INICIAR SESIÓNIsabella
— Anda logo, porra.
Os dedos de Viktor apertavam meu braço com tanta força que eu já nem sentia direito a mão. Eu tropecei no salto de novo quando ele me puxou pelo corredor estreito, quase me fazendo cair.
— Eu tô indo — falei baixo, tentando acompanhar.
— Então para de me atrasar.
A música alta da boate fazia o chão vibrar mesmo daquele lado de dentro. Luz vermelha escapava pelas frestas das portas, misturada com cheiro de bebida, cigarro e perfume forte demais.
Eu odiava aquele lugar.
Viktor me puxou com mais força quando percebeu que eu tinha diminuído o passo.
— Escuta bem uma coisa — ele rosnou perto do meu ouvido. — Hoje você vai parar com essa cara de enterro e fazer o que mandarem. Entendeu?
Engoli seco.
Não respondi rápido o suficiente.
Ele apertou meu braço.
— Eu perguntei se entendeu.
— Entendi.
Ele me soltou só quando chegamos perto da porta do camarim. Meu braço ardia.
Passei a mão no local enquanto tentava respirar direito.
Viktor me olhou de cima abaixo, claramente irritado.
— Pelo menos aprende a fingir. Homem nenhum paga pra olhar pra uma mulher com cara de quem quer fugir.
Eu queria fugir.
Todos os dias.
Ele abriu a porta sem esperar resposta.
O camarim estava cheio, quente, abafado. Algumas garotas se arrumavam em silêncio, outras fingiam conversar como se aquilo tudo fosse normal.
Nunca parecia normal pra mim.
Sofia foi a primeira a levantar os olhos quando eu entrei.
E também a primeira a perceber meu braço vermelho.
Ela desviou o olhar rápido antes que Viktor percebesse.
— Dez minutos — ele avisou. — E limpa essa cara, Isabella. Hoje tem gente importante aqui.
Assim que a porta fechou, Sofia levantou da cadeira devagar, esperando alguns segundos antes de se aproximar.
Ela segurou meu rosto com cuidado.
— Deixa eu ver.
Virei um pouco o braço, já vermelho.
— Filho da puta — ela murmurou baixo.
Meus olhos arderam na mesma hora. Ódio, vergonha, cansaço… eu nem sabia mais separar.
Sofia passou o polegar perto do meu rosto.
— Ei. Não chora agora.
Mas já era tarde.
Uma lágrima escapou antes que eu conseguisse segurar.
Ela me puxou até a cadeira na frente do espelho e pegou um lenço da bancada.
— Respira.
Fiquei olhando meu reflexo enquanto ela limpava meu rosto devagar. A maquiagem borrada, o cabelo começando a sair do lugar… eu mal me reconhecia mais.
Fazia uma semana.
Só uma semana.
Às vezes parecia um mês inteiro.
— Vai passar — Sofia falou, embora nem ela parecesse acreditar muito nisso.
Dei uma risada fraca, sem humor.
— Você também disse isso no primeiro dia.
Ela suspirou atrás de mim.
— E você ainda tá viva.
Aquilo não ajudava.
Fechei os olhos por um segundo enquanto ela começava a retocar minha maquiagem.
Eu ainda conseguia lembrar da entrevista.
A mulher sorrindo do outro lado da mesa, falando sobre trabalho em eventos privados, homens ricos, gorjetas boas, hospedagem paga. Disse que eu teria que servir bebidas, acompanhar clientes importantes, manter discrição.
Nada parecia tão absurdo na hora.
Eu precisava do dinheiro.
Minha mãe tava atrasada no aluguel de novo, e eu já tinha ouvido ameaça de despejo duas vezes naquela semana.
Achei que fosse aguentar.
Achei que podia sair quando quisesse.
— Não pensa nisso agora.
— Difícil não pensar.
Ela ficou em silêncio por alguns segundos.
— Hoje só tenta não chamar atenção.
Soltei uma risada baixa.
— Meio tarde pra isso.
Sofia me olhou pelo espelho.
E então desviou os olhos.
Foi aí que meu estômago afundou de novo.
— O quê?
Ela hesitou.
Isso bastou.
— Sofia.
Ela largou o pincel devagar sobre a bancada.
— Viktor separou você pra área de cima hoje.
Meu corpo esfriou inteiro.
— Não…
— Eu tentei falar com ele.
— Não.
Levantei tão rápido que a cadeira bateu na parede atrás de mim.
— Não, não, eu não vou subir pra aquele lugar. Sofia, eu não vou.
— Me escuta.
— Ele não pode me obrigar!
Assim que as palavras saíram, eu mesma percebi o quanto soaram idiotas naquele lugar.
O olhar da Sofia mudou na hora.
Mais duro.
Mais cansado.
Eu já tinha ouvido as meninas falando da área de cima.
Sempre baixo.
Sempre como se alguém pudesse ouvir.
— Pode, Isabella. Aqui dentro, ele pode tudo.
Balancei a cabeça, sentindo o desespero subir pela garganta.
— Eu não consigo.
— Consegue sim. Vai tremendo, chorando, odiando… mas consegue.
— Sofia…
Ela segurou meu rosto dessa vez, me forçando a olhar pra ela.
— Para de agir como se alguém fosse entrar aqui e salvar você, porque ninguém vai.
Aquilo bateu pior do que eu esperava.
Meu peito apertou na mesma hora.
— Você acha que eu não pensei igual quando cheguei? — ela continuou, mais baixo. — Achei que era só sair pela porta. Achei que alguém ia perceber. Que alguém ia fazer alguma coisa.
Ela soltou uma risada amarga.
— Ninguém faz.
Fiquei em silêncio, tentando controlar a respiração.
Sofia soltou meus braços devagar.
