ログインO céu estava coberto por uma garoa miúda, e o frio cortava no osso.Só quando Luiza chegou debaixo da marquise é que ela foi falar, em um tom calmo e controlado:— Sr. Osvaldo, por que o senhor não me ligou antes? E se por acaso eu não estivesse atendendo hoje, o senhor não ia vir aqui à toa?— Eu olhei pela internet antes de vir. Eu sabia que você ia atender de manhã. — Osvaldo respondeu, com naturalidade. — E, de qualquer forma, eu tenho me sentido bem melhor nos últimos dias. Mesmo que eu viesse à toa, não seria nenhum grande sacrifício.Enquanto falava, ele deu mais um passo para perto, com a intimidade de quem já se considerava de casa:— Assim eu também aproveito para ver como você está. E o bebê, está bem?Quando ele disse isso, o olhar dele desceu para a barriga já bem visível de Luiza. O sorriso no rosto era manso e preocupado, exatamente como o de um velho conhecido que se importava com a nova geração.Luiza, sem deixar transparecer nada, se afastou meio passo de lado e fez u
Nina entendeu perfeitamente o que a mãe queria dizer: Íris não queria forçar nada, mas também torcia para que ela conseguisse seguir em frente.Ela levou a xícara de café aos lábios e respondeu com um leve som de concordância, como quem tinha ouvido de verdade e guardado aquelas palavras.Douglas, sentado na diagonal em relação a elas, estava com a cabeça baixa, concentrado no café da manhã. No entanto, o movimento da mão dele, levando a comida à boca, parou por um segundo antes de voltar ao ritmo normal.Ele pegou mais um pão de queijo, mas aquele não tinha o mesmo sabor do anterior. Na boca, parecia seco, sem graça, quase como se ele estivesse mastigando papel. Quando engoliu, até a garganta pareceu arranhar.Ele levou o copo de leite aos lábios e bebeu um gole, enquanto o olhar, de forma quase imperceptível, passava por Nina e parava nela. Ele viu que ela estava de cabeça baixa, digitando no celular.Ele imaginou que Nina provavelmente estivesse respondendo ao Saulo.Ele desviou o o
Na manhã seguinte, Douglas acordou de uma vez só, ainda bem cedo.Quando ele desceu, ele estava usando uma blusa de gola alta branca e uma calça social escura, o visual inteiro bem limpo e arrumado.O único problema era que, debaixo dos olhos, ele ainda carregava duas sombras suaves de olheira.Íris foi quem viu Douglas primeiro. O olhar dela parou no rosto dele por um instante:— Douglas, você não dormiu bem? Você não se acostumou?— Não, Dona Íris. — Douglas se aproximou para ajudá‑la a se sentar, e o canto dos lábios dele puxou um sorriso educado. — Ontem à noite eu fiquei resolvendo umas coisas de trabalho e acabei indo dormir muito tarde.Ele não tinha como dizer que tinha passado a noite remoendo a conversa telefônica com Soren.— Trabalho é importante, mas o corpo é mais ainda. — Íris reclamou, com carinho. Ela se deixou conduzir até a cadeira na mesa de jantar e se sentou. Depois, ela ergueu a voz em direção à escada. — Edson, Nina, venham tomar café! Não façam o convidado fica
Quando Douglas ia fechar a porta, o movimento dele voltou a travar. Ele viu que Nina já se preparava para ir embora pelo corredor e chamou no impulso, sem pensar demais:— Nina…Nina virou o rosto para ele. O olhar dela estava calmo, com aquela paciência típica de irmã mais velha.— O que foi?Ela achou que ele estivesse precisando de alguma coisa:— A funcionária deve ter deixado roupas limpas e itens de higiene no quarto. Está tudo aí dentro.O pomo de adão de Douglas subiu e desceu. Ele perguntou, como se fosse algo casual:— O Saulo está tentando ficar com você?A pergunta surgiu tão do nada que o corredor mergulhou num segundo de silêncio.Nina se apoiou no batente da porta, realmente surpresa com a objetividade dele.— Está. — Ela não negou; ao contrário, ainda sorriu de leve. — O que você acha dele?Douglas viu, naqueles olhos límpidos, que ela estava mesmo pedindo a opinião dele.Aquela confiança fez um leve aperto subir no peito dele, misturado a uma alegria pequena e secreta.
Saulo não pareceu se incomodar. Ele olhou o mostrador do relógio e se levantou em seguida:— Já está tarde, eu vou voltar para o hotel.Ele voltou o olhar para Douglas, cordial:— Quer ir comigo? Eu te deixo lá.O movimento de Douglas travou por um segundo. Os olhos escuros, sempre tão limpos, buscaram o rosto de Nina:— Nina, eu posso dormir aqui hoje?Nina pareceu um pouco surpresa, mas respondeu sem hesitar:— Claro que pode. Cauã, pede para a funcionária arrumar um quarto para o Douglas. Eu vou acompanhar o Saulo até a porta.— Tá.Cauã assentiu e lançou a Douglas um olhar cheio de duplo sentido, antes de se levantar para chamar Sarah.Nina e Saulo caminharam lado a lado até a entrada.Quando chegaram ao portão, Saulo parou e virou o rosto para ela, a voz mansa:— Aquele garoto da família Williams é irmão do seu ex-marido, né?— É. — Respondeu Nina.Saulo inclinou levemente a cabeça:— Pelo jeito, ele se dá bem com você.Nina deu um sorriso leve:— Eu vi ele crescer. Eu sempre trat
Cauã arqueou uma sobrancelha, de forma discreta, com os olhos ainda fixos na pista à frente, mas sem perder uma palavra do que saía do viva-voz.Joyce claramente tinha sido pega de surpresa por aquela frase. Ela hesitou antes de insistir:— Então o que você quer? Você fala para mim o que é.Douglas ficou em silêncio por alguns segundos. O canto do olho dele passou de relance por Cauã ao lado, e ele engoliu de volta as palavras que já estavam na ponta da língua.— Deixa para lá. Eu vou desligar.Ele encerrou a ligação, virou o celular com a tela para baixo e o deixou sobre o colo. Em seguida, virou o rosto para a janela, sem acrescentar mais nada.Pelo espelho retrovisor, Cauã lançou um olhar rápido para ele, mas não fez nenhuma pergunta. Ele apenas aumentou um pouco a temperatura do ar-condicionado.O carro cortou a noite em direção ao sul. Quando o carro cruzou a entrada de Cidade A, já passava das oito.Em vez de ir primeiro para a própria casa, Cauã dirigiu direto para as Residência






