MasukBELINDA
— Belinda ?
Liam ofegou levantando-se de imediato. Edgar e Castilho, dois homens que trabalham na empresa do meu marido, me encararam como se eu fosse a própria morte diante deles. — Olá amor. Eu estou atrapalhando ? Perguntei friamente. O homem que me acompanhou até o local já havia partido em silêncio. — Be-Belinda. O que você está fazendo aqui, meu amor ? Liam caminhou na minha direção com o semblante tenso. Os seus olhos cor de mel transmitiam espanto, raiva e ansiedade. Os olhos que eu tanto amei, hoje me causaram náuseas. Haviam algumas pessoas na em torno da mesa redonda que eu não conhecia, mas eu não me dei ao trabalho de focar minha atenção nos demais. Viviane ironicamente, de todos eles era a pessoa menos espantada ou preocupada no local. Pelo contrário, ela sorriu minimamente mantendo sua postura dissimulada. — Interessante… você quer realmente saber o que eu estou fazendo aqui ? Retruquei com rancor. Até então os meus sentimentos estavam bem controlados, guardados em uma parte do meu coração mas agora, algo dentro de mim cresceu descontroladamente. — Nós precisamos conversar, mas aqui não é o local Belinda. — Aqui não é o local ? Porque aqui não seria o local ? — Belinda! Viviane pronunciou ousadamente o meu nome. A mulher de cabelos castanhos estava divinamente vestida com seda púrpura em seu corpo esbelto. — Junte-se a nós, hoje é uma noite para comemorarmos. — Viviane. Liam a repreendeu duramente. A troca de olhar entre os dois não passou desapercebido pelos os meus olhos e nesse momento. Eu quis morrer! O quão fundo do poço uma pessoa pode ir por amor ? Quanto eu havia caminhado no escuro e não percebido a maneira intensa que o meu marido olhava para aquela mulher ? Naquele momento eu havia entendido que todas as minhas sutis desconfianças. Os pensamentos furtivos sobre aquela mulher eram verdades no final. Eles tinham algo além de cumplicidade profissional. Com rancor, eu encarei Edgar e Castilho que me fitavam intensamente. Eles sabiam ? Claro que sabiam. — HA! Ri da minha própria desgraça. — Belinda meu amor, aproveitan- Liam investiu seu toque no meu braço, mas eu o afastei duramente diante de todos. Seus olhos amarelos clamaram por respostas, haviam confusão estampados neles. — Hoje realmente é um dia de comemoração como Viviane disse Liam. Liam ergueu a sobrancelha. — No começo eu estava perdida, mas agora eu vejo que agi corretamente em me deslocar até aqui. Eu agradeço tanto, pois eu precisava ver tudo isso com os meus próprios olhos. — Hã ? O que você está tentan- Eu o interrompi. — Eu não sei se os outros já sabem. Independente, eu quero ser a primeira a parabenizar você e sua amante. Liam arregalou os olhos. — Meus parabéns Liam, que o seu filho venha com muita saúde e você tenha muito vigor, afinal será pai de dois bebês. “Oh meu Deus!” A comoção e murmúrios das pessoas da mesa foi imediato. Somente naquele momento eu pude perceber haver a presença de outras mulheres na mesa. As pessoas se entreolharam, assim como Edgar e Castilho que abaixaram a cabeça estarrecidos. — Belinda. E-Eu… — Não se der o trabalho de fingir. Eu ouvi tudo esta manhã, você e sua sócia transando no escritório da empresa. Deixe-me lembrar, quais foram as palavras mesmo ?“Liam, eu estou grávida.”“Você me prometeu que iria se divorciar dela.”“E eu irei Viviane. Você está grávida de um filho meu… porém não é tão simples. Mas você sabe, eu amo você!” Repeti suas próprias palavras e com satisfação, fitei a aflição da face de Liam. O silêncio constrangedor se fez presente por longos segundos, até que Viviane avançou na minha direção, porém fui mais rápida ao me afastar dando dois passos para trás. — Não ouse falar comigo como se fosse uma vítima. Eu sempre desconfiei de você e do meu marido. Eu não vou gritar com você ou me degladair, afinal também tenho um filho no útero e vou proteger o meu bebê. Rosnei envolvendo o meu ventre ainda discreto. — Porém, não ouse falar comigo como se ele tivesse lhe forçado. Eu ouvi vocês dois transando e trocando juras de amor. Ele é um canalha, mas você também não é exemplo de mulher de caráter. — Nós dois nos apaixonamos. Viviane exclamou. Lágrimas desceram por seus olhos. — Eu juro que jamais foi o meu interesse ferir você Belinda, mas no coração ninguém consegue mand-“Paft!”
