Mag-log inGustavo olhou para Luiza e viu que ela estava serena, sem o menor sinal de culpa ou constrangimento.Ele soltou um risinho pelo nariz:— A vovó já sabia e eu não?Luiza pegou o sanduíche e, sem se alterar, respondeu com toda calma:— Eu te contei, sim.— E quando foi que você me contou? — Gustavo pensou um pouco. — Não me diga que foi enquanto eu tava dormindo.Luiza não respondeu. Ela lembrou, toda sem graça, da noite em que, no meio daquele calor entre os dois, ela tinha falado. Tinha dito tudo. Mas aquele homem, depois de tanto tempo se segurando, estava tão fora de si que não ouviu nada. E ainda teve a cara de pau de achar que ela só queria que ele tratasse o bebê como se fosse dele.— Por que você não tá falando nada?Gustavo estranhou o silêncio. Ele ia insistir na pergunta quando enxergou o vermelho discreto nas orelhas dela. Na mesma hora, algo lhe veio à mente, e ele franziu a testa, prestes a comentar, mas Manuela colocou um sanduíche no prato dele também.— Nem na hora de co
Essa frase tinha saído da boca de Gael e Gabriela não ficou nem um pouco surpresa.Ela apertou a palma da mão e explicou:— Mas o médico disse que a minha gravidez é de risco. Se a gente tiver relação, é bem provável que eu perca o bebê.Ela acreditava que, por mais cafajeste que Gael fosse, ele ainda teria algum limite.Mal sabia ela que Gael reagiria como se tivesse ouvido uma piada. Ele esticou a mão para acender a luz e comentou, com um riso leve e cruel:— Não é nenhum tesouro de ouro pra ficar protegendo. Se perder, perdeu.Gabriela sentiu como se tivesse sido jogada dentro de um poço de gelo. Ela não sabia dizer se era frio ou medo: o corpo inteiro dela tremia, e ela tentou, pela última vez, apelar para um resquício de consciência nele:— Gael, eu tô carregando o seu filho…Gael riu ainda mais, sem esconder o nojo nos olhos:— Quem garante que esse filho é meu, porra?Gabriela arregalou os olhos, sem acreditar no que tinha escutado.Ela já estava acostumada a ver a família Soare
Catarina quase não conseguiu segurar o riso. Ela levou a mão à boca, fingindo surpresa, e olhou para o marido, Otávio:— Otávio, e agora… O que a gente faz?O rosto de Gael mudou na hora. Ele nem teve coragem de encarar Gabriela, mirou direto o motorista:— Você tá dizendo que ela não é da família Frota? Se for assim, eu… Eu peço um favor: fala pro Cauã que eu… Que eu sempre quis casar com a quinta senhorita da família Frota…— Sr. Gael. — O motorista respondeu, com um sorriso que não chegava nos olhos. — É melhor o senhor não repetir essa última frase perto do Sr. Cauã. Ele tem um gênio meio complicado, eu sinceramente tenho medo que ele acabe matando o senhor.Depois disso, ele pisou no acelerador, pronto pra ir embora.Era óbvio que Gael não podia deixar. Ele ignorou completamente os olhares de deboche da própria família, agarrou a maçaneta da porta do carro e, quase suplicando, implorou:— Fala… Fala com o Cauã por mim. Eu não posso casar com a Gabriela, de jeito nenhum!Se ele rea
Naquele surto histérico, ela não causou a menor impressão no motorista.Aquele motorista trabalhava diretamente para Cauã. Ele estava longe de ter os princípios e os limites que tinham as pessoas de Nina ou de Edson.O critério de Cauã para resolver qualquer coisa sempre tinha sido simples: desde que ele ficasse satisfeito, o resto que se danasse.O motorista levou isso ao pé da letra. Ele pisou no freio, encostando o carro com toda a calma do mundo.Logo atrás, três ou quatro carros também pararam em fila certinha.Só então Gabriela percebeu que Cauã não tinha mandado apenas “um” homem levá-la. Ele já tinha bloqueado todas as rotas de fuga. Mesmo que ela partisse para um tudo ou nada com aquele motorista, ela não teria por onde escapar.Quando o motorista notou o desespero estampado no rosto dela, ele finalmente falou, num tom arrastado:— Gabriela, se você não colaborar, aí eu vou ter que ligar pro Gael vir te buscar pessoalmente. Você conhece o jeito dele, né? Pra falar a verdade, v
Naquele horário, para a Cidade A ainda não era exatamente “tarde”. As ruas estavam cheias, o movimento no auge.Cauã só tinha mandado um motorista levar Gabriela.Mas Gabriela não se importava. Desde que eles não continuassem mantendo ela em cárcere branco, nem atrapalhassem o plano de casar de volta na família Soares, já estava ótimo.Pelo visto, a família Frota também não achava lá grande coisa aquela filha perdida que tinha reaparecido, a tal da Luiza.Todos aqueles anos em que Luiza tinha sido humilhada por ela… E, agora, a família Frota parecia simplesmente não ligar.Pensando nisso, Gabriela deixou escapar um sorriso torto. Ela lançou um olhar pela janela e, de repente, percebeu algo errado:— Você tá indo pro lado errado. Se não souber o caminho, liga o GPS.O motorista nem virou o rosto na direção dela, nem respondeu. Ele continuou dirigindo, impassível, sem o menor sinal de que fosse fazer meia-volta.Gabriela perdeu a calma:— Você tá surdo? O Cauã não falou pra você me levar
Residências Brisa Serena.Assim que os três irmãos entraram em casa, Nina sentiu que tinha alguma coisa errada.Cauã chamou uma das empregadas e perguntou:— Cadê a minha mãe?— Sr. Cauã. — A funcionária respondeu às pressas. — A Dona Íris desmaiou de repente. O Sr. Durval foi com ela na ambulância pro hospital.— Pra qual hospital?Edson e Cauã perguntaram ao mesmo tempo.Nina franziu a testa:— Eles brigaram?Nos últimos tempos, a saúde de Íris já tinha melhorado bastante, não era de se esperar um desmaio do nada. A explicação mais provável era só uma: por causa da história da Amanda, Durval tinha discutido de novo com Íris e acabado deixando ela passar mal.A funcionária não sabia a quem responder primeiro. Ela respirou fundo, organizou as ideias e explicou:— Eles não brigaram, não. No jantar tava tudo normal. A Dona Íris desmaiou depois, no quintal, enquanto fazia os exercícios de fisioterapia.Em seguida, ela olhou para Edson e Cauã:— Levaram ela pro Hospital Prime Care.Era um







