เข้าสู่ระบบ— A descendente dos Caçadores está aqui.
As palavras atravessaram o corredor como uma sentença. Lívia ficou imóvel. Por um instante, tudo ao redor pareceu desaparecer. Caçadores. A palavra não fazia sentido. Ela olhou para Aurora, que dormia tranquilamente em seus braços.
— Não...
Foi tudo o que conseguiu dizer. Então Dante apareceu na porta. Sua expressão havia mudado completamente. Não havia mais arrogância. Não havia dúvida. Havia perigo.
— Venha comigo.
Lívia recuou.
— Quem falou isso?
— Depois eu explico.
— Não! — ela respondeu, elevando a voz. — Quero saber agora.
Dante aproximou-se.
— Existem pessoas lá fora que sabem quem você é.
— Eu nem sei quem eu sou!
A frase fez Dante parar. Lívia respirava rapidamente.
— Minha mãe nunca me contou nada. Meu pai morreu quando eu era criança. Eu cresci acreditando que minha família era comum. E agora você aparece dizendo que existe uma marca no meu pulso, que minha filha está sendo perseguida e que eu sou descendente de pessoas que nem sabia que existiam!
Dante sustentou o olhar dela.
— Você precisa confiar em mim.
— Por quê?
— Porque, neste momento, sou a única pessoa nesta sala que sabe exatamente o que está procurando você.
Lívia apertou Aurora contra o peito.
— E o que está procurando?
Dante hesitou.
— Seu sangue.
Um arrepio percorreu o corpo dela.
— Meu sangue?
— Sim.
Antes que pudesse continuar, um estrondo fez a casa inteira estremecer. Aurora começou a chorar. Dante imediatamente olhou para a janela.
— Eles chegaram.
Rafael entrou correndo.
— Alfa, precisamos sair pelos fundos.
— Quantos?
— Pelo menos oito.
Dante fechou as mãos.
— Lobos?
Rafael balançou a cabeça.
— Não. Humanos.
Dante ficou em silêncio. Aquilo confirmava sua suspeita. Se fossem lobos, poderia entender. Mas humanos procurando uma descendente dos Caçadores significava que havia uma organização por trás daquilo. Uma organização que provavelmente existia havia décadas.
— Leve Lívia e a criança — ordenou Dante.
Rafael assentiu.
— E você?
— Vou atrasá-los.
Lívia imediatamente segurou o braço de Dante.
— Não.
Ele olhou para a mão dela.
— O quê?
— Você não vai ficar.
— Lívia...
— Se eles estão atrás de mim, então eu não vou deixar você se colocar em perigo por minha causa.
Dante a encarou. Havia algo naquela mulher que o desconcertava. Ela deveria estar aterrorizada. Mas continuava pensando nos outros antes de si mesma.
— Você ainda não entendeu — disse ele. — Não estou fazendo isso apenas por você.
O olhar de Dante caiu sobre Aurora.
— Estou fazendo por ela.
Lívia ficou em silêncio. Por algum motivo, aquelas palavras tocaram uma parte dela que não queria admitir. Ele realmente considerava Aurora sua filha. Mesmo sem ter estado presente. Mesmo sem saber que ela existia.
Dante se aproximou.
— Vá com Rafael.
— E você?
— Eu vou encontrar vocês.
Lívia não respondeu.
Apenas assentiu.
***
Rafael conduziu Lívia por uma passagem escondida atrás de uma estante. Ela olhou para trás uma última vez. Dante havia desaparecido no corredor. Então ouviu um barulho. Um impacto. Depois outro. Lívia apertou Aurora contra o peito.
— O que está acontecendo?
Rafael continuou andando.
— Dante está segurando os invasores.
— Ele vai conseguir?
Rafael sorriu de lado.
— É Dante.
Mas, antes que pudesse continuar, uma sombra surgiu no final do corredor. Rafael parou.
— Fique atrás de mim.
Um homem apareceu. Ele segurava uma pequena lâmina.
— Entreguem a garota.
Rafael avançou. O confronto foi rápido. Lívia recuou, protegendo Aurora. O homem conseguiu derrubar Rafael. Então olhou diretamente para Lívia.
— Finalmente.
Ela sentiu o medo voltar.
— Quem é você?
Ele sorriu.
— Você realmente não sabe?
Lívia permaneceu em silêncio.
— Sua mãe escondeu muito bem.
O homem avançou.
— Mas não o suficiente.
Ele ergueu a lâmina. Lívia fechou os olhos. E algo aconteceu. Uma sensação quente percorreu seu corpo. Seu pulso começou a arder. A marca em sua pele brilhou. O homem parou. Seus olhos se arregalaram.
— Não...
Lívia abriu os olhos.
— O que está acontecendo comigo?
O homem recuou.
— Ela despertou.
Então virou-se e correu. Rafael levantou-se rapidamente.
— Lívia!
Ela olhou para o próprio pulso. A marca estava desaparecendo.
— Eu não fiz nada.
Rafael estava pálido.
— Eu sei.
— Então por que ele fugiu?
Rafael olhou para ela.