Desferi uma bofetada no seu lado esquerdo do rosto. Todo o ódio pelas palavras dissimuladas daquela mulher consumiram o meu corpo e eu não consegui evitar. E não me arrependi na verdade. — Belinda! Liam gritou segurando o meu pulso com desespero. — ME SOLTE. Não encoste em mim nunca mais! Você não tem mais o direito. Você o perdeu no momento que me traiu com outra mulher! — Belinda, Viviane também está grávida de um filho meu. O meu coração errou a batida. Eu não esperava que ele fosse ficar do meu lado, mas ver a sua preocupação com sua amante me feriu profundamente. — Eu não tenho nada para conversar com você. Eu fui traída. Você me traiu publicamente durante quanto tempo e ainda engravidou a sua amante, o que nós temos para conversar ? — Belinda… por fav- — Não Liam, por favor não me proteja. Belinda tem razão, ela é a maior prejudicada nessa história. Eu tenho família, amigos e suporte, diferente dela que só possue você meu amor. Viviane choramingou se apoiando nos braços de Liam. A forma cruel que ela dissimuladamente jogou na cara a minha realidade me feriu ainda mais, com orgulho eu finquei as unhas na carne da minha mão. — Viviane!“Ha! Ha! Ha!”
Uma risada amarga escapou da minha garganta. Essa m*****a realidade não podia ser verdade, eu deveria estar vivendo alguma especial de pegadinha.
“Se você for se casar com esse homem, terá que abrir mão de tudo!”
Uma memória distante explodiu em minha mente. Com amargura eu me lembrei de duras palavras que no passado eu via com maus olhos, mas agora, eu vejo o quanto fui tola.— Eu só quero uma coisa de você Liam. Eu quero o divórcio!
Disse fitando suas orbes amareladas. — Belinda, por favor. Liam suplicou inclinando o corpo na minha direção, mas eu não vacilei. — Eu quero o divórcio e o dinheiro da minha herança. — Belinda! — Não serei mais humilhada por você e por essa mulher. Vejo você no cartório na segunda-feira. Adeus![SEIS MESES DEPOIS]BÉATRICE MONTMORENCY* * * — PAPAI! — Aeliana gritou sendo jogada no alto por Henry que gargalha com a nossa filha. Observo os dois e penso em como em tão pouco tempo os dois se aproximaram, parecendo que nunca estiveram separados. No começo imaginei que fosse necessário fazer terapia, mas no final as coisas fluíram e agora eles se tornaram inseparáveis. — SOCORRO… MAMÃE! — novamente meu pequeno sol grita pulando da cama. Meu coração quase salta para fora ao ver os dois correndo como duas crianças pelo quarto — PEGA A MAMÃE! — Aeliana declarou e os dois viaram na minha direção. Sinto a cama afundar com o peso dos dois, mas sou mais rápida. — Os dois, vamos parando! — adverti tanto o pai como a filha — Em pleno domingo e vocês dois ainda não tomaram nem mesmo chave? — Aeliana fez beicinho descendo da cama. Seguro a vontade de rir diante do seu pijama de dragão — A senhorita está muito indisciplinada, se continuar assim vai voltar para o internato. — Mas mamãe!
