Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim

Esposa Temporária:Ele me vê como um nada, mas precisa de mim

last updateLast Updated : 2026-04-06
By:  Sandra RummerCompleted
Language: Portuguese
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Ele me contratou para ser sua esposa. O problema é que meu coração não assinou contrato. Um acidente de carro me coloca diante do homem mais arrogante — e mais irresistível — que já conheci. Mas, em vez de me processar, Gabriel Monteiro me faz uma proposta absurda: um casamento de conveniência com prazo de validade. Eu sou Ana Clara Duarte, uma artista que sobrevive fazendo bolos enquanto luta para pagar as dívidas deixadas pelo tratamento da minha mãe e impedir que o banco tome minha casa. Gabriel é um CEO milionário, frio e controlador, acostumado a transformar tudo em negócios. Inclusive o amor. Ele precisa de uma esposa para convencer a família da falecida mulher de que seu filho, Leo, vive em um lar estável. Eu preciso do dinheiro para salvar minha vida. O acordo parece simples: morar sob o mesmo teto, fingir que somos apaixonados durante um ano e, depois, seguir cada um o seu caminho. Só que Leo começa a me enxergar como família. As brigas com Gabriel se transformam em uma atração impossível de ignorar. E os olhares, os toques e os beijos deixam de parecer parte de uma encenação. Enquanto a família dele tenta desmascarar nossa farsa, Gabriel luta contra um passado de traição que o ensinou a acreditar que amar é uma fraqueza. Quanto mais me aproximo do homem por trás da armadura, mais percebo que o contrato esconde segredos capazes de destruir tudo. Quando o prazo do nosso casamento chegar ao fim, precisarei escolher entre cumprir a promessa de partir ou lutar pelo homem e pela família que, sem perceber, transformaram minha vida em uma obra-prima. Porque alguns casamentos começam como uma mentira… mas podem se tornar o único lugar onde o coração finalmente encontra um lar.

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Chapter 1

O Impacto

O cheiro de tinta fresca ainda impregna o ar dentro do carro, mas eu mal percebo. Está grudado em mim, nas minhas mãos, nas minhas roupas, na minha vida inteira. Azul ultramar e ocre queimado ainda mancham meus dedos, e as marcas aparecem vivas contra o volante gasto do meu velho Fiat Uno, que range discretamente sempre que faço uma curva mais fechada. Tamborilo os dedos no couro rachado, tentando controlar a ansiedade que lateja no meu peito, mas não adianta.

Nada adianta.

A tela em branco que deixei no cavalete, lá em casa, continua me perseguindo mesmo estando a quilômetros de distância. Consigo vê-la com nitidez na minha mente, aquela superfície silenciosa e quase debochada esperando uma inspiração que simplesmente se recusa a vir. Mais uma tela vazia. Mais uma promessa de dinheiro que nunca chega. Mais uma tentativa desesperada de salvar uma vida que parece escorrer pelos meus dedos.

lho rapidamente para o relógio no painel e meu estômago se revira. 17h30. A entrega dos bolos para a festa infantil deveria ter sido feita há meia hora. Meia hora. Consigo imaginar perfeitamente a cara da cliente, uma socialite conhecida por trocar fornecedores como quem troca de bolsa. Ela provavelmente já está furiosa, andando de um lado para o outro em um salão cheio de balões caros enquanto reclama no telefone sobre “a incompetência da confeiteira”. Perder esse cliente seria péssimo. Mas perdera moradia… isso seria o fim.

A palavra volta a ecoar na minha cabeça como um sino fúnebre: banco. As dívidas médicas se acumulam como montanhas impossíveis de escalar. Cada ligação do hospital parece arrancar um pedaço da minha coragem. Cada boleto é mais pesado que o anterior. O banco não quer saber de histórias tristes, de diagnósticos, de promessas ou de lágrimas. O banco quer dinheiro. E a casa que pagava todo mês direitinho há anos, a única coisa que restou do tempo em que a vida parecia estável, está prestes a desaparecer. 

Outra carta de cobrança do aluguel chega. Outra ameaça silenciosa de despejo. Aperto o volante com mais força, sentindo a tensão subir pelos meus braços.

— Eu vou dar um jeito — murmuro para mim mesma, embora não tenha a menor ideia de como.

