MasukCapítulo 5 — Na minha frente, ninguém é inocente
Narrador: Leonardo Aquela garota estava começando a testar a minha paciência. Desde que Darlan a colocou naquela sala, eu não conseguia tirar da cabeça a possibilidade de Eloísa estar tentando me fazer de otário. Primeiro, o dinheiro desapareceu. Depois, a mulher sumiu. E, quando mandei buscá-la, apareceu uma cópia dela jurando que não sabia de porra nenhuma. Gêmeas. Era muita coincidência para o meu gosto. — Patrão, quer que eu traga ela de novo? — Darlan perguntou, parado perto da porta. — Quero. E dessa vez vou fazer algumas perguntas sem ela ficar inventando desculpa. Darlan assentiu e saiu. Peguei o celular e conferi as mensagens. Nenhuma notícia de Eloísa. Nenhuma pista concreta sobre o dinheiro. Aquela situação estava me deixando puto. Poucos minutos depois, Elena entrou acompanhada de Darlan. Estava com o mesmo rosto da irmã, mas havia diferenças que eu começava a perceber. A roupa simples, o cabelo preso de qualquer jeito, a ausência de maquiagem. Eloísa jamais apareceria na minha frente daquele jeito. — Senta — ordenei. Ela olhou para a cadeira. — Eu já falei tudo o que sei. — E eu ainda não terminei de perguntar. Sentou devagar, mantendo os olhos em mim. — Cadê sua irmã? — Eu não sei. — Quando foi a última vez que você viu ela? Elena demorou um pouco para responder. — Ontem. Inclinei o corpo para a frente. — Ontem? — Sim. Ela apareceu em casa com uma bolsa e me pediu para não contar nada caso alguém perguntasse por ela. Aquela informação chamou minha atenção. — E você não achou estranho? — Achei. Perguntei o que tinha acontecido, mas ela não quis explicar. — O que tinha dentro da bolsa? — Roupas e algumas coisas pessoais. — Dinheiro? Ela ficou quieta por um instante. — Eu vi dinheiro. Soltei uma risada sem humor. — Olha só. Então você sabia! — Eu sabia que ela estava com dinheiro, não sabia que tinha roubado você! — E resolveu guardar essa informação? — Eu não sabia de nada! Como eu ia imaginar que aquele dinheiro era seu? Passei a mão pelo queixo. — Quanto tinha? — Não contei. — Mas viu que era uma quantia grande? — Vi algumas notas. Não sei quanto tinha na bolsa dela. Levantei da cadeira e caminhei até a janela. Pelo menos agora eu tinha uma confirmação: Eloísa havia aparecido em casa com dinheiro logo depois do desaparecimento dos duzentos mil. Olhei para Elena novamente. — Por que não me contou isso antes? — Porque você não me perguntou se tinha visto minha irmã com uma bolsa! Você só me acusou de roubar! — Não levanta a voz comigo, garota. — Então para de me tratar como criminosa! Darlan se mexeu perto da porta, mas fiz um sinal para que ficasse quieto. Aquela menina tinha coragem. Ou não entendia o tamanho do problema em que estava metida. — Você está tentando proteger sua irmã? — Não tenho como proteger alguém que nem sei onde está. — É sua irmã. — E daí? Isso não significa que eu saiba tudo o que ela faz! Fiquei encarando aquela mulher. Eu estava acostumado a ver pessoas se justificando, implorando ou tentando me agradar. Elena, mesmo com medo, parecia determinada a não aceitar nenhuma acusação. — Você sabe que, se estiver mentindo, vai se complicar ainda mais? — E você sabe que está mantendo uma pessoa inocente presa? Aproximei-me da mesa. — Na minha frente, ninguém é inocente até provar o contrário. Ela soltou o ar, claramente cansada. — Então você já decidiu que sou culpada. Por que continua perguntando? Não respondi imediatamente. A pergunta era boa, mas eu não daria esse gostinho a ela. — Quero saber onde está o dinheiro. — Eu não tenho o dinheiro. — Sua irmã pode ter deixado alguma coisa com você. — Não deixou! — Pode ter escondido na sua casa. — Você pode mandar procurar! Não vai encontrar nada meu! Darlan pigarreou. — Patrão, posso verificar o endereço dela e conversar com os vizinhos. Talvez alguém saiba para onde Eloísa foi. — Faz isso. Quero saber tudo sobre as duas. Elena virou o rosto para ele. — Não precisa investigar minha vida. Eu não tenho nada a esconder. — Isso quem vai decidir sou eu — respondi. Ela fechou os olhos por um segundo, tentando se controlar. — Eu