INICIAR SESIÓNENZO
Vejo-me parado na porta do hospital esperando por ela, como se realmente estivesse esperando-a para irmos juntos. Observo seus passos, que demostram cansaço. Minha vontade é de carregá-la em meus braços e levá-la para casa. Prometi a mim mesmo me afastar, mas a vontade de cuidar dela é mais forte do que eu. Desde que voltei de Roma, da reunião mensal na casa do mio padre, meus dias têm se resumido a trabalhar e observar a Kiara. Tenho a necessidade de saber se ela está bem, se nenhum maledetto vai tocá-la. Tenho agido como a porra de um stalker; tento evitar, mas é mais forte do que eu.
Kiara entra no seu carro e, como nos outros dias, dá duas voltas no quarteirão antes de entrar na garagem do seu prédio. Sorrio, pois, com todo seu cuidado, ela não percebe que está sendo seguida por mim. Não consigo ir embora. Olho a luz acesa da sala do seu apartamento, aguardo ansioso o momento em que ela entrará no quarto. Ontem fui agraciado com um deslumbre de sua silhueta atrás da cortina.
Observar sua rotina tem se tornado um vício, e não tenho gostado nem um pouco disso. Assim que as luzes se apagam, vou para casa. Minha noite de stalker termina. Grunho, com raiva de mim mesmo, do idiota que sou.
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— Dante, você e seu fratello são minha boca, olhos e ouvido enquanto eu estiver fora. Ao Assis, ficou a responsabilidade de proteger a Kiara. Conto com vocês. Ficarei três dias em Verona, Pietro também está voando para lá. Meu cunhado está precisando da nossa ajuda para acabar com alguns figli di puttana.
— Pode confiar, chefe, não desgrudarei os olhos da doutora — ele garante.
— Sei disso, você tem muito amor ao seu pau para me decepcionar. — Dante ri do fratello, e completo: — Isso também serve para você.
Saio do meu escritório do clube, ouvindo Assis debochando dele. Esses dois.
Ficar longe da Kiara por alguns dias será bom para mim. Preciso raciocinar direito e saber que merda que estou fazendo. Não posso passar meus dias como um maluco atrás de uma mulher.
VERONA
Do aeroporto, sigo direto para o clube, onde Enrico me aguarda para a reunião. Nós conversamos rapidamente ao telefone, mas sei que a situação é grave. Cruel não nos convoca se não for realmente preciso. Ao chegar no clube, a sala de reuniões está lotada, e Pietro já se encontra nela.
— Cazzo, demorou.
— Isso tudo é saudade, Pietro? Nem tem um mês que nos vimos — digo zombeteiro. Abraço Enrico e comprimento os soldados. Volto minha atenção para Pietro, paro em sua frente com minha sobrancelha suspensa. Ele me puxa para um abraço, sei que ele estava preocupado com minha demora.
— Bom, agora que o gostosão chegou, vamos dar início à reunião.
— Pelo que que me consta, o gostosão já estava presente, é o que minha mulher diz. — Os homens riem, Enrico dá um sorriso pelo canto da boca, Pietro dá um tapa em suas costas, e eu finjo que vou lhe dar um soco; ele se esquiva.
Depois de aliviar a tensão, damos início à reunião. Enrico nos conta que algumas meninas que trabalham no clube desapareceram. No primeiro dia, foi uma; depois, mais duas. Agora são oito no total em apenas quinze dias. Se elas se demitissem, ou avisassem que iriam sair, não acharia estranho, ainda mais que nenhuma prostituta que trabalha para os Mancinni o faz por obrigação.
— Coloquei alguns homens observando o movimento do clube. Um dos meus homens achou estranho que, depois de sair do quarto, o cliente pagou e foi embora, logo em seguida a prostituta saiu atrás dele. Ele chamou outro soldado e a seguiu, ela entrou no carro do cliente e foi para um endereço fora da cidade. Nesse local funciona uma casa de prostituição — Enrico diz.
— Quer dizer que os maledetto estão aliciando as mulheres que trabalham conosco?
— Pior que isso, Enzo. Coloquei um homem infiltrado. Ele agiu como cliente, fingiu ser um figurão e ofereceu uma vida boa à menina que foi para o quarto com ele. Ela se abriu, contou que elas são atraídas com uma boa proposta de trabalho, depois são escravizadas.
— Cazzo! Se eu não tivesse visto Salvatore morrer, diria que tem dedo dele nisso — Pietro brada.
— Tem muitos como Salvatore espalhados por aí, Pietro.
— Bem, qual é o plano, Enrico?
Meu cunhado explica seu plano, e todos ficamos atentos. Aqui é território dele e ele o domina como ninguém. Planos traçados, seguimos para casa do meu cunhado. Quando entramos, meus pequenos estão dormindo e Nina recolhida em seu quarto.