BÉATRICE * * * — Ma-mãe? — Aeliana perguntou, um pouco confusa, ela adentrou o escritório. Assim que os seus olhos se encontraram com os meus, ela sorriu correndo na minha direção, porém, ao perceber outra pessoa no local ela hesitou no meio do caminho — Mamãe… porque tá chorando? — ela pergunta mesmo que os seus olhos estejam fixos em Henry. Ao meu lado, Henry permanece imóvel fitando Aeliana com intensidade. Não sei exatamente como está o seu coração, mas provavelmente deve estar uma bagunça e impressionado como a nossa filha parece tanto com ele. Apesar de sermos muito próximas e até mesmo parecidas, Aeliana é como um espelho de Henry. Seus fios são como a obsidiana, além de resistentes, possuem volume, semelhante aos de Henry que só mantém a elegância pelo corte regular. Sorrio observando os dois se encararem em silêncio. Os orbes como safiras fitam Aeliana dos pés a cabeça e eu imagino o que Henry deve imaginar quando ver sua filha vestida de maneira tão peculiar, ele vai
BÉATRICE* * *— Eu sinto muito… Henry. — digo entre as lágrimas. É tudo que o meu pulmão cansado consegue falar. Pedir desculpas de um jeito tão covarde.Mesmo que eu peça perdão de joelhos, eu não conseguirei devolver os anos perdidos de Aeliana ou a primeira vez que ela me chamou de “mamãe” que para Henry teriam sido momentos como “papai” também. No fim, pedir perdão é tudo que me resta.— Eu não posso te devolver os anos perdidos de Aeliana… eu sei. — minha garganta dói e o bolo desce rasgando, mas eu não posso parar — Não desista de Aeliana e por favor, não deixe respingar nela nenhum dos meus erros. Ela tudo que eu tenho… sem ela. Eu não tenho mais nada. — declarei com toda a força que me restava no meu corpo — Eu sei que pareço ser uma mãe negligente que abandonou a filha para se vingar do seu ex marido, mas não é sobre isso. — fungo entre as palavras — Eu precisava me livrar de tudo que me amarrava ao passado. Juro que tentei esquecer, mas, todas às vezes que eu via Aeliana eu
BÉATRICE* * *— Como? — perguntei boquiaberta com as palavras do meu irmão. De repente alguém bater na porta, é uma das empregadas.— Senhor e senhorita. — a mulher se curva — Tem um convidado aguardando pela senhorita, posso informar que a senhorita irá descer ou acompanho o mesmo até aqui?— Não. — respondi por reflexo, mas me recomponho para Aeliana não ouvir o teor da conversa — Não… informe ao convidado que estarei descendo. Peça-o para que me aguarde. Por favor.— Sim, senhorita. Irei transmitir as suas palavras. Com licença. — após se curva, a mulher saiu deixando eu e Ethan a sós.— O que pretende fazer? — Ethan questionou e só uma coisa me veio à mente, a minha filha. Sem pensar muito, respondi:— Irei vê-lo. — digo e oriento Ethan a esperar alguns minutos com Aeliana, para que de tempo até que eu leve Henry para um lugar onde possamos nos falar com tranquilidade. Afinal, é um assunto extremamente delicado.Desço os degraus da escadaria da mansão pensando nas possibilidades
[ALGUNS DIAS DEPOIS]BÉATRICE* * *Tudo desmoronou, era como se uma avalanche tivesse nos pego de surpresa. Contudo, eu sabia que no final daquela história eu era a errada.Não havia justificativas.Quando eu vi minha filha tremendo nos braços de Henry eu fiquei desesperada e entrei em choque. Foi ainda pior pela forma como ele descobriu.Se eu soubesse que aquelas ligações eram de Sofia e da diretora do internato eu teria atendido, mas eu não poderia imaginar, afinal havia falado com Sofia no dia anterior e estava tudo bem… ou melhor, eu achava que estava.— Ei, não adianta se lamentar agora. — meu pai apertou o meu ombro direito tentando me tranquilizar da merda que eu havia feito.— Eu sei. — respondi tomando um pouco do café da minha xícara. Observo minha filha ainda adormecida em seu quarto na mansão do meu pai.Depois daquele dia a doutora Collins informou que devido a teve um quadro de psicogênica, mais conhecido como febre emocional, o que me deixou parcialmente mais tranquil
HENRY* * *— Henry… eu posso explicar. — Béatrice declarou e eu encarei perplexo. A menina em seus braços se contorce de dor, sua pele está completamente vermelha e mesmo que eu quisesse entrar em um conflito resolvo agir ao invés disso. Corri apressadamente até o quarto para vestir minha calça e pegar as chaves do meu veículo.Não demoro muito e já estou na sala. O homem de cabelo acinzentado ainda não havia retornado, sem esperar por ele eu pego a menina dos braços de Béatrice.Assim que a garota está em meu colo ela geme de dor e seu rostinho se contorce. Céus, que menina linda! Meus olhos doem e sinto vontade de chorar pelo desespero, mas me recomponho. Tomando a menina em meus braços, caminhei para fora do apartamento.— HENRY! — Béatrice me gritou do corredor. Não dei ouvidos. Desço os degraus da escada de emergência com medo de vascular e deixar a garota nos meus braços cair. Minha mente está a milhão pensando nas possibilidades dessa garota ser filha de Béatrice e…— Não vo







