FAZER LOGINNão sei se seria sempre a mesma luta ou se com o passar do tempo ela iria se acostumar ou mesmo se apaixonar pela vida na estrada, mas o trajeto até o seu apartamento, não saber o que vestir, a dúvida a cada passo que ela dava, me consumia. Sua dificuldade em se ambientar em meu mundo era algo normal, mas aquilo de alguma forma mexia com a autoestima de Danielle, que me mostrou cinco calças jeans em seu corpo, três blusas com cores e modelos diferentes, duas jaquetas, um tênis e duas botas, no fim, optou por jeans escuro, regata branca, jaqueta em couro, botas e os cabelos presos em uma trança. Não queria que minha vida fosse algo doloroso, uma situação que levasse dúvidas ao coração da minha pequena, queria que fosse leve, que ela se sentisse envolvida e que tomasse a estrada como parte essencial de sua vida.Após o que me pareceu ser a eternidade, parou de frente para mim e me olhou implorando por aprovação, sorri para a cena, mas a preocupação para uma conversa futura ficou registr
O jogo do domínio, poder sobre o outro e suas vontades, não era para todos. Exigia muito mais do que algumas pessoas conseguiam entender, mas ela curtia o momento e confesso que eu também. Poderia subir o quadril e empurrá-la para baixo com facilidade, empalando seu corpo com o meu, mas segurei meu desejo de sentir meu pau se enterrando dentro dela.Rosnei quando se moveu devagar, rebolando o suficiente para que sentisse o calor de sua entrada.— Acabei de te encontrar e já quer me matar, pequena? — As palavras saíram mais baixa do que pretendia e o sorriso dela se ampliou.— Quero... — falou manhosa, rebolando um pouco mais, engolindo meu pau de uma só vez, fazendo o ar de meus pulmões serem jogados para fora.Se qualquer pessoa me contasse aquela loucura, não acreditaria ou colocaria muitas coisas em dúvida, mas foi comigo, estava vivendo aquele reencontro e, caralho, era mil vezes melhor do que me lembrava. Minha pequena começou a se mover sobre meu corpo, em um subir e descer len
Em algum momento fomos parar no quarto dele, Enzo me teve de todas as formas que falou que teria, desde a parede, cama, uma poltrona no canto do quarto e cama novamente. Minha cabeça em seu peito, a perna sobre a dele, seu braço me puxando para mais perto e seus dedos deslizando por minha coluna em um movimento tranquilo. Era o meu cenário ideal, saciada, exaurida de prazer e segura em seus braços como jamais me senti. Sem dúvida alguma, aquele homem era como ondas em um mar agitado, levando todas as minhas forças e ar, mas ao mesmo tempo era o oxigênio que meu corpo precisava para se manter vivo e seus braços a paz que minha mente buscava. — Como me procurou? — questionou, sua voz não passando de um sussurro.— Me lembrava do nome que vi na sua jaqueta. Fiz uma pesquisa, achei o site do moto clube, mas não havia nada lá. Nada que me levasse a você.Sabia que minha voz carregava o peso da dor que sentia, do tempo que deixamos de ter um com o outro.— Eu fiz uma promessa. — Sua voz es
Saber que meu corpo estava exposto a uma velocidade considerável, sem estar protegido por todo o ferro que envolve um carro ou desafiando a gravidade e se mantendo em movimento com apenas duas rodas, me apavorava. Aquele passeio de longe se parecia com os descritos em livros ou vistos em filmes. Não sentia minha alma livre e o vento no cabelo não trazia nada de agradável, somente um emaranhado de fios e o desespero em pensar no fedor que minha cabeça estaria quando tirasse aquele pinico. Minhas mãos estavam enterradas no gigante, meus dedos presos ao tecido de sua camisa, o segurava com tanta força que tudo em mim doía, acreditei que subir a serra seria apavorante, mas havia me esquecido do trânsito louco de São Paulo e assim que entramos na Avenida Bandeirantes minha alma abandonou meu corpo.Aquela imensidão, pilotando a outra imensidão, entrou pelos corredores formados entre os carros, bastaria um carro se mover sem ligar a seta e nós estaríamos voando e beijando o chão. Só pensav
Sabe quando você começa a dar risada no momento errado e todos ao seu redor te olham como se fosse uma louca descompensada e a vergonha e constrangimento te deixa sem ação, paralisada, querendo ser engolida pelo chão? Pois é, era exatamente assim que me sentia, olhando para meu pé que mexia com a areia úmida, as mãos que após devolver o celular ao dono, se mantinham ao lado do corpo sem saber como agir ou o que fazer com elas. — Então... — Ouvi a voz grossa e o tom quase ríspido, esperando por uma resposta ou explicação.— Eu não sei o que aconteceu. — Dei de ombros e finalmente encarei a inundação intensa de seus olhos verdes. — Toda aquela loucura, Carlos gritando na porta, meu corpo sem entender de onde veio tanto prazer, fiquei confusa. Queria me bater.Queria ter o poder de voltar no tempo, de cair sobre aquela pia novamente e mudar tudo o que aconteceu depois que peguei aquele papel e caneta em minha bolsa. Tudo o que eu poderia ter vivido, todas as conversas perdidas, os mome
Estava cega de ódio, já não tinha mais o controle da minha voz, muito menos da minha paciência. Empurrei o gigante com mais força, ele deveria estar distraído com algum pensamento, pois se afastou o suficiente para que conseguisse escapar dos seus braços, me permitindo virar para ir embora de uma vez.— Danielle. — Aquele misto de autoridade e sensualidade, a forma como meu nome soou em seus lábios, fez meus pés travarem. Parei de costas para ele. — Olhe para mim. — Sinceramente, eu gostaria muito de ser estudada pela NASA, pois sabe lá Deus por qual razão, eu obedeci. Me virei, encontrando o mar muito agitado e o verde escurecido demais. — Por que você nunca atendeu minhas ligações ou retornou minhas mensagens?Eu ri. Mas não foi qualquer risada não, ri alto, ri com gosto, ri ao ponto de sentir as lágrimas escorrerem pelo cantinho dos meus olhos. O gigante cruzou os braços, empinou o queixo e me encarou sem ver a mesma graça que eu via na sua pergunta.— Sério mesmo que esse será o







