Mag-log inDe volta à cidade, Elara acordou durante a madrugada.Sentou-se na cama.Sentia alguém chamando por ela.Não era Aurora.Não era Lyra.Não era Lívia.Era outra coisa.Uma presença.Ela levantou-se e caminhou até a janela.No vidro apareceu lentamente uma marca negra.Elara tocou.Uma voz sussurrou:— Você não deveria ter sobrevivido.Elara recuou.— Quem está aí?A voz respondeu:— Aquele que nasceu antes de vocês.Elara ficou imóvel.— Antes?A marca desapareceu.Então outra frase apareceu no vidro:“A quarta herdeira não é uma criança.”Elara arregalou os olhos.— Então quem é?Nenhuma resposta.Apenas uma última palavra surgiu no vidro.“Procure.”Elara correu até a porta.Mas antes que pudesse sair, Aurora apareceu no corredor.— Elara?Lyra veio logo atrás.— O que aconteceu?Elara olhou para as duas.Seu rosto estava pálido.— Nós não somos as primeiras.Lyra ficou imóvel.— O que você quer dizer?Elara apontou para a janela.A marca negra havia desaparecido.— Existe alguém ant
Três meses haviam se passado desde a abertura do Santuário Original.Pela primeira vez em muitos anos, a cidade dos Caçadores estava em paz.Os muros haviam sido reconstruídos.As antigas diferenças entre lobos e humanos começavam, lentamente, a desaparecer.E, no centro de tudo, três meninas cresciam juntas.Aurora.Lyra.E Elara.Elara.Esse havia sido o nome escolhido pela própria menina.Um nome que, segundo Gabriel, significava algo próximo de luz e mistério.Ela gostava.Talvez porque sua vida inteira tivesse sido cercada pelos dois.Mistério.E escuridão.Agora, porém, ela finalmente tinha uma família.***Lívia observava as três brincando no jardim.Aurora corria atrás de Lyra, enquanto Elara permanecia alguns passos atrás, rindo.Era estranho pensar que, meses antes, nenhuma delas sabia da existência das outras.Aurora crescera acreditando que era filha única.Lyra passara anos acreditando que estava sozinha.E Elara sequer possuía um nome.Agora eram inseparáveis.Dante apro
As meninas se olharam.— Aurora — disse Lyra.— Lyra — respondeu Aurora.A terceira menina respirou fundo.— Eu não quero perder nenhuma de vocês.Lívia se ajoelhou diante delas.— Então não escolham entre vocês.As três olharam para ela.— Escolham umas às outras.Dante percebeu primeiro.— Lívia...Ela se levantou.— A magia quer que elas escolham um lado.Gabriel assentiu.— Porque é assim que a guerra continua.Lívia segurou as mãos das três.— Então elas não vão escolher um lado.Os três símbolos começaram a se unir.Serena recuou.— Não!Uma enorme luz tomou o templo.Lyra gritou.Aurora fechou os olhos.A terceira menina segurou as mãos das irmãs.A energia percorreu o templo.As correntes de Gabriel começaram a desaparecer.A marca da Lua Negra que estava gravada nas paredes começou a rachar.Serena caiu de joelhos.— Vocês não entendem!Lívia respondeu:— Talvez não.Olhou para as três meninas.— Mas entendemos que ninguém deve ser obrigado a escolher entre aqueles que ama.*
A porta se abriu completamente.Do outro lado não havia apenas escuridão.Havia silêncio.Um silêncio tão profundo que parecia engolir até mesmo o som da respiração.Lívia permaneceu parada diante da entrada.A voz de seu pai ainda ecoava em sua mente.“Se você abrir essa porta, a guerra que começou há vinte anos finalmente terminará.”Ela olhou para Aurora.Depois para Lyra.E finalmente para a terceira menina.As três estavam juntas.Pela primeira vez.Depois de tantos anos de separação.— Eu vou entrar — disse Lívia.Dante segurou sua mão.— Então eu vou com você.Lívia olhou para ele.— Pode ser perigoso.— Depois de tudo que enfrentamos, você realmente acha que vou deixar você entrar sozinha?Um pequeno sorriso apareceu no rosto dela.— Não.Dante apertou sua mão.— Nunca.As três meninas atravessaram a porta.E a escuridão as envolveu.***Quando Lívia abriu os olhos, não estava mais na montanha.Estava em um lugar impossível.O céu era prateado.Não havia sol.Nem lua.Ao redor
Do lado de fora, uma voz ecoou.— Helena!Ela fechou os olhos.— Eles chegaram.A voz continuou:— Entregue as crianças e ninguém precisará morrer.Dante respondeu:— Venha buscá-las.Um silêncio.Então uma mulher entrou na caverna.Ela usava um longo manto negro.No pescoço carregava um símbolo de lua.Seus olhos estavam fixos na terceira herdeira.A menina recuou.— Não...A mulher sorriu.— Minha pequena.— Não chega perto de mim.— Depois de tantos anos, ainda tem medo?Lívia se colocou entre as duas.— Quem é você?A mulher olhou para ela.— Você deve ser Lívia.— Como sabe meu nome?— Eu conheci seu pai.Lívia ficou imóvel.— Quem é você?A mulher sorriu.— Meu nome é Serena.Clara deu um passo para trás.— Serena Valen...Dante olhou para Clara.— Você conhece esse nome?Clara respondeu:— Todos acreditavam que ela estava morta.Serena riu.— Todos acreditavam errado.***Lívia não tirava os olhos dela.— O que você quer?Serena respondeu:— Quero recuperar aquilo que pertence
A risada ecoou pela caverna.Lenta.Baixa.Assustadoramente tranquila.A terceira herdeira apertou a mão de Lívia.— É ela.Lívia olhou para a passagem.— Quem?A menina engoliu em seco.— A mulher que me criou.Dante levantou a espada.— Todos para trás.Rafael posicionou-se ao lado dele.Lyra puxou Aurora para perto.Elias permaneceu imóvel.Clara, porém, parecia ter visto um fantasma.— Não...Lívia olhou para a mãe.— Você conhece essa mulher.Clara não respondeu.— Mãe!— Conheço.A voz de Clara saiu quase sem força.— Quem é ela?Clara respirou fundo.— Helena.Todos olharam para a mulher que estava atrás deles.A mesma Helena que os havia recebido na cidade.A mesma mulher que havia dito esperar pelas três herdeiras durante vinte anos.Lívia virou-se lentamente.— Helena?A mulher não respondeu.Apenas fechou os olhos.Quando os abriu novamente, não havia mais medo em seu rosto.Havia determinação.— Eu sinto muito.Dante avançou.— Você nos enganou.Helena recuou.— Eu precisa







