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Entregue ao dono do morro
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Penulis: Autora Vanessa

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Penulis: Autora Vanessa
last update Tanggal publikasi: 2026-10-29 03:44:46

Capítulo 1 — Eu não nasci para amar ninguém

Narrador: Leonardo

Acordei com uma puta dor de cabeça, a boca seca e duas mulheres nuas dormindo na minha cama.

Uma estava praticamente em cima de mim, com a perna jogada sobre minha cintura, enquanto a outra dormia de bruços do lado esquerdo, com os cabelos espalhados pelo travesseiro que eu tinha comprado por uma fortuna.

Olhei aquela porra de cena e soltei uma risada sem humor.

Caralho, eu precisava parar de beber daquele jeito.

Ou não.

Virei o rosto para o relógio na cabeceira. Onze e quarenta e sete da manhã.

— Porra!

Afastei a mulher que estava em cima de mim e me sentei na beirada da cama. Minha cabeça parecia que ia explodir, e a lembrança da noite anterior vinha em flashes: o baile lotado, o som estourando nas caixas, os vapores avisando que a movimentação estava boa, o camarote cheio de mulher e uma garrafa de uísque que eu nem lembrava de ter terminado.

Era sempre a mesma merda.

Eu trabalhava, resolvia meus problemas, mantinha meus negócios funcionando e, quando queria esquecer o peso de comandar aquela porra toda, descia para o baile e curtia a noite.

Simples assim.

Não tinha mulher me esperando para tomar café, não tinha mensagem de bom-dia, muito menos alguém cobrando explicação sobre onde eu tinha passado a madrugada.

Eu não devia satisfação a ninguém.

E gostava pra caralho disso.

Levantei, peguei minha cueca no chão e vesti antes de procurar a calça jogada perto da poltrona. Uma das mulheres se mexeu na cama, abriu os olhos e ficou me olhando com um sorriso preguiçoso.

— Já vai embora, Léo?

Olhei por cima do ombro.

— Minha casa não é hotel, porra.

Ela soltou uma risadinha, como se eu tivesse feito uma brincadeira.

Não tinha feito.

— Nossa, que grosso. Ontem você estava bem mais carinhoso.

Virei o corpo devagar e encarei a garota.

— Ontem eu estava bêbado.

O sorriso dela morreu por alguns segundos.

A outra acordou, puxando o lençol para cobrir o corpo, e olhou de mim para a amiga.

— A gente pode ficar mais um pouco. Pedir alguma coisa para comer…

— Pode pedir um carro.

— Leonardo…

— Qual parte vocês não entenderam? — perguntei, já perdendo a paciência. — Eu tenho coisa pra fazer. Não vou ficar aqui fazendo sala pra ninguém.

O silêncio tomou o quarto.

Ótimo.

Eu não gostava de mulher fazendo drama logo cedo. Na noite anterior, as duas tinham entrado no meu camarote por vontade própria, tinham bebido do meu uísque e passado a madrugada comigo. Agora, eu queria tomar banho, comer alguma coisa e trabalhar.

Não via qual era a dificuldade de entender isso.

Abri a carteira, tirei algumas notas e deixei o dinheiro sobre a cômoda.

— Isso é pra vocês pagarem o transporte e comprarem alguma coisa. A segurança vai acompanhar vocês até a saída.

A morena olhou para as notas e depois para mim.

— Você sempre faz isso?

— Isso o quê?

— Trata as mulheres como se fossem descartáveis.

Soltei uma risada curta.

— E você sempre faz pergunta cuja resposta já conhece?

Ela apertou os lábios.

— Você é um babaca.

— E ainda assim você veio parar na minha cama.

Peguei meu relógio, coloquei no pulso e caminhei até a porta sem esperar resposta.

Que se fodesse.

Eu não prometia amor, não prometia relacionamento e muito menos prometia futuro. Quem se aproximava de mim sabia muito bem que a minha vida não era feita para conto de fadas.

Eu gostava de curtir. Gostava de baile, de música alta, de mulher bonita e de chegar em casa sem precisar explicar porra nenhuma.

Era assim havia anos.

E continuaria sendo.

Tomei um banho rápido, vesti uma calça preta, uma camiseta escura e meu tênis. Coloquei a corrente no pescoço, passei a mão pelos cabelos e peguei o celular.

Tinha vinte e três chamadas perdidas.

