LOGINIAN
IAN PRECISAVA SABER O MOTIVO PARA QUE O CLÃ de Azira estivesse naquele país. Sabia que poderia ser a procura do Último Malddos porque as pistas indicavam, mas permanecer no mesmo lugar por dois anos sem ter feito nada fazia com que Ian soubesse que não era somente aquilo. O Antepenúltimo foi morto pelas mãos do próprio Frankie Azira, e não foi algo demorado. Ian recordava que não durou mais que dois meses na cidade de Paris. Se lembrava porque aquilo ainda o deixava furioso: perdeu a chance de obter mais energia através daquele monstro. Ainda assim, não era como se ele estivesse fraco. Havia notado com o passar dos anos que, sempre depois de tirar a vida de um Malddos, era mais capaz de continuar a lutar, a matar. O único porém era que as malditas Marcas ficavam ainda mais audaciosas, sempre tentando sair da pele de uma forma ou de outra — quase como tinha acontecido ao ver a nova vizinha. De qualquer maneira aquilo ainda não tinha ocorrido com ele, mas sabia muito bem o que causaria se elas saíssem do corpo para vagar por aí... Ele observou ao redor. Havia inúmeras mulheres e homens na fila de uma boate com senhas nas mãos, então Ian se deu conta de que os irmãos já estavam em ação. Ariane tão prontamente foi se exibir com vestido para um dos seguranças, que logo não perdeu tempo em puxá-la para uma conversa. Bamby e Helgar já estavam atentos, utilizando os minúsculos comunicadores produzidos por Nano. — Consegue sentir alguma coisa, Lorde? — Helgar perguntou. — Existem traços que indicam que ele está lá dentro — Ian respondeu para todos. Claro que para um Líder como Ian aquilo era uma característica muito necessária. Rastrear os inimigos pelos aromas era algo útil e único, embora requeresse um pouco de concentração sobre qualquer habilidade que necessitasse utilizar; e o cheiro daquele patife miserável provinha de dentro. Ao receber o sinal de Ariane, Ian e os irmãos entraram no ambiente que soava música eletrônica. Concentrado, ele havia notado vários aromas e odores misturados: álcool, perfumes, suor, luxúria e até mesmo o cheiro de produtos de limpeza utilizados nos toaletes. Tudo aquilo fez com que Ian ficasse sem direção. Relutante, decidiu beber algo para aliviar a tensão. A garganta estava seca pela ira imposta da Marca do Javali e aquilo dificultava um pouco os sentidos. Seria melhor molhar a garganta e prosseguir com o plano. Assim que chegou perto do bar, pediu um copo de vodka. Recebeu a bebida e viu que os irmãos vasculharam a boate com cautela. Deixou que os sentidos procurassem com muito cuidado aquele covarde. Um odor diferente o fez olhar para cima. Ânsia. Medo. Sinto cheiro de medo, Ian pensou, e respirou fundo. Há ódio também... Inferno! Ele... Onde está você, miserável? Ah... Na área VIP estava um homem com um grupo de mulheres. Ele tentava mesclar o aroma com os delas, e foi inútil. Era um Perdido. Estaria morto quando saísse para as ruas escuras. Ian não tentaria nada naquele lugar para não levantar suspeitas. Era difícil despistar policiais, não queria ter um bando deles em seu encalce. Não agora, que acabou de se mudar para mais um novo país, onde estaria o segundo motivo para permanecer: o Clã de Azira. Ian acenou para Belmonte, que prontamente entendeu o recado ao olhar para cima. Lucas avisou aos outros pelo comunicador onde o inimigo se encontrava e se perdeu na multidão. — Ora, ora, esse carneirinho está perdido — Ian ouviu Bina comentar pelo comunicador. — Quem já se viu sair todo imundo desse jeito?! O que aquele patife do Azira está ensinando aos seus? Eles não têm uma máquina para lavar roupas? Um chuveiro pra tomar banho? Como ele conseguiu entrar aqui? — Bina, por favor... — Ariane respondeu, tentando chamar atenção. — Chefe, ele é Hugo Davis, terceiro no comando do Clã de Azira. Acredito que está de olho em uma garota — Helgar interrompeu. — Talvez para saciar a Marca. — O quê? — Bina parecia indignado. — Nenhum cara pode conquistar uma mulher imundo desse jeito, não é a toa que está levando fora de todas! Ai, acho que vou vomitar... Ian pegou a bebida e deu o primeiro gole. Ele queria matar o batedor com as próprias mãos, arrancaria cada membro