— Então escuta o que eu tô te falando agora e enfia isso na cabeça. Quanto mais você enfrenta o Viktor, pior ele fica.
Olhei pra ela sem responder.
— Você acha que ele tá irritado hoje? Ainda não viu irritado de verdade.
Meu estômago virou.
Ela passou a mão no cabelo, claramente nervosa também.
— Os homens da área de cima pagam caro, Isabella. Muito caro. E Viktor não gosta de perder dinheiro.
Senti vontade de vomitar.
— Eu não consigo fazer isso.
— Você acha que alguma de nós consegue?
O silêncio caiu pesado entre a gente.
Sofia respirou fundo e pegou o pincel de novo.
— Senta.
Não me mexi.
— Isabella, senta nessa merda dessa cadeira antes que ele volte aqui.
Minha perna ainda tremia quando eu sentei de novo.
Ela voltou a arrumar minha maquiagem em silêncio por alguns segundos.
Depois falou mais baixo:
— Faz seu trabalho primeiro. Entra em pânico depois.
Naquele lugar, aquilo já era quase um conselho carinhoso.
IsabellaJá tinham se passado alguns dias desde a ultrassom, e eu ainda pegava as fotos do bebê para olhar antes de dormir. Dante tinha colocado uma delas na mesa de cabeceira, embora tivesse prometido que escolheríamos juntos um lugar para guardar todas. Na prática, ele continuava ocupado com os problemas da Famiglia e, mesmo quando estava em casa, recebia ligações que o faziam sair do quarto ou se trancar no escritório.Naquela tarde, eu tinha ido à casa da minha sogra visitar Matteo. Ele ainda estava se recuperando das agressões, e eu não queria deixar de vê-lo só porque Dante andava preocupado com o trabalho. Minha sogra me recebeu com um abraço e me levou até a sala, onde encontrei Matteo sentado no sofá, com uma almofada apoiada ao lado do corpo.
DanteMatteo voltou para a mansão de minha mãe no fim da tarde, com duas costelas machucadas e o rosto ainda inchado. O médico recomendou repouso, mas meu irmão nunca foi bom em ficar parado, e eu já esperava encontrá-lo no escritório assim que soube que tinha chegado. Quando entrei, ele estava sentado no sofá, com uma bolsa de gelo apoiada na lateral do corpo, conversando com Enzo sobre o que tínhamos descoberto.— Você devia estar descansando — falei, fechando a porta.— E você devia parar de trabalhar um pouco, mas nenhum dos dois parece disposto a colaborar. — Matteo tentou sorrir, mas fez uma careta quando se ajeitou no sofá. — Enzo estava me contando sobre as informações que você espalhou. Parece que a
DanteQuando cheguei à mansão, Matteo já havia sido levado ao hospital para fazer os exames. O médico suspeitava de lesões nas costelas, mas ainda não sabia dizer se alguma estava quebrada. Minha primeira vontade foi ir até lá, mas mudei de ideia assim que entrei no escritório e vi os relatórios espalhados sobre a mesa. Meu irmão estava ferido, a carga continuava desaparecida e alguém dentro da nossa estrutura tinha acesso a informações suficientes para comprometer nossas operações. Eu cuidaria de Matteo assim que terminasse o que precisava fazer. Antes disso, queria descobrir quem estava brincando com a minha família e com os meus negócios.Enzo e Sandro já me aguardavam. Luca entrou logo atrás de mim e fechou a porta, permanecendo perto dela e
DanteEu ainda estava na clínica quando Matteo ligou pela segunda vez. Na primeira, eu não havia conseguido atender porque estava resolvendo a saída de Isabella da sala de exames, mas a insistência dele me fez interromper o que estava fazendo. Assim que levei o telefone ao ouvido, percebi que havia alguma coisa errada. A respiração estava pesada, a voz falhava e, por trás dela, havia um esforço evidente para continuar falando como se estivesse tudo sob controle.— Dante, preciso que você venha até aqui. Agora.— Onde você está?Matteo demorou alguns segundos para responder. Quando finalmente passou o endereço, reconheci a região industrial nos arredores da cidade, um lugar com galp&otild
IsabellaEu estava na sala, conferindo pela terceira vez o horário da consulta no celular, quando ouvi o carro de Dante chegando. Levantei do sofá antes mesmo de Luca aparecer para avisar que ele tinha voltado e fui até a porta, encontrando meu marido entrando com o paletó sobre o braço e a gravata um pouco frouxa.Dante mal teve tempo de fechar a porta. Assim que me viu, abriu um sorriso discreto, segurou minha cintura e me puxou para perto, beijando minha boca com vontade. Passei os braços pelo pescoço dele, correspondendo ao beijo, e senti sua mão deslizar pelas minhas costas enquanto me mantinha junto ao corpo. Quando me afastei para respirar, continuei sorrindo contra os lábios dele.— Estava com saudade? — perguntei, passando os dedos pela gola da camisa.
IsabellaAlguns dias tinham passado desde que descobri a gravidez e, aos poucos, meu corpo começou a me lembrar disso o tempo todo. O enjoo era o pior. Naquela manhã, eu ainda estava meio sonolenta quando senti o cheiro do café e precisei sair da cama correndo. Nem consegui chegar direito ao banheiro antes de começar a passar mal.Quando voltei para o quarto, encontrei Dante terminando de abotoar a camisa. Ele olhou para mim na mesma hora, parando o que estava fazendo.— De novo?— De novo — respondi, prendendo o cabelo para trás e sentando na ponta da cama. — E antes que você pergunte, não, eu não quero comer nada agora.Dante pegou o relógio em cima da cômoda e veio até mim. Ajoelhou na minha frente e passou a mão pela minha perna, olhando meu r







