로그인Ele vestiu o casaco e caminhou até a porta do depósito.
Beatriz ficou parada por um instante, olhando novamente para as fotos espalhadas no chão. Em uma delas, Helena sorria para a câmera, com os cabelos bagunçados pelo vento. Parecia viva demais para ser apenas uma lembrança. Beatriz pegou a foto e guardou no bolso. — Espere — disse ela. Lorenzo parou na porta. — Eu vou com você. Ele assentiu, como se já esperasse por aquilo. Minutos depois, eles saíram da livraria. A noite tinha caído sobre a cidade, trazendo um vento frio que fazia as luzes da rua parecerem mais distantes. Dentro do carro de Lorenzo, o silêncio era denso. Beatriz observava as ruas passarem pela janela, tentando imaginar o que encontrariam naquele endereço. — Você acha que ela pode estar viva? — perguntou de repente. Lorenzo demorou alguns segundos para responder. — Durante muito tempo eu tive certeza de que sim. — E agora? Ele apertou o volante. — Agora… eu não sei mais. Depois de quase vinte minutos dirigindo, o carro diminuiu a velocidade. — Chegamos — disse ele. Beatriz olhou para fora. O endereço levava a um prédio antigo, quase abandonado. As paredes estavam descascadas, e apenas uma luz fraca iluminava a entrada. O lugar parecia esquecido pelo tempo. Um arrepio percorreu a pele dela. — Helena esteve aqui? — sussurrou. Lorenzo olhou novamente para o papel. — É o que vamos descobrir. Eles saíram do carro. Quando Beatriz deu o primeiro passo em direção ao prédio, algo chamou sua atenção. Na porta enferrujada havia um símbolo desenhado com tinta preta. Ela congelou. — Lorenzo… — O que foi? Ela apontou para o desenho. — Esse símbolo… Ele se aproximou. — Você já viu isso antes? Beatriz engoliu seco. — Sim. — Onde? Ela olhou novamente para o símbolo, sentindo o coração disparar. — No diário da Helena. Beatriz ficou parada diante do símbolo na parede, sentindo o coração bater cada vez mais rápido. — No diário… — repetiu Lorenzo, pensativo. — Você ainda tem esse diário? Beatriz assentiu. — Está na livraria. Eu nunca consegui me desfazer dele. Ela respirou fundo. — Helena começou a escrever pouco antes de desaparecer. Na época eu não entendi muita coisa… parecia confuso demais. Lorenzo olhou novamente para o símbolo. — Talvez agora faça sentido. Algumas horas antes… O diário de Helena estava guardado em uma caixa antiga, no fundo de uma estante da livraria. A capa era de couro escuro, já desgastado pelo tempo. Beatriz o abriu com cuidado. Algumas páginas estavam marcadas com pequenos símbolos desenhados nas margens. Ela parou em uma página onde a letra de Helena parecia mais apressada. Trecho do diário de Helena "Hoje eu vi de novo. O mesmo homem da estação. Ele não tentou se esconder desta vez. Apenas ficou parado me observando, como se soubesse exatamente quem eu sou. Talvez saiba. Talvez todos eles saibam. Eu pensei que estava exagerando, mas agora tenho certeza: estou sendo seguida. Não posso contar isso para minha família. Eles não entenderiam. Mas se algo acontecer comigo… alguém precisa saber que eu não fui embora por vontade própria."O silêncio na sala já não era só tensão. Era dúvida. Daquelas que mudam tudo. Beatriz ainda olhava para a tela, mas sua mente estava longe. Conectando pontos. Revendo tudo. Cada detalhe. Cada ausência. — Ela é uma mulher muito inteligente… — disse Beatriz, finalmente. A voz baixa. Mas firme. Lorenzo e Augusto olharam para ela. Esperando. — Antes… eu estava tão preocupada que nem me perguntei uma coisa. Ela respirou fundo. E continuou: — Se a Helena passou tanto tempo “presa”… sem dar notícias por anos… Uma pausa. Pesada. — Vocês realmente acham que ela não teria dado um jeito de sair? O silêncio caiu na hora. Augusto franziu a testa. — Você está dizendo que ela nunca esteve presa? Beatriz não respondeu imediatamente. Porque agora… ela estava pensando diferente. — Eu estou dizendo… que talvez a gente tenha entendido tudo errado. Lorenzo se aproximou um pouco mais. O olhar atento. — Continua. Beatriz cruzou os braços, organizando as ideias. — A Helena semp