Antes de o dia clarear, como combinado, vamos para o clube e de lá saímos em comboio para nosso alvo. Enrico preferiu atacar ao amanhecer para não ferir pessoas inocentes, queremos apenas os maledetto que têm afrontado a famiglia, principalmente seu líder.
O casarão antigo e caindo aos pedaços fica em um terreno enorme em um lugar a ermo, somente quem conhece a cidade consegue chegar nesse lugar com certa facilidade. Dividimo-nos, cada um de nós com um grupo de dez homens. Meus homens e eu rendemos os homens que guardam o casarão; Pietro vai ao redor do terreno e rende os homens que estão espalhados. Enrico adentra a casa e um tiro é disparado; em seguida, há vários tiros. Entro para dar cobertura. Tem alguns corpos espalhados pelo chão.
As mulheres correm em direção à rua, pegam o que podem e fogem, como Enrico ordenou; deixamos que todas elas saiam. Sou surpreendido com uma arma apontada em minha direção. Antes que ele puxe o gatilho, me jogo atrás do sofá. Seu disparo não me acerta; miro em suas pernas e atiro. Quando ele cai, faço outros disparos.
Enrico surge na sala com o chefe do prostíbulo em suas mãos. O maledetto estava sendo vigiado e nem se deu conta disso, mesmo com tantos seguranças. Enrico tem várias fotos dele entrando e saindo da casa; o sujeito consegue ser ainda mais feio do que nas fotos, seu rosto é cheio de espinhas e sua barriga parece de uma gestante.
— O que você acha, Enzo, será que tem um bebê aqui dentro?
Sorrio, porque sei o quão cruel Enrico pode ser. Não queria estar na pele desse figlio di puttana. Quando menos espero, uns dos homens do Cruel segura os braços do maledetto que parece entorpecido pelo álcool. Com uma faca em mãos, Enrico corta a barriga do homem, que grita, retornando do seu estupor.
Ao sair do velho casarão, Enrico ordena que chamem a equipe de limpeza e que recolham tudo de valor, exceto móveis e aparelhos eletrônicos. Meu cunhado freta um caminhão, que ficará à disposição dos responsáveis da ONG com que ele entra em contato para que eles peguem o que quiserem. Deu ordem para, quando eles forem embora, colocarem fogo no casarão.
Depois do que aconteceu com meu sobrinho, meu cunhado e minha irmã têm ajudado ONGs espalhadas pela cidade, para que crianças tenham a oportunidade que Rico e seus amigos não tiveram.
No dia seguinte pela manhã, Pietro retorna para Roma. Decido ficar mais um dia, preciso ficar distante da Kiara. Meu dia é dedicado aos meus pequenos, fico feliz de ver como Enrico e Nina conseguiram superar todos os problemas e construíram uma família linda. Não tem como não sentir o amor entre eles. Penso que um dia achei que isso aconteceria comigo, mas me enganei. Amor e casamento não são para mim.
No dia seguinte pela manhã, voo para casa. Ao entrar, me assusto com a presença do mio padre. Corro em sua direção, preocupado, imaginando que algo aconteceu. Ele me abraça e ri, diz que sentiu que seu ragazzo mais novo precisava dele. Suspiro aliviado e feliz, meu velho me conhece como ninguém.
Conto-o sobre a Kiara, como me sinto em relação a ela, como tenho agido. Minha preocupação e o efeito que ela tem sobre mim. Meu coroa escuta tudo sem dizer nada. Pela primeira vez consigo falar abertamente sobre ela.
— Por que em vez de ficar a observando escondido, você não a convida para jantar? Tenho certeza de que ela não vai recusar um pedido do homem que salvou a sua vida.
— Você sabe porque, padre.
— Figlio, não estou dizendo para você a pedir em casamento. É apenas um jantar, um passo de cada vez.
Reflito um pouco e concluo que mio padre tem razão. Amanhã vou fazer uma visita para Kiara.