do corpo e o jogaria no meio do Oceano Atlântico somente por ter se deixado levar... Para Hugo não tinha mais volta. Ian o mataria, óbvio, mas só depois de ter todas as informações que precisava. Pensar naquilo fez com que brotasse certo humor no rosto. — Observem atentamente o que ele pretende fazer — Ian disse por fim. — Não deixem que ele leve a garota, é claro. Um grupo de mulheres dançavam trivialmente bem a frente. Todas rebolavam os traseiros de forma sensual e envolvente, enquanto alguns homens bêbados passavam a mão no que julgavam ser oferecidos. A Luxúria vibrou nas costas, indicando que se alimentava lentamente diante do que via. Uma das mulheres saiu de lá com o copo vazio. Era gorda, bonita, sensual… A Luxúria vibrou novamente. Ela olhou para Ian e sorriu, um pouco nervosa, aproximando-se. Ele não hesitou. Bastou apenas dois segundos para tudo acontecer. Ian deixou o copo no balcão do bar, e puxou a mulher para saborear os lábios dela. Ambos nutriam desejo e prazer, fazendo com que eles esquecessem o que realmente estava acontecendo ao redor. No entanto, depois de uma hora, o aroma doce e suave passou pelas narinas de Ian. A delicadeza era emitida de alguma fonte jamais vista por seus olhos, ou sentidas pelo seu olfato. Na verdade, tinha uma leve impressão de já ter sentido aquele aroma antes, ele só não fazia ideia de onde. Ian parou de beijar a sexta mulher. A excitação parecia ter sido esquecida pelo poder do cheiro que alguém transmitia. Mas, ao mesmo tempo, ele pôde notar que havia algo de errado com o inimigo, que parecia furioso. — O que...? Dêem uma olhada nele — Ian falou através do comunicador e observou seus irmãos agirem de forma cautelosa. — Hã? — A mulher que beijava o pescoço dele riu. — Quer que eu dê um jeito nele? Ian não podia culpá-la por não entender, já que só tinha uma coisa em mente: prazer. Bem, ela guiar uma das mãos para a melhor parte do corpo dele era bastante óbvio. Uma pena, claro, porque o pegou em um mau momento. A Ira sobrepôs à Luxúria, sem nenhum motivo. Ian até o presente momento estava se saindo bem em se controlar, mas agora os instintos das Marcas estavam em alerta; o que o fez ignorar a mulher que ficou plantada sem entender o motivo de ele ter ido embora. — Chefinho, não estou vendo nada. Algum problema? — Ian ouviu Bina perguntar. — Tem algo estranho acontecendo, não deixe esse maldito escapar — ele respondeu. Ian andava apressado, indo em direção às oscilações de cheiros que vinham da área VIP. Alguns do Clã distraíam os seguranças enquanto outros tentavam cercar Hugo, que não notava o perigo — porque estava apenas concentrado em uma mulher de vestido que andava em direção à saída de emergência. O maldito foi atrás dela. E Ian também não ficou para trás.ADAAda não esperava que Ian entrasse pela varanda naquela noite. Ela estava tão absorta com a história que escrevia que não se deu conta que um homem de um metro e oitenta e cinco entrava.Aquilo seria um tipo de comportamento maníaco? Se não fosse pelo fato de que ele a salvou, ela consideraria de verdade a ideia. No entanto, Ada achava que Ian só apareceu no quarto sem a autorização para lhe provocar, mas no fim se tornou algo que ela não esperava: a morte do irmão dele.Sentia, de fato, que algo estava errado. Por isso o pressionou para que falasse a respeito do que acontecia. Por um momento até pensou que Arthur tivesse sido sequestrado ou morto, mas, pelas graças dos céus, não foi. De qualquer forma, aquilo não excluía o fator principal: alguém morreu naquela noite.E tinha sido o irmão de
IANAda não estava entendendo o que estava acontecendo, óbvio, mas Ian agora tinha mais certeza de que ela não devia viver em um mundo tão... cruel. Conseguia agora sentir o cheiro dela emanar preocupação, compaixão, empatia, todos aqueles sentimentos doces e sagrados que passara anos desejando sentir de novo. Ou que ainda tentava cultivar, mesmo com as Marcas.Mas ele não conseguiu.Não tão bem, claro.Ada piscou duas vezes e inclinou um pouco a cabeça esperando que ele dissesse alguma coisa.— Não precisa me trazer nada, obrigado. Eu só... — ele tentou encontrar as palavras certas. — Eu só preciso...
