FAZER LOGIN— Nem pensar! — Gritei alto o suficiente para que não ficassem dúvidas. Já havia falado não quatro vezes e, ainda assim, meus irmãos continuavam insistindo naquela merda.— Não é o que está pensando, irmão. Ninguém vai ver a situação dessa forma. — Enzo tentou mais uma vez.Olhei para ele como se tivesse acabado de dizer a coisa mais absurda do mundo.— Já disse que não. Ninguém senta na minha garupa, e ponto final. Ela que vá de carro!Não colocaria aquela mulher sentada na minha moto nem se a minha vida dependesse daquilo. Não mesmo.O silêncio que se instalou na sede não foi de surpresa.Nenhum deles parecia realmente surpreso com a minha resposta.Na verdade, todos sabiam que eu diria não.Esse era o problema.Eles sabiam exatamente o que estavam me pedindo.Sabiam o significado daquilo.Sabiam que estavam ultrapassando um limite que, dentro do nosso clube, era respeitado por todos.A garupa de um membro do MC não era um simples banco vazio atrás do piloto. Não era um lugar para q
Prólogo Enfim, alguma normalidade começava a rolar dentro do MC, Enzo parou de arrastar as correntes e, agora que a Dani resolveu perdoar o cara, seguíamos com a presença quase constante dela e da insuportável da sua amiga por aqui. Cinco meses após o ataque contra a mulher do meu irmão e nenhum sinal da tal Organização, seguíamos com nossos carregamentos, nossas operações. A vigilância sobre as meninas foi redobrada. Mesmo Enzo estando literalmente o tempo todo com ela, ainda nos preocupávamos com a bocuda, pois poderiam pegá-la, mas algo me dizia que iriam matá-la no mesmo dia – não sei quem iria aguentar ficar com aquela mulher em cativeiro por muito tempo.Toda a diretoria do MC também teve seu cotidiano alterado, não iria pagar para ver. Busquei informações sobre a Organização Ares e, se o meu passado havia me obrigado a fazer coisas terríveis, esses caras faziam eu parecer um verdadeiro anjo. Eram cruéis e letais, não tinham escrúpulos. O interesse nos negócios aqui no Brasil
Não sei se acredito muito no destino, mesmo ele teimando em colocar o Enzo em minha vida. Mas lá estava ele, sentado diante de mim e me olhando com aquele maremoto verde, declarando em silêncio seu desejo, sua necessidade, mágoas e ressentimento. Sabia que manter o relacionamento com seus irmãos e impedi-lo de fazer parte da minha vida o machucava demais, mas não poderia permitir que me ligassem a ele, não enquanto precisava de um tempo para entender tudo o que aconteceu, sarar minhas feridas físicas e emocionais – e não foi fácil. As marcas físicas o tempo se encarregou de apagar, mas com as emocionais eu ainda estava lidando, e posso garantir que só na semana passada consegui voltar a dormir sem acordar gritando no meio da noite, vivenciando as surras que levei e o medo de morrer.E era esse medo que me impedia de subir por sobre aquela mesa e me jogar nos braços do meu gigante, porque todo o meu corpo implorava por seu toque. Sentia meu coração acelerado, meus lábios secos e nem mes
Assim que paramos as motos, reconheci o lugar. Sacanagem seria a palavra certa. Não entendi o que estávamos fazendo ali nem porque meu irmão me carregou ao bar onde tudo começou, mas se era um jeito bruto de curar a ferida, não estava gostando.O ambiente era o nosso, rústico, luz baixa, som ambiente, muita conversa, cerveja e comida de qualidade. Decidi fazer de conta que não sabia onde estávamos. Desci da moto e fui seguido por meus irmãos, entramos, sendo atendidos por uma mulher muito sorridente e olhos piscando, como se não visse cinco caras juntos a muito tempo. Aguardamos na entrada, ela procurava uma mesa para nós, mas lembra quando disse que a vida é uma cadela cretina? Então, naquele momento a frase se tornou mais real ainda. Sabia que estava sendo notado e, diferente dos outros olhares, aquele me chamava, despertava os meus sentidos, praticamente gritava por minha atenção. Virei o corpo à procura dela, só poderia ser ela. Sentada em uma mesa no canto, Danielle me olhava com
Dois meses depoisDois meses podem parecer pouco quando colocados em um calendário.Para mim, foi uma eternidade.Nos primeiros dias, eu sequer sabia onde terminava a raiva e começava a saudade. Tudo se misturava. Eu acordava pensando nela, passava o dia pensando nela e, quando finalmente conseguia dormir, sonhava com ela.Minha pequena.Era ridículo.Eu, que sempre havia sido conhecido por manter a cabeça no lugar, estava completamente perdido por uma mulher que havia decidido que precisava seguir sem mim.Tentei respeitar sua decisão.Pelo menos nos primeiros dias.Depois comecei a ligar.Uma vez.Duas.Dez.Quando percebi, estava ligando tantas vezes que já sabia de cor quantas chamadas haviam sido ignoradas.Não era orgulho o que me fazia continuar.Era desespero.Eu precisava saber se ela estava bem.Precisava ouvir sua voz.Precisava ter certeza de que ainda existia algum pedaço meu dentro daquela vida que ela estava tentando reconstruir.Meus irmãos tentavam me ocupar.Daniel a
— Então você foi com ele, de moto, para outro estado? — Fernanda ainda não conseguia me olhar sem fazer caretas, mas meu rosto estava um pouco melhor. Cinco dias havia se passado. O olho desinchou, os roxos ganhavam cores amareladas e esverdeadas e os cortes estavam fechados. Theodoro me levou para casa e, contrariando a maior lei do MC, sentei em sua garupa e ele não reclamou, viajamos em silêncio. Quando chegamos em meu apartamento, esperou enquanto me desmanchava no banho, chorava, soluçava, gritava e colocava para fora a imensa dor que sentia, deixar Enzo para trás foi a pior coisa que já fiz em minha vida e nem mesmo as surras que levei daquele imundo doeram tanto. Balancei a cabeça concordando.— E eles são de um MC que dominam a parte podre do sudeste e sul do País? — Precisei contar tudo a ela, primeiro porque Fernanda jamais aceitaria a versão “caí da escada” e segundo, precisava dividir com alguém ou enlouqueceria.Concordei novamente.— E um cara que é o fodão do crime, pe







