INICIAR SESIÓNRejeitada pela própria família depois que seu noivo descobre que ela é filha bastarda do rei Arturo, Magda é resgatada por três irmãos Semideuses: Rodolfo, Astolfo e Ulisses. Eles despertam nela sentimentos intensos e proibidos, colocando em conflito tudo aquilo em que sempre acreditou. Dividida entre a razão, a culpa e o desejo, Magda precisará decidir se está realmente fazendo a coisa certa ao se entregar a esse amor incomum. Mas, determinada a seguir o próprio coração, ela descobrirá até onde esse romance proibido será capaz de levá-la.
Ver másNo Reino de Umbra, a princesa Magda teve seu descanso interrompido logo ao amanhecer. A pedido do rei Arturo, a dama de companhia bateu suavemente à porta do aposento.
— Vossa Alteza, acorde — pediu Amélia. Magda abriu os olhos, ainda tomada pelo sono: — O que aconteceu, Amélia? — Seu pai ordenou que a levasse imediatamente até ele. — Se é uma ordem de meu pai, preciso me apressar — respondeu a jovem. — Ajude-me a me vestir. Pouco depois, as duas cruzavam os imponentes corredores do castelo. Enquanto caminhavam, Magda tentava adivinhar o motivo de tanta urgência. Ao entrar no salão de conselho, encontrou o rei Arturo ao fundo, sustentando um olhar severo e distante. — Vossa Majestade, meu pai... mandou me chamar? — Sim. Preciso falar com você. Com um gesto rígido, o rei dispensou todos os servos e guardas para que ficassem a sós. A jovem se aproximou: — Diga o que houve, pai. Estou ficando aflita. — O assunto que temos a tratar deixará você ainda mais aflita — respondeu ele, levantando-se devagar, com a voz carregada de decepção. — Magda, como pôde trair seu próprio rei? A princesa arregalou os olhos, em choque: — O quê? Eu jamais o trairia! O senhor é meu rei e meu pai! — Chegou ao meu conhecimento que você se deitou com o príncipe Heitor, seu noivo. Magda sentiu o rosto queimar de vergonha. — Como... como o senhor soube? — Então é verdade? Nem vai negar? — Nós nos amamos! Podemos adiantar o casamento, pai. Depois de casados, isso não será um problema... — Que casamento? — esbravejou Arturo. — Uma princesa deshonrada não se casa! — Mas Heitor me quer como esposa! Ele me ama! — Amor? Casamentos reais são alianças políticas — debochou o rei. — Se Heitor a amasse, por que cancelaria o noivado? — Ele não cancelou! Ontem mesmo esteve aqui e disse que marcaria a data! — Ele enganou você. E mais: ele já sabe que você não tem sangue real. Magda empalideceu: — Como assim? Ele jurou que isso não mudaria nada! Eu confiei nele... — Confiou na pessoa errada! Foi imprudente ao revelar que não era filha legítima da rainha Isabel — um segredo que sua mãe guardou até o túmulo. — Pai, deixe-me falar com Heitor — pediu a jovem, desesperada. — Deve ser um engano! — Heitor partiu ontem. Deixou apenas esta carta, e o conteúdo dela muda tudo. O rei tirou um envelope da gaveta e o entregou à filha. Com as mãos trêmulas, Magda leu as palavras que despedaçavam seu coração: Vossa Majestade, rei Arturo, peço desculpas por partir sem me despedir. Contudo, preciso registrar minha indignação. Magda não é uma princesa digna. Ela revelou ser sua filha bastarda, criada como se fosse da rainha Isabel, e não possui a pureza esperada de uma noiva real. Não me casarei com ela. Todos os reinos saberão a verdade. A traição de seu primeiro amor a destruiu por dentro. — Pai, perdoe-me! Eu imploro! Eu não sabia... — Perdoar você? Você é uma vergonha para a realeza. Todos sabem que não é digna de estar aqui. — Papai, podemos superar isso! — suplicou Magda, aos prantos. — Você superará... mas sozinha. O rei virou-se para a porta e ordenou: — Guardas! Dois soldados adentraram a sala, fazendo o