LOGINCapítulo setenta e quatro — Ponto de vista da Elara"Você está mesmo comendo."Levantei os olhos do prato. O Marcus me observava por cima da borda do copo de água com o tipo de expressão que significava que ele tinha notado algo muito antes de decidir comentar."Eu sempre como."Ele me deu um olhar. "Não", disse. "Você consome comida suficiente para convencer todos ao redor de que jantou, e depois passa o resto da refeição empurrando legumes pelo prato até alguém desistir de tentar fazer você terminar.""Não faço isso.""Faz absolutamente.""Me ressinto do quanto você soa confiante.""Isso é porque te conheço há anos." Ele apontou o garfo para o meu prato. "Hoje à noite você comeu quase tudo sem ser lembrada uma única vez. Isso é progresso.""É macarrão, Marcus.""E daí?""Então macarrão não conta."Ele riu. "Tenho quase certeza de que todo livro de nutrição que já li discorda
Capítulo setenta e três — Ponto de vista da VivianO Pai está no escritório quando bato."Entre."A voz dele é calma, como se tivesse me esperado a manhã inteira. Empurro a porta e entro. O escritório cheira levemente a cedro e papel velho. Contratos cobrem metade da mesa dele. A lareira queima baixa contra o frio do inverno, lançando uma luz suave sobre prateleiras cheias de livros-caixa encadernados em couro e registros do conselho.O Pai não levanta os olhos imediatamente. Termina de assinar a página à sua frente, tampa a caneta-tinteiro com cuidado deliberado e finalmente ergue os olhos para mim."Vivian." O olhar dele percorre meu rosto uma vez. "Você tomou uma decisão."Fecho a porta atrás de mim. "A aliança acabou."Ele não reage. Nem surpresa. Nem decepção. Nada."Os trigêmeos Blackthorn não vão me escolher."Só então ele se recosta na cadeira. "E você aceitou isso.""Não tenho muita escolha.""Não." Ele junta as mãos. "Não tem."Por um segundo, nenhum de nós fala. O Pai sempr
Capítulo setenta e dois — Ponto de vista do RafeA suíte do hotel está mais quieta que o normal. O Ryker já está vestido, laptop aberto na mesa de jantar, café intocado ao lado dele enquanto percorre mais um relatório do Conselho. O Ronan está junto à janela com uma caneca nas mãos, olhando para o vilarejo lá embaixo. Ninguém diz muito. Todos desenvolvemos esse hábito nas últimas três semanas. Esperar. Observar. Fingir que não estamos fazendo nenhum dos dois.Olho para o relógio. Sete e quarenta. O Ronan percebe."Você olhou para essa coisa quatro vezes no último minuto.""Eu sei.""Está planejando gastar os números dele?"Não respondo. O Ryker não levanta os olhos do laptop. "Deixe-a em paz se ela ainda estiver doente.""Não vou incomodá-la.""Você diz isso toda manhã.""Porque é verdade."O Ronan olha por cima do ombro. "É mesmo?"Encontro os olhos dele. "Eu a acompanho até o trabalho.""Você a segue até o trabalho.""Eu caminho ao lado dela.""Contra a vontade dela.""Às vezes."Um
Capítulo 71A palavra escapou antes que eu percebesse completamente que tinha falado."Mãe."Um segundo depois, a porta do meu quarto se abriu. Fiquei olhando para o teto e me perguntei brevemente se ela já estava acordada ou se a maternidade simplesmente vinha com alguma habilidade sobrenatural de ouvir seu filho sofrendo do outro lado da casa. Ela atravessou o quarto sem acender a luz, movendo-se com a certeza silenciosa de alguém que já sabia que algo estava errado."O que foi?", ela perguntou baixinho.Pressionei a mão com mais força contra o peito. A dor ficava diretamente atrás do esterno, baixa e constante, espalhando-se em ondas lentas que faziam a respiração parecer estranhamente deliberada. Não era aguda o suficiente para me assustar, mas era persistente o suficiente para me arrancar do sono."Nada perigoso."A Mãe parou ao lado da cama. Mesmo no escuro, pude sentir o olhar que ela me deu."Isso é linguagem de curandeira."Fechei os olhos e soltei um suspiro lento."É o vínc
Capítulo 70: Ponto de vista da Mira"Você vai ao mercado?"Levanto os olhos enquanto abotoo o casaco.A Elara está parada na porta da cozinha, caneca de café na mão."É onde as pessoas costumam comprar ervas."A boca dela se contrai."Você está suspeitosamente animada.""Estou?""Está.""Talvez eu finalmente tenha alcançado a paz interior.""De jeito nenhum."Eu rio.Ela não.As sombras sob os olhos dela estão mais escuras do que estavam na semana passada.E de repente estou muito cansada de ver minha filha fingir que está bem."Alecrim?", pergunto."Se tiverem.""Combinado."Ela segue para a clínica.Espero até o carro dela desaparecer na estrada.Então me viro na direção oposta.Porque antes de ir ao mercado, tenho outro lugar para estar.Três homens estão me esperando no Silverveil Grand Hotel.Gostando ou não.************O saguão do hotel é mais quente que a manhã lá fora.Sento na cadeira que fica de frente para o elevador e peço ao homem da recepção que avise a suíte dos Black
Capítulo 69: Ponto de vista de Ronan"Você não deveria ter vindo aqui."A voz da Vivian é agradável e completamente despreocupada. Ela está sentada na sala de estar leste da propriedade dos Kane quando o mordomo me conduz, eu não lhe dei escolha sobre me conduzir, com um livro aberto no colo e uma xícara de chá na mesa ao lado e a compostura específica de uma mulher que esperava essa visita e se preparou de acordo.Fecho a porta atrás de mim."O que você fez", digo, "termina hoje.""Sente-se, Ronan." Ela indica a cadeira à sua frente. "Você está deixando a sala agressiva.""A sala deveria estar agressiva." Não me sento. Fico de pé no centro dela, um metro e noventa de fúria controlada, e olho para essa mulher que passou três semanas fabricando a destruição sistemática de algo que mal estava começando. "Você enviou uma fotografia para o local de trabalho dela. Uma fotografia anônima, sem contexto, sem bilhete, projetada especificamente para parecer algo que não era."A Vivian vira uma