A chuva começa a cair. Primeiro tímida, como se estivesse testando o terreno. Depois mais insistente. As gotas batem no para-brisa e transformam a rua em um borrão de luzes e reflexos. Os limpadores se movem de um lado para o outro com um rangido irritante, lutando uma batalha perdida contra a água que insiste em se acumular. Acelero um pouco mais, ignorando o limite de velocidade. Eu sei que não deveria, mas o relógio continua correndo e o pânico dentro de mim também. Minha mente está tão cheia de pensamentos que o mundo ao redor parece desaparecer. Penso na conta do hospital. Penso na carta do banco e então tudo acontece rápido demais.

Eu não vejo o semáforo mudar para vermelho. Não vejo o carro parar à minha frente. Não vejo absolutamente nada. Eu só sinto. O impacto explode no ar com um baque seco que faz meu corpo ser empurrado violentamente contra o cinto de segurança. Metal contra metal. Um rangido horrível, como se o mundo estivesse sendo amassado junto com os carros. O Fiat treme inteiro antes de finalmente parar. Por um segundo que parece durar uma eternidade, fico ali parada, tentando entender o que aconteceu.

O silêncio que se segue é estranho. Pesado. Irreal. A chuva continua caindo, agora mais forte, batendo no teto do carro como pequenos martelos. Meu coração dispara tão rápido que sinto o pulso latejar na garganta. Pisco algumas vezes, tentando focar a visão. Olho para frente e vejo a traseira de um SUV preto brilhante. Luxuoso. Caríssimo. E agora com um amassado claro bem no meio.

— Não… — sussurro, levando a mão à testa. — Não, não, não…

Desligo o motor e abro a porta com as mãos tremendo. A chuva fria me atinge imediatamente quando saio do carro. O ar cheira a asfalto molhado, borracha queimada e metal quente. Dou alguns passos até o SUV, já imaginando o tamanho do prejuízo que eu causei. E então a porta do motorista se abre.

O homem que sai parece ter sido desenhado para capas de revista. Alto, postura impecável, terno cinza-chumbo perfeitamente ajustado ao corpo. Os cabelos escuros estão penteados com precisão e o olhar é frio, calculista. Eu reconheço aquele rosto imediatamente, mesmo na chuva. Gabriel Rodrigo Monteiro. O CEO da Monteiro Tech. O tipo de homem que aparece em revistas de negócios falando sobre bilhões e estratégias globais. O tipo de homem que definitivamente não deveria estar sendo atingido pelo meu Fiat Uno velho.

Ele olha primeiro para o carro. Depois para mim.

— Você está bem?

A voz dele é grave, controlada, mas distante, como se estivesse avaliando um problema corporativo em vez de um acidente.

Cruzo os braços, sentindo a irritação subir.

— Eu estou ótima, obrigada por perguntar. Já o seu carro… parece que ele teve um dia ruim.

Ele ignora completamente meu comentário e passa a mão pelo metal amassado. A testa se franze.

— Isso vai custar caro.

Meu estômago afunda.

— Muito caro.

— Eu sinto muito — digo, tentando recuperar um pouco da dignidade. — Eu estava distraída…

— Distraída?

Ele se vira para mim com um olhar afiado.

— Senhorita, dirigir distraída não é desculpa. É irresponsabilidade.

Sinto o sangue ferver.

— Eu sei o que eu fiz! Não preciso de sermão!

— Poderia ter causado algo muito pior.

— Eu tenho problemas, ok?! Problemas de verdade!

Ele ergue uma sobrancelha.

— Todos nós temos problemas. Isso não nos dá o direito de colocar outras pessoas em risco.

A discussão começa a esquentar, cada frase mais afiada que a anterior. A chuva aumenta, mas nenhum de nós parece notar. O mundo ao redor desaparece, reduzido apenas a dois estranhos irritados no meio da rua.

Até que uma pequena porta no banco traseiro do SUV se abre.

Um menino sai do carro. Cabelos castanhos claros, olhos verdes enormes e curiosos, usando um casaco de chuva amarelo que parece brilhar no meio daquele cenário cinza.

— Papai? O que aconteceu?

Sua voz é pequena, assustada. Ele dá um passo, tropeça em uma poça d'água e cai, raspando o joelho no asfalto molhado. Um pequeno gemido escapa de seus lábios.

Eu não penso. Meu instinto, adormecido sob camadas de preocupação e desespero, acorda com um sobressalto. Corro até o menino, ajoelhando-me ao lado dele.

