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Capítulo 8

Autor: Maya Saint
last update Data de publicação: 2026-05-14 04:50:41

POR MAIA

Os dois dias seguintes passaram quase iguais.

Terça.

Quarta.

Faculdade.

Ônibus.

Casa.

Estudo.

Banho.

Dormir.

Eu mal tive tempo de pensar direito.

Talvez fosse melhor assim.

Porque sempre que minha cabeça ficava livre por muito tempo, eu começava a pensar nos trinta mil reais.

E então vinha ansiedade.

Desespero.

Culpa.

Quando quinta-feira finalmente chegou, eu já estava mentalmente exausta.

E ainda tinha a boate à noite.

Durante o intervalo das aulas, eu estava sentada na cafeteria com Valéria e Diana quando comentei sobre o trabalho daquela noite.

— Presença VIP? — Diana arqueou a sobrancelha enquanto mexia no café. — Em boate rica?

Assenti.

— Não paga muito, mas já aceitei.

— Quanto?

— Mil e duzentos.

Diana fez uma careta dramática.

— Isso aí hoje em dia não paga nem meus cílios.

Revirei os olhos automaticamente.

Valéria riu.

— Você vai mesmo assim?

— Vou. Já aceitei a proposta.

Diana apoiou o cotovelo na mesa.

— Posso ir?

— Eu também quero — Valéria falou logo em seguida. — Hoje é minha folga.

Sorri pela primeira vez naquele dia.

— Então vão comigo. Posso levar acompanhantes.

Diana abriu um sorriso enorme.

— Perfeito. Faz séculos que eu não saio pra beber sem cliente enchendo o saco.

— Você fala isso porque provavelmente já tem encontro marcado hoje — falei.

Ela abriu um sorriso lento e cheio de segundas intenções.

— E tenho mesmo.

Valéria riu imediatamente.

— Você não presta.

Diana apenas deu de ombros.

— E vocês me amam mesmo assim.

[...]

Quando eu e Valéria chegamos em casa já passava das sete da noite.

Ainda tínhamos tempo de sobra para nos arrumar.

Enquanto eu tomava banho, Valéria separava roupas em cima da minha cama como se estivesse montando produção de editorial de moda.

— Usa esse aqui — ela disse jogando um vestido preto curto na minha direção.

O vestido era lindo.

Justo.

Curto.

Com decote discreto.

Sexy sem parecer exagerado.

Acabei colocando ele junto com minha jaqueta de couro preta e uma bota de salto alto quase chegando aos joelhos.

Quando terminei de me arrumar, fui até o espelho.

Meu cabelo naturalmente ondulado tinha ficado diferente depois da escova e do babyliss.

Mais alinhado.

Mais sofisticado.

Coloquei argolas prateadas e um colar delicado.

E pela primeira vez em dias…

Gostei do que vi.

Valéria apareceu atrás de mim já pronta também.

Ela usava um vestido vermelho de manga longa, justo no corpo, um pouco mais comprido que o meu, mas ainda acima dos joelhos.

Os olhos castanho-claro dela pareciam ainda mais bonitos contrastando com o vermelho.

Ela realmente parecia saída de um filme.

— Fiu fiu — ela falou me olhando pelo espelho. — Você tá linda demais.

Ri baixo.

— Você parece uma mulher fatal.

— Eu sou uma mulher fatal.

— Dramática.

— Também.

Acabamos rindo juntas.

E naquele momento…

Eu realmente decidi que iria apenas me divertir naquela noite.

Sem pensar em problemas.

Sem pensar em dinheiro.

Sem pensar em Maicon.

Só queria beber um pouco.

Dançar.

Respirar.

Chamamos um táxi e fomos para a boate.

O lugar já estava lotado quando chegamos.

Luzes coloridas cortavam o ambiente escuro enquanto a música fazia o chão literalmente vibrar sob meus pés.

Fui até a entrada VIP e dei meu nome do aplicativo.

Megan.

Depois informei os nomes da Valéria e da Diana também.

Por sermos presença VIP, tínhamos acesso livre ao camarote, bebidas e área reservada.

Mas parte do “trabalho” era circular pelo salão.

Ser vista.

Ajudar a dar movimento ao lugar.

