INICIAR SESIÓN— Uma tempestade atingiu a praia. A lancha em que Martina estava… ela virou. Ela está desaparecida.
O mundo dele desabou. Não importava a distância, ele ainda a amava com a devoção doentia de um homem que só amou uma vez. Em segundos, a reunião foi encerrada, a viagem de volta comprada e a vida profissional reduzida a cinzas.
Ele voou de volta ao Brasil, com as horas de voo sendo uma tortura silenciosa. A cena que o esperava era o caos da procura, a dor da incerteza, e a presença incômoda de repórteres.
Ao chegar, recebeu o segundo golpe. Soube que não era só a sua esposa. Mais também seu irmão, que também estava na lancha, enquanto mentia estar em outro estado. Ele também estava desaparecido.
A notícia soou como uma piada de mau gosto, uma peça cruel orquestrada pelo destino. Ele pensou no irmão, o que ele fazia ali, a sós e mentindo.
O mistério não durou muito, Dominic entrou em contato com a operadora de celular dela, verificou mensagens, redes sociais e descobriu que eles estavam tendo um caso a anos. Os corpos foram encontrados juntos, a poucos metros um do outro. Eram os destroços físicos da sua vida. O que era para ser uma "viagem de trabalho" era, na verdade, uma fuga de dois amantes.
O caso de traição, longo, sórdido e com seu próprio irmão, foi exposto com brutal clareza. Não havia mais luto puro. Era uma mistura tóxica de dor, humilhação e fúria que ameaçava engoli-lo por inteiro.
A pequena Mimi estava sob os cuidados dos avós maternos (o lado da família de Martina, que Dominic mal conhecia), uma criança pequena demais para entender o que era a morte ou a vergonha.
Dominic agiu com a frieza de um empresário em crise: ele a deixou lá. Ele não podia olhar para ela sem ver a face triunfante de Martina e o sorriso cínico de seu irmão.
No meio da papelada do funeral, ele refletiu que estava cego. Ele precisava de uma confirmação final, de uma verdade incontestável para justificar sua repulsa, pela menina.
Em poucos dias, o resultado brutal chegou, confirmando o que ele já temia: Mimi não era sua filha.
Aquele pedaço de papel foi a decepção final. Ele não apenas havia sido traído e humilhado publicamente, ele havia investido cinco anos de amor e dinheiro em uma farsa completa.
Destruído e envergonhado ao extremo, Dominic fez o que sabia fazer de melhor: fugir para o trabalho. Ele retornou à Europa, cortou o contato com o resto da família e não quis conviver com a "filha". A criança, que era a lembrança viva de sua ruína, ficou no Brasil com a família da mãe biológica.
A promessa de cuidar de Mimi foi mantida financeiramente, mas não emocionalmente. Ele se isolou em seu novo posto, mergulhando no trabalho como um viciado.
E Mimi, nos braços dos avós maternos, que eram bastante humildes, cresceu sem sequer se lembrar do homem que um dia foi seu pai de fachada. O homem frio e quebrado que agora vivia entre a culpa, o luto e a necessidade absurda de prazer vazio.