— Oh, meu amor, você está bem? 

Minha voz é suave, cheia de carinho, um contraste gritante com o tom que eu usava com Gabriel. 

—Ei, calma… deixa eu ver. 

Examino o joelho do garotinho, que já começa a avermelhar.

— Não foi nada, um pequeno arranhão. Vamos limpar isso.

Tiro um lenço de papel do bolso, um que eu uso para limpar meus pincéis, e gentilmente o pressiono contra o joelho do menino.

— Você é um garoto muito corajoso, sabia?

Sorrio, um sorriso genuíno que ilumina meu rosto, e o garoto que estava prestes a chorar, solta uma risadinha.

— Eu sou?

Ele pergunta, os olhos brilhando.

—Sim. Os mais corajosos são os que levantam rápido.

Sinto um olhar pesado sobre mim. Levanto a cabeça e encontro Gabriel parado, a poucos centímetros de distância. Ele não diz nada por um momento. Sua expressão é indecifrável, uma máscara de gelo que parece ter sofrido uma rachadura imperceptível enquanto me via com o filho. Mas a rachadura se fecha rápido demais. Ele estende a mão para Leo, ajudando-o a se levantar, mas seus olhos permanecem fixos nos meus.

— Leo, entre no carro agora.

A voz dele sai mais baixa, mas ainda com aquele tom de comando que me irrita. O menino obedece, lançando-me um último olhar curioso antes de desaparecer atrás da porta pesada. Gabriel se vira para mim, a postura rígida, a chuva escorrendo pelo seu rosto sem que ele sequer pisque.

— Você tem um jeito interessante com crianças, senhorita...

Ele faz uma pausa, esperando que eu complete.

— Ana Clara — digo e limpo a água das minhas mãos na saia já encharcada.

— Pois bem, Ana Clara. Eu não sou um homem que aceita prejuízos por incompetência alheia. Você foi inconsequente. Atravessou um sinal vermelho e destruiu a traseira de um carro que vale mais do que esse seu... — ele olha para o meu Uno com um desdém que me faz querer sumir — ...veículo.

— Eu já pedi desculpas!

Retruco, sentindo a raiva borbulhar novamente.

— Desculpas não pagam a franquia do meu seguro, Ana Clara. E elas certamente não consertam o susto que você deu no meu filho. Você precisa aprender a lidar com as consequências de ser uma inconsequente.

Ele retira um cartão do bolso interno do terno e o estende para mim, e eu faço o mesmo, dou o meu. Seus dedos tocam os meus por um segundo, e eu sinto uma descarga elétrica que me faz recuar. 

— Esteja no meu escritório nesta quarta, às nove da manhã. Vamos discutir como você vai pagar por isso. E não pense em fugir. Eu tenho a sua placa e vou acionar meus advogados se você não aparecer.

Ele tira uma foto do meu carro e do dele e então da minha cara de rabo de cavalo toda molhada e entra no SUV sem esperar por uma resposta. O motor ruge e o carro se afasta, deixando-me sozinha na chuva, com um cartão dourado na mão e o peso de uma dívida que eu sei que não posso pagar. O desastre aconteceu, mas o que vem a seguir parece ser muito mais perigoso. Gabriel Monteiro não sabe quem eu sou, mas ele quer que eu pague. E eu não tenho ideia de como vou sair dessa.

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leitora compulsiva
leitora compulsiva
amei amei amei
2026-08-06 03:53:27
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0
Helen Leite De Almeida
Helen Leite De Almeida
Ah querida autora, assim vc me mata. kkkque história sensacional,vibrante, emocionante,dor,sofrimento,resiliência, superação e mto,mto,mto amor envolvido,queria botar num potinho o Leo, Gabriel e Ana. Maravilhoso demais ...... Ameiiiii ameiiiii e ameeeeeiiii
2026-08-03 23:40:47
3
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Dany   Cosen
Dany Cosen
Mais um lindo livro Sandra delicioso de ler. Mas precisa ser revisado, tem muitas repetições de parágrafos alguns contexto de lugares errados….
2026-08-02 22:35:55
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Anne
Anne
Top das Galáxias. Maravilhoso ....................................
2026-06-18 04:24:46
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Marcia Melek
Marcia Melek
Que história maravilhosa!!!
2026-06-15 05:29:15
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