Subimos primeiro para o camarote.

A vista da pista era perfeita dali.

Ainda não estava completamente cheio, mas dava pra perceber que a boate lotaria em pouco tempo.

Abrimos o champanhe.

Diana imediatamente levantou a taça.

— Um brinde.

— Ao quê? — perguntei rindo.

Ela abriu um sorriso enorme.

— À vida. À amizade. E aos homens idiotas que pagam nossas contas.

Valéria gargalhou alto.

Batemos as taças.

Depois vieram shots.

Drinks.

Mais shots.

Diana foi a primeira a descer pra pista.

Não demorou muito para Valéria puxar minha mão também.

E então começamos a dançar.

Muito.

A música alta.

As luzes.

O álcool.

As risadas das meninas.

Tudo parecia distante do resto da minha vida.

E talvez por isso…

Eu só percebi ele quando parei por alguns segundos para recuperar o fôlego.

Um homem observava a pista de um camarote mais afastado.

Exclusivo.

Mesmo na pouca iluminação da boate, consegui enxergar seus olhos.

Azuis.

Muito azuis.

O tipo de azul que parecia impossível existir de verdade.

Ele era alto.

Moreno.

Cabelos escuros levemente bagunçados.

E mesmo parado…

Tinha presença.

Muita.

Senti meu corpo inteiro arrepiar quando percebi que ele também estava me olhando.

Diretamente.

Sem desviar.

Como se já tivesse me notado fazia tempo.

Fiquei encarando de volta por segundos longos demais.

Hipnotizada.

Até Diana me puxar pelo braço de novo.

— Anda, gostosa.

Voltei a rir e continuei dançando com elas.

Dessa vez mais solta.

Mais leve.

Mais bêbada.

As músicas foram ficando cada vez mais sensuais conforme a noite avançava.

E quando uma música mais lenta e provocante começou a tocar, senti mãos segurarem minha cintura por trás.

Não me afastei imediatamente.

O álcool já deixava tudo meio lento.

Continuei dançando.

Sentindo o corpo quente atrás do meu.

As mãos firmes na minha cintura.

A cada batida da música, eu me mexia mais contra ele.

Até que senti claramente a ereção pressionando minhas costas.

Meu corpo travou por um segundo.

Virei rapidamente.

E encontrei os mesmos olhos azuis do camarote.

De perto…

Ele era ainda mais bonito.

Bonito de um jeito perigoso.

As mãos dele continuavam na minha cintura enquanto nos olhávamos em silêncio no meio daquela pista lotada.

Havia alguma coisa naqueles olhos.

Algo familiar.

Intenso.

Quase hipnotizante.

Então ele me beijou.

Quente.

Profundo.

Como se já estivesse pensando em fazer aquilo fazia horas.

Minha mão subiu automaticamente para sua nuca enquanto ele me puxava ainda mais para perto.

O beijo era intenso demais.

Desesperado demais.

Ou talvez fosse só o álcool.

Escutei alguém gritar alguma coisa ao fundo.

Provavelmente mandando a gente ir para um motel.

Mas eu não conseguia parar.

E ele também não.

Ficamos ali no meio da pista nos beijando como dois completos desconhecidos sem controle nenhum.

Até que ele se afastou minimamente e disse alguma coisa perto do meu ouvido.

Mas a música estava alta demais.

Não consegui entender.

E então…

A realidade voltou de uma vez.

O lugar.

As pessoas.

As luzes.

As meninas.

Meu coração disparou imediatamente.

Meu Deus.

Eu estava praticamente agarrada num desconhecido no meio de uma boate.

Me afastei rápido demais.

Respirando um pouco ofegante.

As mãos dele ainda tentaram segurar minha cintura por um segundo.

Mas eu já tinha recuado.

Fui imediatamente até as meninas.

— Vamos embora.

Diana me olhou como se eu tivesse enlouquecido.

— Já?!

— Amanhã tem aula.

— Maia, a gente chegou tem tipo duas horas!

Ignorei completamente o olhar divertido dela.

— Vamos só pegar mais um drink e ir.

Meu coração ainda batia forte demais.

E eu não sabia se era por causa do álcool…

Ou por causa dos olhos azuis que ainda queimavam nas minhas costas.

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