros dissesem ao contrário. E foi assim que consegui essa tão sonhada vaga de secretária executiva. Já sabia para quem iria trabalhar, e treinei o bastante para não sentir nenhuma emoção por mais que isso foi difícil! E acabou que vim parar aqui. Então nada poderia dar errado. Solto um suspiro e o segurança apenas apontou com o queixo para as portas de vidro, como se eu fosse mais uma entre tantas. Já estava em cima da hora. Não podia perder tempo me impressionando com a grandiosidade da empresa. Acelerei os passos, o coração batendo acelerado. Foi exatamente nesse momento que o meu mundo virou. As portas automáticas se abriram no instante em que um homem saía. Eu não tive tempo de desviar. O impacto foi seco, violento o bastante para arrancar o ar dos meus pulmões num solavanco dolorido. A bolsa escorregou do ombro. Os documentos que eu carregava voaram pelo chão de mármore branco como pássaros assustados, espalhando-se em todas as direções. Um braço forte me segurou pela cintura antes que eu caísse de joelhos. O cheiro me atingiu primeiro, madeira escura, algo caro, masculino e perigoso que fez meu estômago revirar de um jeito estranho e quente. Depois veio a voz: grave, baixa, carregada de uma autoridade que não pedia licença a ninguém. - Cuidado. Ergui o rosto para descobrir quem estava por trás daquela voz e daquele cheiro amadeirado. E o tempo parou. Olhos pretos. Intensos demais. O tipo de olhar que parecia atravessar a pele, a roupa, a alma. O homem era alto, muito alto, de ombros largos e maxilar cerrado com uma precisão quase cruel. O terno preto caía nele como se tivesse sido costurado por alguém que entendia de poder absoluto. Cabelo escuro penteado para trás com uma perfeição intimidadora. A mão dele ainda estava na minha cintura, firme, quente, possessiva, e eu senti o calor daquele toque se espalhar pela minha pele como se a blusa fina não existisse. Como se ele tivesse direito de me segurar daquele jeito. Eu o reconheci imediatamente. Vitório Leoni. O nome ecoou dentro da minha cabeça como um trovão. O magnata. O homem que as revistas chamavam de inalcançável. O herdeiro que nunca sorria nas fotos e que, segundo os boatos, demitia pessoas apenas com um olhar. Meu coração bateu tão forte que tive certeza de que ele conseguia ouvir. Que conseguia sentir. - Você está bem? - perguntou ele. A voz era ainda mais grave de perto. Abri a boca, mas a resposta demorou um segundo inteiro para sair, presa na garganta seca. - S-sim. Desculpe. Eu... não vi o senhor. Me afastei depressa demais, quebrando o contato como se o toque queimasse. A ausência daquela mão me deixou com uma sensação estranha de frio, quase de perda. Ajoelhei-me para recolher os papéis, sentindo o rosto queimar de vergonha e de algo muito pior. As mãos tremiam. Senhor Leoni permaneceu de pé por um instante, apenas observando, e quando menos esperei ele se abaixou também. Quando os dedos dele tocaram os meus ao pegar a mesma folha, puxei a mão como se tivesse levado um choque elétrico. O contato durou menos de um segundo, mas foi o suficiente para meu estômago se contorcer de novo. Ele ergueu uma sobrancelha. O gesto era pequeno, controlado, mas os olhos... os olhos não eram controlados. Havia algo neles. Uma intensidade escura, quase faminta, que fez o ar ao redor ficar mais denso. - Você é nova aqui - disse ele. Não era pergunta. - Sim. Começo hoje. Sou a nova secretária do... - a garganta secou por completo - do senhor Leoni. Um silêncio curto e pesado se instalou entre nós. Carregado. Perigoso. Vitório se endireitou devagar, entregando-me os papéis. Tive de inclinar a cabeça para conseguir olhar para o rosto dele. Ele era imenso. Imponente de um jeito que fazia as pessoas ao redor parecerem menores, insignificantes. - Então você é Laura Montanari. Pisquei, surpresa. O coração deu um salto traidor. - O senhor já sabe meu nome? - Eu aprovo todas as contratações do meu andar - respondeu com a voz fria, quase distante. - Pontualidade é essencial. Você está atrasada em dois minutos. A vergonha subiu quente pelo meu pescoço, queimando até as orelhas. - Peço desculpas. Não vai se repetir. Ele ficou me analisando por mais um segundo. O olhar dele desceu rapidamente pelo meu corpo, não de forma grosseira, mas avaliativa, intensa, e eu senti a pele formigar sob aquela análise. Algo dentro de mim se retraía, assustado, querendo recuar. Outra parte, mais perigosa e desconhecida, queria continuar ali. A curiosidade era forte demais. O impacto, ainda maior. - Elevadores à direita - disse ele, já se afastando. - Meu assistente vai te orientar. Não se atrase de novo, senhorita Montanari.Fiquei ansiosa, esperando meu pai explicar como tinha descoberto.