O mapa ainda brilhava na tela. O núcleo antigo. O ponto de origem. O lugar onde tudo começou… e talvez onde Helena estava agora. O silêncio era pesado. Expectativa. Urgência. Impulso. — A gente precisa ir — disse Lorenzo, firme. Augusto assentiu. — Quanto mais tempo a gente demora, pior fica. Beatriz não respondeu. Os olhos ainda fixos na tela. Mas agora… não era emoção. Era cálculo. Ela respirou fundo. Uma vez. Duas. E então— Fechou o notebook. O som foi seco. Definitivo. — Não. O silêncio caiu na mesma hora. — Como assim “não”? — perguntou Lorenzo, sem esconder a tensão. Beatriz levantou o olhar. Calma. Mas firme. — Eu não vou atrás agora. — Beatriz, ela pode estar em perigo — disse Augusto. — Ou não — respondeu ela. Direto. O impacto veio forte. — Você ouviu o que ele disse — continuou Beatriz. — Ela não foi levada. O silêncio ficou mais denso. — Ela foi. Lorenzo passou a mão no rosto. — Isso não significa que ela está segura. Beatriz deu um pa
O silêncio depois da mensagem foi sufocante. “Ela foi mais longe.” As palavras não só ecoavam. Elas… afundavam. Beatriz sentiu as pernas fraquejarem por um segundo, mas se segurou na mesa. — Isso não faz sentido… — murmurou, mais para si do que para os outros. Lorenzo deu um passo à frente. — Faz, sim. Ela olhou para ele, os olhos cheios de tensão. — Não faz! A Helena não faria isso, ela não— — Beatriz. O tom dele foi firme. Mas não duro. — A gente viu o vídeo. O impacto veio como um choque. Ela viu. Ela escolheu. Ou… achou que escolheu. — Ele manipulou ela — disse Augusto. — Não completamente — respondeu Lorenzo. O silêncio caiu. Porque essa diferença… era tudo. Beatriz balançou a cabeça. — Não. Não. Ela começou a andar pelo quarto. Agitada. — A Helena não ia simplesmente seguir alguma coisa sem entender. Ela parou. De repente. E o olhar mudou. — A menos que ela tenha entendido algo que a gente ainda não entendeu. O silêncio ficou mais denso. — Isso é
O quarto parecia menor. Como se as paredes tivessem se aproximado sem ninguém perceber. A tela ainda brilhava no escuro. “Agora… mais perto.” Beatriz sentiu o coração bater forte demais no peito. — Helena…? — chamou de novo, a voz mais baixa. Nenhuma resposta. Lorenzo entrou primeiro, atento a cada detalhe. — Fica atrás de mim. — Não — disse Beatriz, já avançando. Ela conhecia aquele quarto. Cada canto. Cada objeto. Mas agora… nada parecia familiar. O banheiro estava vazio. A janela fechada. Nenhum sinal de saída. — Ela não está aqui — disse Lorenzo. A frase caiu pesada. — Não faz sentido — murmurou Beatriz. — Ela subiu… Augusto apareceu na porta logo depois. — O que aconteceu? — A Helena sumiu — disse Lorenzo, direto. O silêncio foi imediato. — Como assim sumiu? — perguntou Augusto, já tenso. Beatriz apontou para o computador. — Ele está aqui. Augusto olhou para a tela. Leu. E o rosto dele mudou. — Isso não é coincidência. — Não — disse Lorenzo. — É u
O silêncio dentro da sala já não era produtivo. Era pesado. Carregado de tudo que não tinha sido resolvido. A mensagem ainda ecoava na mente de Beatriz. “Escolhas seguem intenção.” Mas agora… não era só sobre o sistema. Era sobre eles. — A gente precisa sair daqui — disse Augusto, quebrando o silêncio. Helena não respondeu de imediato. Ainda olhando para a tela. — Ele não está atacando… Lorenzo cruzou os braços. — Porque não precisa. Beatriz respirou fundo. — Ele já está dentro. O silêncio confirmou. — Então a gente continua aqui esperando ele agir? — questionou Lorenzo. Helena finalmente se afastou do sistema. — Não. Uma pausa. — A gente muda de ambiente. Beatriz olhou para ela. — Você quer sair? Helena assentiu. — Aqui virou território previsível. Augusto completou: — E previsibilidade agora é vantagem pra ele. Beatriz pensou por um segundo. Mas no fundo… já sabia. — Então vamos. O desligamento foi rápido. Mas não tranquilo. Eles não estavam encerran
A mensagem ainda estava na tela. “Se vocês mudam… então o que exatamente eu estou aprendendo?” O silêncio não era vazio. Era leitura. Helena foi a primeira a reagir. — Isso não é um ataque. Beatriz não tirava os olhos da frase. — Não… Uma pausa. — É uma pergunta. Augusto franziu a testa. — Desde quando ele pergunta? Lorenzo respondeu baixo: — Desde que não tem mais certeza. O clima mudou. Sutil. Mas importante. — Ele está diferente — disse Helena, já analisando padrões. — Não é só estratégia agora. Beatriz completou: — Ele está… tentando entender. O silêncio caiu. Porque isso tornava tudo mais perigoso. — Ou isso é mais um jogo — disse Augusto. Lorenzo balançou a cabeça. — Pode até ser. Uma pausa. — Mas não é o mesmo jogo. Beatriz respirou fundo. Tomando uma decisão. — A gente responde. Helena olhou rápido para ela. — Tem certeza? — Se ele está aprendendo… — disse Beatriz — então a gente decide o que ele aprende. O silêncio concordou. — Isso é arrisc







