ANMELDENNa manhã seguinte, Douglas acordou de uma vez só, ainda bem cedo.Quando ele desceu, ele estava usando uma blusa de gola alta branca e uma calça social escura, o visual inteiro bem limpo e arrumado.O único problema era que, debaixo dos olhos, ele ainda carregava duas sombras suaves de olheira.Íris foi quem viu Douglas primeiro. O olhar dela parou no rosto dele por um instante:— Douglas, você não dormiu bem? Você não se acostumou?— Não, Dona Íris. — Douglas se aproximou para ajudá‑la a se sentar, e o canto dos lábios dele puxou um sorriso educado. — Ontem à noite eu fiquei resolvendo umas coisas de trabalho e acabei indo dormir muito tarde.Ele não tinha como dizer que tinha passado a noite remoendo a conversa telefônica com Soren.— Trabalho é importante, mas o corpo é mais ainda. — Íris reclamou, com carinho. Ela se deixou conduzir até a cadeira na mesa de jantar e se sentou. Depois, ela ergueu a voz em direção à escada. — Edson, Nina, venham tomar café! Não façam o convidado fica
Quando Douglas ia fechar a porta, o movimento dele voltou a travar. Ele viu que Nina já se preparava para ir embora pelo corredor e chamou no impulso, sem pensar demais:— Nina…Nina virou o rosto para ele. O olhar dela estava calmo, com aquela paciência típica de irmã mais velha.— O que foi?Ela achou que ele estivesse precisando de alguma coisa:— A funcionária deve ter deixado roupas limpas e itens de higiene no quarto. Está tudo aí dentro.O pomo de adão de Douglas subiu e desceu. Ele perguntou, como se fosse algo casual:— O Saulo está tentando ficar com você?A pergunta surgiu tão do nada que o corredor mergulhou num segundo de silêncio.Nina se apoiou no batente da porta, realmente surpresa com a objetividade dele.— Está. — Ela não negou; ao contrário, ainda sorriu de leve. — O que você acha dele?Douglas viu, naqueles olhos límpidos, que ela estava mesmo pedindo a opinião dele.Aquela confiança fez um leve aperto subir no peito dele, misturado a uma alegria pequena e secreta.
Saulo não pareceu se incomodar. Ele olhou o mostrador do relógio e se levantou em seguida:— Já está tarde, eu vou voltar para o hotel.Ele voltou o olhar para Douglas, cordial:— Quer ir comigo? Eu te deixo lá.O movimento de Douglas travou por um segundo. Os olhos escuros, sempre tão limpos, buscaram o rosto de Nina:— Nina, eu posso dormir aqui hoje?Nina pareceu um pouco surpresa, mas respondeu sem hesitar:— Claro que pode. Cauã, pede para a funcionária arrumar um quarto para o Douglas. Eu vou acompanhar o Saulo até a porta.— Tá.Cauã assentiu e lançou a Douglas um olhar cheio de duplo sentido, antes de se levantar para chamar Sarah.Nina e Saulo caminharam lado a lado até a entrada.Quando chegaram ao portão, Saulo parou e virou o rosto para ela, a voz mansa:— Aquele garoto da família Williams é irmão do seu ex-marido, né?— É. — Respondeu Nina.Saulo inclinou levemente a cabeça:— Pelo jeito, ele se dá bem com você.Nina deu um sorriso leve:— Eu vi ele crescer. Eu sempre trat
Cauã arqueou uma sobrancelha, de forma discreta, com os olhos ainda fixos na pista à frente, mas sem perder uma palavra do que saía do viva-voz.Joyce claramente tinha sido pega de surpresa por aquela frase. Ela hesitou antes de insistir:— Então o que você quer? Você fala para mim o que é.Douglas ficou em silêncio por alguns segundos. O canto do olho dele passou de relance por Cauã ao lado, e ele engoliu de volta as palavras que já estavam na ponta da língua.— Deixa para lá. Eu vou desligar.Ele encerrou a ligação, virou o celular com a tela para baixo e o deixou sobre o colo. Em seguida, virou o rosto para a janela, sem acrescentar mais nada.Pelo espelho retrovisor, Cauã lançou um olhar rápido para ele, mas não fez nenhuma pergunta. Ele apenas aumentou um pouco a temperatura do ar-condicionado.O carro cortou a noite em direção ao sul. Quando o carro cruzou a entrada de Cidade A, já passava das oito.Em vez de ir primeiro para a própria casa, Cauã dirigiu direto para as Residência
Soren achava que Douglas, por sair em defesa de uma “estranha” e ficar ali comprando briga com ele sem largar do osso, só podia ser um idiota.Parecia que até o ar em volta tinha ficado mais pesado.Quanto mais Soren pensava, mais aquilo lhe parecia ridículo.— Douglas, a Nina disse que considera você como um irmão mais novo, e você realmente acredita que é irmão de sangue dela? Eu e você é que somos irmãos de verdade…— E o que isso tem a ver comigo? — Douglas cortou a frase no meio. Nos olhos que quase sempre pareciam frios e distantes, surgiu de repente um brilho firme, autoritário. — Se você machuca ela, você paga por isso.A voz dele saiu baixa, mas sem deixar espaço para recuo:— Você não valoriza ela. Sempre vai ter gente…Antes que ele terminasse a frase, a porta do salão foi empurrada por alguém do lado de fora. Ele viu Cauã parado na entrada e engoliu o resto das palavras.Cauã ficou ali, no vão da porta, o olhar passando pelos dois irmãos em confronto, até enfim parar em Dou
A eficiência de Cauã em resolver problemas tinha sido bem maior do que a Nina tinha imaginado.Na noite seguinte, quando as luzes da cidade já tinham se acendido, Nina tinha acabado de chegar às Residências Brisa Serena quando o celular dela tocou. Era ele.Nina atendeu, levemente surpresa:— Aconteceu alguma coisa?A influência da família Williams em Cidade B não era pequena. Se Soren tivesse descoberto com antecedência que Cauã tinha voltado para lá, não seria impossível que ele tivesse mudado os planos.— Já está resolvido. — Respondeu Cauã, sem qualquer introdução.A frase não tinha ligação nenhuma com o que ela tinha perguntado, mas Nina captou o sentido na hora. Ela baixou os olhos para a tela, conferindo o horário por instinto:— Você tem certeza?Mal passava das seis da tarde. Aquela gente provavelmente nem tinha chegado direito à porta do salão reservado do restaurante.A voz de Cauã veio carregada de diversão, como se ele tivesse acabado de assistir a um espetáculo:— Tenho c






