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2.4 O Pedido do Moretti

Autor: Burn knight
last update Fecha de publicación: 2026-05-14 01:47:01

Isabella

Fiquei quieta por alguns segundos, tentando pensar em alguma resposta que não me colocasse em problema.

Moretti continuava me olhando como se já soubesse que eu tava escondendo alguma coisa.

Desviei os olhos primeiro.

— Eu precisava de dinheiro.

Ele apoiou o copo na mesa sem tirar os olhos de mim.

— Isso eu já imaginei.

Olhei pro outro lado do salão quase por impulso. Viktor ainda circulava entre as mesas, mas vez ou outra olhava na nossa direção.

Quando voltei os olhos pra frente, percebi que Moretti tinha reparado.

— Primeira vez na área de cima?

— É.

Ele me observou por mais um instante.

— Nunca fez particular também.

Engoli seco.

— Não.

Aquilo claramente confirmava alguma coisa na cabeça dele.

Me mexi desconfortável no sofá, tentando esconder o nervosismo, mas era inútil. Minhas mãos não paravam quietas nem por um segundo.

Moretti olhou pra elas antes de pegar a garrafa na mesa.

Serviu um pouco de bebida em outro copo e empurrou na minha direção.

— Bebe.

Olhei pro copo.

Depois pra ele.

— Eu não quero.

Ele inclinou um pouco a cabeça, me olhando por cima do copo.

— Vai te ajudar a relaxar.

Soltei uma risada baixa, sem humor.

— Acho difícil relaxar aqui.

— Justo.

Ele pegou o próprio copo de novo enquanto eu continuava encarando a bebida parada na minha frente.

— Tá com medo que tenha alguma coisa aí dentro?

Levantei os olhos pra ele rápido demais.

O canto da boca dele se mexeu de leve, quase uma risada.

— Se eu quisesse apagar você, Isabella, não faria na frente de metade dessa boate.

— Eu realmente não costumo beber.

— Então hoje é uma ótima noite pra começar.

A bebida queimou minha garganta na mesma hora.

Fiz uma careta involuntária, tossindo fraco logo depois.

E aí ele riu.

— Tem gosto de gasolina.

Outra risada baixa.

Moretti terminou o resto da bebida sem pressa enquanto eu ainda tentava fazer a garganta parar de arder.

O silêncio entre nós ficou estranho depois daquilo.

Ele pegou o relógio no pulso rapidamente, como se estivesse vendo as horas, então levantou sem dizer mais nada.

Vi vários olhares acompanhando ele atravessar o salão. Alguns homens cumprimentavam com a cabeça, outros simplesmente abriam espaço quando ele passava. 

Os dois trocaram poucas palavras perto do bar. Depois, Moretti se inclinou um pouco e falou algo baixo no ouvido dele e se foi.

— O que foi que você falou pra ele? — Disse Viktor ao vir até mim.

— Nada.

— Amanhã você não sobe pro salão.

Meu estômago apertou.

— O quê?

— O senhor Moretti pediu você no Privé Nero.

O nome sozinho já fez meu corpo gelar.

Viktor levantou antes que eu conseguisse perguntar qualquer outra coisa.

— Amanhã, oito da noite. E vê se aprende a não fazer cara de funeral na frente dele.

Ele saiu logo depois.

Fiquei parada alguns segundos, tentando entender por que meu coração parecia querer sair pela garganta.

Privé Nero.

Só o nome já fazia meu estômago embrulhar.

Levantei quase sem sentir as pernas e voltei pro corredor dos camarins. A música parecia ainda mais irritante agora.

Sofia levantou da cadeira assim que me viu entrar.

— O que aconteceu?

Fechei a porta atrás de mim.

— Ele me pediu amanhã.

Ela franziu a testa sem entender.

— Quem?

— Moretti.

O rosto dela mudou na mesma hora.

Ela ficou séria rápido demais.

— Pra onde?

Engoli seco.

— Privé Nero.

O silêncio caiu pesado entre nós.

Sofia desviou os olhos primeiro.

E aquilo me assustou mais do que qualquer resposta.

— Sofia.

Ela passou a mão no rosto antes de suspirar.

— Talvez isso seja bom.

Quase ri.

— Você não parece acreditar nisso.

— É porque homem rico nunca pede garota nenhuma daquele jeito à toa.

Meu peito apertou.

— O que acontece naquele quarto?

Ela demorou alguns segundos pra responder.

— Depende do homem.

— E dele?

Sofia me encarou por um momento.

— Eu nunca ouvi nenhuma garota reclamar do Moretti.

Aquilo devia me tranquilizar.

Mas não tranquilizou.

Nem um pouco.

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