sangue de Magda gelar. — Pai, não! Por favor! — É tarde demais. Levem-na até a carruagem. Vendem seus olhos para que não ache o caminho de volta. Levem a dama de companhia junto e abandonem as duas na floresta mais distante. Magda caiu de joelhos, mas foi arrastada sem piedade pelos corredores. — Por favor, deixem-me falar com ele! — Esqueça, garota — debochou um dos guardas. — Você não é mais uma princesa, é só uma bastarda. A carruagem avançou por horas. A esperança de Magda de que aquilo fosse apenas uma lição se desfez a cada quilômetro. Quando o veículo finalmente parou, as duas foram jogadas no chão batido e abandonadas à própria sorte. — Alteza... o que será de nós? — perguntou Amélia, trêmula. — Chame-me de Magda. Já não sou princesa. Não tenho título, lar ou família. — O que fizeram foi desumano... Magda. Não sei se me acostumarei a chamá-la assim. — Acostume-se. Agora não sou nada — disse a jovem, olhando ao redor. — Sabe onde estamos? — Não. Nunca saí dos limites do reino. — Precisamos andar. Talvez encontremos abrigo. Caminharam até a exaustão, sem achar qualquer sinal de civilização. Quando se sentaram ao pé de uma grande árvore para descansar, uma voz masculina e grave ressoou atrás delas: — O que duas mulheres fazem sozinhas na floresta? Elas se levantaram num salto. — Não tenham medo. Eu não mordo... ainda — zombou o estranho com uma risada sombria. Ao se virarem, depararam-se com um centauro — torso humano sobre o corpo de um cavalo. — Deixe-nos em paz, sua aberração! — gritou Magda. — Aberração? — rosnou a criatura. — Vou ensinar uma lição a vocês! Elas correram pela mata, mas a criatura era muito mais rápida. Ele alcançou Magda e a derrubou no chão, encurralando-a com um olhar feroz. Quando a princesa achou que seria o seu fim, três silhuetas surgiram entre as árvores. — Afaste-se dela, sua besta! — ordenou uma voz firme. — Sabe quem somos? — ameaçou outro. — Se não recuar, acabaremos com você! O centauro estancou, tomado pelo pavor: — Sim... os três irmãos semideuses. Perdoem-me, eu não sabia que ela estava com vocês. — Ela não estava — respondeu o primeiro. — Mas agora está. Desapareça! A criatura fugiu para a escuridão. Aliviada, Magda tentou se levantar, mas o esgotamento a fez desmaiar. Um dos homens a amparou nos braços antes que tocasse o solo. Quando despertou, Magda sentiu um pano úmido na testa. Amélia limpava a poeira de seu rosto. — Onde estamos, Amélia? — No castelo dos homens que nos salvaram. Eles insistiram para passarmos a noite aqui. Uma figura na porta chamou a atenção das duas: — Até que enfim acordou. — Quem é você? — perguntou Magda. — Sou Rodolfo. Eu e meus irmãos, Astolfo e Ulisses, a resgatamos. — Obrigada... Não sei como retribuir. Logo, os outros dois irmãos entraram no quarto. Magda os observou em silêncio: Rodolfo era alto, forte e loiro, de olhos azuis profundos. Astolfo, o do meio, tinha cabelos e olhos negros brilhantes. Ulisses, o mais novo, mantinha-se oculto sob um capuz, revelando apenas a pele alva e intensos olhos verdes. — Sente-se melhor? — perguntou Astolfo. — Sim, mas preciso descansar. — Conversaremos amanhã com calma — concluiu Rodolfo, guiando os irmãos para fora do quarto. A sós novamente, Magda fechou os olhos, torcendo para que ao acordar tudo aquilo não tivesse passado de um terrível pesadelo.A fogueira no centro do acampamento na floresta estalava baixo. O silêncio da noite mortal só era interrompido pelo respirar pesado das crianças, adormecidos juntos sob o abrigo das raízes que Magda erguera.Ulisses ajustou as tiras do peitoral de couro, limpando a lâmina de ferro estígio pela última vez. O movimento repetitivo chamou a atenção de Rodolfo, que se levantou do tronco onde entalhava um pedaço de madeira.