— Me desculpa, filha… — ele começou, claramente envergonhado. — Acabei vendo pela janela quando o carro parou.— E o Caio perguntou pro seu pai hoje cedo se ele sabia que você estava saindo com alguém do trabalho — minha mãe completou, o tom cuidadoso.Soltei o ar devagar.— Infelizmente o Caio agiu por impulso.— É porque ele gosta de você, filha — meu pai disse, baixo.— Mas isso não dá a ele o direito de exigir explicação — respondi, firme, sem elevar a voz. — Eu não devo satisfação da minha vida pessoal pra ele.Minha mãe se inclin ou levemente na minha direção.— Você contou pra ele que está namorando?— Não precisei. Mas ele já sabe que eu estou com alguém.Meu pai ficou em silêncio por um segundo, depois falou com aquela honestidade pesada que só ele tinha:— É porque no fundo, filha, ele tinha esperança de ficar com você.O peito apertou. Eu sabia que era verdade.— Eu sei, pai. E um dia eu cheguei a ter o mesmo
Mandei mensagem imediata para o chefe de segurança da empresa:Eu: Meu pai esteve aí hoje?A resposta veio rápida e certeira. Ele tinha ido.Segui direto para a sede. No mínimo ele estava revendo as câmeras, tentando descobrir de quem se tratava a mulher que eu protegia. No caminho, enviei outra mensagem, tensa:Eu: Preciso que apague a filmagem do elevador do dia do incidente. Urgente.A demora na resposta me deixou com o estômago revirado. Quando o celular finalmente vibrou, soltei o ar que estava prendendo:Segurança: Senhor, as câmeras daquele dia não estavam gravando. Houve falha no sistema.Menos mal. Eu: Estou chegando.Se meu pai pensava que ia intimidar funcionários para obter informação, estava muito enganado.Cheguei ao prédio e fiquei puto ao descobrir que ele já tinha saído. Ele queria me deixar louco, mas não ia conseguir. Chamei o chefe de segurança ainda no saguão.- O que exatamente o meu pai queria aqui?- Ele pediu
Acordei antes do despertador.O relógio marcava 6h12. A cobertura ainda estava imersa na penumbra azulada da manhã. Por um segundo, o silêncio me pareceu ainda mais pesado do que na noite anterior. Levantei sem demora, fui direto para o banho frio e me vesti com a mesma precisão de sempre: camisa social preta, calça sob medida, relógio no pulso. A armadura estava de volta.Tomei café em pé, olhando a cidade acordar lá embaixo. Não havia espaço para hesitação. Às 7h40 já estava no carro, dirigindo até o escritório particular que mantinha fora da estrutura da Leoni, um andar discreto em outro prédio, registrado em nome de uma holding que meu pai não controlava.Cheguei às 7h55. O Dr. Mello já me esperava na sala de reuniões, pasta aberta sobre a mesa, expressão sóbria.- Bom dia, Vitório.- Bom dia. Vamos direto ao ponto.Sentei-me em frente a ele e fui claro, sem rodeios:- Preciso de duas frentes. A primeira: blindagem jurídica completa da quebra do acord
Ter esse momento com Laura era inexplicável. Cada minuto ao lado dela passava rápido demais. Conhecê-la melhor, descobrir seus gostos, a forma como ria, o jeito que falava dos pais... tudo isso estava me dando munição. Munição para conquistá-la de verdade. Para fazê-la confiar que o que existia entre nós não era só desejo.Depois de deixá-la em casa, voltei dirigindo com uma inquietação boa no peito. Animado. Determinado. Precisávamos manter o namoro em segredo por enquanto. Eu sabia disso. Mas também precisava encontrar uma forma de anunciá-lo no momento certo. E eu conhecia bem Antônio Leoni: ele não facilitaria a quebra do acordo. Nem um pouco.Já estava entrando na garagem do prédio quando o celular tocou. Franzi o cenho. Dona Fiona raramente ligava. A não ser que meu pai já tivesse informado tudo a ela.Atendi sem paciência.- Alô.- Vitório. - A voz da minha mãe saiu cortante, carregada de decepção. - Que tolice é essa de quebrar um acordo por uma qualquer?Estalei o pescoço,


















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