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Capítulo. 31. Amigos e amores

Penulis: Bennys Black
last update Tanggal publikasi: 2026-09-13 05:14:07

Saí da sala do Rafael com as pernas trêmulas e o coração acelerado.

Eu tinha conseguido. Tinha virado o jogo, colocado a bola no campo dele, mantido o controle da situação.

Mas a verdade era que eu mesma estava abalada.

A proximidade dele, o cheiro, a intensidade do olhar — tudo aquilo mexia comigo de um jeito que eu não queria admitir.

Fui para a minha sala e me tranquei por alguns minutos, respirando fundo até a mente clarear.

Eu sobrevivi ao primeiro confronto. Agora vinha o segundo.

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    SARA Acordei com o peso de um braço na cintura e o cheiro familiar no travesseiro. Por um segundo o corpo relaxou antes da cabeça alcançar. Allan. Sofá. Piercing. Raiva do elevador. Vinho. Letícia sabendo de tudo. — Merda — sussurrei para o teto. — Você realmente fez isso. De novo. Com o outro. Na mesma semana. Minha terapia vai pedir aumento. Ele se mexeu atrás de mim, a voz rouca de sono: — Você está monologando de novo. — É o meu mecanismo de defesa. Junto com humor ácido e decisões questionáveis. Allan soltou um riso baixo contra meu ombro. Não apertou. Não cobrou. Só ficou ali, o polegar fazendo um caminho lento na minha barriga. — Eu não esperava ontem — ele disse. — Eu também não. — Virei o rosto o suficiente para olhar para ele. — Isso não significa que a gente voltou. Ou que eu sei o que estou fazendo. — Eu sei. — Ele segurou meu olhar, e pela primeira vez em semanas a expressão dele não tinha medo de parecer demais. — Só… a porta abriu um pouco. E eu não quero que

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    SARA Eu saí do elevador com o sangue quente e a frase ainda ecoando na cabeça. “A doutora Salles tem uma habilidade impecável para ter amigos próximos.” apesar da minha resposta eu não estava arrependida. Só estava irritada demais para fingir profissionalismo até o fim do expediente. Em vez de ir para casa, mandei mensagem para a Letícia. « Você está livre? Preciso de amiga. Não de sócia. » A resposta veio em menos de um minuto. « Meu sofá. Vinho. Agora. » Vinte minutos depois eu estava no apartamento dela, sapatos jogados na entrada, taça na mão, o corpo afundado no sofá como se o dia tivesse durado uma semana. Letícia sentou do outro lado, pernas cruzadas, a mesma expressão de quem já sabia que a conversa não seria sobre processo. — Fala. — Seu filho me levou para um café depois da minha primeira consulta. Rimos. Foi… fácil. Leve. Quase esqueci que a gente tinha virado um desastre. — Bebi um gole. — No caminho, aparentemente, passei em frente à Lex no momento

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    RAFAELEu não dormi direito.A imagem não saía: Sara rindo, o corpo leve, a cabeça inclinada para o lado dele. Allan fechando a porta do carro com uma naturalidade que eu não conseguia imitar. E, por cima disso, as duas brigas. O grito. O braço dela tremendo quando eu a tirei dali. O silêncio no carro depois.Eu tinha sido o homem que a tirou do meio do caos. Agora eu era o homem que assistia o caos voltar andando de lado, rindo, como se nunca tivesse existido.No escritório, no dia seguinte, mantive a distância combinada. Ou o que restava dela. Entreguei prazos. Assinei papéis. Evitei o corredor na hora do café.Até ela aparecer na porta da minha sala com uma pasta.— O parecer do caso Almeida — disse, a voz profissional, o olhar firme demais para quem tinha passado a tarde anterior rindo na calçada.— Deixa na mesa.Ela deixou. Hesitou meio segundo. Eu não levantei os olhos do computador.— Alguma coisa mais, doutor?— Não.A porta se fechou. O clique soou mais alto do que deveria

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    SARA O café era pequeno, barulhento o suficiente para não forçar silêncio e quieto o bastante para a gente se ouvir. Allan pediu o mesmo de sempre. Eu pedi o mesmo de sempre. A coincidência fez os dois rirem sem precisar comentar. — Então — ele começou, girando o copo. — A Letícia ainda te trata como se você tivesse doze anos? — Pior. Agora ela combina preocupação de mãe com olhar de sócia. É aterrorizante. — Imagina viver com isso desde os quinze. — Você sobreviveu. Mais ou menos. — Mais ou menos é generoso. A conversa escorreu fácil. Fofoca leve do prédio antigo. Uma história mal contada de um cliente ridículo. Uma piada dele sobre elevador demorado e vizinho engraçado. Nada pesado. Nada sobre nós. Só o tipo de conversa que a gente sempre soube ter — o tipo que fazia o tempo passar sem doer. Em algum momento eu me peguei rindo de verdade de novo. O mesmo riso de antes da consulta. O de antes de tudo virar nó. Quando o café acabou, eu rodei o copo vazio entre as m

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    SARA Eu passei dois dias inteiros fingindo que a noite com o Rafael não tinha acontecido. No escritório mantive a distância. Entreguei pareceres. Respondi e-mails. Evitei o corredor na hora do café. O corpo ainda lembrava — a mão no pulso, a boca, o jeito como ele tinha ficado — mas a cabeça precisava de outra coisa. Qualquer outra coisa. Foi aí que a ansiedade voltou de um jeito diferente. Não era crise completa. Era um zumbido constante, como se alguém tivesse deixado uma TV ligada no volume baixo dentro do meu peito. Na quarta-feira à noite eu abri o celular, digitei “psicólogo perto de mim” e fiquei olhando a tela como se ela fosse morder. — Olha só você — murmurei. — Adulta, profissional, com dívida, chefe na cama e agora pesquisando terapeuta às onze da noite. O sucesso personificado. Marquei a primeira consulta para sexta, no fim da tarde. Quando a confirmação chegou, o estômago revirou. Eu ia sozinha. Claro que ia. Só que a ideia de atravessar a porta de um consultório s

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    ALLAN A mensagem chegou no meio da manhã, quando eu já estava no trabalho fingindo que conseguia me concentrar. Eu tinha escrito e apagado três vezes antes de enviar: « Só para você saber que o espaço continua valendo. Mas se um dia quiser falar, eu escuto. Sem pressa. Sem cobrança. » A resposta dela demorou quase uma hora. « Eu vi. Obrigada. » Três palavras. Mas eram três palavras. Eu estava na cozinha do meu apartamento quando li. Do outro lado da parede, Andressa andava de um lado para o outro. A ironia continuava no mesmo lugar: a mulher que eu queria tinha se mudado; a que estava ao lado agora ocupava exatamente o espaço que um dia foi dela. Eu gostava da Sara. Gostava de um jeito que me dava raiva admitir. E agora o máximo que eu podia fazer era não estragar o pouco de espaço que ela ainda me dava. Mesmo que doesse. Mesmo que eu desconfiasse que alguém já estava ocupando o lugar que eu tinha perdido por orgulho. RAFAEL No escritório eu mantive a distância. Ou te

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