— Você está arrumando as armas como se estivesse prestes a marchar — disse Rodolfo, o tom grave chamando a atenção de Astolfo e Magda. — O perímetro está calmo, Ulisses.— O perímetro está calmo hoje — corrigiu Ulisses, sem erguer os olhos da lâmina. — Mas não estará amanhã. Eu vou ao Submundo. Sozinho.Magda, que trançava flores perto dos berços, congelou. As folhas caíram de suas mãos enquanto ela se levantava de pulo, o rosto pálido de incredulidade.— Você ficou louco? — disparou Astolfo. — O seu pai acabou de ser humilhado no Conselho do Olimpo! Se você pisar
A decisão foi tomada sem hesitação. A ideia de perder a infância e a juventude de Rubens, Afonso e Uriel em uma aceleração temporal desenfreada era um preço que nenhum deles estava disposto a pagar.— Não ficaremos mais nem um segundo — decretou Magda, segurando Afonso no colo enquanto Rodolfo erguia Rubens e Ulisses tomava o pequeno Uriel nos braços.Hermes avançou para o centro do santuário e cravou o Caduceu no chão. A varinha de serpentes aladas brilhou em um tom dourado cegante, fazendo o ar estalar. As paredes do templo de Cronos começaram a se distorcer, como vidro derretendo, enquanto a ilusão do tempo dilatado se desfazia ao redor do grupo.— Mantenham os olhos fechados e não soltem as crianças! — instruiu Hermes, a voz ecoando no turbilhão de vento que se formou. — Vou lançá-los pelas fendas dos meus caminhos secretos. Vocês emergirão nos limites do mundo mortal, no Vale das Mães Antigas, uma floresta petrificada sob a bênção de Perséfone. Nem Zeus do topo do céu, nem Had
A névoa do Santuário de Cronos agitou-se subitamente em espirais douradas. As pequenas asas caduceias brilharam no ar antes mesmo que os pés de Hermes tocassem o chão de pedra do templo. Diferente de suas aparições habituais, a expressão do Deus dos Mensageiros era séria, com o olhar focado e desprovido do sorriso provocativo de costume. Ao ver o pai, Magda percebeu imediatamente a gravidade do momento.— Pai... — disse Magda, dando um passo à frente. — O que aconteceu no Olimpo? Nós soubemos da reunião, Poseidon e Hefesto realmente..— Eles travaram Zeus e travaram as tropas oficiais — interrompeu Hermes, a voz rápida e enérgica, estendendo as mãos para segurar os ombros da filha. — A jogada no conselho foi brilhante, Magda. O Olimpo está dividido e paralisações políticas impedem uma marcha formal. Mas nem tudo são boas notícias. O problema agora é o próprio lugar onde vocês estão.Rodolfo e Astolfo aproximaram-se rapidamente, trocando olhares preocupados, enquanto Ulisses deu do
Na Forja de LemnosHefesto ergueu seu imenso martelo de guerra, batendo-o com violência contra a bigorna de bronze. Uma onda de choque de fogo e faíscas cortou a caverna, fazendo o chão de rocha tremer.— Zeus governou o Olimpo por eras exigindo lealdade, mas agora a paranóia o cega — a voz de Hefesto ressoou como um vulcão em erupção. — Ele deseja aniquilar o meu sangue, a minha continuação na terra, para proteger seu próprio medo? Não. O aço da minha forja não se curvará à insensatez do meu irmão.O Deus do Fogo olhou fixamente para Rodolfo, a chama em seus olhos brilhando com um orgulho feroz.— Volte para a sua mulher e para o meu neto, Rodolfo. Proteja o pequeno Rubens. Eu mesmo marcharei até o Grande Conselho do Olimpo. Quando Zeus convocar os deuses para ordenar o massacre, eu estarei lá... e o calor da minha forja declarará o meu veto. Se ele desejar destruir o meu neto, terá que passar por mim primeiro.No Palácio de Atlântida Nas profundezas do oceano, Poseidon cravo












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