Home / Romance / Fera Ferida / Capítulo 05

Share

Capítulo 05

Author: Josy Meire
last update publish date: 2021-12-15 07:33:13

Izabel observou o filho virar um copo de uísque e ficou preocupada. Ele não era de beber assim em casa. Alguma coisa o estava preocupando. Ele sempre fora meio calado e introspectivo, mas nos últimos tempos estava com um olhar triste e distante. Ela não fez nenhum comentário, mas sabia que ele tinha saído na noite anterior com a filha de Robert e aquilo pareceu deixá-lo ainda mais nervoso. Ela tentava entender os motivos para ele estar saindo com aquele menina e uma suspeita se formava em sua mente. Será que ele estava querendo se vingar de Robert através da filha? Se assim fosse ela não permitiria de jeito nenhum. Ele não podia envolver uma garota inocente naquela ideia maluca de vingança contra uma pessoa que não era um monstro como ele pensava. Ela só não podia contar todos os detalhes assim de hora para outra, mas tentaria dissuadia-lo daquela loucura.

Aproximou-se dele e tentou tirar alguma informação.

- Oi, filho.

Ele retribuiu o abraço e beijou o rosto da mãe.

- Oi, mãe.

- Tudo bem?

- Sim, tudo bem.

- Estou achando você muito quieto esses dias.

Ele desviou o rosto.

- Nada não.

- É... você se encontrou de novo com aquela moça.

- É uma afirmação ou uma pergunta?

- Vocês saíram juntos ontem.

Ele forçou um meio sorriso.

 - Saímos sim.

- E então?

- Então nada, apenas fomos a um barzinho e pronto.

- Não acha que deveria se afastar dessa menina?

Ele sacudiu os ombros.

- Não vejo o porquê.  Tem alguma coisa que proíba a gente de se encontrar?

Izabel não respondeu, mas apertou os lábios tentando escolher as palavras para evitar falar demais.

- Nossas famílias não são as mais amigáveis, então acho que seria sensato não forçar uma aproximação.

- Eu acho o contrário, mas não gostaria de preocupá-la com essa história.

- Eu me preocupo com tudo que se relaciona a você, Taylor.

Ele abraçou novamente a mãe com carinho.

- Obrigada, mas não precisa se preocupar com esse assunto não. Eu sei o que estou fazendo.

Era esse justamente o medo de Izabel, entender o que ele estava fazendo, mas por enquanto resolveu ficar calada.

                               ***

Taylor estava deitado fazia algumas horas, mas o sono não vinha. Ele cobriu a cabeça com o travesseiro e ouviu o telefone tocar. Olhou duas vezes a tela para se certificar do nome que apareceu na tela. Angel.

Ele atendeu.

- Oi.

- Está acordado?

- Você também.

- Estava pensando.

- Em quê?

- Meu pai me proibiu de te ver de novo.

Ele não respondeu.

- Taylor?

- Oi.

- Você me ouviu?

- Sim. Ele disse o motivo?

- Falou que nossas famílias tem alguns atritos, você sabia disso?

- Você não sabia?

- Claro que não.

- Esquece isso, são coisas antigas que não dizem respeito a nós.

- Então você também acha que nós podemos ser amigos?

- Você quer?

- Quero.

- Então não precisamos ouvir o que nossos pais pensam. Somos adultos e podemos fazer nossas escolhas.

- Então podemos nos ver amanhã?

Taylor sorriu diante do tom de voz dela. Parecia uma criança perguntando se podia comer um doce e com medo da resposta.

- Sim. Posso levar você para a faculdade. Tenho algumas coisas para fazer na cidade.

- Combinado. Boa noite, Taylor.

- Boa noite, Angel.

Ele desligou e fixou o olhar no teto. Até que não deveria? ser tão entediante executar seu plano de vingança. Aquela garota era legal e ele gostava de conversar com ela, pena que tinha o sangue daquele homem odioso correndo nas veias.

                       

***

No dia seguinte, Taylor esperava Angel sair da faculdade no final da tarde. Ela tinha deixado o carro na casa dele e eles tinham vindo na sua pick-up, portanto mesmo terminando de fazer suas obrigações, ele tivera que aguardar ela sair da aula para levá-la de volta para a fazenda. Ela o encontrou cochilando com a cabeça apoiada no volante e o som do carro ligado.

Angel ficou um tempo parada observando o rapaz que estava aprendendo a admirar naquele pouco tempo que se conheciam. Ele tinha alguma coisa estranha. Era muito calado e pensativo e as vezes tinha um olhar perdido, como se tivesse pensando em outra coisa. Tinha um pouco de pena dele. Era óbvio que ele tinha um problema e não queria compartilhar com outra pessoa. Talvez se ela se aproximasse da mãe dele pudesse descobrir alguma coisa. Mas de uma coisa tinha certeza, ele tinha um coração bom. Nas raras vezes que ele tinha deixado escapar um sorriso, o brilho que viu naqueles olhos não deixava dúvidas que por baixo daquela capa de durão tinha um homem carinhoso e ela estava disposta a conquistar aquele cowboy marrento.