Capítulo 8Ele beijou meu rosto, fiquei mais sem graça ainda. A Samira começou a falar que era verdade, que a Amara me respeitava, obedecia e, vindo dela, aquilo era algo muito grandioso. Assim que ele beijou meu rosto, já se afastou. Saí da sala pra amamentar, fui para um quarto sozinha.Entrei no quarto, fechei a porta, o Otávio mamou até dormir. Preferi ficar lá sozinha, não estava me sentindo à vontade perto deles, sendo o centro das atenções e criticada por tudo. A Samira foi me chamar pra comer, falei que estava indo, mas não fui. A Eduarda me ligou e começamos a conversar, ela disse que os pais dela tinham ficado preocupados e tristes pelo que aconteceu, também por não ter dado certo de me conhecer. Respondi:— Vamo
Capítulo 7Fiquei quieta, pensativa. Primeiro, eu não acreditava que o Caio podia ter sido capaz de fazer tudo aquilo com meus pais, também não ia adiantar remexer no passado, me arriscar e tudo por nada, porque eles não iriam voltar. Falei pra ele que não ia deixar de viver com medo do Caio, também que não ia fazer nada contra ele. Ele perguntou se eu ainda mantinha contato de alguma forma, falei que não, que tinha trocado de número e não passado a ele. Ele respondeu:— Quero que você venha morar aqui antes mesmo do casamento, vou ficar mais tranquilo com você aqui e a Amara está dando muito trabalho, eu venho tentando contornar a situação, mas você, melhor do que ninguém, sabe como ela é.Comecei a fala
Capítulo 6Fiquei de calcinha e sutiã. Ele ligou o chuveiro, fiquei embaixo da água por bastante tempo e ele sentado no banheiro, sem olhar pra mim. Quando fui sair do banho, ele perguntou por que eu tinha bebido tanto, onde eu estava com a cabeça.Respondi:— Porque eu quis. Você vive bêbado desde que te conheci e eu não te julgo por isso.Ele saiu do banheiro, disse que ia pegar alguma coisa pra eu tomar. Me troquei, coloquei o pijama e deitei. Tudo estava rodando. Ele me levou suco com bolacha de água e sal, sentou nos pés da cama e ficou lá quieto até eu dormir.Acordei me sentindo péssima, fui logo ver o Otávio. Ele estava dormindo ainda. A Eduarda disse que precisava ir embora cedo e que ainda íamos conversar d
Capítulo 5Passei na cozinha, peguei duas cervejas e voltei pra fora. Ficamos a tarde toda bebendo e conversando. Ela contou tudo sobre o casamento dela, desde o começo.Quando me senti meio bêbada, o Tariq tinha acabado de ir sentar perto da gente. Pra evitar ele, entrei na piscina de roupa mesmo. Fiquei brincando com as meninas, deixei o Otávio com a Eduarda.Eles tiraram as meninas da piscina e já estava escurecendo. A Eduarda foi dar banho e trocar elas. Fiquei sozinha mais um tempo na água.Ele saiu sozinho, abaixou perto de mim na beirada da piscina e disse mais amigável:— Acho que você vai derreter se ficar mais um pouco aí. Vem, vamos sair. Eu trouxe uma toalha pra você.Falei que não queria sair ainda.Ele
Capítulo 4Ele foi para o escritório, se trancou lá. Eu fiquei com as crianças na sala. A empregada doméstica estava lá, fui atrás dela na cozinha, perguntei o que ela podia fazer de gostoso, algo que eu pudesse só colocar no forno à noite. Ela disse que podia ser costela recheada ou alguma massa. Escolhi a costela mesmo. Ela precisava de alguns ingredientes e, principalmente, da costela.Me prontifiquei a ir no mercado com ela. Peguei o Otávio, fui no escritório, entrei sem bater e falei me aproximando da mesa:— Você pode segurar ele um pouco, por favor?Ele disse que sim. Dei o Otávio no colo dele, saí da sala. A empregada e a Amara já estavam me esperando, prontas pra ir ao mercado.Peguei as chaves do ca
Capítulo 3Não respondi nada, voltei a sentar. Ele entrou, pegou uma cerveja e logo voltou pra fora. Foi e sentou perto de mim, na cadeira atrás de mim. Perguntou se eu não ia querer escolher nada do casamento, porque não tinha respondido à secretária dele.Não falei nada. Deixei a cerveja lá, levantei, entrei pra dentro e fui deitar, me perguntando se ele não tinha o menor carinho, respeito ou pena de mim.No dia seguinte levantei um pouco tarde, quase 10:00 da manhã. Sentei pra tomar café com o Otávio no carrinho, ouvi que chegou alguém, voz de mulher. Logo ele veio me falar que a secretária estava lá pra conversar comigo sobre o casamento.Eu estava super triste, chateada, revoltada com ele. Meus olhos se encheram







