MasukO almoço tinha corrido leve, cheio de conversa boa e risadas.Depois de comerem, quando Luiza se levantou para organizar as frutas e a sobremesa, Manuela logo a segurou:— Chega, você senta. A Sarah e o pessoal da cozinha já estão cuidando de tudo.— Eu só ia falar o que servir. — Luiza respondeu, rendida.— Até para dar palpite você gasta energia. — Manuela lançou para ela um olhar de leve reprovação carinhosa e, em seguida, virou-se para Nina. — Nina, Cauã, fiquem mais um pouco aqui. Eu vou no quintal olhar umas flores.Ela claramente queria deixar o espaço livre para que os mais novos pudessem conversar à vontade.Nina e Cauã assentiram quase ao mesmo tempo. Assim que Manuela se afastou alguns passos, Cauã não fez questão de disfarçar o assunto:— Ah, é mesmo, mana… Depois que o Soren soltou aquela declaração, alguns contratos voltaram a andar, não voltaram?Nina sabia exatamente ao que ele se referia:— Sim. Alguns parceiros tinham decidido suspender as negociações, mas ontem à tar
Gustavo emendou na mesma hora:— Então amanhã eu peço para a Cristina levar a documentação até você.— Está bem.Nina levou a xícara de café à boca e tomou um gole. A expressão dela não mudou em nada, como se tivesse acabado de fechar um acordo corriqueiro, sem nenhuma importância especial.Cauã, sentado ao lado, deixou os olhos correrem de um para o outro e acabou rindo:— Vocês dois fecham negócio mais rápido do que eu escolho o que vou comer.— É porque você complica demais até para pedir comida. — Gustavo devolveu, com aquele tom neutro de sempre.Cauã engasgou com a resposta e já ia retrucar, quando alguém bateu à porta.A voz de Luiza veio do outro lado:— Gustavo, vocês estão terminando? A vovó falou que, no máximo em dez minutos, o almoço vai estar na mesa.Ao ouvir isso, Gustavo se levantou e caminhou até a porta:— A gente acabou agora mesmo.Ele abriu, e Luiza estava ali no corredor, segurando uma bandeja com frutas já picadas. Ela se inclinou um pouco para olhar dentro do e
Na manhã seguinte, por milagre, o tempo havia melhorado.Cauã apareceu pontualmente nas Residências Brisa Serena. Ele estava no sofá massageando as pernas de Íris quando viu Nina descer as escadas. Na mesma hora, ele se levantou:— Mana, vamos? Eu já avisei o Gustavo.— Vamos.O cabelo de Nina continuava preso em um coque impecável na nuca. Ela aparentava a mesma frieza serena de sempre.— Vão lá. — Íris sabia que os dois tinham assunto sério para resolver. — Lembra a Luiza de se cuidar direitinho e, na hora de ganhar o neném, ela tem que me ligar.— Fica tranquila, mesmo se a senhora não falasse nada, eu e a Nina já íamos cobrar isso dela. — Cauã riu, e então saiu com a Nina.Quando chegaram ao carro, Nina lançou um olhar de lado para ele:— O que você falou para o Gustavo?— Só disse que você precisava conversar com ele. — Cauã deu a volta pela frente do carro e abriu a porta do passageiro. — Relaxa, eu não entrei em detalhes. Mas aquele cara é esperto demais, é quase certo que já te
Nina segurou o celular por um bom tempo sem dizer nada.Do outro lado da linha, como não ouviu resposta, Callum deixou a voz ainda mais pesada:— Nina, você entendeu o que eu quis dizer?— Eu entendi. — A voz de Nina permaneceu neutra, sem revelar emoção. — Já que o senhor acha que agora não é a hora certa, então eu espero mais um pouco.Callum pareceu não ter contado com uma resposta tão direta. Ele ficou em silêncio por um instante, como se estivesse avaliando se ela falava sério ou não.Por fim, ele disse, num tom mais brando:— Desde que você tenha isso claro na cabeça, está bom. No fim das contas, não é que eu não queira que você se divorcie. É que, se você insistir agora, isso não vai ser bom nem para você nem para a família Frota. Quando a poeira tiver baixado de vez, se você ainda quiser seguir em frente, eu não vou segurar você.— Está bem.Nina não prolongou o assunto. Ela encerrou a ligação sem rodeios. Quando baixou o aparelho, percebeu que, na tela de chamadas, havia um re
Soren não deu sequer espaço para Bruna responder. Ele encerrou a chamada na hora.Bruna podia ser impulsiva, mas também era do tipo que se intimidava facilmente diante de quem se mostrava mais forte.Depois de umas palavras duras, ela costumava recuar, quieta, sem coragem de continuar causando problema.Quando ouviu o sinal de chamada encerrada, Bruna soltou o ar dos pulmões como quem finalmente se livrava de um peso enorme.Aquele truque que ela tinha aprendido com o próprio Douglas, provocar até o outro falar o que ela queria ouvir, tinha funcionado. Sem perder tempo, ela salvou a ligação e mandou o áudio na mesma hora. Só então o coração dela, que tinha acalmado um pouco, voltou a bater apertado no peito.Ela não fazia ideia se aquela gravação ia ser suficiente para satisfazer o Douglas.No fim das contas, Soren não tinha reconhecido, com todas as letras, que ele era o principal articulador daquilo tudo. Mas, pela experiência que ela tinha acumulado lidando com ele, Bruna sabia que
Ao mesmo tempo, Soren acompanhava de perto o rumo que a opinião pública tinha tomado depois do comunicado.[Agora sim. A Nina e o Soren combinam tanto, não tem como eles se divorciarem de verdade.][O Soren veio ele mesmo esclarecer tudo. Dá para ver que ele ama demais a esposa.][Isso, tomara que a Nina saiba valorizar um marido desses! Não é porque ela está num lugar alto que…]Soren rolava a página com o mouse, e o sorriso no canto dos lábios não desaparecia em momento algum.Bryan entrou na sala depois de bater à porta:— Sr. Soren, o efeito do comunicado foi muito bom. A repercussão na internet saiu exatamente como nós tínhamos previsto. Pelo menos por agora, a Dona Nina não vai ter muita margem para voltar a tocar no assunto do divórcio. E, nesse meio-tempo, a empresa que, anteontem, tinha anunciado a suspensão da parceria com a gente acabou de mandar o contrato assinado de volta.Soren pousou a xícara de café e tamborilou duas vezes a ponta dos dedos sobre a mesa:— E a família