Aproximou-se devagar e passou o dedo pelo braço dele. Ele abriu os olhos como se esperasse que ela estivesse ali e não demonstrou surpresa ou outra emoção.

- Pronta?

- Sim, não podemos comer alguma coisa antes de ir embora?

Ele sacudiu os ombros.

- Está um pouco tarde, mas se você quer.

Ela entrou no carro e olhou para ele sorrindo.

- Vamos pegar um sanduíche, eu como na estrada mesmo.

Ela comprou dois sanduíches e dois sucos e voltou para o carro.

- Eu vou comer e depois eu dirijo pra você poder comer o seu.

- Certo. Vamos lá.

Já era quase noite e depois de alguns minutos já na estrada de chão em direção à fazenda o carro começou a tremer com um barulho estranho até parar.

- O que aconteceu? Ela indagou.

Taylor deu um soco no volante.

- Droga! Sei lá, não sou mecânico.

Ele desceu do carro e abriu o capô.

- Nossa! Está fumaçando.

Angel desceu e se aproximou dele.

- E agora?

- Agora é rezar pra ter sinal e ligar para um mecânico.

Ele tentou realizar a chamada, mas a ligação não completou.

- Pronto. Perfeito!  Não tem sinal.

Angel encostou no carro e cruzou os braços.

- Eu quero ir para casa!

Taylor parou em frente a ela.

- Não tenho tempo para garotas mimadas agora, por favor.

- Eu não sou mimada!

- Ah, não? Imagina se fosse!

- Por que você está tão irritado? não tenho culpa se seu carro quebrou.

Ele passou a mão pelo cabelo e se aproximou dela, olhando-a fixamente nos olhos.

- Você me irrita, me tira do sério!

Ela se aproveitou e resolveu provocá-lo.

- Eu? Por quê?

- Não se faça de inocente. Você quer tudo do seu jeito, eu não gosto disso!

Ela empinou o nariz.

- Tá bom, não quero mais ver você. Arrume logo um jeito de me levar pra casa.

Taylor deu uma risada exasperada e colocou um braço de cada lado dela, impedindo que ela se afastasse do caro.

- Toda corajosa, hein! Vamos ver o que diz disso.

Ele pressionou o corpo dela com o dele e colou a boca na dela num beijo duro e profundo. A boca dele movia-se com brutalidade sobre a dela e ele mordia o queixo dela enquanto segurava seus cabelos com uma mão.

Angel não esperava aquela atitude dele e ficou sem saber o que fazer. Encostada no corpo dele não teve como não perceber o quanto ele estava excitado ao sentir o membro duro dele pressionando sua barriga. Ela tentou empurrá-lo e ele a apertou mais e contra a porta do carro.

- Que foi? Onde está sua coragem agora?

Ele enfiou os dedos sobre seus cabelos e puxou sua cabeça para trás beijando a curva do pescoço e passando a língua devagar até alcançar a boca dela de novo.

Ela gemeu, arrepiada com aquele contato.

- Para, Taylor...

Ele lambeu novamente seu lábios encostando a língua na dela e apertando o quadril de encontro ao dela.

- Parar por quê? Não tá doida pra pular na minha cama?

Ela estava trêmula nos braços dele. Se era o que ela queria? Sim. Era. Mas não estava preparada para a avalanche de emoções que sentiu ao ser tocada por ele e se não estivessem parados no meio da estrada talvez não conseguisse resistir a ele.

Ela o abraçou pela cintura e alisou o peito dele pela abertura da camisa.

- Está assim tão na cara, é?

Ele deu uma gargalhada e apertou o queixo dela com uma mão.

- Cuidado, menina! Pare de brincar com fogo!

Ela olhou para a estrada e deu um pulo.

- Olha, está vindo alguém, vamos pedir ajuda.

Taylor apertou os lábios e respirou fundo. Aquela interrupção foi sua salvação ou aquela garota ia deixá-lo completamente louco.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Fera Ferida   Epílogo

    O tempo passou como um passe de mágica.Angel agora estava formada e trabalhava com os animais das fazenda, além de prestar outros atendimentos para fazendeiros vizinhos.Taylor tinha investido na criação de cavalos de raça e agora ele vendia embriões até para fora do país.Robert estava agora com cinco anos e era o melhor amigo do Theo. Melhor amigo era só maneira de dizer porque Theo já ia fazer nove anos e as vezes ralhava com ele porque ele não conseguia acompanhar todas as peraltices que ele fazia.Vanessa tinha resistido quanto pode, mas acabou aceitando o pedido de casamento de Murilo e eles agora estavam as voltas com os preparativos do casamento. A mãe de Murilo ainda não aceitava de bom grado o namoro do filho com Vanessa, mas Murilo tinha dado um ultimato para ela, avisando que se ela continuasse ofendendo a mulher que ele amava ele ia sair de casa

