Share

Sumir um pouco C2

Author: Ravena
last update publish date: 2025-01-06 23:07:21

Capítulo 2

O som da última transferência ecoa na minha mente enquanto desligo o laptop. A tela se apaga, e por um momento, me sinto como se tivesse completado mais uma missão. Mas, ao mesmo tempo, o peso da responsabilidade e a constante necessidade de desaparecer começam a surgir. Decido que, por agora, posso dar uma pausa. Não um descanso completo, mas o suficiente para me manter fora das redes por algum tempo.

Destino? Califórnia! As luzes de Los Angeles são um convite ao anonimato, e eu preciso disso. Preciso respirar sem o peso de ser "Ghostred" por um tempo. Depois de horas de voo, chego ao meu hotel, tomo um banho quente e, exausta, apago na cama. Quando acordo, as horas passaram rápido demais. O relógio marca a tarde, e o cansaço ainda persiste, mas decido que preciso sair, caminhar, deixar o peso da viagem para trás.

Caminho pelas ruas agitadas de Los Angeles, absorvendo a energia da cidade, tentando me distrair. As luzes e sons me envolvem, e encontro um barzinho que parece perfeito. A música suave e o ambiente aconchegante é um convite à tranquilidade. Sento-me no banco alto em frente ao balcão, peço uma taça de champagne e deixo que o tempo apenas desacelere. O mundo lá fora parece desaparecer enquanto a bebida desce borbulhando pela minha garganta e a rotina é esquecida por hora...

Foi quando ele entrou. Um homem alto, com olhos claros que pareciam ter o poder de penetrar em minha alma. Seu cabelo, de um tom dourado como o pôr do sol, brilhava sob as luzes do bar, fazendo com que eu o visse antes mesmo de ele se aproximar. Fiquei hipnotizada, sem saber o porquê, mas algo em mim sabia que esse encontro não seria casual. Seus olhos pareciam me observar com uma curiosidade sem pressa, como se tentasse decifrar algum enigma em mim.

Ele se aproximou do balcão com um sorriso discreto, e a conversa logo começou. Não houve formalidades, apenas uma troca de olhares que instantaneamente fez tudo parecer mais leve.

— Eu não sou de vir a lugares como esse — disse ele, encostando-se ao balcão com uma cerveja em mãos. Sua voz tinha um tom profundo, mas tranquilo. — Acho que você me entende, né? Às vezes, tudo o que a gente precisa é de um lugar silencioso.

Eu dei um sorriso rápido, sentindo que ele estava tentando puxar uma conversa sem muita expectativa. Algo me dizia que ele queria se mostrar desinteressado, mas, ao mesmo tempo, era curioso demais.

— Não sei, você parece alguém que sabe como aproveitar a vida — respondi, levantando minha taça. — Ou talvez só esteja fugindo do mundo lá fora.

Ele riu, e a sensação de descontração me envolveu. Havia algo na maneira como ele se movia, como ele falava, que me deixava à vontade. Como se, de alguma forma, ele fosse uma pessoa simples, mas complexa ao mesmo tempo.

— Pode ser. Ou talvez eu só esteja procurando uma desculpa para não ser quem todo mundo acha que eu sou — disse ele, olhando para seu copo, como se estivesse pesando suas palavras. Seus olhos claros se ergueram para mim novamente, e eu senti um arrepio por dentro.

— Interessante... — murmurei, desafiando-o a me dar mais. — E quem é você, então? Além de um homem com um bom gosto para bares, claro.

Ele sorriu, mas de uma maneira que parecia um segredo compartilhado apenas entre nós. Não parecia querer responder diretamente, então, apenas fez um gesto sutil com a mão, como se convidasse a continuar.

— Eu sou só mais uma pessoa tentando se entender em meio ao caos. E você? O que te trouxe aqui? Além de querer fugir do mundo, claro.

Eu me inclinei um pouco para frente, atraída pela forma como ele se entregava à conversa. Sabia que ele não queria revelar nada de concreto, algo que eu também não quero, mas o flerte estava claro, e eu não iria fugir disso.

— Eu? — perguntei, levantando uma sobrancelha. — Bem, eu sou só uma mulher tentando relaxar depois de uma longa viagem. Às vezes, a vida nos empurra para longe de casa, e você precisa encontrar um canto onde ninguém te conhece, onde você pode ser quem quiser.

