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3: O Sacrifício

Penulis: A.C Silva
last update Tanggal publikasi: 2024-10-09 20:24:53

VITTORIO

De repente, o medo que preenchia o olhar de Mia desapareceu. Ela mordeu o canto do polegar, pensativa, e um brilho de astúcia surgiu em seus olhos.

— Você não vai querer sujar suas mãos nos matando — ela disse, fazendo-me erguer as sobrancelhas.

— Ah, não? — provoquei, curioso.

— Claro que não. Devemos parecer como ratos para você, tenho certeza de que não vai querer se sujar com o nosso sangue — respondeu, com uma sagacidade inesperada.

Um sorriso de desdém se formou nos meus lábios.

— De fato, vocês são piores do que ratos. São vermes. Mas não se preocupe, querida, não serão minhas mãos que se mancharão. Meus homens cuidarão disso — falei, acenando para Benício, Giuseppe e outros dos meus soldados.

Mia levantou-se, olhando para os homens que se aproximavam, prontos para arrastá-los para fora do meu escritório, como se fossem uma praga.

— Você é um homem muito rico. Dez mil dólares devem ser como troco de bala para você — disse ela, com a voz trêmula de nervosismo. — Não poderia simplesmente esquecer essa dívida?

Observei Mia por alguns instantes antes de responder.

— Mesmo se fossem dez dólares, eu ainda cobraria. Não é só pelo dinheiro.

— No seu mundo, é sempre pelo dinheiro — ela retrucou.

Abri um sorriso frio.

— No meu mundo, não. Não permitir que devedores escapem é um recado claro. Uma lição para todos entender que ninguém faz a Cosa Nostra de idiota.

Mia me encarou por um momento, absorvendo cada palavra.

— Cosa Nostra? — ela murmurou. — É uma organização criminosa?

Tamborilei os dedos no tampo da mesa, deixando o silêncio pairar no ar.

— Sim, uma máfia — Giuseppe respondeu por mim. — Uma das máfias italianas mais influentes dos Estados Unidos.

Os olhos azuis de Mia quase saltaram das órbitas.

— Papai, você se meteu com a máfia? Você é louco? — ela gritou para Charles. — Como pôde fazer isso conosco?

Charles suspirou, exalando cansaço.

— Naquele momento, tudo o que eu queria era reaver o dinheiro. Nem me preocupei com o fato de serem da máfia — ele murmurou, a voz envergonhada.

Mia balançou a cabeça em negação.

— Pois deveria ter se preocupado! Nós dois vamos morrer hoje por sua culpa! — ela disse, a voz carregada de frustração, mas seu pai permaneceu em silêncio. Revirei os olhos diante daquela cena.

— Senhorita, por mais interessante que essa reunião esteja sendo, eu preciso do dinheiro. E se vocês não puderem pagar, não vejo razão para continuarmos com isso — falei friamente.

Mia secou com raiva uma lágrima que desceu por sua bochecha.

— Então nos mate logo. Não tenho esse dinheiro — ela disse, jogando as mãos para o alto em desespero.

— Acho que não será necessário matá-los — Giuseppe falou de onde estava, atraindo minha atenção. Olhei para ele, curioso.

— Qual é a sua proposta? — Charles respondeu imediatamente, ansioso.

Giuseppe desligou o celular e olhou para os dois.

— Antes de mais nada, quero deixar claro que nosso objetivo aqui é reaver o dinheiro. Então, Charles, enquanto não nos pagar o que deve, você está proibido de pisar em qualquer um dos nossos cassinos — ele respondeu com firmeza.

Observei-o, tentando entender aonde Giuseppe queria chegar.

— Está nos dando uma chance de conseguir o dinheiro? — Mia perguntou, a voz trêmula de esperança.

Giuseppe balançou a cabeça em negativa.

— Não estou dando uma chance, apenas sugerindo uma ideia. Cabe ao Vittorio decidir se aceita — ele disse, lançando-me um olhar calculado.

Neguei com veemência.

— Prefiro que morram e sejam jogados em alguma vala. Charles Foster é um homem sem palavra, não acredito que ele pagará a dívida — respondi, frio.

