LOGIN"Vendida" A palavra soou em minha cabeça, como uma pancada forte me levando a realidade. Outra vez.
Engoli em seco quando sua mão desceu até meu queixo segurando firme, forçando com que eu o olhar. O homem a minha frente tinha um olhar pesado e eu sentia meu corpo tremer com o medo que aquilo me estava passando. Ele me analisou por alguns segundos antes de bater três palmas . A porta atrás de mim se abriu e em momento algum ele se afastou, minha garganta se contorceu com o nó que se formou. Uma outra mulher entrou no aposento, o Duque a mediu de cima a baixo antes de dar um pequeno sorriso de soslaio. - Quero que a leve, e prepare para mim. - Tais palavras fizeram meu estômago revirar e se a mulher não tivesse puxado meu braço para fora , com certeza em vomitaria ali dentro , como fiz alguns corredores depois . - Pelos Deuses, esta doente. - Ela afirmou, não me disse nada, apenas me levou a um quarto. Um quarto não muito grande, mas com uma cama enorme, pude contar ao menos dois baús, uma linda penteadeira com um pequeno espelho. O carpete no chão do aposento, parecia ter sido tirado da pele de algum animal. - Venha, tem água quente no ofurô, vou separar uma roupa para a senhorita e não quero que saia do quarto. Eu não a contestei, isso fez com que não tivesse que me apresentar ao homem deplorável que me roubou, o Duque poderia ter traços de um homem bem apessoado, mas isso sumiu quando as palavras saíram de sua boca. Tirei minhas vestes e entrei na água quente, fiquei sentado por algum tempo e não pude deixar de me assustar quando uma mulher apareceu. - Tenho ordens para ajudá-la com o banho. - Não disse mais nada, deixei que me ajudesse, ela me ajudou também a me vestir e logo em seguida pentear os cabelos. -A senhorita é muito bonita, beleza digna de princesas. -O que adiantaria, pensei. Eu não passei de mais uma compra, minha beleza não serviu para me ajudar, mas sim para acharem que algumas moedas os fariam meus donos. A mulher foi apresentada como Naná, ela era jovem, tinha cabelos negros presos num coque aparentemente apertado. Suas roupas eram de panos finos mas bem comportados, já os meus eram um pouco mais ousados me fazendo sentir-me quase nua, meus cabelos eram solteiros e levemente ondulados. - O duque ainda quer que eu vá até ele ? - Perguntei assim que me lembrei, desejei que não, desejei que ele tivesse encontrado algo que o distraísse ao ponto de ele esquecer de minha presença. -Não, eu disse ao Duque que passou mau ao caminho do quarto e que agora sente febre, o senhor Hoffmann morre de medo de doenças. - Eu queria saber porque ela mentiu, eu não senti febre, mas não ousei discutir tal assunto. Ela poderia pensar que eu queria o ver e diria a ele que eu já estava bem, então descartei qualquer pergunta. Me mantive calada nas próximas horas observando aquele quarto , tudo nele era algo que eu não era acostumada, a cama era tão macia que eu poderia me agarrar ali e não sair nunca mais , porem tudo ali me fizera pensar em toda minha vida , em tudo que passei e senti em tão pouco tempoO ULTIMO SACRIFICIO— ADALIA!A mão puxou com força.Adalia caiu.Kally se jogou sobre ela e segurou seus braços.— Não solte!— Eu estou tentando!A mão negra apertava o tornozelo dela.Adalia sentiu o frio subir pela perna.— Kally!Haj correu até os dois.— Segure firme!Amenael e Mesael também chegaram.Dabilla apareceu logo depois.— O que fazemos?O guardião olhou para a rachadura.Seu rosto mudou.— Não é Azrael.Todos ficaram em silêncio.Kally o encarou.— Então quem é?O velho respondeu:— Aquilo que existia antes dele.A rachadura aumentou.Uma voz profunda ecoou pelo salão.— Finalmente...Adalia estremeceu.— O que é isso?O guardião respondeu:— O poder que Azrael tentou controlar.Kally puxou Adalia com mais força.— Então destrua!— Não pode ser destruído.— Então como vamos pará-lo?O guardião olhou para Adalia.— Não vamos.Adalia arregalou os olhos.— O quê?— Vamos fazer com que ele escolha.A mão negra começou a subir.Adalia sentiu uma força tentando entrar em se