Dez do meu gerente financeiro, seis do responsável pela segurança e o restante de homens que não ligavam para mim sem motivo.

— Que inferno…

Retornei a ligação do meu gerente enquanto descia as escadas.

— Fala.

— Bom dia, Leonardo.

— Se você me ligou vinte e três vezes pra desejar bom-dia, eu vou mandar cortar teu salário.

Ele ficou quieto por um instante.

— Precisamos conversar sobre algumas movimentações de ontem.

— Então conversa, caralho.

— Prefiro falar pessoalmente.

Parei no último degrau.

— Tem algum problema?

— Não exatamente. Só acho melhor conferir os números com você.

Olhei para o relógio.

— Estou indo pra boca. Me espera lá.

Desliguei.

Na cozinha, peguei uma garrafa de água, bebi metade de uma vez e passei pela sala. Dois homens da minha segurança já estavam esperando perto da porta.

— O carro está pronto, patrão — informou Darlan.

Assenti.

— E o movimento lá em cima?

— Tranquilo. O pessoal está resolvendo as coisas.

— Quero saber se está tranquilo de verdade ou se vocês estão me escondendo alguma merda.

Darlan sustentou meu olhar.

— Está tranquilo.

— Ótimo. Porque eu não estou com paciência pra resolver problema criado por gente incompetente hoje.

Saí de casa e encontrei o sol castigando as ruas. O morro já estava acordado havia horas. Gente indo trabalhar, crianças brincando perto das casas, comerciantes abrindo as portas e os homens responsáveis pela segurança observando a movimentação.

Era um lugar cheio de contradições, como qualquer outro. A diferença era que, ali, as decisões que eu tomava podiam mudar o dia de muita gente.

E eu não tinha chegado onde estava sendo bonzinho.

O respeito que me davam não vinha de sorriso ou conversa amigável. Vinha do meu nome, da minha posição e da certeza de que eu não aceitava traição.

Podiam gostar de mim ou me odiar.

Desde que não cruzassem meu caminho.

Entrei no carro e me acomodei no banco traseiro.

— Bora.

O motorista arrancou.

Durante o trajeto, abri algumas mensagens, respondi o que era urgente e ignorei as mulheres que tinham tentado falar comigo desde cedo. Uma delas já tinha mandado três corações e perguntado quando nos veríamos de novo.

Apaguei a conversa.

Não gostava de repetir companhia quando havia tanta gente interessante por aí.

Meu celular vibrou novamente.

Dessa vez, era Eloísa.

Eloísa: Bom dia, meu gostoso. Sumiu depois do baile ontem. 😘

Sorri de canto.

Aquela sabia aproveitar a vida.

Eloísa era diferente das outras que apareciam no camarote. Gostava de festa, não tinha vergonha de demonstrar o que queria e sabia entrar nos lugares certos sem precisar que ninguém explicasse duas vezes como as coisas funcionavam.

Eu gostava da companhia dela.

Gostava de tê-la por perto nos bailes, de vê-la se divertindo e de saber que, quando queria encontrá-la, geralmente não precisava procurar muito.

Mas amor?

Nem fodendo.

Respondi apenas:

Eu: Tô resolvendo umas paradas. Depois falo contigo.

Guardei o celular e olhei pela janela.

O baile da noite anterior tinha sido bom. Bom pra caralho, na verdade. A comunidade estava cheia, o camarote não ficou vazio em nenhum momento e todo mundo parecia ter esquecido os problemas por algumas horas.

Era para isso que serviam as festas.

Pelo menos para mim.

Eu não era o tipo de homem que chegava em casa pensando em uma mulher. Não ficava lembrando de beijo, não perdia o sono por causa de mensagem ignorada e não mudava meus planos porque alguém queria atenção.

Minha vida já tinha problemas suficientes.

Sentimento era só mais uma complicação que eu não estava disposto a comprar.

Quando cheguei à boca, encontrei alguns homens conversando perto da entrada e outros resolvendo as tarefas do dia. Darlan desceu primeiro, abriu a porta e me acompanhou até a construção onde costumávamos nos reunir.

As conversas diminuíram assim que apareci.

— Bom dia, patrão.

— Bom dia é o caralho. Quem foi o filho da puta que ficou me ligando desde cedo?

Alguns homens trocaram olhares.

Meu gerente financeiro apareceu na porta, segurando uma pasta.

— Leonardo, precisamos conversar.

— Já percebi essa parte, porra. Vamos logo.

