Compartir

Capítulo 2

Autor: Nenny Santos
last update Fecha de publicación: 2025-07-22 12:36:20

POV Eva Monteiro

Eu não podia acreditar no que meus olhos estavam vendo.

Com uma frieza que eu nem sabia que tinha. Ou talvez fosse só o instinto. Minha mão foi automática até o celular, que ainda estava no bolso da minha bolsa de emergência. Tremendo, eu abri a câmera, coloquei no modo vídeo e encostei a porta do banheiro com o mínimo de ruído possível. Comecei a gravar.

Se tudo fosse acabar, que acabasse com provas. Eu não deixaria que me pintassem de louca, ingrata, exagerada. Não dessa vez.

O celular registrou tudo. Meu testemunha.

Ele encostado na parede, ela com o vestido de madrinha levantado até a cintura, o sussurrar de promessas nojentas.

A boca dele colada no pescoço dela.

Os dedos dela puxando o cabelo dele

Gravou cada mão boba, cada risada, cada gemido nojento que saía da boca dos dois.

Minha penteadeira virou motel.

Minha ex-melhor amiga virou amante de rodapé.

E meu noivo? Um canalha sem vergonha nem cérebro.

Eles saíram do quarto arrumando as roupas, rindo, como se tivessem acabado de fazer uma travessura.

"A idiota nem desconfia..."

Ela riu.

Ele riu.

E eu gravei.

Tudo.

Meu coração quebrou em câmera lenta, como vidro de pára-brisa sendo atingido por uma pedra.

Mas eu segurei.

Aquela cena ainda martelava na minha cabeça como um pesadelo em loop.

Ainda no banheiro, meu corpo tremia. Mas meu rosto? Parado.

Como se a alma tivesse saído e deixado só a casca com o vestido caro.

Abri a porta devagar.

O quarto estava vazio. Mas não do jeito certo...

Penteadeira bagunçada. Lenço com batom jogado.

Silêncio de crime recém-cometido.

Olhei para o espelho.

A mesma maquiagem. O mesmo penteado. O mesmo vestido.

Mas não era mais a mesma Eva.

Peguei o celular, entrei no site da agência de viagem.

Lua de mel em Gramado: cancelada.

Hotéis: cancelados.

Aluguel do carro conversível: cancelado.

Usamos uma parte do dote para programar todas essas coisas. Mas agora eu tinha outros planos pra ele.

Com os dedos duros, gelados, como se fossem de outra pessoa., comprei uma passagem só de ida para Avermoor

Saída: amanhã cedo.

Destino: Avermoor. Nome esnobe, clima gelado, e tudo o que eu precisava pra sumir.

Respirei fundo. 

O choro ameaçou. Mas não. Ele ia ter que esperar. Eu poderia fazer um escândalo, chorar e ficar mal, mas algo em mim dizia para ver aquela situação como uma oportunidade de finalmente seguir sonho.

Eu fui feita de idiota por quatro anos. Mas juro por tudo que esse foi o último papel que eu aceitei sem ser paga

Eu sou formada em TI em uma faculdade ótima da minha cidade, tenho certificado em gestão e análise de dados. Eu tenho o que é preciso para recomeçar em uma cidade nova.

Os pais do Gustavo farão de tudo para compensar meus pais pelo mau caráter do filho, e eu vou poder ficar tranquila até encontrar um emprego e poder cuidar deles de longe. 

Eu já sabia o que fazer!

E nada iria me impedir dessa vez.

Batidas na porta.

— Filha? Podemos entrar?

Endireitei a postura. Limpei a expressão.

Eu não seria lembrada como a noiva abandonada. Eu ia sair dali como mulher que estava pronta para dar a volta por cima.

— Claro! — Minha voz quase falhou. 

Minha mãe entrou primeiro.

— Eva… você tá tão linda… Eu trouxe algo para você. 

Ela trazia uma caixinha de presente nas mãos, tremendo de emoção. Meu pai veio atrás, com os olhos marejados e o rosto duro.

— Eram da sua avó… Ela deixou para você antes de morrer, e eu esperei o momento certo para te entregar.

Era um colar com um pingente de rosa prateado, a  joia do centro brilhava e parecia ser uma pedra valiosa. Uma lágrima vacilou. Minha avó era a mulher que me ensinou a luta quando minha mãe ficou doente. Ela me ensinou a ganhar dinheiro sozinha e me ajudou a custear minha faculdade enquanto viva. Depois que ela faleceu eu ingressei num curso rápido de DJ e comecei a trabalhar a noite também. 

