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Capítulo 18

Autor: Cláu
last update Fecha de publicación: 2026-10-31 04:22:35

Desliguei a chamada com um leve sorriso, antes de voltar ao trabalho. A minha família tinha opiniões muito próprias sobre a quantidade de tempo que eu dedicava à empresa, e embora nem sempre concordasse com elas, sabia que havia alguma razão nas queixas. O trabalho ocupava uma parte considerável da minha vida porque eu gostava do que fazia e porque tinha construído a empresa com a intenção de a manter sólida. Ainda assim, não pretendia passar todos os domingos fechado no escritório.

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  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 19

    ISABELA Na quinta-feira, acordei antes de o despertador tocar. Abri os olhos e fiquei alguns segundos deitada a olhar para o tecto, enquanto tentava afastar o nervosismo que me acompanhava desde a noite anterior. A entrevista na Mavuno Consultoria e Desenvolvimento estava marcada para as dez da manhã e eu tinha passado boa parte da quarta-feira a rever informações sobre a empresa, a organizar os documentos e a pensar nas perguntas que poderiam fazer-me. Não era a primeira entrevista da minha vida, mas aquela oportunidade tinha um significado especial. Além de ser uma experiência profissional importante, tratava-se de um estágio remunerado. Para alguém que estava a tentar conquistar alguma independência financeira, receber uma oportunidade daquelas representava muito mais do que acrescentar uma linha ao currículo. Levantei-me, tomei banho e vesti a roupa que tinha escolhido na noite anterior: umas calças pretas de corte simples, uma blusa clara e sapatos baixos. Não queria parece

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 18

    Desliguei a chamada com um leve sorriso, antes de voltar ao trabalho. A minha família tinha opiniões muito próprias sobre a quantidade de tempo que eu dedicava à empresa, e embora nem sempre concordasse com elas, sabia que havia alguma razão nas queixas. O trabalho ocupava uma parte considerável da minha vida porque eu gostava do que fazia e porque tinha construído a empresa com a intenção de a manter sólida. Ainda assim, não pretendia passar todos os domingos fechado no escritório. Ao fim da tarde, terminei a revisão de um contrato e pedi à minha assistente que reorganizasse duas reuniões para a manhã seguinte. Quando saí, o trânsito estava mais intenso do que o habitual. Cheguei a casa já depois das sete, despi o casaco e deixei a pasta no escritório particular. O silêncio da casa era agradável depois de um dia inteiro de chamadas, conversas e decisões. Jantei sem pressa e consultei algumas notícias no telemóvel. Tinha uma mensagem de Vivian, enviada algumas horas antes, a per

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 17

    Quando cheguei a casa, encontrei uma mensagem de Mariana a avisar que ficaria na biblioteca até mais tarde. Troquei de roupa, preparei qualquer coisa para comer e sentei-me à mesa com os apontamentos. Precisava de aproveitar a tarde para estudar, masde vez em quando, os meus pensamentos regressavam à candidatura. Eu queria trabalhar. Não apenas pelo dinheiro, embora o dinheiro fosse uma parte importante da questão, mas também porque precisava de começar a construir alguma independência. Não queria depender permanentemente da ajuda da minha família, nem chegar ao fim do curso sem experiência prática. Sabia que o mercado de trabalho não era simples e que uma licenciatura, por si só, não garantia nada. Ainda assim, queria tentar, mesmo que isso significasse receber várias respostas negativas antes de conseguir uma oportunidade. Perto das seis, o telemóvel voltou a vibrar. Desta vez, era a minha mãe. Atendi com um sorriso. — Olá, mãe. — Minha filha, como estás? Já comeste? Sorr

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 16

    ISABELA Acordei com o despertador a tocar pela terceira vez e, durante alguns segundos, considerei seriamente a possibilidade de faltar à primeira aula. O meu corpo ainda parecia estar a recuperar do fim de semana tranquilo que passei sozinha, e a ideia de abandonar o conforto da cama para enfrentar os transportes, as aulas e os trabalhos académicos não me parecia particularmente apelativa. Virei-me para o outro lado, puxei o lençol até ao queixo e fechei os olhos, fingindo que aquele som irritante não existia. — Isabela, se não te levantares agora, vais chegar atrasada! — ouvi Mariana gritar da cozinha. Abri os olhos imediatamente. — Pensei que ainda estivesses a dormir! — E eu pensei que fosses uma pessoa responsável, mas parece que estamos as duas enganadas! Soltei uma gargalhada abafada contra a almofada antes de me sentar na cama. Mariana tinha regressado na noite anterior depois de passar o fim de semana com Luís e, pelo entusiasmo com que falava naquela manhã, suspe

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 15

    O sábado começou sem despertador. Abri os olhos quando a claridade entrou pelas cortinas e fiquei alguns minutos deitada, a ouvir os sons da rua. Não havia Mariana a cantar no banho, a procurar uma peça de roupa ou a perguntar se eu tinha visto o carregador dela. A tranquilidade era tão diferente da rotina habitual que quase me fez verificar se tinha acordado à hora certa. Peguei no telemóvel. Eram quase nove horas. Levantei-me, abri as janelas e deixei entrar o ar fresco da manhã. Depois arrumei a cama, fui à casa de banho e preparei o pequeno-almoço. Desta vez, fiz panquecas simples com a fruta que tinha comprado na véspera. Não eram particularmente bonitas, e a primeira ficou demasiado tostada, mas as restantes saíram suficientemente boas para me deixar satisfeita. Enquanto comia, coloquei música no telemóvel e consultei a lista de tarefas. Queria terminar a parte mais difícil do trabalho académico antes do almoço, lavar alguma roupa e organizar os documentos que estavam espalha

  • Entre o Desejo e o Pecado    Capítulo 14

    ISABELA Acordei na sexta-feira com o despertador a tocar pela terceira vez e uma vontade enorme de negociar mais dez minutos de sono. Estava deitada de barriga para baixo, com uma perna fora dos lençóis e o telemóvel escondido debaixo da almofada, onde o tinha deixado na noite anterior depois de passar quase uma hora a tentar terminar um trabalho da universidade. Quando finalmente encontrei o aparelho, desliguei o alarme e fiquei a olhar para o ecrã, ainda meio adormecida. Havia uma mensagem de Daniela a perguntar se eu já tinha terminado a minha parte do trabalho de grupo, outra de Mariana a enviar uma fotografia de um vestido que queria comprar e duas notificações de uma aplicação que eu devia ter desinstalado há meses. Nada de extraordinário. Era apenas mais uma manhã, com as mesmas responsabilidades e a mesma sensação de que o dia começava antes de eu estar verdadeiramente preparada para ele. Virei-me para o lado e olhei para a cama de Mariana. Estava vazia, como acontecia quase

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