— Porque ele viu algo que nós ainda não entendemos.
***
Dante encontrou o último invasor no jardim. O homem tentou fugir. Dante o alcançou em segundos. Segurou-o pelo colarinho.
— Quem mandou você?
O homem permaneceu em silêncio.
— Quem?
— Você não sabe o que está protegendo.
Dante estreitou os olhos.
— Estou protegendo minha filha.
O homem riu.
— Não.
Dante o encarou.
— Ela é muito mais do que sua filha.
O sorriso do homem aumentou.
— Quando o sangue dela despertar completamente, nem você conseguirá controlá-la.
Dante ficou imóvel.
— O que sabe sobre Lívia?
— O suficiente.
— Quem é ela?
O homem aproximou-se, mesmo preso.
— Pergunte a si mesmo por que seu lobo reconheceu uma humana.
Dante sentiu o corpo ficar rígido. O homem continuou:
— Você acredita que encontrou sua companheira por acaso?
Dante não respondeu.
— Nada disso aconteceu por acaso, Alfa.
Antes que pudesse interrogá-lo novamente, o homem tomou uma pequena cápsula escondida entre os dentes.
Dante percebeu tarde demais. O homem desmaiou. Dante o soltou. Seu olhar permaneceu fixo nele. Nada daquilo fazia sentido. Lívia era humana. Ou deveria ser. Então por que seu lobo a reconhecia? Por que os inimigos conheciam seu sangue? E, principalmente... por que a marca dos Caçadores estava despertando justamente agora?
***
Naquela noite, Lívia estava sentada diante da janela do esconderijo. Aurora dormia ao seu lado. Dante entrou silenciosamente.
— Ela está bem?
Lívia assentiu.
— Está.
Ele ficou alguns segundos em silêncio.
— O que aconteceu no corredor?
Lívia levantou o olhar.
— Eu não sei.
— Sua marca brilhou.
Ela ficou imóvel.
— Como sabe?
— Eu vi.
Lívia abaixou os olhos.
— Eu não consigo explicar.
Dante sentou-se diante dela.
— Talvez sua mãe pudesse.
Lívia respirou fundo.
— Então preciso voltar para casa.
— É perigoso.
— Minha mãe deixou alguma coisa para mim.
Dante a observou.
— A caixa?
Ela assentiu.
— Sim.
— Então iremos buscá-la.
Lívia franziu a testa.
— Nós?
— Você, eu e Aurora.
— Por quê?
Dante sustentou seu olhar.
— Porque acredito que dentro daquela caixa está a resposta para tudo.
Lívia hesitou.
— E se eu não quiser descobrir?
Dante ficou em silêncio. Então respondeu:
— Você já começou a descobrir.
Ele olhou para Aurora.
— E alguém lá fora está com medo do que você pode se tornar.
Lívia sentiu um arrepio. Naquele momento, percebeu que sua vida nunca mais seria normal. Ela havia passado trinta e dois anos sem saber quem realmente era. Agora, pela primeira vez, começava a suspeitar que sua mãe não havia escondido apenas um segredo. Havia escondido uma história inteira. E talvez a verdade estivesse esperando por ela dentro daquela velha caixa de madeira. Sem saber que, dentro dela, existia algo que faria Dante finalmente descobrir a verdadeira identidade de Lívia. E quando isso acontecesse...
o Alfa Supremo teria que escolher entre proteger a descendente de seus maiores inimigos ou destruí-la antes que fosse tarde demais.
De volta à cidade, Elara acordou durante a madrugada.Sentou-se na cama.Sentia alguém chamando por ela.Não era Aurora.Não era Lyra.Não era Lívia.Era outra coisa.Uma presença.Ela levantou-se e caminhou até a janela.No vidro apareceu lentamente uma marca negra.Elara tocou.Uma voz sussurrou:— Você não deveria ter sobrevivido.Elara recuou.— Quem está aí?A voz respondeu:— Aquele que nasceu antes de vocês.Elara ficou imóvel.— Antes?A marca desapareceu.Então outra frase apareceu no vidro:“A quarta herdeira não é uma criança.”Elara arregalou os olhos.— Então quem é?Nenhuma resposta.Apenas uma última palavra surgiu no vidro.“Procure.”Elara correu até a porta.Mas antes que pudesse sair, Aurora apareceu no corredor.— Elara?Lyra veio logo atrás.— O que aconteceu?Elara olhou para as duas.Seu rosto estava pálido.— Nós não somos as primeiras.Lyra ficou imóvel.— O que você quer dizer?Elara apontou para a janela.A marca negra havia desaparecido.— Existe alguém ant