KIARA— Meu Deus, Enzo, está querendo me matar? — digo tirando a água do meu rosto e batendo no meu ouvido. Ele quase me matou afogada. Exagero. Estamos feito dois adolescentes brincando de afogar um ao outro, porém, um pouco de drama é bem-vindo.— Te machuquei, amor? Desculpa.Aproveito sua preocupação e afundo sua cabeça. Tento fugir antes que ele se levante, mas ele segura minhas pernas. Quando menos espero, ele sai da água e prende meu corpo junto ao seu. Meu marido me suspende e beija descaradamente entre meus seios. Marido, amo dizer isso.— Enzo por favor, alguém pode…Não consigo concluir, porque ele desliza meu corpo para baixo e saqueia minha boca. Sua mão busca o cós do meu biquíni e envolve meu monte com movimentos leves. O som do meu gemido sai abafado em sua boca. Ele interrompe nosso beijo, praticam
KIARANunca pensei que um dia que fosse amar alguém como Enzo. Estar ao seu lado é como descobrir um mundo novo a cada dia, mundo esse que tem partes que eu preferia que não existissem, mas para estar com ele, tive que adquirir o pacote completo. Para minha surpresa, não interfere na nossa relação. Estou aprendendo a lidar aos poucos com tudo que ele tem para me oferecer.Ainda estou digerindo o que ele me contou sobre o John, nem nos meus melhores sonhos poderia supor que ele trabalhava para a máfia e que queria matar o Enzo, pior, usando-me como cobaia. Não consegui sentir nada quando Enzo disse que tirou a vida dele. Ainda estou trabalhando isso dentro de mim, mas não de uma forma condenatória; sei que Enzo fez isso para se proteger, nos proteger. Mesmo assim, é muita coisa para assimilar.Acabei de chegar em Roma. Mal entrei na mansão, Perla e Nina me arrastaram
ENZOAterrissamos em Roma pela manhã. Chegamos na mansão famintos e cansados da viagem, somado à adrenalina. Entramos na mansão. Ela está silenciosa, todos devem estar dormindo por conta da festa. Comemos feito verdadeiros animais, praticamente zeramos a cesta de pão, os bolos e a maioria das frutas. Pietro vai para casa, Enrico e eu seguimos para nossos quartos.Tomei banho e troquei de roupa no avião para tirar o cheiro e os vestígios de sangue do meu corpo. Ao entrar no quarto, retiro minha roupa. Fico apenas com a minha cueca boxer preta. Antes de me deitar ao lado da minha pequena, fecho as cortinas, me aconchego ao seu lado e, mesmo dormindo, ela junta seu corpo ao meu. Seu cabelo, que está uma bagunça, tampa meu rosto. Retiro-o com cuidado para não a acordar. Beijo sua cabeça e deixo que o cansaço me domine, logo adormeço.Acordo e a ca
ENZOAssis me passou as coordenadas do local onde o maledetto do americano está reunido com seus comparsas. Nossos homens já estão no local, aguardando nossa chegada. Ainda não entendi o motivo do envolvimento do americano, sei que não tem nada a ver com a Kiara. Meus instintos me dizem que está relacionado ao ataque que fizemos ao clube onde trabalhavam escravas sexuais em Nova Iorque, porém, o que o John tem a ver com isso?Desde o dia que minha pequena saiu para almoçar com o doutor de merda, mantivemos dois homens de tocaia, Adamo e Damiano, os melhores quando se trata de espionagem. Em um vacilo da segurança do galpão, Damiano conseguiu acessá-lo. Nele encontrou todo o planejamento para o ataque ao meu clube, fez boas imagens.Por um instante, meus pensamentos me levam à minha uccello. Queria estar com ela em meus braços agora. Algo mud
ENZO— Desculpe se eu a decepcionei — Giovanni diz, e Kiara relaxa os ombros. Eles sempre ficam tensos quando ela sente medo ou se sente acuada.— Perdoe-me, pensei que fosse meu namorado.— Lógico que uma mulher tão linda como você tem namorado — diz como estivesse decepcionado. Ela sorri sem muita vontade. — Se incomoda se eu me sentar aqui — ele aponta para o sofá — e esperar com você? É que não estou me sentindo bem.— Dio mio! — ela diz. Seu instinto de médica faz com que ela coloque sua bolsa em cima da mesa para cuidar de um provável paciente. — Posso verificar sua temperatura? Ele meneia a cabeça e ela verifica seu pulso. Põe as costa
KIARAAcordo e não encontro meu moreno. Vou ao banheiro, desfaço-me das minhas roupas e entro debaixo do chuveiro. Lavo meus cabelos, enxáguo e fico um bom tempo debaixo da água quente, pensando se meu plano vai dar certo, se devo agir sem saber se realmente Enzo me ama, se ele vê um futuro ao meu lado. Tenho medo de que, no momento em que eu me ajoelhar na sua frente e o pedir em casamento diante de todos, ele não reaja como espero.Ao terminar de me arrumar, ouço uma batida na porta e logo em seguida ela se abre. São Nina e Perla. Pelos sorrisos em seus lábios, estão aprontando alguma coisa.— Cunhada, amanhã faremos uma festa.— Festa?— Sim. Não é bem uma festa como meu sogro costuma fazer, é uma reunião de amigos, com meu irmão de coração, Giovanni, que quero muito que você conhe&cce