trabalho numa loja, estudo e ajudo minha mãe com as contas. Não tenho envolvimento com as coisas da Eloísa. Se você tivesse perguntado antes de me trazer para cá, poderia ter descoberto isso sem me assustar daquele jeito. — Você trabalha onde? Ela respondeu o nome da loja e explicou que estudava à noite. Darlan anotou as informações. — Há quanto tempo trabalha lá? — perguntei. — Quase dois anos. — E sua irmã? — Não trabalha. — Vive às suas custas? Elena desviou o olhar. — Eu ajudo em casa. Minha mãe também espera que eu resolva muita coisa. — E Eloísa? — Minha mãe sempre passa a mão na cabeça dela. Aquilo não me interessava. Eu queria meu dinheiro, não conhecer os problemas daquela família. — Certo. Você trabalha e estuda. Isso não prova que não participou do roubo. Ela me encarou, incrédula. — O que mais você quer que eu faça para provar que sou inocente? — Me diga onde está sua irmã. — Se eu soubesse, já teria contado! — Então estamos no mesmo lugar. Peguei o celular e mandei uma mensagem para Darlan. Quero alguém verificando o endereço delas. Sem fazer bagunça. Procurem Eloísa e descubram para onde foi. Guardei o aparelho. — Você vai continuar aqui. Elena ficou imóvel. — Como assim? — Até minha grana aparecer ou até sua irmã ser encontrada. — Você não pode me manter presa por causa de outra pessoa! — Posso manter você aqui até entender o que aconteceu. — Mas eu não tenho como pagar duzentos mil reais! — Então é melhor torcer para sua irmã aparecer com o dinheiro. Ela se levantou tão depressa que a cadeira arrastou no chão. — Você está falando como se eu tivesse essa quantia guardada! Eu mal consigo pagar minhas próprias despesas! — Senta. — Não! Darlan deu um passo à frente, mas levantei a mão. — Deixa. Elena estava com os olhos marejados. Mesmo assim, continuou falando: — Eu não roubei você, Leonardo. Não conheço seus negócios, não frequento seus lugares e não quero nada que seja seu. Só quero ir embora! Fiquei alguns segundos olhando para ela. — Quando eu tiver certeza de que você não está escondendo nada, a gente conversa. — Você nunca vai ter certeza enquanto continuar enxergando minha irmã quando olha para mim. A frase ficou no ar. Ela foi conduzida de volta para a sala dos fundos. Antes de sair, ainda me lançou um olhar cheio de raiva e medo. — Eu espero que um dia alguém faça com você o que está fazendo comigo. Darlan fechou a porta depois que ela passou. — A garota tem personalidade — comentou. — Personalidade não paga duzentos mil reais. — Não, patrão. Mas talvez ela realmente não saiba onde Eloísa está. Olhei para ele. — Você também vai começar a defender essa mulher? — Só estou dizendo o que estou vendo. — Então veja direito. Quero meu dinheiro de volta. Darlan assentiu e saiu. As horas passaram e a noite chegou. Eu estava no escritório resolvendo alguns assuntos quando Darlan voltou com as primeiras informações. — Patrão, confirmei o que ela falou. Elena trabalha naquela loja há quase dois anos. A dona falou bem dela. Disse que é responsável, nunca deu problema e que costuma estudar depois do expediente. — E Eloísa? — Não trabalha. Tem fama de viver em festa e de se aproximar de quem tem dinheiro. — Isso eu já sei. — Também conversei com um conhecido da família. Parece que Elena é quem ajuda a mãe com as despesas da casa. Continuei olhando os documentos sobre a mesa. — E a mãe? — Parece que passa pano pra Eloísa. Acha que a filha pode conseguir alguma vantagem ficando perto do senhor. Soltei uma risada seca. — Então a família inteira estava esperando que ela arrumasse um trouxa. — Pelo jeito, sim. Encostei na cadeira. Aquelas informações combinavam com o que Elena havia dito, mas ainda não eram suficientes para me convencer. Eu não podia simplesmente liberar alguém que talvez soubesse onde estava uma quantia tão alta. — Continua procurando Eloísa. — Pode deixar. — E não quero ninguém mexendo na garota sem minha autorização. Darlan me olhou por um instante. — Entendido, patrão. Mais tarde, passei pela área onde Elena estava sendo mantida. Um dos homens que fazia a segurança se aproximou. — Patrão, ela quase não comeu