Três meses haviam se passado desde a abertura do Santuário Original.Pela primeira vez em muitos anos, a cidade dos Caçadores estava em paz.Os muros haviam sido reconstruídos.As antigas diferenças entre lobos e humanos começavam, lentamente, a desaparecer.E, no centro de tudo, três meninas cresciam juntas.Aurora.Lyra.E Elara.Elara.Esse havia sido o nome escolhido pela própria menina.Um nome que, segundo Gabriel, significava algo próximo de luz e mistério.Ela gostava.Talvez porque sua vida inteira tivesse sido cercada pelos dois.Mistério.E escuridão.Agora, porém, ela finalmente tinha uma família.***Lívia observava as três brincando no jardim.Aurora corria atrás de Lyra, enquanto Elara permanecia alguns passos atrás, rindo.Era estranho pensar que, meses antes, nenhuma delas sabia da existência das outras.Aurora crescera acreditando que era filha única.Lyra passara anos acreditando que estava sozinha.E Elara sequer possuía um nome.Agora eram inseparáveis.Dante apro
As meninas se olharam.— Aurora — disse Lyra.— Lyra — respondeu Aurora.A terceira menina respirou fundo.— Eu não quero perder nenhuma de vocês.Lívia se ajoelhou diante delas.— Então não escolham entre vocês.As três olharam para ela.— Escolham umas às outras.Dante percebeu primeiro.— Lívia...Ela se levantou.— A magia quer que elas escolham um lado.Gabriel assentiu.— Porque é assim que a guerra continua.Lívia segurou as mãos das três.— Então elas não vão escolher um lado.Os três símbolos começaram a se unir.Serena recuou.— Não!Uma enorme luz tomou o templo.Lyra gritou.Aurora fechou os olhos.A terceira menina segurou as mãos das irmãs.A energia percorreu o templo.As correntes de Gabriel começaram a desaparecer.A marca da Lua Negra que estava gravada nas paredes começou a rachar.Serena caiu de joelhos.— Vocês não entendem!Lívia respondeu:— Talvez não.Olhou para as três meninas.— Mas entendemos que ninguém deve ser obrigado a escolher entre aqueles que ama.*
A porta se abriu completamente.Do outro lado não havia apenas escuridão.Havia silêncio.Um silêncio tão profundo que parecia engolir até mesmo o som da respiração.Lívia permaneceu parada diante da entrada.A voz de seu pai ainda ecoava em sua mente.“Se você abrir essa porta, a guerra que começou há vinte anos finalmente terminará.”Ela olhou para Aurora.Depois para Lyra.E finalmente para a terceira menina.As três estavam juntas.Pela primeira vez.Depois de tantos anos de separação.— Eu vou entrar — disse Lívia.Dante segurou sua mão.— Então eu vou com você.Lívia olhou para ele.— Pode ser perigoso.— Depois de tudo que enfrentamos, você realmente acha que vou deixar você entrar sozinha?Um pequeno sorriso apareceu no rosto dela.— Não.Dante apertou sua mão.— Nunca.As três meninas atravessaram a porta.E a escuridão as envolveu.***Quando Lívia abriu os olhos, não estava mais na montanha.Estava em um lugar impossível.O céu era prateado.Não havia sol.Nem lua.Ao redor
Do lado de fora, uma voz ecoou.— Helena!Ela fechou os olhos.— Eles chegaram.A voz continuou:— Entregue as crianças e ninguém precisará morrer.Dante respondeu:— Venha buscá-las.Um silêncio.Então uma mulher entrou na caverna.Ela usava um longo manto negro.No pescoço carregava um símbolo de lua.Seus olhos estavam fixos na terceira herdeira.A menina recuou.— Não...A mulher sorriu.— Minha pequena.— Não chega perto de mim.— Depois de tantos anos, ainda tem medo?Lívia se colocou entre as duas.— Quem é você?A mulher olhou para ela.— Você deve ser Lívia.— Como sabe meu nome?— Eu conheci seu pai.Lívia ficou imóvel.— Quem é você?A mulher sorriu.— Meu nome é Serena.Clara deu um passo para trás.— Serena Valen...Dante olhou para Clara.— Você conhece esse nome?Clara respondeu:— Todos acreditavam que ela estava morta.Serena riu.— Todos acreditavam errado.***Lívia não tirava os olhos dela.— O que você quer?Serena respondeu:— Quero recuperar aquilo que pertence
A risada ecoou pela caverna.Lenta.Baixa.Assustadoramente tranquila.A terceira herdeira apertou a mão de Lívia.— É ela.Lívia olhou para a passagem.— Quem?A menina engoliu em seco.— A mulher que me criou.Dante levantou a espada.— Todos para trás.Rafael posicionou-se ao lado dele.Lyra puxou Aurora para perto.Elias permaneceu imóvel.Clara, porém, parecia ter visto um fantasma.— Não...Lívia olhou para a mãe.— Você conhece essa mulher.Clara não respondeu.— Mãe!— Conheço.A voz de Clara saiu quase sem força.— Quem é ela?Clara respirou fundo.— Helena.Todos olharam para a mulher que estava atrás deles.A mesma Helena que os havia recebido na cidade.A mesma mulher que havia dito esperar pelas três herdeiras durante vinte anos.Lívia virou-se lentamente.— Helena?A mulher não respondeu.Apenas fechou os olhos.Quando os abriu novamente, não havia mais medo em seu rosto.Havia determinação.— Eu sinto muito.Dante avançou.— Você nos enganou.Helena recuou.— Eu precisa







