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Capítulo 9 — A Respiração Que Ele Rouba de Mim

last update Fecha de publicación: 2025-12-12 07:00:07

(Julia)

O dia seguinte amanheceu com uma névoa espessa, cobrindo a ilha como um véu silencioso. Era como se o céu tivesse decidido esconder o mundo, abafando sons, apagando contornos, deixando apenas as sensações mais profundas vibrando no ar.

Eu acordei antes do horário, incapaz de dormir depois do que acontecera na noite anterior.

O toque dele ainda queimava na minha pele.

A forma como Lorenzo segurara meu rosto, como seu olhar parecia prender minha alma, como se estivesse tão próximo de me b
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  • Entre Sombras em Veneza: A Babá e o Bilionário    Capítulo 13 — Depois do Fogo

    (Júlia )Eu soube, no instante em que ele me beijou, que nada voltaria a ser como antes.Não foi apenas um beijo.Foi uma ruptura.Uma linha invisível sendo atravessada sem permissão da razão.Passei a noite inteira revivendo aquele momento — o gosto dele, a firmeza das mãos em minha cintura, o modo como me puxou contra o corpo como se estivesse segurando algo que poderia desaparecer.E, por alguns segundos, eu quis desaparecer dentro dele.Isso é o que mais me assusta.Não foi só desejo.Foi entrega.Acordei antes do sol nascer, com o coração acelerado e a pele ainda sensível à memória do toque dele. Caminhei até a janela do meu quarto e a abri. O ar frio da manhã veneziana tocou meu rosto, mas não foi suficiente para apagar o calor que permanecia sob minha pele.Eu tinha cruzado um limite.Ele também.E a pior parte?Eu não me arrependia.Desci para a cozinha cedo demais, tentando ocupar a mente. Mas cada canto daquela casa parecia carregar ecos da noite anterior. O jardim. A fonte.

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    (Lorenzo)Eu sempre fui bom em controle.Controle de negócios.De crises.De pessoas.Mas nunca precisei controlar o próprio coração.Até Júlia.Fiquei parado no meu escritório por quase uma hora depois de sair daquela sala. O reflexo do canal atravessava as janelas altas e se projetava no teto como sombras líquidas, ondulando lentamente — como se a própria água tentasse me lembrar que nada permanece estável para sempre.Eu disse que tentaria me afastar.Mentira.Eu já sabia que não conseguiria no momento em que pronunciei aquelas palavras.A verdade é que eu não queria me afastar.Queria ela.Não apenas o corpo.Não apenas o toque.Queria a presença dela na casa. O som da voz dela ecoando pelos corredores. O jeito como Matteo sorri diferente quando está perto dela.Queria a sensação absurda de que, por alguns minutos, eu deixo de ser o homem que carrega fantasmas.E isso é perigoso.Muito perigoso.Abri a gaveta inferior da mesa e retirei o envelope que recebi dois dias antes. A foto

  • Entre Sombras em Veneza: A Babá e o Bilionário    Capítulo 11 — O Que Arde no Silêncio

    Eu não dormi naquela noite.Mesmo depois que Matteo voltou a adormecer, tranquilo, respirando de forma leve e regular, eu permaneci sentada ao lado da cama dele, com as mãos entrelaçadas no colo, o coração inquieto, o corpo ainda vibrando com o que havia acontecido no jardim.O abraço de Lorenzo não saía de mim.Não foi um abraço comum. Não foi um gesto educado ou casual. Foi um pedido mudo. Um pedido desesperado. Como se ele tivesse se segurado em mim para não afundar.E talvez tivesse mesmo.Passei os dedos pelos cabelos de Matteo uma última vez antes de sair do quarto, fechando a porta com cuidado. O corredor estava silencioso, iluminado apenas pela luz baixa das arandelas antigas. Tudo ali parecia carregar ecos — passos que já não existiam, vozes que o tempo se recusava a apagar.E eu sentia que não estava sozinha.Não no sentido literal.Mas porque Lorenzo ainda estava em mim.No meu corpo.Na minha respiração.Naquele espaço perigoso entre razão e desejo.Quando cheguei ao meu q

  • Entre Sombras em Veneza: A Babá e o Bilionário    Capítulo 10 – O Toque que Não Deveria Existir

    O vento daquela noite soprava com a suavidade de dedos invisíveis percorrendo as paredes antigas da mansão Moretti. Do meu quarto, eu conseguia ouvir o som da água batendo contra a margem da ilha, um ritmo lento, quase hipnótico, que sempre tinha o poder de me acalmar. Mas naquela noite, nenhuma calmaria me alcançava.Eu andava de um lado para o outro, inquieta, incapaz de entender o turbilhão que se agitava dentro de mim desde o momento em que Lorenzo tocara meu rosto horas antes. Um toque simples… mas que incendiara cada parte do meu corpo como se ele tivesse encostado direto no meu coração.Eu deveria ter me afastado. Deveria ter dito algo profissional, algo sensato.Mas não disse.Eu apenas senti. Senti demais.Suspirei, esfregando as mãos no rosto, tentando recuperar o autocontrole. Eu não podia me permitir sentir aquilo por ele. Não por Lorenzo Moretti. Não por um homem que carregava o peso de um passado sombrio, uma marca de luto nos olhos e uma intensidade que parecia perigosa

  • Entre Sombras em Veneza: A Babá e o Bilionário    Capítulo 9 — A Respiração Que Ele Rouba de Mim

    (Julia)O dia seguinte amanheceu com uma névoa espessa, cobrindo a ilha como um véu silencioso. Era como se o céu tivesse decidido esconder o mundo, abafando sons, apagando contornos, deixando apenas as sensações mais profundas vibrando no ar.Eu acordei antes do horário, incapaz de dormir depois do que acontecera na noite anterior.O toque dele ainda queimava na minha pele.A forma como Lorenzo segurara meu rosto, como seu olhar parecia prender minha alma, como se estivesse tão próximo de me beijar que meu coração saltava contra meu peito… tudo aquilo continuava pulsando dentro de mim, como uma lembrança viva, indomável, insistente.Eu não deveria me sentir assim.Eu não poderia me sentir assim.Mas eu sentia.E aquilo estava me destruindo por dentro.---Desci para a cozinha em silêncio, imaginando que encontraria apenas Dona Carmela preparando o café. Mas quando virei o corredor, quase colidi com alguém.Alguém alto. Forte. Com cheiro de roupas bem cortadas, perfume amadeirado e pr

  • Entre Sombras em Veneza: A Babá e o Bilionário    CAPÍTULO 8 — Tudo o Que Posso Perder

    (Lorenzo)Há um momento exato em que o instinto deixa de servir apenas para proteger.Ele passa a existir para impedir que a gente se destrua.Eu reconheci esse momento quando saí do quarto de Júlia naquela noite. O corredor pareceu mais estreito, mais escuro, mais consciente da minha presença — como se a mansão inteira soubesse que algo havia mudado irrevogavelmente.Eu toquei nela.Nada explícito. Nada que pudesse ser explicado com facilidade. Mas toquei o suficiente para admitir o que vinha negando desde o primeiro dia: Júlia Romano não era uma distração passageira. Ela era uma ameaça direta ao sistema rígido que mantive de pé por anos.E, pior, uma ameaça que eu não queria eliminar.Desci as escadas com passos silenciosos, minha mente trabalhando rápido demais. As palavras que vi no papel — Algumas verdades não se afogam — ecoavam como um lembrete cruel. Isabella recebera avisos semelhantes. Não exatamente assim. Mas o significado era o mesmo.Você sabe demais.Você não deveria sa

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