hoje. Olhei para ele. — Como assim? — Deixou a comida praticamente inteira. Disse que não estava com fome. — Então manda trazer outra coisa depois. — Certo. Segui pelo corredor e encontrei Elena sentada no colchão, com os joelhos dobrados e os braços ao redor das pernas. Quando me viu, levantou o rosto. — Veio me acusar de novo? — Vim saber por que não está comendo. Ela soltou uma risada fraca. — Você me sequestra, me acusa de roubo e ainda quer escolher o que eu como? — Não estou brincando. — Nem eu. Olhei para a comida que estava sobre uma pequena mesa. — Come. — Não quero. — Não perguntei se quer. Ela me encarou com os olhos cansados. — Você não manda no meu corpo. Aproximei-me da porta. — Enquanto estiver aqui, vai seguir as regras. — Então me deixa ir embora! — Já falei que não. Virei as costas e comecei a sair. — Leonardo! Parei. — O quê? — Minha mãe deve estar preocupada. Eu não consegui avisar ninguém. Pelo menos deixa eu ligar para ela. Pensei por alguns segundos. — Depois. — Você sempre diz depois! — E você sempre faz perguntas. Saí antes que ela continuasse. Eu não tinha intenção de machucá-la, mas também não estava disposto a correr o risco de perder meu dinheiro. Eloísa havia desaparecido, e alguém teria que responder por aquilo. Na minha cabeça, manter Elena ali era a única maneira de pressionar a irmã. Só que eu ainda não tinha entendido que estava colocando a pessoa errada no meio daquela guerra. Na manhã seguinte, Darlan me encontrou perto da escada. — Patrão, a garota continua sem comer direito. — Já falei para oferecer comida. — Oferecemos. Ela mal conseguiu tomar o café. Franzi a testa. — Ela está fazendo isso de propósito? — Não sei. Está muito abalada, parece que não dormiu quase nada. — Então chama alguém para ver se está tudo bem. Não quero problema aqui dentro. Darlan assentiu. Eu ainda estava convencido de que Elena escondia alguma coisa, mas uma parte de mim começava a perceber que aquela situação não estava acontecendo como eu tinha imaginado. Mesmo assim, não voltaria atrás. Meu dinheiro precisava aparecer. E, até isso acontecer, Elena continuaria sob meu controle. Mensagem da autora: Leonardo ainda não percebeu o quanto está enganado… Mas o corpo de Elena está começando a sentir as consequências dessa prisão. Será que ele vai notar a tempo? Comentem! ❤️Capítulo 10 — O preço de ser irmã de EloísaNarradora: ElenaAcordei com a enfermeira entrando no quarto para verificar meus sinais vitais. Eu já me sentia melhor, mas ainda estava fraca e com uma vontade enorme de sair daquele hospital.Não queria continuar dependendo de Leonardo para decidir o que aconteceria comigo. Muito menos voltar para aquele lugar onde fui mantida presa sem ter cometido crime algum.— Bom dia! Como passou a noite? — a enfermeira perguntou.— Melhor. Estou me sentindo mais forte.— Que bom. O médico vai passar daqui a pouco para avaliar você. Se continuar assim, talvez consiga receber alta hoje.Sorri discretamente.— Tomara.Ela conferiu meu acesso e anotou algumas informações.— Seu acompanhante está lá fora?Revirei os olhos.— Infelizmente.A enfermeira segurou uma risada.— Ele parece bastante preocupado.Olhei para ela, sem acreditar.— Preocupado?— Ontem veio perguntar sobre seu estado duas vezes.Balancei a cabeça.— Ele é o motivo de eu ter vindo para
Capítulo 9 — Sua irmã deixou você na merdaNarrador: LeonardoEu estava sentado no escritório quando Darlan entrou com uma pasta nas mãos.— Conseguiu alguma coisa? — perguntei, sem tirar os olhos do celular.— Consegui algumas informações sobre as movimentações de Eloísa antes de desaparecer.Larguei o aparelho sobre a mesa.— Desembucha.Darlan colocou a pasta na minha frente.— Ela esteve no camarote naquela noite, saiu pouco depois de você e foi vista entrando em um carro. Depois disso, não apareceu mais nos lugares que costuma frequentar.— Quem estava dirigindo?— Ainda estamos tentando identificar. O carro não estava registrado no nome dela.Folheei os papéis.— E a família?— A mãe continua dizendo que não sabe onde Eloísa está. Mas tem uma coisa…Levantei os olhos.— Fala.— Elena não tinha acesso ao dinheiro. Conversei com a dona da loja, conferi algumas informações e também descobri que ela não frequenta os mesmos lugares da irmã. A garota realmente passa o dia trabalhando