Capítulo — A Escolha Final— ADALIA!Kally avançou.A mão que segurava o tornozelo dela era fria como gelo.Adalia tentou se soltar.— Kally!Ele segurou os braços dela.— Não solte minha mão!— Eu não vou!A mão puxou Adalia para baixo.Kally segurou com toda a força.Haj correu até eles.— Segurem ela!Amenael apareceu logo depois.— O que está acontecendo?— O selo! — gritou o guardião. — Azrael deixou uma parte de si aqui!Dabilla chegou correndo.— Então ele ainda está vivo?O guardião respondeu:— Não como antes.Amenael olhou para a rachadura.— Então o que está puxando Adalia?— O último fragmento dele.Kally apertou a mão de Adalia.— Então eu vou arrancá-lo dela.O guardião balançou a cabeça.— Se fizer isso à força, pode destruir a ligação entre ela e o próprio poder.Kally ficou imóvel.— E o que eu faço?O velho olhou para Adalia.— Ela precisa escolher.Adalia sentiu a mão apertar seu tornozelo.A voz de Azrael surgiu dentro de sua cabeça.“Você não pode salvar todos.”E
Capítulo — O Último CercoO caminho de volta para Nera parecia não ter fim.Kally cavalgava na frente.Adalia estava ao seu lado.Haj, Amenael, Mesael e Dabilla vinham logo atrás.Ninguém falava.Todos sabiam que o tempo estava acabando.Então, no alto de uma colina, Kally puxou as rédeas.— Parem.Todos pararam.Adalia olhou para frente.Ao longe, uma coluna de fumaça negra subia até o céu.Nera estava cercada.Haj ficou pálido.— Não...Amenael apertou a espada.— Quantas criaturas?Kally observou o horizonte.— Muitas demais.Dabilla perguntou:— E os soldados?Mesael respondeu:— Sozinhos, não conseguirão segurar.Adalia fechou os olhos.Sentiu o poder de Azrael.Mas dessa vez havia outra presença.Mais profunda.Mais antiga.Ela abriu os olhos.— Ele abriu alguma coisa sob o castelo.Kally olhou para ela.— O quê?— Eu não sei.Ela levou a mão ao peito.— Mas está acordando.Dentro de Nera, os sinos tocavam sem parar.Soldados corriam pelas muralhas.Moradores tentavam se esconde
Capítulo — A Caminho do NorteO amanhecer chegou antes que Adalia estivesse pronta.Ela passou a noite quase sem dormir.Sempre que fechava os olhos, sentia aquela presença.Azrael.Dentro dela.Esperando.Quando o primeiro raio de sol entrou pela janela, Kally já estava vestido.A espada estava presa à cintura.— Você não dormiu — ele disse.Adalia balançou a cabeça.— Toda vez que eu fechava os olhos, sentia ele.Kally se aproximou.— Então não precisa enfrentar isso sozinha.Ela olhou para ele.— Você realmente vai comigo?Kally sorriu.— Eu disse que iria.— E se for uma armadilha?— Provavelmente é.Adalia ficou séria.— Isso não deveria me tranquilizar.Kally riu.— Não era para tranquilizar.Ele segurou a mão dela.— Era para lembrar que, seja qual for a armadilha, nós vamos sair dela juntos.No pátio do castelo, Haj esperava.O braço ainda estava enfaixado.Nana estava ao lado dele.— Você não vai — Kally disse.Haj levantou uma sobrancelha.— Vai tentar me impedir?— Você aca
Capítulo — A Sombra Que RetornouA noite havia caído sobre Nera.Mas não era uma noite comum.As luzes da cidade continuavam se apagando.Uma.Depois outra.E outra.Até que apenas algumas tochas permaneciam acesas nas ruas.O povo olhava para o céu.Ninguém entendia o que estava acontecendo.Kally permanecia na varanda do castelo.Adalia segurava sua mão.— Azrael está vivo — ela sussurrou.Kally apertou os dedos dela.— Eu sei.— Eu senti.Kally olhou para ela.— Onde?Adalia fechou os olhos.Por um instante, tudo ao redor desapareceu.Ela viu uma floresta.Escura.Fria.E, no meio dela, uma mulher caminhando sozinha.A mulher parou.Seus olhos ficaram completamente negros.Então sorriu.Adalia abriu os olhos assustada.— Norte.Kally franziu a testa.— O quê?— Ele está no norte.Amenael se aproximou.— Tem certeza?Adalia assentiu.— Azrael encontrou um corpo.Mesael ficou sério.— Então foi assim que ele sobreviveu.Kally olhou para o horizonte.— Ele não estava tentando vencer n
Capítulo — Aquele Que Não Pode MorrerAs luzes de Nera continuavam se apagando.Uma por uma.Adalia permanecia na varanda ao lado de Kally.O pedaço de tecido negro ainda estava nas mãos dela.“AZRAEL NÃO FOI DESTRUÍDO.”Haj se aproximou.— Isso é impossível.Amenael olhou para o céu.— Nós vimos o selo se fechar.Mesael concordou.— Eu também vi.Dabilla segurou seu braço.— Então como ele sobreviveu?Ninguém respondeu.Kally olhou para Adalia.— Você sentiu alguma coisa quando o selo se fechou?Ela ficou em silêncio.Depois fechou os olhos.Por alguns segundos, não sentiu nada.Então...Uma dor atravessou seu peito.Adalia levou a mão ao coração.— Ele está aqui.Kally ficou sério.— Dentro do castelo?— Não.Ela abriu os olhos.— Dentro de mim.Todos ficaram imóveis.Adalia fechou os olhos novamente.E voltou àquele instante.O templo.Azrael de joelhos.A energia envolvendo seu corpo.O selo se fechando.Mas havia algo que ela não tinha percebido.Uma sombra.Uma pequena parte de