Giuseppe sorriu, satisfeito.

— Ele vai pagar, com certeza. Porque vai nos dar uma garantia. Se não quitar a dívida, a garantia sofrerá as consequências — disse ele, em um tom glacial. Foi então que tudo começou a fazer sentido em minha mente.

Lancei um olhar de soslaio para Giuseppe, sem gostar nem um pouco daquela proposta.

— Como assim? — Mia perguntou, com a voz tremendo de ansiedade e medo.

— Seu pai vai conseguir o dinheiro, e você ficará sob meu controle até que ele pague tudo — respondi, mesmo não gostando desse plano. Por que eu deveria querer essa garota irritante e insolente?

— Não! — Mia me olhou e depois virou-se para o pai. — Definitivamente, não!

— A decisão é do seu pai, menina — Giuseppe falou, incisivo. — Está nas mãos dele.

Mia lançou um olhar furioso para Giuseppe e avançou contra ele, mas a segurei pela cintura antes que ela conseguisse mais do que arranhar o rosto do meu segundo no comando. Ela tentou se soltar, mas sua tentativa foi em vão. Então, apenas olhou para o pai, seu corpo inteiro tremendo. Ela sabia o que a aguardava, e também sabia que Charles não hesitaria em sacrificá-la para salvar a própria pele. Homens como Charles eram covardes.

— Pai, meu Deus, você não pode estar considerando essa proposta — ela implorou, a voz carregada de dor. — Eles vão me obrigar a fazer coisas horríveis, não concorde com isso!

Charles balançou a cabeça, negando.

— Não posso fazer isso com a minha filha. Se alguém tem que pagar, que seja eu. Sou o devedor, não ela — ele disse, com a voz trêmula.

Fiquei surpreso com a resposta. Sinceramente, pensei que ele aceitaria a proposta sem hesitar.

— Tudo bem — eu disse friamente. — Sua filha vai conseguir o dinheiro para mim. Se em um mês o valor não estiver nas minhas mãos, você morre. — Meus olhos se fixaram nos de Mia. — E você vai viver o resto da vida com a culpa por ser incompetente.

Os ombros de Mia caíram, e ela parecia prestes a desmoronar. O rosto estava encharcado de lágrimas, e o desespero era evidente em cada expressão. Ela estava à beira de tomar a decisão mais dolorosa de sua vida.

— Não, fiquem comigo, não suportaria deixar meu pai aqui. Sou mais jovem e tenho mais força para suportar isso — Mia declarou, decidida, sem olhar para Charles, que balançava a cabeça em negação, implorando em silêncio.

Revirei os olhos, exasperado com aquele drama. O senso de sacrifício dela não me impressionava.

— É o seguinte, a garota fica. Ela será mais útil para mim aqui. Todo o dinheiro que ela conseguir vai direto para pagar a dívida do pai. E você — apontei para Charles —, trate de levantar o resto da quantia. Se não quiser que sua filha continue aqui por muito tempo, é melhor se apressar.

Mia assentiu com uma firmeza que eu não esperava.

— Depois que eu conseguir o dinheiro, vocês vão me libertar? — perguntou, a voz firme, mas seus olhos revelavam a sombra do medo que tentava esconder.

Giuseppe abriu um sorriso seco.

— Claro — respondeu ele, sem pestanejar.

Mia lançou um último olhar ao pai, que murmurava algo inaudível, as lágrimas prestes a escapar. Então, seus olhos se fixaram nos meus. Havia uma determinação inesperada ali, algo que me deixou em alerta.

— Tudo bem, eu aceito o acordo — disse ela, com uma calma que parecia ensaiada.

O silêncio que seguiu parecia mais pesado que o ar ao nosso redor. A tensão no ambiente era quase palpável. Mesmo com as palavras saindo de sua boca, algo me dizia que esse “acordo” estava longe de ser um fim. Era apenas o início.

Quando a porta se fechou atrás de Charles, deixando Mia ali, sozinha, no meu escritório, uma pergunta pairou na minha mente: até onde essa garota estava disposta a ir?

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