IAN— O que foi? Você está passando mal ou algo assim? — Ada saiu da cama, mancando, e foi em direção a ele.Pelo maldito inferno, ela não podia simplesmente andar de camisola de unicórnios com aqueles cachos desordenados e achar que ele não sentiria vontade de colocá-la de volta na cama, mas com ele junto. Também não podia ficar diante dele, olhando para cima, sem nenhum pingo de desejo ou medo, como se tentasse entender o que se passava, porque era exatamente assim como queria que todas as pessoas agissem.É por isso que eu a quero!, alfinetou a Luxúria. Ela é diferente
Depois de enterrar Helgar, Ian voltou para a Mansão cercado da fumaça que os Pecados representavam quando não estavam em forma física e quando também não se encontravam no corpo. Não conseguia controlar as Marcas muito bem porque a raiva que sentia fazia com que a Ira despertasse todas as outras. Cogitou em ir para o subsolo na intenção de extravasar aqueles sentimentos, mas sabia muito bem que ficaria horas se desgastando em exercícios que não o fariam ficar melhor.Maldição!, pensou. Maldito seja Azira e todo o seu Clã.Por que não se vinga logo de uma vez?, a Ira lhe dizia. Vai ser bem melhor resolver agora do que depois.
LUCASLucas sabia que seria doloroso ver mais outro irmão ser enterrado. O choro de Surina por si só dificultava toda a situação. Não conseguia consolá-la quando sequer mantinha as próprias emoções no lugar. Se não estivesse ali, Lucas não teria notado que Ian não conseguiu ficar por muito tempo no Mosteiro. Ninguém conseguia dizer uma só palavra, para o bem da verdade.Bina, que tinha deixado o posto de observar Ada para dar vez ao John, assoava o nariz com um lenço, enquanto Bamby colocava a terra de volta. Nano era o único que, obviamente, tentava consolar Surina, mas sem sucesso. Perder um companheiro de séculos... com certeza, era algo difícil de lidar.Bem, Lucas também não aguentou ficar por muit
LUCASQuando Ian disse a Lucas para irem de encontro a Surina e Helgar, ele sabia que os irmãos estavam com problemas. Era bastante óbvio pela cara de ódio que via. Nos últimos séculos, conseguia interpretar as atitudes de Ian com relação a certas escolhas e, apesar de sempre discordar de algumas situações, ele sabia que no fim aquela seria a melhor alternativa. Não somente para ele, como para todo o Clã.Por isso Lucas não se espantou quando Ian lhe passou as novas informações que Ariane deveria ter dado ao Clã assim que colocaram os pés no Brasil. Os Duboi agora eram parte do Clã de Azira. Uma notícia daquela era de extrema importância. E saber que todos corriam perigo nas mãos dos antigos Duboi era algo preocupante.Então eles não perderam tempo em chamar Nano, que estava desocupado e próximo a região, e rumou até lá voando. Assim