Entrei, puxei uma cadeira e me sentei à cabeceira da mesa.

— Desembucha.

Ele colocou a pasta diante de mim, abriu algumas folhas e começou a explicar as movimentações da noite anterior. Eu escutava enquanto conferia os valores, fazendo perguntas quando alguma coisa não batia.

Dinheiro não era assunto que eu deixava para depois.

Eu sabia quanto entrava, quanto saía e quem era responsável por cada movimentação. Não precisava contar cada nota pessoalmente, mas exigia que tudo estivesse registrado.

Foi por isso que percebi o problema.

Franzi a testa e voltei uma página.

— Repete esse valor.

Ele repetiu.

Olhei novamente para os números.

— Tem certeza?

— Estou conferindo desde cedo.

Fechei a pasta com força.

— Então confere essa porra de novo.

— Leonardo…

— Você está me dizendo que tem dinheiro faltando?

Ele engoliu em seco.

— Estou dizendo que o valor registrado não corresponde ao que deveria estar guardado.

Levantei devagar.

A dor de cabeça que eu tinha pela manhã pareceu desaparecer, substituída por uma irritação muito pior.

— Quanto?

Ele demorou um segundo a mais do que deveria.

— Duzentos mil reais.

O silêncio caiu sobre a sala.

Duzentos mil.

Não era o valor que me deixaria pobre. Eu tinha muito mais dinheiro do que aquela quantia. O problema não era o dinheiro em si.

Era alguém achar que podia meter a mão no que era meu e sair andando como se nada tivesse acontecido.

Olhei para os homens reunidos perto da porta.

— Quero saber quem teve acesso a esse dinheiro. Quem entrou, quem saiu, quem ficou responsável e quem estava aqui durante a madrugada. Quero tudo conferido, sem exceção.

— Pode deixar, patrão — respondeu Darlan.

Apontei para ele.

— E ninguém vai sair inventando história. Eu quero prova, não fofoca. Se alguém roubou essa porra, vai aparecer.

Meu gerente assentiu, pálido.

Peguei o celular e procurei a conversa de Eloísa.

A última mensagem continuava ali, com aquele maldito coração no final.

Fiquei olhando para a tela por alguns segundos.

Depois, liguei para ela.

Chamou uma vez.

Duas.

Três.

Nada.

Tentei de novo.

Caixa postal.

Meu maxilar travou.

— Darlan.

— Fala, patrão.

Estendi o celular para ele, mostrando a foto de Eloísa.

— Descobre onde essa mulher está.

— A Eloísa?

— Não, caralho. A tua avó. É claro que é a Eloísa!

Ele guardou a expressão de surpresa e assentiu.

— Vou procurar saber.

— Agora.

Darlan saiu imediatamente.

Fiquei sozinho por alguns segundos, encarando a tela apagada do celular.

Eu conhecia Eloísa. Sabia que gostava de festas, de dinheiro e de viver como se não houvesse amanhã. Também sabia que ela não era exatamente o exemplo de responsabilidade que alguém escolheria para guardar um segredo.

Mas roubar de mim?

Aquilo era outra história.

Liguei novamente.

Nada.

Passei a língua pelos dentes, respirando fundo para conter a raiva.

— Você está muito fodida se tiver alguma coisa a ver com isso, Eloísa.

Ainda não tinha provas. Não sabia quem havia pegado o dinheiro, nem por que as contas estavam erradas.

Mas uma coisa eu sabia.

Eu não deixaria duzentos mil reais desaparecerem da minha frente sem descobrir o que aconteceu.

E, se alguém tivesse me feito de otário, aprenderia da pior maneira possível que existiam erros que não se cometiam duas vezes.

Naquele momento, eu ainda não fazia ideia de que a mulher que eu procuraria nos dias seguintes não seria a única a pagar pelas merdas de Eloísa.

Muito menos imaginava que, quando finalmente colocasse as mãos na pessoa que acreditava ter me roubado, estaria cometendo o maior erro da minha vida.

Porque eu ainda não conhecia Elena.

E, quando conhecesse, já seria tarde demais para fingir que nada daquilo tinha acontecido.

Mensagem da autora: Meninas, o nosso Léo ainda não faz ideia da confusão que está prestes a entrar! 👀🔥 O que vocês acham que Eloísa aprontou? Comentem muito, porque o próximo capítulo vai mostrar a vida da irmã que sempre pagou pelos erros dela! ❤️

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