INICIAR SESIÓNPOV Dominic
A porta se fechou, mas o eco da presença dela ainda habitava a sala, um fantasma sensual que envenena o ar que eu respirava. O silêncio, outrora minha aliado, agora era opressivo. Fiquei de pé, minhas mãos apoiadas na fria superfície de mármore da escrivaninha, tentando encontrar um ponto de equilíbrio que pareciaPOV: DominicEu não dormi.Passei a madrugada olhando para o teto, repetindo cada palavra de Eva como se pudesse encontrar uma resposta escondida entre elas.Uma transa não era um relacionamento.Eu sabia disso. O problema era que nunca precisei explicar a ninguém o que queria depois de uma noite juntos. As mulheres que passaram pela minha vida sempre entenderam os limites antes mesmo de entrarem no meu quarto.Com Eva, eu não queria limites.Queria encontrá-la na minha cama, na minha cozinha, no banco ao lado do meu carro e no lugar que ela já ocupava dentro da empresa. Queria discutir com ela antes do café e ouvir sua voz me desafiando até quando eu estivesse errado.Principalmente quando eu estivesse errado.Às sete da manhã, desisti de fingir que dormiria e fui para o escritório.Eva chegou às oito e quinze.Eu soube porque reconheceria o som dos saltos dela mesmo no meio de um incêndio.Esperei.Ela não entrou na minha sala.Às nove, mandei uma mensagem.“Precisamos conversar.”E
POV: Eva MonteiroAssim que abri a porta, o ar frio do salão bateu no meu rosto.Victoria e Isadora estavam nos esperando a alguns metros de distância. Não perto o suficiente para terem ouvido alguma coisa. Mas perto o bastante para perceberem que meu batom não estava igual, que o cabelo tinha perdido a perfeição de Cléo e que Dominic ainda segurava minha mão como se pretendesse impedir que eu desaparecesse.Eu devia estar com vergonha.Só conseguia sentir tudo ao mesmo tempo.O corpo ainda tremia por causa dele. A cabeça tentava alcançar o que tinha acabado de acontecer. Meu primeiro orgasmo de verdade. Minha primeira vez com Dominic. Minha primeira vez depois de Gustavo.E o desgraçado tinha transformado o momento em cobrança de contrato antes mesmo de a minha respiração voltar ao normal.Soberbo demais. Mesmo para ele.— Finalmente — Victoria disse quando nos aproximamos. O olhar dela desceu até nossas mãos entrelaçadas. — Você desaparece no meio da inauguração da própria empresa e
POV: DominicFechei a distância entre nós antes que Eva encontrasse outra pergunta capaz de me fazer recuar.Minha boca tomou a dela.Por um segundo, ela ficou imóvel. Então seus dedos agarraram a lapela do meu paletó e me puxaram com força, acabando com qualquer dúvida que eu pudesse ter. O beijo deixou de ser uma confissão e virou uma disputa. A língua dela encontrou a minha, provocadora, enquanto eu apertava sua cintura e sentia o cetim deslizar sob meus dedos.— Dominic? — Isadora bateu novamente. — Você me ouviu?Afastei minha boca apenas o suficiente para responder.— Vá embora, Isadora.Eva abriu os olhos.— Você acabou de mandar a embaixadora da sua campanha embora.— Tenho outras prioridades.— Sua mãe está esperando.— Ela vai sobreviver alguns minutos.Voltei a beijá-la, mas Eva colocou a mão no meu peito.— O que você está fazendo?— O que eu deveria ter feito desde o começo, em vez de procurar outro homem para você.— Isso não é uma resposta.— Então aqui está: se quiser
POV: Eva MonteiroDurante três segundos, o salão inteiro ficou em silêncio.Depois, o inferno abriu a boca.— Senhor Castellan, há quanto tempo vocês estão juntos?— Eva, o relacionamento começou antes ou depois de você se tornar assistente dele?— Isso é uma confirmação oficial?As perguntas vinham de todos os lados. Flashes estouravam diante dos meus olhos e a mão de Dominic continuava presa à minha, como se ele tivesse medo de que eu fugisse.O que não era uma preocupação absurda. Eu tinha experiência no assunto.— Não haverá perguntas sobre a minha vida pessoal esta noite — Dominic respondeu, recuperando a máscara fria. — Estamos aqui para celebrar a Holding.A resposta não serviu para nada. Eles continuaram perguntando.Olhei para Victoria. Ela não piscava. Isadora mantinha o sorriso, mas apertava a haste da taça com tanta força que eu esperava vê-la quebrar.Puxei Dominic pela mão.— Venha comigo.— Eva...— Agora.Atravessei o salão sem esperar autorização. Encontrei um corredo
Capítulo 43POV: Eva MonteiroO sábado chegou com a delicadeza de um caminhão sem freio.Às sete da noite, eu estava no meio da sala de Camila, usando o Midnight Sky, enquanto Cléo circulava ao meu redor com alfinetes na boca. O cetim azul, quase negro, deslizava pelo meu corpo e deixava minhas costas expostas até um ponto que deveria ser ilegal em pelo menos três países.— Para de prender a respiração — Cléo ordenou, puxando o tecido na minha cintura. — O vestido foi feito para o seu corpo. Não para a versão desmaiada dele.— Eu não estou prendendo a respiração.— Está sim — Camila disse, sentada no sofá, já pronta em um vestido dourado que fazia a pele dela brilhar. — Desde que acordou.Revirei os olhos, mas não discuti.A inauguração da Holding não era só uma festa. Victoria, Isadora e a avó de Dominic estariam lá. E, em algum lugar entre champanhes caros e sorrisos falsos, Dominic talvez cumprisse a promessa de me apresentar alguém.Só pensar nisso me dava uma sensação azeda.— Se
POV DominicA porta se fechou, mas o eco da presença dela ainda habitava a sala, um fantasma sensual que envenena o ar que eu respirava. O silêncio, outrora minha aliado, agora era opressivo. Fiquei de pé, minhas mãos apoiadas na fria superfície de mármore da escrivaninha, tentando encontrar um ponto de equilíbrio que parecia ter fugido de mim.Era um vazio estranho, uma sensação de ausência que se misturava com uma negação feroz. A moralidade básica de um homem que não deveria se apaixonar pela sua própria assistente.







