LOGINA voz dele subia e descia na medida certa, e Luiza, lá em cima no terraço, ouviu cada sílaba com nitidez.Ela sabia bem demais que Vinicius não estava brincando nem fazendo cena. Ele tinha vindo preparado.E a vida dela dependia inteiramente de um gesto dele. Quem quer que tentasse salvá‑la, só teria um caminho: obedecer Vinicius sem discutir.Mas ela também queria que Gustavo vivesse.Ela queria que Gustavo, ela e o bebê — os três, como uma família — saíssem dali ilesos.A luz forte do jardim deixava o rosto de Gustavo completamente exposto. Luiza viu com clareza a hesitação no olhar dele. Então, como se ele sentisse o peso do olhar dela, o foco dos olhos dele mudou.Dessa vez, Luiza não fez nenhum gesto, não gritou, não balançou a cabeça. Ela simplesmente sustentou o olhar dele, sem piscar.Ao lado, Ethan acompanhou a cena em silêncio, como se, de repente, alguma coisa importante tivesse se encaixado na cabeça dele.Já Cauã mordeu o lado interno da bochecha, desviou o olhar na direçã
O vento cortante do inverno passou pelo terraço, fez Luiza estremecer inteira. Ela não sabia se era o frio, ou o medo que a esvaziava por dentro.O pensamento mal tinha se formado na cabeça dela quando, ao longe, na estrada escura, uma sequência de faróis se acendeu de repente.Vários sedãs pretos avançaram em alta velocidade.O carro da frente, Luiza reconheceu na mesma hora. Era o de Gustavo.Quando ela lembrou do plano de Vinicius, ela tentou se levantar da cadeira num ímpeto, mas o homem de óculos a empurrou de volta com força.Ele agarrou o queixo dela, apertando o maxilar:— Luiza, você não tinha prometido que ia colaborar? O Sr. Vinicius mandou eu não bater em você. Mas, se você inventar qualquer gracinha, eu juro que faço você e esse seu filho morrerem juntos.Nas duas últimas palavras, ele mordeu cada sílaba, um aviso claro — e uma sentença, se fosse preciso.Um arrepio gelado percorreu o corpo de Luiza. Ela nem ousou continuar lutando. Só depois de puxar o ar fundo ela conseg
Luiza ficou sem reação.Vinte anos atrás, Gustavo ainda era só uma criança de dez anos, sem poder, sem influência. Como é que ele podia carregar duas vidas nas costas?— Com certeza tem algum mal-entendido nisso. Naquela época o Gustavo mal tinha passado dos dez anos…— Eu falei em algum momento que tinha sido ele? — Vinicius devolveu a pergunta e, só então, comentou num tom displicente. — Dívida de pai, o filho paga. Onde está o problema?Ao ouvir aquilo, Luiza finalmente entendeu o fio daquela história. Aquilo não tinha a ver com Gustavo em si.Mas o que exatamente o pai de Gustavo tinha feito? Tinha sido mesmo assim, sem nenhuma distorção? Ela não tinha como saber naquele momento.Antes que ela conseguisse dizer qualquer coisa, o homem de óculos entrou às pressas, empurrando a porta e se curvando com respeito:— Sr. Vinicius, eles já chegaram na área.O instinto de Luiza dizia que aquele “eles” se resumia a uma pessoa: Gustavo.— Tão rápido? — Vinicius sorriu, como se já esperasse.
Luiza só voltou a si quando tudo em volta ainda estava mergulhado numa penumbra pesada. A certa distância, ela viu uma escada com corrimão, e uma luz fraca descia lá de cima.Era evidente que ela estava num porão, mas, só por isso, ela não tinha como adivinhar onde exatamente se encontrava.A mão daquele homem de óculos tinha sido muito forte. A nuca dela ainda latejava, doía de leve. O estranho era que ele não tinha a amarrado.Ela se ergueu do sofá de couro vermelho-escuro, massageou o pescoço dolorido e se levantou, andando devagar na direção da escada, para testar até onde conseguia ir.Ela subiu o primeiro degrau, depois o segundo, saiu do porão… E ninguém apareceu para detê-la.O imenso salão da mansão, luxuoso e impecável, estava só com uma iluminação bem baixa e aparentemente não havia um único segurança por perto.Luiza fechou a mão com força, sentindo as palmas suadas. Ela não se permitiu hesitar. Ela disparou em linha reta na direção da entrada principal.Quando ela estava p
Provavelmente por convivência e criação, os filhos da família Frota, desde pequenos, sempre tinham sido fascinados por todo tipo de arma.Quando Cauã ainda estava no começo do ensino fundamental, o quarto dele já vivia abarrotado de modelos de armas, aviões de guerra, tanques e navios de combate.Numa das viagens em que Jennifer voltara com os pais para Cidade B, ela tinha acabado de aprender a andar. Ela engatinhou e cambaleou sozinha até o quarto de Cauã, pegou justamente aquela arma de brinquedo e não quis largar de jeito nenhum.Antes de Jennifer nascer, Cauã também tinha sido o caçula mais mimado da casa, acostumado a fazer o que queria. Naquela época, ele empacou e, de birra, se recusou a dar a arma para Jennifer, por nada neste mundo.Mais tarde, quando ele quis entregar a arma para ela, já não teve mais chance.Durante todos aqueles anos morando em Cidade A, ele tinha deixado quase tudo em Cidade B. A única exceção tinha sido aquela pistola de modelo, que ele manteve sempre por
— E, além disso, como é que o senhor sabe que a polícia não tem prova suficiente?Nina fez um leve gesto de queixo na direção dos policiais, e o agente à frente entendeu o recado na mesma hora:— Sr. Durval, se a gente não tivesse nada em mãos, a gente não viria até aqui estragar a sua festa.Vendo que Nina e a polícia insistiam em não lhe dar nenhum tipo de deferência, Durval começou a se irritar. Ele fechou a cara:— E se eu disser que hoje ninguém vai tirar ela daqui na minha frente?— Sr. Durval…A postura dele era rígida demais, e aquilo deixou os policiais numa saia-justa.Cumprir a lei era obrigação, claro. Mas Durval não era um cidadão qualquer, ainda mais naquela ocasião, em que eles tinham vindo com o aval silencioso de Nina.No fim das contas, porém, um era o pai, a outra era a filha.Embora todos soubessem que, enquanto o Sr. Callum não se metesse, quem de fato mandava na família Frota era Nina, se eles pudessem escolher, prefeririam sair dali sem comprar briga com nenhum d