Meu pai tinha um pequeno negócio que já não andava bem, mas ele nunca abandonou o sonho dele. Era a vida dele. E eu fiz de tudo para ele não precisar acabar com tudo.

Enxuguei a lágrima que escorria do meu rosto enquanto meu pai me ajudava a colocar o colar. Aquele gesto me deu ainda mais coragem para seguir com meu plano.

— Vocês podem sentar aqui rapidinho? Preciso falar uma coisa.

Eles sentaram na ponta da cama, com olhares atenciosos. Eu fiquei de pé.

— Eu não vou me casar! — Afirmei sem rodeios 

Silêncio. Meu pai engoliu em seco. Minha mãe não entendeu de primeira.

— O quê?

— Eu acabei de presenciar o Gustavo com outra mulher. Com a Sabrina. Eu gravei tudo…

Minha mãe levou a mão à boca. Meu pai se levantou, a mandíbula travada como se quisesse matar alguém. Mas eu continuei.

— Onde está aquele desgraçado? Eu vou…

Um silêncio tão pesado caiu sobre a gente que eu podia ouvir meu coração gritando dentro do peito.

Minha mãe chorava sem fazer som. O tipo de choro que a gente só vê em velório.

E, no fundo, era isso que aquilo parecia: um enterro da filha que eles imaginaram que eu fosse ser.

— Mas também não vou sair daqui de cabeça baixa.

Interrompi encostando levemente minha mão em seu peito. Seu olhar para mim mudou, ele me olhou de forma empática, mas eu sabia que por dentro ele estava fervendo de raiva tanto quanto eu. 

— Eu não quero que vocês façam um escândalo, deixem eu resolver isso sozinha.... Só quero o apoio de vocês. Porque amanhã, eu vou embora de Água Serena

E vou recomeçar. Está na hora de eu seguir meu sonho…

— O que você vai fazer, filha?

Respirei fundo. Segurei o choro com os dentes.

— Mostrar pra todo mundo quem ele realmente é

— Você tem nosso apoio, sempre — meu pai disse, sem hesitar.

Minha mãe se levantou, me abraçou com força.

Não houve grito. Nem histeria. Só dor.

E força.

Ficamos ali. Os três.

Apenas nós. A verdadeira família.

Eu ainda sentia o gosto amargo da decepção, mas algo em mim já ardia diferente.

Eu daria o meu ponto final naquela farsa. E iria começar a minha nova história. 

Continúa leyendo este libro gratis
Escanea el código para descargar la App

Último capítulo

  • Eu Fugi no Dia do Meu Casamento    Capítulo 47

    POV: DominicEu não dormi.Passei a madrugada olhando para o teto, repetindo cada palavra de Eva como se pudesse encontrar uma resposta escondida entre elas.Uma transa não era um relacionamento.Eu sabia disso. O problema era que nunca precisei explicar a ninguém o que queria depois de uma noite juntos. As mulheres que passaram pela minha vida sempre entenderam os limites antes mesmo de entrarem no meu quarto.Com Eva, eu não queria limites.Queria encontrá-la na minha cama, na minha cozinha, no banco ao lado do meu carro e no lugar que ela já ocupava dentro da empresa. Queria discutir com ela antes do café e ouvir sua voz me desafiando até quando eu estivesse errado.Principalmente quando eu estivesse errado.Às sete da manhã, desisti de fingir que dormiria e fui para o escritório.Eva chegou às oito e quinze.Eu soube porque reconheceria o som dos saltos dela mesmo no meio de um incêndio.Esperei.Ela não entrou na minha sala.Às nove, mandei uma mensagem.“Precisamos conversar.”E

  • Eu Fugi no Dia do Meu Casamento    Capítulo 46

    POV: Eva MonteiroAssim que abri a porta, o ar frio do salão bateu no meu rosto.Victoria e Isadora estavam nos esperando a alguns metros de distância. Não perto o suficiente para terem ouvido alguma coisa. Mas perto o bastante para perceberem que meu batom não estava igual, que o cabelo tinha perdido a perfeição de Cléo e que Dominic ainda segurava minha mão como se pretendesse impedir que eu desaparecesse.Eu devia estar com vergonha.Só conseguia sentir tudo ao mesmo tempo.O corpo ainda tremia por causa dele. A cabeça tentava alcançar o que tinha acabado de acontecer. Meu primeiro orgasmo de verdade. Minha primeira vez com Dominic. Minha primeira vez depois de Gustavo.E o desgraçado tinha transformado o momento em cobrança de contrato antes mesmo de a minha respiração voltar ao normal.Soberbo demais. Mesmo para ele.— Finalmente — Victoria disse quando nos aproximamos. O olhar dela desceu até nossas mãos entrelaçadas. — Você desaparece no meio da inauguração da própria empresa e