Capítulo 8 — Eu tenho medo de vocêNarradora: ElenaA primeira coisa que senti quando abri os olhos foi uma dor de cabeça insuportável. Minha boca estava seca, meu corpo parecia pesar uma tonelada e havia um aparelho apitando baixinho ao meu lado.Demorei alguns segundos para entender onde estava.Hospital.Olhei para o acesso preso ao meu braço e tentei me ajeitar na cama. Foi quando percebi que não estava sozinha.Leonardo estava sentado numa cadeira perto da janela, mexendo no celular.Meu corpo enrijeceu imediatamente.Ele levantou os olhos.— Até que enfim acordou.Puxei o lençol até o peito e me afastei o máximo que consegui.— O que você está fazendo aqui?Ele guardou o celular.— Vim ver como você estava.Soltei uma risada fraca, sem acreditar no que tinha acabado de ouvir.— Não precisa.— Como assim?— Não quero você aqui.Leonardo levantou da cadeira e se aproximou da cama. Meu coração acelerou, e instintivamente tentei me afastar mais.Ele percebeu.— Calma, porra. Não vou
Capítulo 7 — Não morre na minha frente, porra!Narrador: Leonardo— Anda logo, caralho! — gritei para o motorista, olhando pelo retrovisor.Elena estava desacordada no banco de trás, com a cabeça apoiada no meu braço. Sua pele estava gelada e o rosto pálido. Eu chamava por ela, mas a garota mal reagia.— Darlan, ela não está acordando!— Calma, patrão. Já estamos chegando.— Calma é o caralho! Acelera!Eu não entendia o que estava acontecendo comigo. Já tinha visto gente ferida, já tinha acompanhado situações muito piores e nunca havia perdido a cabeça daquele jeito. Mas, naquele momento, só conseguia olhar para aquela garota e pensar que ela poderia morrer.E eu não ia permitir isso.— Elena! — chamei novamente, tocando de leve seu rosto. — Abre essa porra desses olhos!Nada.Apertei os dentes.— Não morre na minha frente, porra!Finalmente, o carro parou em frente ao hospital da comunidade. Abri a porta antes mesmo de o motorista desligar o veículo.— Preciso de ajuda! — gritei.Doi
Capítulo 6 — Patrão, você pegou a irmã erradaNarrador: DarlanEu já tinha visto muita coisa naquela boca, mas confesso que aquela situação estava começando a me incomodar.Elena estava presa havia dias e, desde que chegou, não tinha feito outra coisa além de negar envolvimento com o roubo. No começo, achei que fosse conversa. Afinal, quem é que confessaria um crime logo de cara?Mas havia algo estranho naquela garota.E não era só o jeito quieto ou a aparência diferente da irmã. Era a maneira como reagia quando alguém mencionava Leonardo. Eloísa costumava aparecer nos bailes toda produzida, sorridente, fazendo questão de chamar atenção e entrar no camarote. Elena, por outro lado, parecia querer desaparecer toda vez que alguém se aproximava.Naquela manhã, passei pela sala onde ela estava sendo mantida e encontrei a comida praticamente intocada.— De novo não comeu? — perguntei ao segurança.— Quase nada, Darlan. Só bebeu um pouco de água.Olhei para dentro. Elena estava sentada no co
Capítulo 5 — Na minha frente, ninguém é inocenteNarrador: LeonardoAquela garota estava começando a testar a minha paciência.Desde que Darlan a colocou naquela sala, eu não conseguia tirar da cabeça a possibilidade de Eloísa estar tentando me fazer de otário. Primeiro, o dinheiro desapareceu. Depois, a mulher sumiu. E, quando mandei buscá-la, apareceu uma cópia dela jurando que não sabia de porra nenhuma.Gêmeas.Era muita coincidência para o meu gosto.— Patrão, quer que eu traga ela de novo? — Darlan perguntou, parado perto da porta.— Quero. E dessa vez vou fazer algumas perguntas sem ela ficar inventando desculpa.Darlan assentiu e saiu.Peguei o celular e conferi as mensagens. Nenhuma notícia de Eloísa. Nenhuma pista concreta sobre o dinheiro. Aquela situação estava me deixando puto.Poucos minutos depois, Elena entrou acompanhada de Darlan. Estava com o mesmo rosto da irmã, mas havia diferenças que eu começava a perceber. A roupa simples, o cabelo preso de qualquer jeito, a au







