LOGINRicardo voltava para a mesa depois de mais uma reunião interminável quando passou pela recepção. Ingrid levantou os olhos na mesma hora. — Senhor Rocha… chegou esse envelope pro senhor. — estendeu o pacote pardo. — Foi falha minha. Com todos os compromissos do baile, acabei deixando passar. Me desculpa. Ricardo pegou o envelope. — Tudo bem, Ingrid. Só tenta não repetir. — Claro. Obrigada. Ele seguiu direto para a própria sala. Fechou a porta. Rasgou a lateral do envelope sem sentar. As fotos escorregaram para a mesa. Impressas. Coloridas. Bem enquadradas demais. À primeira vista… perfeitas. Boas o suficiente para enganar qualquer um. Mas não ele. Ricardo encarou cada imagem com atenção cirúrgica. Um homem. Nathália. Um beijo. Sombras bem posicionadas. Um “acaso” perfeito demais. E então… o detalhe. A pequena marca no pescoço dela — a que ele conhecia melhor do que qualquer um. Não estava ali. O peito dele endureceu. Bastava. Montagem. Armadil
O dia de Nathália começou agitado. Depois que Ricardo saiu, ela simplesmente não conseguiu voltar a dormir. Virou de um lado. Do outro. Cansada de encarar o teto, Nathália se levantou. Tomou um banho rápido. Vestiu-se. Arrumou o cabelo. Organizou a bolsa. E saiu. Minutos depois, atravessava o hall imponente da MonteiroCorp. Foi direto para a mesa. Ligou o computador. Abriu e-mails. Tentou se concentrar. Não conseguiu. Pouco depois, passos conhecidos se aproximaram. Thiago surgiu com dois copos de café na mão. Olheiras leves. Camisa amarrotada demais para alguém tão vaidoso. — Bom dia, Nathi. Trouxe pra você. Entregou o copo do Starbucks. Nathália sorriu. — Bom dia, Thi. Muito obrigadinha. Chegou cedo. — Muito trabalho. Ele respondeu rápido demais. Como se escondesse algo. Às oito em ponto, o celular vibrou. Jorge. O coração dela deu um pulo. — Preciso falar com você com urgência. — Aconteceu alguma coisa? — Vou mandar o
Joyce andava de um lado para o outro no quarto da mansão Nunes como um animal enjaulado. O celular jogado sobre a cama. As unhas roídas. Os nervos à flor da pele. — Aquela mulher tem que ter algum podre… — murmurou. Pegou o primeiro objeto que encontrou. Um vaso decorativo. Arremessou contra a porta. O impacto ecoou pela casa vazia. Ninguém veio. Não havia mais empregados. Não havia luxo circulando. Só silêncio. Só contas bloqueadas. Só policiais rondando. Só a sensação sufocante de que tudo estava desmoronando rápido demais. Joyce respirou fundo. Tentou se recompor. Mas era impossível. Estava vivendo na mansão com a mãe agora. Sem o pai. Sem notícias. Sem dinheiro entrando. Sem segurança. Sem poder. O sobrenome Nunes, que antes abria portas, agora levantava suspeitas. Ela sentou na cama. Pegou uma foto que estava sobre a mesa. Observou a imagem com desprezo. Nathália. Nos braços de outro homem. Rindo. Beijando. Uma mon
A rotina agora era diferente. Ricardo voltava para o apartamento sozinho. Acordava sozinho. Não precisava mais passar para deixar ninguém na empresa. Sem beijo de boa noite. Sem beijo de bom dia. Sem beijo de despedida. Agora era tudo por mensagem. E aquilo estava começando a consumi-lo. Estava distraído com os próprios pensamentos quando a porta do escritório se abriu sem aviso. Ricardo ergueu a cabeça. Ela estava ali. Elegante. Imponente. Postura impecável. Carlota Rocha. — Ricardo… por que eu ligo e você não atende? Ele apoiou as mãos na mesa. — Muito ocupado, mãe. — Para sua mãe, você está sempre ocupado. — Vamos pular essa parte. — respondeu seco. — O que trouxe você aqui? Carlota cruzou os braços. — Fiquei sabendo que terminou com a secretária. — Sim. — respondeu sem hesitar. — Terminamos o namoro. Na cabeça dele, o pensamento veio automático: > Agora somos noivos. Um quase sorriso apareceu no canto da boca. Carlota estreit
Na frente do prédio Nunes Viaturas estacionadas. Dois carros descaracterizados. Joyce entrou no prédio compassos apressados. O salto batendo forte no mármore do saguão. O coração acelerado. Ainda sentia o eco da palavra apreensão na cabeça. Assim que atravessou a porta giratória… congelou. Policiais uniformizados. Outros à paisana. No meio do hall. Caixas. Pastas. Computadores sendo retirados. Funcionários cochichando em grupos pequenos. Rostos pálidos. Telefone tocando sem ninguém atender. — Não… — murmurou. Endireitou os ombros e avançou. — O que está acontecendo aqui?! Ninguém respondeu. Ela passou por dois agentes levando monitores. Subiu os degraus. Elevador está ocupado por polícias. Foi direto para a recepção da presidência. A secretária do pai estava de pé atrás da mesa. O rosto tenso. Os dedos tremendo enquanto segurava o telefone. — Onde está meu pai? — Joyce perguntou, sem rodeios. A mulher ergueu os olhos. Engoliu
Depois de quase uma hora ao telefone, Nathália se apoiou no balcão da cozinha. — Tudo bem… então fica tudo combinado assim. Desligou. Virou-se para Ricardo. — Jorge aceitou meu plano. Ricardo arqueou a sobrancelha. — E posso saber que plano é esse? Nathália respirou fundo. — Não tudo ainda. Mas é importante você fazer ela acreditar que a gente terminou… e que você acredita nela. Que vocês passaram a noite juntos. Ricardo ficou sério na hora. — Nathália… — Tenho certeza que ela vai te procurar. — completou. — E quer apostar que sua mãe tá no meio? Ele soltou um suspiro curto. — Não duvido. Pegou um prato, serviu. Virou se para o balcão. — Vamos almoçar. Nathália sorriu de canto. — Uuh… parece bom. Depois completou: — E a parte das ações da empresa Nunes despencarem… Jorge já fez isso. Ricardo nem piscou. — Era lógico. Ou ele fazia… ou eu faria com as minhas próprias mãos. Nathália assentiu. — Agora ele tá investigando umas ilegalidades







