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Capítulo 8

Author: Cláu
last update publish date: 2026-10-22 17:29:28

MATEUS

Eu não era o tipo de pessoa que se apaixonava só porque uma rapariga sorria para mim.

Pelo menos, era o que dizia aos meus amigos.

A verdade era que já tinha reparado em Isabela muito antes de lhe enviar aquela mensagem sobre os apontamentos. Frequentávamos algumas aulas juntos, e eu conhecia o seu rosto, a maneira como prendia o cabelo quando estava concentrada e o hábito de franzir ligeiramente a testa quando um professor apresentava uma explicação que não lhe parecia fazer sentido.

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  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 12

    ISABELA A segunda-feira começou com o som insistente do despertador e a voz de Mariana a reclamar do calor antes mesmo de abrir os olhos. Eu já estava acordada, deitada de costas, a olhar para o tecto enquanto organizava mentalmente as tarefas que precisava de cumprir naquele dia. Tinha uma aula pela manhã, um trabalho de grupo para discutir com Daniela e, à tarde, uma entrevista numa empresa onde me tinha candidatado a uma oportunidade de estágio. Era esta última que mais me preocupava, embora eu tentasse não demonstrar. Não se tratava apenas de conseguir um estágio. Eu precisava de uma oportunidade que me permitisse adquirir experiência, aprender com profissionais e começar a construir um caminho que não dependesse constantemente da ajuda da minha família. Gostava de estudar, tinha objectivos e estava disposta a trabalhar para os alcançar, mas sabia que o diploma, por si só, não me abriria todas as portas. Precisava de começar por algum lado, mesmo que isso significasse aceitar ta

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 11

    E, como previsto, assim que entramos no nosso apê, Mariana voltou ao assunto enquanto procurava o carregador do telemóvel. — Achas que ele te vai mandar mensagem hoje? Atirei uma almofada na direcção dela. — Se continuares, vou começar a cobrar-te pelas perguntas. — Isso significa que estás à espera da mensagem! — Significa que preciso de um banho e de paz. Fui tomar banho antes que ela encontrasse outra maneira de me provocar. Depois, vesti uma roupa confortável, preparei qualquer coisa simples para jantar e sentei-me na cama com o computador aberto, determinada a aproveitar o resto da noite para organizar algumas tarefas da universidade. O telemóvel vibrou quando eu estava a rever as minhas anotações. Era uma mensagem de Mateus. Mateus: Chegaste bem a casa? Sorri ligeiramente antes de responder. Eu: Sim, cheguei. E tu? A resposta veio pouco depois. Mateus: Também. Obrigado pela companhia de hoje. Foi bom conhecer-te um pouco melhor fora da universidade. Eu: Também gost

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 10

    — Estávamos a tentar descobrir quem conseguia ficar mais tempo dentro de água sem reclamar do frio. — E quem ganhou? — Ninguém. A competição foi interrompida por falta de dignidade. Mateus riu-se, e Luís, que observava a conversa, olhou para ele com uma expressão divertida. — Afinal, conheces a Isabela? — Estudamos na mesma universidade — respondeu Mateus. — Já nos tínhamos cruzado algumas vezes. — E ele até já me pediu apontamentos — acrescentei. — Portanto, suspeito que a nossa amizade tenha começado por motivos académicos. — Não espalhes isso. Estou a tentar construir uma reputação de pessoa interessante. — Então talvez devesses começar por estudar antes dos testes. — Essa foi desnecessária. Voltei a rir-me, e ele abanou a cabeça, fingindo estar ofendido. Não havia nada de desconfortável na presença de Mateus. Era simpático, sabia conversar e não parecia precisar de transformar cada frase numa tentativa de impressionar alguém. Mariana aproximou-se de nós e abraçou Luís

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 9

    ISABELAAcordei com a sensação de que tinha dormido muito pouco, embora o meu telemóvel indicasse que já passava das oito da manhã. Estiquei o braço para desligar o despertador, virei-me para o outro lado e tentei convencer-me de que podia ficar mais cinco minutos na cama. O problema era que, na noite anterior, tinha concordado em ir à praia com Mariana e os nossos amigos, e conhecia suficientemente bem a minha melhor amiga para saber que, se eu me atrasasse, ela não me daria descanso durante o resto da semana.— Isabela! — ouvi-a chamar do outro lado da porta. — Não me digas que ainda estás a dormir!Fechei os olhos e puxei o lençol até ao pescoço.— Estou a meditar.— A meditar sobre o quê? Sobre a possibilidade de os teus pés começarem a andar sozinhos até à casa de banho?Soltei uma gargalhada antes de me sentar na cama.— Mariana, são oito da manhã de domingo!— Exactamente! Um domingo lindo, com sol, praia e pessoas normais que não querem passar o dia inteiro enfiadas em casa a

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 8

    MATEUSEu não era o tipo de pessoa que se apaixonava só porque uma rapariga sorria para mim.Pelo menos, era o que dizia aos meus amigos.A verdade era que já tinha reparado em Isabela muito antes de lhe enviar aquela mensagem sobre os apontamentos. Frequentávamos algumas aulas juntos, e eu conhecia o seu rosto, a maneira como prendia o cabelo quando estava concentrada e o hábito de franzir ligeiramente a testa quando um professor apresentava uma explicação que não lhe parecia fazer sentido.Nunca tínhamos conversado muito. Ela costumava estar com Mariana, Daniela e os outros colegas, e eu não queria aproximar-me de forma forçada.Além disso, tinha as minhas próprias responsabilidades.Tinha vinte e dois anos, estudava e fazia alguns trabalhos ocasionais para ajudar com as despesas pessoais. Não era rico, nem pretendia fingir que era. A minha família fazia o possível para me apoiar, mas eu sabia que precisava de aprender a gerir o meu dinheiro e a construir o meu futuro.Gostava de fu

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 7

    ISABELAAcordei às oito horas da manhã com o som insistente de alguém a bater à porta do meu quarto. Virei-me para o outro lado, puxei a almofada sobre a cabeça e decidi que, fosse quem fosse, teria de aprender a respeitar o sono alheio. Afinal, era sábado. Depois de uma semana inteira de aulas, trabalhos académicos e corridas para apanhar transporte, eu merecia pelo menos uma manhã sem obrigações.— Isabela! — chamou Mariana do outro lado da porta. — Estás viva?— Não!— Óptimo. Então posso ficar com os teus brincos novos?Abri os olhos imediatamente.— Nem penses nisso!Ouvi-a rir-se no corredor.— Sabia que estavas viva!Levantei-me da cama, caminhei até à porta e abri apenas o suficiente para a encarar. Mariana estava diante de mim, já vestida, com uns calções de ganga, uma camisola amarela e o cabelo preso num rabo-de-cavalo. Tinha o telemóvel numa mão e um sorriso suspeito no rosto.— São oito horas — resmunguei. — O que queres?— Bom dia para ti também.— Mariana.— Está bem, e

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