  • Eu Fugi no Dia do Meu Casamento    Capítulo 45

    POV: DominicFechei a distância entre nós antes que Eva encontrasse outra pergunta capaz de me fazer recuar.Minha boca tomou a dela.Por um segundo, ela ficou imóvel. Então seus dedos agarraram a lapela do meu paletó e me puxaram com força, acabando com qualquer dúvida que eu pudesse ter. O beijo deixou de ser uma confissão e virou uma disputa. A língua dela encontrou a minha, provocadora, enquanto eu apertava sua cintura e sentia o cetim deslizar sob meus dedos.— Dominic? — Isadora bateu novamente. — Você me ouviu?Afastei minha boca apenas o suficiente para responder.— Vá embora, Isadora.Eva abriu os olhos.— Você acabou de mandar a embaixadora da sua campanha embora.— Tenho outras prioridades.— Sua mãe está esperando.— Ela vai sobreviver alguns minutos.Voltei a beijá-la, mas Eva colocou a mão no meu peito.— O que você está fazendo?— O que eu deveria ter feito desde o começo, em vez de procurar outro homem para você.— Isso não é uma resposta.— Então aqui está: se quiser

  • Eu Fugi no Dia do Meu Casamento    Capítulo 44

    POV: Eva MonteiroDurante três segundos, o salão inteiro ficou em silêncio.Depois, o inferno abriu a boca.— Senhor Castellan, há quanto tempo vocês estão juntos?— Eva, o relacionamento começou antes ou depois de você se tornar assistente dele?— Isso é uma confirmação oficial?As perguntas vinham de todos os lados. Flashes estouravam diante dos meus olhos e a mão de Dominic continuava presa à minha, como se ele tivesse medo de que eu fugisse.O que não era uma preocupação absurda. Eu tinha experiência no assunto.— Não haverá perguntas sobre a minha vida pessoal esta noite — Dominic respondeu, recuperando a máscara fria. — Estamos aqui para celebrar a Holding.A resposta não serviu para nada. Eles continuaram perguntando.Olhei para Victoria. Ela não piscava. Isadora mantinha o sorriso, mas apertava a haste da taça com tanta força que eu esperava vê-la quebrar.Puxei Dominic pela mão.— Venha comigo.— Eva...— Agora.Atravessei o salão sem esperar autorização. Encontrei um corredo

  • Eu Fugi no Dia do Meu Casamento    Capítulo 43

    Capítulo 43POV: Eva MonteiroO sábado chegou com a delicadeza de um caminhão sem freio.Às sete da noite, eu estava no meio da sala de Camila, usando o Midnight Sky, enquanto Cléo circulava ao meu redor com alfinetes na boca. O cetim azul, quase negro, deslizava pelo meu corpo e deixava minhas costas expostas até um ponto que deveria ser ilegal em pelo menos três países.— Para de prender a respiração — Cléo ordenou, puxando o tecido na minha cintura. — O vestido foi feito para o seu corpo. Não para a versão desmaiada dele.— Eu não estou prendendo a respiração.— Está sim — Camila disse, sentada no sofá, já pronta em um vestido dourado que fazia a pele dela brilhar. — Desde que acordou.Revirei os olhos, mas não discuti.A inauguração da Holding não era só uma festa. Victoria, Isadora e a avó de Dominic estariam lá. E, em algum lugar entre champanhes caros e sorrisos falsos, Dominic talvez cumprisse a promessa de me apresentar alguém.Só pensar nisso me dava uma sensação azeda.— Se

  • Eu Fugi no Dia do Meu Casamento    Capitulo 42

    POV DominicA porta se fechou, mas o eco da presença dela ainda habitava a sala, um fantasma sensual que envenena o ar que eu respirava. O silêncio, outrora minha aliado, agora era opressivo. Fiquei de pé, minhas mãos apoiadas na fria superfície de mármore da escrivaninha, tentando encontrar um ponto de equilíbrio que parecia ter fugido de mim.Era um vazio estranho, uma sensação de ausência que se misturava com uma negação feroz. A moralidade básica de um homem que não deveria se apaixonar pela sua própria assistente.

Más capítulos
Explora y lee buenas novelas gratis
Acceso gratuito a una gran cantidad de buenas novelas en la app GoodNovel. Descarga los libros que te gusten y léelos donde y cuando quieras.
Lee libros gratis en la app
ESCANEA EL CÓDIGO PARA LEER EN LA APP
DMCA.com Protection Status