Ele deu uma risadinha baixa, mais como se estivesse satisfeito com o que eu dizia do que com o que estava acontecendo entre nós. Ele não sabia nada sobre mim, e eu também não sabia nada sobre ele. Mas isso parecia o suficiente para ambos.

— Então, você se esconde atrás de um sorriso e uma bebida, hein? — perguntou ele, deixando as palavras flutuarem no ar como uma provocação. — Não é uma boa estratégia, você sabe.

Eu o encarei com um sorriso desafiador.

— Acredite, não é a primeira vez que tento. E também não será a última — respondi. O jogo estava no ar, e eu não sabia se estava gostando disso mais pela diversão, ou pela possibilidade de algo mais.

A conversa continuou leve e cheia de provocações. De vez em quando, nossas mãos se tocavam acidentalmente, e o toque parecia se prolongar por um segundo a mais do que deveria, como se ambos estivéssemos mais conscientes do que estávamos fazendo. Ele me olhou com intensidade, e a tensão entre nós aumentou.

— Eu sabia que tinha algo de interessante em você. — Ele disse, e dessa vez sua voz estava mais suave, como se quisesse me convencer de algo. — Mas vou ser sincero. Eu não sou o tipo de homem que busca complicação. Não sou bom com isso.

Eu respirei fundo, sentindo que a conversa estava prestes a virar uma encruzilhada. Ele não queria complicar as coisas, mas parecia estar atraído por algo mais. Nós dois sabíamos disso, mas nenhum de nós queria ceder totalmente.

— Que sorte a sua, então — respondi, rindo. — Porque complicações não fazem parte do meu vocabulário.

Ele levantou o copo de whisky, como se brindasse a algo que não fosse exatamente claro para mim, e então disse:

— À vida sem complicações, então.

Nós brindamos, e a noite continuou de uma maneira que nenhum de nós tinha planejado. O flerte fluiu até o momento em que ele sugeriu, de maneira tão casual quanto antes, que fosse hora de irmos embora. Eu não hesitei. O álcool tinha soltado minha língua, e ele parecia ser o escape perfeito, o único homem que, por agora, poderia me tirar da realidade por um tempo.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Erro de Conexão Tente Novamente   E no Fim a vida toma seu rumo Capítulo 81

    Capítulo 81Um Ano DepoisO vento frio de Nova York cortava meu rosto enquanto caminhava pelas ruas da cidade. O som do caos urbano me envolvia, mas, de alguma forma, meu coração estava em paz. O último ano foi de transformações profundas para todos nós.Cristian finalmente seguiu seu sonho de escrever. Ele pediu a exoneração do FBI e, com isso, também deixamos para trás muito de nós, de certa forma. Mas, ao mesmo tempo, nos aproximamos de um jeito novo e inesperado. Seus livros de suspense começaram a fazer sucesso, e ele não poderia estar mais feliz. Eu sempre soube que ele tinha uma mente brilhante, mas ver o homem que amava florescer da maneira que ele estava, me encheu ainda mais de orgulho. Ele se entregava à escrita com a mesma intensidade com que um dia se dedicou a desvendar mistérios e, de alguma forma, aquilo o libertava de tudo que ele foi e não queria mais ser...Eu, por outro lado, continuei com meus projetos. Não havia mais a mesma incerteza que antes. Eu poderia coloca

  • Erro de Conexão Tente Novamente   Despedida Capítulo 80

    Capítulo 80Cassandra Acordei naquela manhã fria com uma sensação pesada no peito. Era o dia em que Dona Carola seria cremada, e eu sentia como se uma parte de mim fosse junto com ela, dona Carola me acolheu em um dos momentos que me vi mais perdida, e com suas palavras sempre certas me guiou... O jardim de Keukenhof na Holanda, o seu lugar favorito, agora receberia suas cinzas. Estava ali, diante da terra que ela tanto amava, sentindo o vento suave que, de alguma forma, trazia um pouco da sua presença. Enquanto as cinzas eram espalhadas por Damon, fechei os olhos por um momento, permitindo que as lágrimas caíssem sem me preocupar que alguém as visse. Mas, ao mesmo tempo, sentia uma calma imensa, como se Dona Carola finalmente estivesse em paz, com o filho que ela pode recuperar, e naquele lugar que ela tanto amava.A cerimônia foi simples. Apenas os amigos mais próximos e a família estavam ali. Fiquei observando enquanto suas cinzas se misturavam ao solo, as flores, com a esperança