  • Fera Ferida   Capítulo 35

    Taylor puxou a rédea do cavalo e parou observando a planície verdejante ao longe. Estava parado no limite das terras que um dia separaram a Fazenda Boa Esperança e a Fazenda Campo Belo. O gado pastava tranquilamente e o capim tremulava com os últimos raios de sol que saíam do horizonte. O coração de Taylor estava em paz. Não porque ele tinha recuperado todas as terras que um dia pertenceram a sua família, mas principalmente por saber que elas nunca tinham sido retiradas dele, ao contrário, estiveram sempre ali protegidas da insanidade de um homem consumido pelo ódio.Não tinha lembranças boas do seu passado. Agora podia enxergar que o amor que sempre sentiu por Rodolfo era unilateral. Revivendo detalhes da sua vida, ele percebeu que em nenhum momento Rodolfo tinha dito que o amava. Nunca o abraçou de forma calorosa e o que ele achava que era da sua própria natu

  • Fera Ferida   Capítulo 34

    Naquele tarde, Angel saiu da faculdade e Taylor a esperava cochilando dentro da caminhonete. Ela riu baixinho ao relembrar aquela mesma cena a mais de dois anos, ele dormindo no volante enquanto a esperava sair da faculdade. Ela parou em silêncio e observou o homem que tinha conquistado seu coração. Continuava o mesmo. Lindo, sensual, bruto a seu jeito, mas cheio de amor e cuidados para sua família. Não tinha do que reclamar. Tinha um marido perfeito.Ele pressentiu sua presença e abriu os olhos.- Ei, estava aí me observando, foi?Angel riu.- Estava. Não pode?Ela deu a volta e entrou no carro.- Onde está nosso filho?Taylor riu enquanto acariciava o rosto dela com dois dedos.- Hoje é sexta e eu o despachei para a casa da sua mãe. Vamos ficar um pouco sozinhos.Angel estava radiante.- Oba! Nós vamos sair? Vamos on

  • Fera Ferida   Capítulo 33

    Joana abriu a porta do apartamento e entrou carregando as inúmeras sacolas que tinha trazido da rua. Colocou todas em cima do sofá e foi até a geladeira tomar um copo de água. Estava um calor infernal naqueles últimos dias de dezembro e ela estava suada e ofegante. Também depois de passar o dia vagando entre as lojas da cidade não podia estar de outra forma.Deixou-se cair no sofá e abriu o celular conferindo o saldo da sua conta. Tinha gastado demais. Pensou nas inúmeras peças de roupa e sapato que tinha comprado e mentalmente calculou a fatura do seu cartão de crédito para o mês seguinte. No entanto ela se acalmou pensando que iria ficar um mês ou dois no vermelho, mas aquilo não era nada para alguém que nunca tivera um centavo no bolso.Abriu uma das sacolas e pegou uma calça jeans que tinha comprado em 10x. Era linda e era a calça dos seus son

  • Fera Ferida   Capítulo 32

    O resultado do exame demorou mais do que o esperado e um mês depois Angel foi com Taylor ao abrigo para conversar com Joana.Como já era de costume eles a visitarem, nem passaram pela recepção indo direto para o quarto dela.Angel empurrou a porta e chamou por ela.- Dona Joana?Ela não respondeu e eles entraram procurando no banheiro.Angel franziu a testa.- Ela não está aqui.Taylor olhou em volta.- Talvez esteja no jardim, vamos.Depois de procurar em todos os lugares eles resolveram ir até a recepção.A mulher estava lá com os olhos grudados no celular, alheia a qualquer coisa que acontecia ao redor.Angel bateu na mesa irritada.- Ei, onde está Dona Joana?Ela levantou os olhos distraída.- Foi embora.O coração de Angel disparou.- Embora como? Para onde?

  • Fera Ferida   Capítulo 31

    Robert Cavalcanti Murat Neto nasceu quatro horas depois pesando 3,5kg e medindo 52 cm. A médica ainda tentou que fosse um parto normal, mas acabou sendo uma cesariana como tinham programado. Angel ficou acordada o tempo todo e acompanhou todos os detalhes do parto. Taylor não quis entrar na sala de cirurgia. Não teria estômago para vê-la sendo cortada e ficou na porta andando de um lado para outro.Meia hora depois, a pediatra saía da sala com um pacotinho envolto em uma manta. Taylor se aproximou e tentou pegá-lo.- Calma, papai, precisamos limpar e vestir seu filho, espere mais um pouco.- Como está minha mulher?- Está ótima, logo vai vê-la.E então ela sumiu no corredor e Taylor apertou o peito ansioso. Nunca mais ele pensaria em ter um filho. Não aguentaria tanta tensão de novo.Marta e Robert estavam esperando na sala de entrada da clí

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status