  • Erro de Conexão Tente Novamente   Dor da morte Capítulo 79

    Capítulo 79CassandraQuinze dias haviam se passado desde que despertei, Cristian me contou tudo que tinha feito por mim... Quinze dias de reflexão silenciosa, de noites de Insônia, e decisões que se acumulavam, esperando para ser feitas. Eu estava vivendo com a dúvida constante sobre o que fazer da minha vida. O que era real? O que era apenas uma fuga? Era hora de olhar para frente, sem medo.Lucca já estava em casa, se recuperando bem, e o alívio de vê-lo forte e saudável me dava uma sensação de paz. Como mãe, meu primeiro impulso era proteger meus filhos. Cecília, com apenas 11 meses, era uma preocupação constante. Ela ainda dependia de mim para tudo, e o amor que eu sentia por ela me dava forças para seguir em frente, mesmo quando as dúvidas me consumiam.Ela estava ali, nos meus braços, pequenos risos escapando enquanto eu a embalava. Como ela se encaixava em tudo isso? Ela era a razão pela qual eu lutava. Eu queria que ela tivesse uma vida melhor, sem medos, sem fantasmas do pas

  • Erro de Conexão Tente Novamente   Voltei Capítulo 78

    Capítulo 78CassandraO mundo estava embaçado, como se tudo estivesse distorcido entre os meus olhos. Eu sentia a presença de todos ao meu redor, mas a sensação de confusão ainda me consumia. Tentei focar em tudo que estava acontecendo, mas minha mente estava uma bagunça. As palavras de Cristian, a visão de Cecília ao meu lado, e o calor que emanava de Lucca... Tantas coisas que me deixavam sem saber o que pensar, o que fazer.Eu queria entender, queria voltar a sentir que estava no controle da minha vida. Mas como poderia quando tudo que eu conhecia havia sido jogado para o alto? As lembranças começaram a voltar em flashes rápidos, dolorosos, e ao mesmo tempo desconfortante.Eu não sabia o que fazer com aquele sentimento de desamparo que me consumia, mas sentia que tinha que ser forte, por eles. Cecília, Lucca, Cristian, Damon... Eles precisavam de mim, e isso foi o que me trouxe de volta. Um sorriso fraco se formou nos meus lábios enquanto eu olhava para Cecília, que ainda me aperta

  • Erro de Conexão Tente Novamente   Mal acreditei Capítulo 77

    Capítulo 77CristianEu ainda segurava a mão de Cassandra, sentindo o calor fraco de sua pele contra a minha. Não havia movimento, nenhum sinal de que ela estava voltando para mim. O silêncio do quarto era ensurdecedor, quebrado apenas pelo som constante das máquinas que a mantinham monitorada. Meu coração apertava a cada segundo, e a angústia me corroía por dentro. Não saber o que fazer me deixava à beira da loucura. Mas, então, uma ideia surgiu. Algo que eu deveria ter pensado antes.— Damon... — minha voz saiu rouca, quase um sussurro. Ele ergueu os olhos para mim, parecendo exausto, assim como eu. — Eu preciso que você traga Cecília para cá.Ele franziu a testa, como se não tivesse certeza de ter ouvido direito. O olhar dele alternava entre mim e Cassandra, claramente confuso.— O quê? Aqui? — perguntou, cruzando os braços. — Você acha que isso pode ajudar?Engoli em seco e apertei ainda mais a mão de Cassandra.— Sim. Sim, eu acho que pode, é um tiro no escuro, mas eu sinto que p

  • Erro de Conexão Tente Novamente   Cecília Capítulo 76

    Capítulo 76CristianCinco dias. Já se passaram cinco dias. E eu estou aqui, sentado na beira da cama de Cassandra, observando cada respiração dela como se fosse a última. Cada leve movimento que ela fazia, cada suspiro profundo, eram como sinais de que ela estava lutando para voltar. Mas nada acontecia. O que antes parecia uma situação de transição, agora se tornava um pesadelo infernal.A máquina ao lado dela, que monitorava seu batimento cardíaco e a respiração, emitia um som regular e constante, mas para mim, esse som se tornava um eco distante. Eu só queria ouvir ela, ver seus olhos se abrindo. Eu só queria ver Cassandra acordando e me dizendo que tudo estava bem, que a dor e o medo que eu sentia iam desaparecer. Mas ela ainda estava ali, no silêncio profundo de um sono forçado, e eu sentia que meu próprio coração batia com menos força a cada hora que passava.Os médicos já haviam dito que ela estava estável. Mas o fato de não despertar estava se tornando um enigma que eles não

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status